Log In

Opinião Preview

Primeiras Impressões – Hart of Dixie

Pin it
0
0


Toda história tem que ter começo, meio e fim. História boa tem começo intrigante, meio cativante e final emocionante. E o piloto de Hart of Dixie foi assim, do início ao fim, uma história boa.

Não direi que a série será unânime, e que no próximo Emmy arrebatará várias indicações, mas para quem está acostumado com o padrão The CW de qualidade, Hart of Dixie surpreendeu, chegando a lembrar um pouco as saudosas séries da WB – em sua época de ouro-, algo que até agora a CW ainda não tinha conseguido fazer desde sua criação/fusão. Ou seja, preencher a lacuna de séries como Everwood, 7th Heavene Gilmore Girls e satisfazer o público “família”, deixando de alvejar somente a gloriosa audiência dos 16 aos 21 – talvez por saber que seu atual público “demo” ainda gasta usando o cartão de crédito dos pais.

Confesso que entrei em choque quando, depois de assistir ao piloto, descobri que a série seria exibida pela tal emissora. Então, desde já, desejo boa sorte aos que se apegarem aos encantos de Bluebell e a médica Zoe Hart. E, duvido um pouco que sejam os fãs de Gossip Girl.

Mas não vim aqui para falar de audiência, e sim para dizer que o drama pode se tornar um dos preferidos, logo após a sua estreia.  Elementos para isso o show tem, e por causa disso, já estou apegada às aventuras de Rachel Bilson. Ah, sim, não dá para abrir um texto sobre Hart, sem falar da atriz. Muitos podem ter sido atraídos para a série por serem fãs de The O.C., se foi esse o caso, não esperem de Bilson uma nova Summer. Hart é petulantemente mais madura que a garota de Orange County, mas nem por isso, se pode ignorar o mesmo carisma sádico que nos pega de surpresa e nos faz torcer pela novaiorquina do começo ao fim.

Se você chegou até aqui sem ter visto o episódio piloto, não precisa se preocupar. A trama é aparentemente nenhum pouco complicada. Zoe Hart é uma residente de medicina de Nova Iorque, que não consegue a bolsa para ser cirurgiã cardiologista e vê como única oportunidade de se dar bem na carreira a sua mudança para uma cidadezinha no interior do Alabama. Lá, ela conhece pessoas legais e outras nem tão legais assim, e vai ter que conquistar o seu lugar como pessoa e como profissional, já que a cidade de Bluebell é bem menos que uma colônia de férias e muito mais como o teste de sua vida. A simplicidade se ofusca nas tramas paralelas, que pelo piloto, parecem ser muitas.

Se você realmente chegou aqui sem ter assistido ao episódio, não irá se surpreender ao saber que Hart enfrenta vários problemas logo de cara, o maior deles, se adaptar ao ritmo, aos costumes e pessoas de Bluebell. Entre um caso médico e e outro, Hart conhece os rapazes da cidade, esbarra com a provável inimiga Lemon e encontra no prefeito Lavon um ótimo companheiro. Em meio a jacarés e partos de emergência, são essas tramas paralelas que irão manter a mocinha ocupada de fato.

Falando nisso, peço desculpas pela intromissão um pouco exagerada, mas alguém aí já leu algum conto do novelista F. Scott Fitzgerald? Literatos de plantão, não fiquem enjoados, mas encontrei em Hart of Dixie a atmosfera envolvente dos contos de Fitzgerald. Onde todos tem uma motivação secreta e um coração que pode ser lido de dentro para fora ou de fora para dentro. Mas não precisa ter lido os contos desse escritor para entender sobre o que eu estou falando – mas se não o fez, espero que o faça agora! – porque um romance maniqueísta, onde o mal e bem não se misturam, está extremamente fora de moda, e sabemos muito bem que todo ser humano tem a mesma capacidade para fazer o bem e o mal.

Dito isso, o que será da imediata conexão entre Zoe e Tucker? O bom moço sentirá algo pela médica? E a Zoe e o caipirão bonito? Triângulos, quadrados, ou hexagonos amorosos? E o que achar da Lemon depois de vê-la destilando seu veneno contra a médica, tendo surtos egoístas com a mãe, tratar o Tucker com uma doçura comedida e cochichar arrependida suas preocupações com Lavon. Falando nisso, entrei em choque quando a loirinha insinuou – explicitamente – o possível “caso” entre os dois. O que, em um contexto racista do sul, seria um escândalo por si só.

Como será a relação da jovem médica e sua família depois da revelação sobre o caso que o velho Hart teve com sua mãe? E que por causa disso, ela herdou parte da clinica de Bluebell e muito ressentimento do seu pai postiço. Isso terá algum impacto quando os cidadãos da cidadezinha souberem como a jovem herdou metade da cliníca?

Há muito sobre o que falar. Mas tomara que a série não caia em estereótipos idiotas e retratar o sul dos EUA como um lugar retrógrado. Certo que o jeitinho bucólico de uma cidade de interior é bem menos sofisticado que o burburinho de Nova York. Eu sou fã do sul dos Estados Unidos. E foi exatamente o ar aconchegante de Bluebell que prendeu a minha atenção. Para quem não é fã de geografia, a cidade fictícia fica em Alabama – centro sul dos Estados Unidos. E sim, é lá onde os “caipiras” estão concentrados. Caipiras se você comparar com a sofisticação cosmopolita de Nova York, mas como uma personagem de Fitzgerald muito bem lembrou – “jovens sofisticadas são terrivelmente comuns, não acha?”. Sim, eu acho. Adoro o sotaque sulista (Jaime King e Scott Porter são de Nebraska), música country e costumes absurdos – se analisarmos com um olhar sofisticado e comum. Por isso, não gostaria que o Alabama fosse motivo de chacota na série, e que respeitassem as diferenças econômicas e históricas entre as regiões do sul e do norte. Até porque dizer que todo mundo que mora em Nova Iorque é frio, calculista, frívolo, efêmero, mesquinho entre outros adjetivos, não é nada gentil também.

Até podem abordar questões importantes, como o racismo e a economia frágil, mas que não chamem os sulistas de atrasados e idiotas. Até porque paspalhões podem viver em qualquer lugar da América e do mundo. E também não retratem os novaiorquinos como soberanos e invencíveis, e com um desespero reccorente de fugir toda vez que a água fria bate na bunda.

Se Hart não provocar uma nova guerra civil, vai ter a ótima oportunidade de construir narrativas com o foco na natureza humana -sem se perder nos planos de agentes secretos mirabolantes, vampiros e lobisomens, super-heróis e jovens vazios e vingadores.

Uma pequena trívia: Hart of Dixie é um trocadilho com o apelido oficial do estado de Alabama, Heart of Dixie,  que significa em um contexto maior “o coração do sul”.

Séries citadas:

30 anos, é formada em jornalismo pela Unesp e em Letras Inglês e Literaturas pela UFRN. No "TeleSéries", já foi colaboradora e editora de Notícias, agora é Editora de Conteúdo e escreve a coluna mensal "Sintonia". Já passou pelo Vírgula e pela Rede BomDia, do DIário de S. Paulo. No tempo livre, vê Bones, Hot in Cleveland, It's Always Sunny in Philadelphia, entre muitas outras séries. Fã do Clark Kent e música country.

Website: http://naliteral.blogspot.com.br/

19 Comments

  1. Anônimo

    review matadora com citação literária, amei!

    provavelmente não verei porque minha “grade” tá estourando de lotada, mas acompanharei as reviews.

  2. Mi Leleko Cardoso Zago

    Meu Deus, que review é esse minha senhora???? Aahaahah arrazou, parabéns!!!
    Muito rico, muito recheado, perfeito!
    To ainda de boca aberta!

    AMEI esta série… realmente surpreendeu por ser da CW. Estou estourada também, muitas séries mesmo mas esta é uma das que valem a pena assistir! 

  3. MicaRM

    Eu ia assistir porque, bem, porque ia, mas depois do seu review fiquei encantada. Ainda não vi o episódio, mas estou com água na boca.

  4. Maria Regina

    Também pensei em dar uma olhada na série, mas depois do seu review vou ver agora, com certeza. 

  5. Mariela Assmann

    Linda review!!! E muito boa Hart of Dixie. Foi uma das boas surpresas da Fall! =D

  6. Maria Clara Lima

    Oi, pessoal. Obrigada pelos comentários, me senti tri feliz com isso. Bom, espero não ter feito propaganda enganosa! Voltem aqui para comentar! Bj

  7. Netopaes

    Ainda não vi os episódios, mas sua review me fez lembrar de Providence…

  8. Ceicalima

    Parabéns clara . uma ótima resenha , realmente entendes do assunto , um abraço.

  9. Renata

    porque não se pode gostar de gossip girl e hart of dixie ao mesmo tempo?e toda essa abordagem contra o preconceito onde fica?

  10. Anônimo

    Estou com muita vontade de assistir Hart of Dixie. Primeiro porque é com a minha diva eterna Rachel Bilson de The OC e porque eu me interessei com a história em si.
    Adooorei a review Clara;

  11. Rodrigo

    Pelo que li acima, me lembrou um pouco Everwood…
    Ótima review!!!

  12. Maria Clara Lima

    Há uma coisa chamada público alvo que engloba apenas parte (mesmo que significativa) da audiência de um programa. Não se faz programa sem um público alvo, senão não se cativa audiência. Você tem liberdade pra assitir qual série escolher, apenas não será parte do alvo comum. =] Bem diferente de preconceito.

  13. Thiago SP

    Vou assistir e dps digo oq axei…mas ter rachel bilson ja é um ponto positivo hehe
    Pow é incrível….do elenco la de The OC ela é a que menos mudou, ta com a mesma carinha de boneca
    Muito linda essa garota…espero que a serie seja boa

    PS: pra quem é fã de The OC e dos atores…tem tbm a série Southland, estrelada pelo Ben Mckenzie (o Ryan)…é um drama policial, ta indo pra quarta temporada…o inicio não achei taum bom, mas em alguns episodios ganhou uma qualidade incrivel
    Fica a dica 

  14. Pingback: Canal Glitz vai exibir Hart of Dixie, nova série de Rachel Bilson

  15. Pingback: Destaques da Semana – Brasil – 2 a 8/7

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Log In or Create an account