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Primeiras Impressões – Beauty and the Beast

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Série: Beauty and the Beast
Episódio: Piloto
Nº do episódio: 1X01
Exibição nos EUA: 11/10/2012
74.5
3.7
10

“Sentimentos são fáceis de mudar, mesmo entre quem não vê que alguém pode ser seu par”

Beauty and the Beast desencorajou milhares de espectadores ao redor do mundo antes de estrear. Logo de cara, teve gente dizendo que não daria oportunidade ao show. O seriado recriaria um dos maiores clássicos infantis – A Bela e a Fera -, ainda que se inspirasse na série de mesmo nome exibida pela CBS entre 1987 e 1990, estrelada por Linda Hamilton e Ron Perlman. Até aí, tudo lindo.

O problema é que esse “tudo lindo” se estendeu e foi onde as polêmicas começaram: o ator neozelandês Jay Ryan era considerado bonito demais para interpretar a Fera; o canal CW também decidiu economizar na maquiagem e apenas uma cicatriz seria desenhada no rosto do ator para mostrar que ele estava na forma da “fera”.

Kristin Kreuk, a Lana Lang de Smallville, foi escalada para viver a detetive Catherine – “a Bela”. Kreuk é “pequenininha” demais e um tanto delicada para viver uma personagem estereotipada como “forte”.

Diante disso, mesmo aqueles que persistiam em acompanhar a história ficaram com o coração apertado. Mas Beauty and the Beast não é ruim.

“Basta um olhar, que o outro não espera, para assustar e, até perturbar, mesmo a Bela e a Fera”

Quando Vincent/Fera (Jay Ryan) aparece pela primeira vez na tela, é inevitável: a câmera dá um close no rosto dele e você pensa, quase sem querer… “Que lindo!”.

Ele e Catherine se encontraram nove anos atrás, quando a mãe dela foi assassinada e ela só escapou porque Vincent apareceu e matou os bandidos. Mais tarde, ele volta a figurar nos casos de trabalho da moça, que virou detetive em Nova Iorque.

Dá para dizer que o programa não engrenou logo no episódio piloto, a sensação é de que ainda não conhecemos a história de verdade.

Alguns elementos-base são falhos. O primeiro deles explica por que Vincent se transformou na “Fera”. Ele era médico e perdeu o irmão nos atentados às Torres Gêmeas. Para se vingar (de quem?), ele decidiu se alistar ao Exército e lutar contra o Afeganistão. Existe coisa mais americana e pouco criativa que isso?

Depois, ele conta para Catherine que, antes do conflito, os soldados passaram por uma experiência genética em que tiveram o DNA modificado; tornaram-se mais fortes, mais velozes e tiveram os reflexos aumentados.

O projeto deu errado e os soldados se mostraram verdadeiros monstros, que deveriam ser exterminados. Vincent sobreviveu. Quando ele tenta explicar a façanha, outro balde de água fria é jogado no espectador. Ele diz seguramente: tive sorte. Sorte? Quem quer acompanhar a história de um cara que teve apenas sorte? Programas de televisão falam de pessoas especiais, com algum talento peculiar.

Espero que, bem lá no fundo, Vincent esteja escondendo alguma coisa. Quem sabe a cicatriz não signifique algo mais?

“Sentimento assim, sempre é uma surpresa. Quando ele vem, nada o detém, é uma chama acesa”

Kristin Kreuk surpreendeu positivamente. Apesar da delicadeza, ela convenceu como Catherine, conseguiu passar determinação e até certa rispidez.

Nina Lisandrello, que vive Tess Vargas, a co-worker de Catherine, é extremamente carismática e acho que uma dupla envolvente vai sair dali. É ela, aliás, a responsável pelo humor da série. Pensei que esse papel seria de Austin Basis, que interpreta J. T., colega de apartamento de Vincent. Mas J. T. é sério, extremamente preocupado em manter o amigo seguro e anônimo (em sua morte forjada).

Já o inglês Max Brown, que interpreta um médico legista e pretendente de Cat, roubou a cena nesse primeiro episódio. O ator – que lembra Ed Westwick (Gossip Girl) em beleza e sotaque – tem muito mais química com Cat do que Vincent, propriamente.

“Sentimentos vêm para nos trazer novas sensações, doces emoções e um novo prazer”

Por falar em Vincent, ele só aparece na forma da besta quando colocado em situações emocionais. Nesses momentos, Jay Ryan surge com sua “maquiagem de Fera”, que mais parece “O Incrível Hulk” anêmico.

 “E numa estação como a primavera, sentimentos são como uma canção para a Bela e a Fera”

A relação da Bela e a Fera só comoveu nos últimos minutos do episódio, quando Catherine, pela primeira vez, vai até Vincent, não para saber detalhes da morte da mãe, e, sim, para lhe dizer que ele não é um monstro. Houve cumplicidade ali. Antes disso, entre os dois, apenas interesse próprio ou a falta dele.

Paralelamente, Catherine precisa lidar com o trabalho e as investigações policiais, que ficam em segundo plano no enredo. Ao que tudo indica, os casos serão independentes e distintos a cada quinta-feira de exibição.

Em suma, o piloto não era tão ruim quanto parecia, mas é cedo para fazer qualquer previsão. Ainda não mostrou a que veio. A julgar pela prévia do próximo capítulo, disponível aqui, Bela e Fera irão finalmente se entender. Cat vai querer transformar Vincent em uma espécie de consultor para os seus casos (tem como não se lembrar de Nick e Monroe, de Grimm?) e ele, cada vez mais, vai se libertar das “quatro paredes” de seu apartamento e pôr a (linda) cara na rua.

Beauty and the Beast é aquela série que você sabe que é meio fraca, mas insiste em acompanhar. Nesses dois opostos mesmo. Como deve ser; como a Bela e a Fera.

No Brasil, o programa estreia em novembro pelo Universal Channel.

P.S.¹: A trilha sonora é um praticamente um personagem à parte. Aumenta, silencia, em momentos estratégicos, criando impacto. Efeitos especiais também são bem feitos para uma série de TV.

P.S.²: Naquela cena do metrô, em que Vincent salva Catherine de ser atropelada, dá para ver um erro grotesco de continuidade. Enquanto Cat está de costas para Vincent, eles estão descabelados. Quando ela se vira, estão de cabelo penteado de novo. Atenção, CW!

Séries citadas:

É jornalista formada pela Unesp e pós-graduanda em Gestão Cultural. No TeleSéries, escreve mensalmente a coluna Estilo. Aficionada pelas histórias de terror, sobrenaturais e de mistério, também não dispensa aquela comediazinha romântica... Pushing Daisies, Jeannie é um Gênio, A Feiticeira, Riget, Lost in Austen, Wonderfalls, Samantha Who?, Copper, Harper's Island e Hannibal estão entre suas séries preferidas de todos os tempos! :)

17 Comments

  1. Camila Laís

    Acabei de assistir e tá com cara de bomba a caminho. Se passar dos 10 episódios vou até ficar surpresa! Mas vou dar outra chance pq concordo que ainda não mostrou pra que veio. ;)

  2. Gabriela Pagano

    Sim, concordo com você, Camila! Não dá para ser super otimista em relação a essa série, tem uma base um pouco estranha, mas também não dá pra sentenciar só com o piloto apresentado. O jeito é continuar conferindo mais um pouco! =]

  3. Juninho

    Achei que a série se saiu até bem no primeiro episodio,claro que não tem a qualidade de Arrow mas pra uma série que eu não pensava em passar nem perto me surpreendeu,mais pela protagonista que está muito bem. A transformação da fera é bizarra e a série ainda tem que mostrar pra que veio é muito cedo pra definições.
    Lembrando que Vampire Diaries era uma verdadeira bomba nos primeiros episódios mas com o tempo se tornou uma das melhores séries da CW.

  4. Mônica Almeida

    Não foi uma maravilha, mas achei interessante. Acho que o Vincent ainda tem muitos segredos escondidos que só vamos descobrir no decorrer da série (se ela vingar). Por enquanto vou acompanhar. Agora, Max Brown lembra o Ed Westiwick em beleza?!?! Seriously? O Max é um gato, já o Ed…bom, gosto é gosto, né?

  5. Gabriela Pagano

    Engraçado você ter comentado, pensei exatamente isso quando assisti. The Vampire Diaries e Beauty and the Beast têm várias semelhanças, principalmente no que diz respeito a uma “humana” tentando lidar com a outra pessoa “sobrenatural”, que precisa conviver com os “demônios” interiores, que, o tempo todo, tenta se controlar. A premissa das duas séries é bem parecida mesmo e Beauty and the Beast ainda não se revelou muito nesse aspecto, ainda não conhecemos, de fato, a Fera! Eu estou curiosa, acho que pode continuar surpreendendo :)

  6. biancavani

    Achei bem simplesinha, espera mais. Vou acompanhar para ver se é só isto (a mãe estava envolvida de algum modo na experiência genética para fazer supersoldados, foi, portanto, uma queima de arquivo o seu assassinato; os envolvidos pertencentes ao alto escalão desse programa bichado vão atormentar a vida da Beauty que, porém, terá a ajuda da Beast; e surgirá uma atração inelutável entre os dois, blá-blá-blá), e se for tem muita coisa melhor para despender meu tempo.
    Obs: ela, indo àquela fábrica abandonada onde mora a Beast, tendo aquelas conversas olho no olho, me lembrou tanto ela indo ao galpão da fazenda do Superboy em Smallville…
    Bem, vamos ver.

  7. ReMonteiro

    Pior não poderia ter sido. Talvez com medo da pressão gerada pelas críticas que, como você mesmo disse, colocaram inúmeras dúvidas a respeito da série antes mesmo dela estrear, o enredo conseguiu: foi acelerado e monótono ao mesmo tempo; uma porção de ação (e aqui digo ação, não no sentido de “quebra pau” – quesito no qual, aliás, a “bela” não convenceu) entrecortada por uma meia dúzia de “tete-a-tete” entre os personagens principais. Faltou um pouco mais de paciência para os roteiristas construírem a aproximação entre a Bela e da Fera. Faltou mais segurança na interpretação da atriz principal. Faltou direção. Faltou roteiro. Enfim, pareceu-me coisa de amador, indigna até mesmo da CW, que, bem ou mal, vai dando sobrevida à cult Supernatural. Nota para o episódio? -1.

  8. Gabriela Pagano

    Siim! Eu acho que a Fera protege a Catherine, inicialmente, porque ele acha que ela pode ter acesso ao antídoto, através de algum antigo diário da mãe, esquecido em alguma gaveta, algo assim. Lembro dos roteiristas da série dizerem que ficaríamos em dúvida sobre as verdadeiras intenções do Vincent, se ele realmente estaria se apaixonando pela Bela ou era mero interesse… Se for desse jeito, pode dar um material legal =]]

  9. Gabriela Pagano

    Eu achei o piloto regular, quase bom… não péssimo. Mas também fiquei com essa impressão: uma ideia complexa explorada de maneira superficial, como se estivessem perdidos no meio do projeto. Não souberam executar. Daí, a gente fica naquela: gostei da série, mas não sei se preciso dela para continuar sendo feliz! hahaha

  10. biancavani

    De fato, seria um ingrediente – uma pimentinha, um toque de ambiguidade – bem legal.
    Muitas vezes achamos, a partir do plot, que já sabemos absolutamente tudo a respeito da série – começo, meio, fim -, mas tem muito mais coisa no caminho. Não foram poucas as vezes em que me enganei fazendo um pré-juízo acerca de uma série. Cito, como exemplo, Breaking Bad, que achei que fosse uma desgraceira chata (pai com câncer, filho com problemas neurológicos; honesto, trabalhador, mas sofrendo inúmeras humilhações, etc.), no entanto isso era apenas pano de fundo para um tema muito maior.

    Mas então vamos lá ver o que realmente Beauty and the Beast tem para oferecer – sem fazer pré-julgamento .

  11. ReMonteiro

    Boa, Gabriela! eu realmente não preciso dela para continuar sendo feliz.

  12. Aline

    Se a imbecil que escreveu a crítica e os enjoados que comentaram tbm não, simplesmente não assistam, vão ver Arrow, o já em tempo de acabar Supernatural ou a chatice de Vampire Diaries, gente chata!

  13. Pingback: Beauty and the Beast, ferozmente bela! | romanceteria

  14. Pingback: Destaques na TV – Segunda, 12/11

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