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Opinião

Police Squad!: non sequitur

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Em tributo a Leslie Nielsen, relembramos a série que lançou o detetive inesquecível detetive Frank Drebin.

Nota do Editor: O ator Leslie Nielsen faleceu neste domingo, dia 28, aos 84 anos, vítima de complicações de uma pneumonia. Nielsen começou a carreira como ator, em televisão, nos anos 50, participando de dezenas de séries, como Alfred Hitchcock Apresenta, Bonanza e Ilha da Fantasia e estrelando shows de curta duração. Sua carreira daria uma guinada em 1980, no cinema, com Apertem os Cintos… o Piloto Sumiu iniciando a bem-sucedida parceria com os produtores e roteiristas Jerry Zucker, Jim Abrahams e David Zucker. Foram eles que criaram o seu mais marcante personagem – o detetive Frank Drebin, na fracassada série Police Squad!, que acabou gerando a hilária trilogia cinematográfica Corra Que a Polícia Vem Aí!. Para homenageá-lo, reproduzimos texto de Juliano Cavalcante que analisa justamente Police Squad!, que tinha tudo para ser só mais uma das muitas série americanas canceladas que ninguém lembra mas que, justamente por ser um marco na carreira Nielsen, se tornou peça inesquecível da cultura pop.

Cena de Police Squad!

“Say when, Frank”.

“When”.

Durante uma longa discussão no meu blog (leia aqui), a Fer me disse que a minha definição de metalinguagem não estava assim tão correta, e que uma série que fazia uso dela era Police Squad!, do cultuado trio ZAZ (David Zucker, Jim Abrahams e Jerry Zucker).

Não que o conteúdo do grupo me seja uma novidade. Sempre que me perguntam qual é minha comédia predileta, o nome que surge na minha cabeça é justamente Top Secret – Superconfidencial, clássico da Sessão da Tarde. Toda essa metalinguagem de mexer com os clichês tanto narrativos quanto estéticos dos filmes e séries de gênero, além do humor totalmente absurdo (ou non sequitur – obrigado, Wikipedia) foi o que transformou ZAZ em referência humorística nos anos 80. Não é a toa que David Zucker foi convocado para dirigir a série Todo Mundo em Pânico a partir do terceiro filme. Ele definitivamente conhece o material.

Cena de Police Squad!

Tudo é uma questão de perspectiva.

A série foi cancelada com míseros seis episódios. E correndo o risco de falar isso pela enésima vez, era um programa muito a frente de seu tempo. Se ainda hoje existe emissora que tem receio de transmitir comédias sem as “laugh tracks”, o que dizer de um programa que já fazia isso em 1982? Muitas das gags só faziam sentido pra quem presta atenção e raciocinava sobre o que estava assistindo. Não é a toa que Police Squad! só se transformou numa franquia cinematográfica de sucesso quando se tornou mais “óbvia”. O Frank Drebin de Leslie Nielsen, por exemplo, passou de um policial sério à um personagem bem amalucado em Corra Que a Polícia Vem Aí (não que isso o tenha feito perder a graça).

O Jardim Japonês.

Apesar de ter apreciado bastante esses seis episódios, eu tenho um certo problema com o estilo de humor dos ZAZs. Depois de conhecer todos as gags e códigos do time (e se avaliarmos o trabalho deles, eles basicamente fazem as mesmas coisas, apenas em gêneros diferentes), o apelo humorístico dos trabalhos deles caiu drasticamente pra mim. Lembro que algumas das ocasiões que eu dei mais risada na minha vida foram nas primeiras vezes que vi Top Secret!. Quando revi o filme pela última vez, ano passado, a graça tinha ido quase toda embora. A piada já estava gasta para mim. É a mesma sensação que tive ao ver Police Squad!.

Cena de Police Squad!

Little Italy.

Some-se isso ao fato de atualmente, uns 96,31% dos seriados estarem lotadas de metalinguagens, piadas internas, humor absurdo, entre outras coisas. Não é a toa que se dizia até há pouco tempo atrás que viviamos na chamada “era de ouro da TV americana”. Todos os programas são “espertinhos”, e se alguém pretende ficar 100% por dentro, é bom assistir todos os episódios e prestar atenção em tudo que se passa na tela. Bem diferente de 20 anos atrás, onde a regra era esperar pela laugh track pra daí se dar risada. Ou seja, lá na sua época, Police Squad! era pura inovação audio-visual, hoje em dia ele é apenas mais uma boa série injustiçada pela baixa audiência.

Cena de Police Squad!

Porta-luvas.

Ver um show de tanto tempo atrás (25 anos em TV é muito mais tempo do que em cinema, por exemplo) me incentivou à buscar outras séries cultudadas e influentes. De preferência curtas, já que tempo é um bem precioso por esses dias.

Cena de Police Squad!

Eita freeze frame difícil esse!

11 Comments

  1. Pingback: Tweets that mention Police Squad!: non sequitur -- Topsy.com

  2. Paulo Serpa Antunes

    Assisti Police Squad! em duas ou três fitas de videocassete de uma videolocadora (não sei se era original ou não) nos anos 80. Achei maravilhoso. Provavelmente perdi metade das piadas – mas esta cena que o print screen mostra, do Frank Deblin dirigindo em Little Italy, lembro de me mater rindo.O Leslie Nielsen não era genial, como muita gente anda dizendo. Mas era tipo o Charlie Sheen, um grande cara de pau talentoso, que quando encontrou o tom da comédia se ateve a ele e arrastava a gente pro cinema. RIP.

  3. Fernando dos Santos

    Um fato curioso.Em sua fase de ator dramático(década de 50 até 70), Leslie Nielsen fez diversas participações em inúmeras séries policiais da televisão.E foi justamente parodiando o gênero policial que ele encontrou o sucesso com Corra que a Polícia vem aí.

    Outro ator que teve carreira parecida com a de Nielsen foi o falecido Lloyd Bridges.Ele também era um ator mais ligado a papéis dramáticos até que trabalhou em Apertem os Cintos o Piloto Sumiu e a partir de então passou a ser mais associado a comédias, inclusive voltando a trabalhar com o trio ZAZ em outros filmes como Maffia e os dois Top Gang.
    Aliás eu penso que boa parte da graça de Apertem os Cintos… reside justamente nisso.A turma do ZAZ convocou aqueles senhores sérios de meia-idade(Lloyd Bridges,Leslie Nielsen,Robert Stack,Peter Graves), geralmente vistos em papéis dramáticos na televisão e os jogou no meio de uma comédia non-sense onde as gags não param por um minuto sequer.Não há como não rir.

    Hoje em dia sem dúvida o humor do ZAZ parece meio datado, mas mesmo assim eu acho que Todo Mundo em Pânico 3 e 4 foram bem mais engraçados que os dois primeiros filmes, comandados pelos tenebrosos irmãos Wayans.E ainda consegui dar muitas risadas com Super-Heroi, paródia do Homem-Aranha produzida por David Zucker e que tinha Leslie Nielsen no elenco, em mais uma hilária participação.Ainda não vi An American Carol mas pretendo conferir pois foi a ultima parceira do Nielsen com Zucker.

  4. Fernando dos Santos

    Quanto ao Leslie Nielsen, ele de fato não era um grande ator dramático, muito menos um gênio da comédia mas sabia usar seu carisma e sua competência para compor tipos bem engraçados.Dentro de suas limitações ele fez um ótimo trabalho.
    E por em Nielsen,Charlie Sheen e ZAZ, pelo que me lembro foram os dois Top Gang que tornaram o Charlie Sheen um ator mais próximo das comédias.Ele até já havia feito comédia antes, mas o sucesso de Platoon e Wall Street haviam colocado sua carreira numa direção mais próxima do drama, se não me falha a memória.

  5. Fernando dos Santos

    Correção:”E por FALAR em Nielsen,Charlie Sheen e ZAZ,”

  6. Bizancio123

    Mas eu lembro de Police Squad justamente pela última cena ai de cima, o “freeze frame difícil “. Os atores parados, tentando manter a cena, foi demais na época…é é ainda agora!

  7. Luciano Ferreira

    Mas eu lembro de Police Squad justamente pela última cena ai de cima, o “freeze frame difícil “. Os atores parados, tentando manter a cena, foi demais na época…é é ainda agora!

  8. Fernando dos Santos

    O trailer de Corra que a Polícia vem aí também usava essa piada do “freeze frame difícil”.Na cena em questão o Leslie Nielsen fingia que estava “congelado” enquanto um cachorro cheirava suas partes intimas.

    Se não me falha a memória, a cena de Little Italy também foi reaproveitada no filme.

  9. Anônimo

    P.A., está demorando para entrar/mudar as páginas do Teleséries Magazine. Algum problema?
    (Na verdade, só pergunto por perguntar, porque por este blog eu espero o quanto tempo for preciso.)

  10. André Dehoul

    Também assisti Police Squad em VHS e até hoje não esqueço de uma cena em que Frank Drebin (Leslie Nielsen) está na delegacia em companhia de um policial enorme (aparecia apenas do tronco para baixo, pois “não caberia” na tela, rs). Em dado momento Frank diz que há algo no canto da boca do tal policial. Quando ele cutuca, cai um naco, meia banana na mesa…..rsrsrsrsrsrs. Pode parecer ridículo hoje em dia, mas ainda rio quando me lembro desta cena.

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