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Primeiras Impressões – A Toca

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Quem nasceu para ser Parafernalha, nunca será Porta dos Fundos. Foi com essa impressão que eu fiquei após assistir os dois primeiros episódios de A Toca, a “primeira produção original do Netflix Brasil”.

Dói o coração, aliás, saber que a primeira produção da Netflix tupiniquim é A Toca. Especialmente se lembrarmos que a brilhante House of Cards foi a primeira produção original da Netflix USA. E que ela acertou diversas vezes, depois disso. Mas não por aqui. A Toca é péssimo.

Sei que gosto é subjetivo, e humor mais ainda. Mas ainda assim acho que A Toca, meio que unanimamente, ficou devendo, e bastante.

O primeiro grande problema do seriado é o fato de não ficar claro que história se está contando. A transição entre o que acontece na produtora e as esquetes é ruim. E acaba que automaticamente as histórias de bastidores – talvez com potencial para serem divertidas – não são desenvolvidas a contento.

Isso poderia ser relevado, se as esquetes fossem boas. Mas não. As esquetes da turma comandada por Felipe Neto não são nem ao menos minimamente engraçadas. Os roteiros são fracos, os atores são ruins. Em Politicamente Incorreto todas as piadas falharam. Em nenhum momento fiquei com aquele peso na consciência por ter rido de algo que, levando em conta a moral e os bons costumes, não deveria ser risível. Ah, e não pensem que as esquetes tem uma temática definida. Elas são completamente aleatórias, e você chega no final das cenas absolutamente a deriva, sem saber para qual lado a correnteza irá te levar. Tanto balanço chega a dar enjôo.

Assistindo a esquete do Darth Vader eu cheguei a pensar que gostaria de algo, enfim. Mas não, eu não gostei de nada. Ou melhor, gostei de Osíris. Mas só por que seus colegas tiveram em mim o mesmo efeito que tem – ainda que falsamente (A Toca é um mockumentary) – nele: me irritaram.

É inegável que Felipe Neto é um empreendedor, e é muito competente nessa área. Foi dele o primeiro canal brasileiro do You Tube com mais de um milhão de assinantes, e o moço virou celebridade do dia para a noite. Mas se seu outro propósito é, de certa forma, causar polêmica, com A Toca ele falha enormemente. O seriado é tão ruim que nem isso conseguirá.

Talvez o terceiro episódio seja melhor, e corrija várias das falhas que apontei acima. Mas confesso que não me encorajarei a assisti-lo.

O que se tira de positivo dessa experiência é a vontade da Netflix de investir em produções originais, e a investir no Brasil. Quem sabe, em breve, não pinta um seriado legal? Estou torcendo.

Séries citadas:

Editora Chefe do TeleSéries, gasta boa parte da sua semana com séries. Sua estréia foi com ER, e atualmente assiste - entre várias outras - Grey's Anatomy, Game of Thrones, Suits, Castle e Rookie Blue. Ainda assim, arrumou um tempinho para maratonar Friends, The X Files e Chuck - pela qual se apaixonou, recente e irremediavelmente. Está saindo da crise de abstinência de Fringe graças à Orphan Black.

4 Comments

  1. Castro

    A primeira produção original Netflix é Lillyhanmer.

    O canal de Felipe Neto somente foi o primeiro a atingir 1 milhão no Brasil.

  2. Ricardo

    ótima crítica, Mari. Não sou fã do “porta” pq acho eles mto pretensiosos, mas sem dúvida tem vídeos excelentes… Já esse A Toca é constrangedor de tão ruim… Fora que eles assumidamente tentam imitar mta coisa de The Office, o resultado é desastroso. Parece uma colcha de retalhos do que já vimos na TV americana só que sem graça alguma.

  3. darknana

    Ai que alívio ao ler essa matéria. Assisti aos três episódios do Parafernalha esse fim de semana no Netflix, e quando terminei só tinha uma coisa na cabeça “eu precisava disso?” Fiquei decepcionadíssima. Vim justamente procurar críticas sobre a produção, pra saber se eu estava ficando velha e chata e por isso não conseguia ver graça, ou se a falta de talento ali era apenas a realidade da situação.

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