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Primeiras Impressões – Black Box

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Uma famosa neurologista, cujos métodos de tratamento são inovadores, esconde de seus pares que ela própria passa por problemas, ocasionados pelo Transtorno Bipolar. É esse o plot principal de Black Box.

A série é protagonizada pela belíssima Kelly Reilly, que fez um trabalho excepcional no episódio piloto. Aliás, o principal trunfo de Black Box é tratar a bipolaridade de forma não estereotipada. E ter conseguido isso passa, sem dúvida, pela entrega de Reilly à Dra. Black. A protagonista da série é uma personagem bem construída, complexa, e que nos causa reações antagônicas já nesse episódio piloto. Se por um lado é impossível não se irritar com sua impulsividade e inconsequência, por outro é impossível não adorar sua preocupação, sua delicadeza com os pacientes e não torcer para que tudo dê certo para ela.

Outro trunfo de Black Box foi colocar “todas” as cartas na mesa nesse primeiro episódio, no que toca à Catherine, enquanto que reserva para os episódios seguintes as revelações sobre os demais personagens. A estratégia é válida, já que mais do que nos apresentar à médica, nos conta seus porquês, suas angústias e suas aspirações. Empatizamos com ela, de forma inevitável. E se ainda não deu para perceber muito bem como o resto da série funcionará (os dois casos médicos do episódio foram apenas medianos), essa empatia com Catherine que nos fará voltar para o segundo episódio.

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A forma que a série foi filmada, tratando de forma diferente e mais fluida as cenas nas quais Catherine está em surto, também merece elogios. Ficou fácil de embarcar nas sensações da protagonista. A angústia chegou a ficar palpável em alguns pedaços do episódio.

David Ajala, que interpreta Will, segurou bem as pontas atuando ao lado de Kelly. Mas não consegui torcer pelo casal, o que é um pouco grave, já que eles parecem ser o “casal a ser shippado”, na série. O detestável Dr. Bickman, de Ditch Davey, parece ser o antagonista. Mas é igualmente impossível torcer para que Catherine acabe nos braços do detestável doutor. A torcida pela Dra. Black é grande, mas passa longe da área amorosa da sua vida.

Mais interessante foi ver a interação de Catherine com sua psicóloga, interpretada pela ótima Vanessa Redgrave, que construiu muito bem sua Helen Hartramph. Sem contar que me apaixonei por Josh e Esme (aliás, bom trabalho de Siobhan Williams), e Laura Fraser foi competente em me fazer odiar sua mesquinha Regan.

O que mais preocupa, em relação à Black Box é, portanto, não sua trama, que tem potencial para evoluir bem. É sua audiência, que já começou baixa (6.87 milhões). A responsabilidade de substituir bem Scandal na grade da ABC é gigantesca, e com a tendência da audiência de cair, talvez não possamos ver nem os 13 episódios programados para a primeira temporada da série.

Isso seria uma pena, já que poucas vezes se viu a bipolaridade retratada com tanta precisão e competência na televisão.

Séries citadas:

Editora Chefe do TeleSéries, gasta boa parte da sua semana com séries. Sua estréia foi com ER, e atualmente assiste - entre várias outras - Grey's Anatomy, Game of Thrones, Suits, Castle e Rookie Blue. Ainda assim, arrumou um tempinho para maratonar Friends, The X Files e Chuck - pela qual se apaixonou, recente e irremediavelmente. Está saindo da crise de abstinência de Fringe graças à Orphan Black.

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