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Preview: Bored to Death

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Bored to Death

Ao assistir ao piloto de Bored to Death, a conclusão a que se chega é que ainda é muito cedo para ovacionar ou vaiar esta série que se apresenta como “comédia” e que, nesta fall season, tem a difícil tarefa de manter o padrão de qualidade da HBO, responsável por sucessos como Em Terapia, Entourage e a queridinha dos críticos e do público, True Blood. Mas se tenho que tomar partido no papel de espectador crítico, diria que a série está mais na linha de Hung na vida – que muito promete e pouco cumpre (ou ao menos cumpre parcialmente). O clima noir que o marketing da série vinha prometendo é pouco explorado e isso não se dá por culpa dos personagens ou dos atores. Acredito que realmente seja cedo demais para julgar o que Bored To Death é, e o que pretendia ser.

Jason Schwartzman é Jonathan Ames, um escritor de romances que, em meio a um bloqueio criativo, ao alcoolismo e ao abandono de sua namorada Suzanne, decide tornar-se investigador policial em tempo parcial. É engraçado como vemos essa abordagem com olhos não muito esperançosos considerando esta sinopse, já que em Hung tivemos um roteiro parecido, no qual um professor divorciado decide tornar-se um michê freelancer. Soma-se a isso o fato de Hung também ser um programa da mesma emissora e então já imaginamos que o poder criativo dos roteiristas está se esgotando. O que muito surpreende e que provavelmente atrairá os curiosos de plantão são as pessoas envolvidas neste projeto.

Schartzman não se encontra sozinho nesta jornada pela TV; em Bored to Death temos o prazer de presenciar no elenco fixo, Zach Galifianakis que se colocou sob os holofotes este ano com o excelente Se Beber, Não Case. Seu personagem é Ray, marido com problemas conjugais e um cartunista falido (assim como seu amigo Ames em relação ao sucesso de sua profissão). Temos também Ted Danson, vencedor de dois Emmys por Cheers (sucesso da TV dos anos 80) e mais uma vez indicado este ano por Damages, que interpreta o chefe de Ames, George.

Uma curiosidade a respeito da série é que o personagem de Jason carrega o nome do criador, roteirista e produtor executivo da série, Jonathan Ames, mas nem por isso o programa é um projeto autobiográfico.

No primeiro episódio Bored to Death não mostra grande veia cômica, tendo raros momentos engraçados durante seus 30 minutos. Mas isso nem é algo que a princípio me incomoda, já que muitas séries conseguem ter uma apresentação estranha e um desenvolvimento interessante (vide o exemplo de Nurse Jackie, da Showtime). O que me preocupa mais é o fato da trama ser muito próxima do que vemos em outro show do canal ABC, Castle. Minhas esperanças para esta investida da HBO se encontra na abordagem que ela dá para suas séries, conseguindo fazê-las originais e válidas em meio a tantas histórias parecidas.

Bored to Death

A amizade de Ray e Jonathan me agradou bastante a princípio, devido a falta de reciprocidade que há na preocupação de um com o outro. A relação de Ames com seu chefe George, por outro lado, me soou um tanto quanto estranha e íntima demais dentro do contexto; muitas vezes Jonathan desenha seu patrão como alguém rancoroso, exigente e de poucos amigos, quando na verdade o que conhecemos é um homem que se encontra perdido em conflitos que ele próprio não acredita vivenciar (diz-se tranquilo quanto ao fato de precisar de viagra, mas ao mesmo tempo mantém uma paranóia de que ninguém descubra suas necessidades).

Em relação a investida de Jonathan no mundo das investigações, o resultado não poderia ser mais desastroso, eloquente e ousado. O fato a se observar, de início, é que o escritor com bloqueio criativo aceita seu primeiro caso e nem ao menos se preocupa em pedir o dinheiro que viria a gastar com a investigação que realizaria; em seguida, o desastrado se mostra um completo profissional anti-ético quando deixa de pensar em sua cliente para se aproximar de Vincent a fim de suprir o ombro amigo que Ray não soube oferecer. O que diverte aqui em Stockholm Syndrome são as nuances do protagonista que ora se mostra um ridículo indivíduo que deixa a namorada partir, ora consegue ser criativo e eficiente em situações de exige uma uma história convincente o bastante para enganar os que estão a sua volta.

Em poucas palavras, considerando o pano de fundo oferecido à série e o elenco responsável para o desenvolvimento da trama, acredito que Bored to Death tem grandes chances de se destacar no mercado competitivo que vem ganhando mais atenção que a telona nos últimos tempos. Basta termos paciência e assistirmos com um olhar mais atento e perceberemos as piadas sutis, o clima autêntico e os conflitos emocionais e psicológicos existentes nas estrelinhas do programa.

* * *

Bored to Death estreia neste domingo, dia 22 de novembro, às 22h, na HBO.

Séries citadas:

10 Comments

  1. Thomaz Jr.

    Bem, eu já vi a temporada toda da série. Mas Bored To Death me fisgou com aquela primeira piada sobre judeus fazendo trabalho braçal.

    Primeiro, considero ela realmente uma comédia, me faz rir tanto qto The Office ou 30 Rock. Já a que vc citou, Nurse Jackie, apesar de boa, é um drama de 30 min com nuanças de humor para mim, me faz rir qto Dexter ou Grey’s.

    Outra caracterista marcante de Bored to death é a semelhança de Jonathan com personagens de Woody Allen. Aquele jeito meio perdido e carente.

    Isso garante um carisma para o personagem. Na verdade, todos são carismáticos. E nos faz torcer por eles em cada situação.

    A série não tem mtas dramas para desenvolver, se organiza mais como uma comédia. Então, ela encerra sua primeira temporada de forma satisfatória, ao contrário de Hung.

  2. Raruiz

    Ainda não assisti…

    Por falar em Nurse Jackie estréia a segunda temporada em março… yey!!

  3. Fernando dos Santos

    “queridinha dos críticos e do público, True Blood”

    Eu acho True Blood muito divertida e bacana mas tenho impressão que ela está longe de ser uma queridinha dos críticos.Ainda mais se compararmos com a reação dos criticos em geral a por exemplo Mad Men e Damages, estas duas sim pode se dizer que conquistaram mesmo a crítica.

  4. Claudemir A. Zamproni

    Simplesmente adorável tudo o que diz respeito a esta série. Assisti a todos os oito episódios desta primeira temporada e não encontrei defeito algum. É perfeita. Ao lado de “MODERN FAMILY” é a melhor estréia de comédia.

  5. Fernando dos Santos

    Bored to Death tem um clima que faz lembrar as comédias do cineasta Wes Anderson.Esta semelhança fica ainda mais forte pela presença de Jason Schwartzman.Eu considero ele um ator meio limitado e um tanto chato, mas tendo em vista o piloto, os realizadores parece que vão fazer uma série bem divertida.

  6. Rafa Bauer

    Eu também vi todos os episódios e adorei. Concordo que, junto com Modern family, é a melhor estreia de comédia do ano.
    Também concordo que tem um quê de Woody Allen, um pouco de Wes Anderson (mas talvez seja por causa do ator… hehe).
    Eu me diverti muito em todos os episódios, achei o último excelente.
    Outra coisa que ressalto e já disse me outro tópico é a fotografia bem trabalhada da série. E não podia ser de outra maneira, já que ela se pretende noir…
    Por fim, é uma série mais “literária”. As referências que encontramos nela não são outras séries, ou cinema, mas sim livros.
    Vale muito a pena! E ainda bem que vai ter uma 2ª temporada.

  7. Bruno A.

    Também gostei muito de BORED TO DEATH. Foi uma surpresa agradável, com um elenco muito bom e fotografia impecável.

    Concordo que, durante o primeiro episódio, não há muitos momentos “de riso”, mas acho que é porque ainda não estamos muito acostumados com o humor da série, pois, a partir do segundo episódio, não há como parar de rir ao assistir. O sexto episódio conta com uma das cenas mais engraçadas que eu já vi: a cena do carro.

    Muito bom. Vale a pena assistir.

  8. Fernando dos Santos

    Eu vejo uma certa inspiração em Wes Anderson também na trilha sonora, no uso de algumas canções durante o episódio e na forma como elas são usadas para emoldurar as cenas.
    A direção e a montagem também me remetem um pouco aos filmes dele.

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