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Person of Interest – Masquerade, Triggerman e Bury the Lede

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Série: Person of Interest
Episódios: Masquerade, Triggerman e Bury the Lede
Número dos Episódios: 2x03, 2x04 e 2x05
Exibição nos EUA: 18 e 25/10/2012 e 01/11/2012
96
4.8
1

Depois de dois episódios sensacionais e uma breve pausa, Person of Interest retornou de forma singela com Masquerade.

Dessa vez o caso da semana que dessa vez trouxe o CPF de Sofia Campos e pela primeira vez traduzir o “Social Security Number” como CPF encaixa certinho, já que Sofia é brasileira. Quero deixar claro que estou tentando ser imparcial quanto ao episódio, porque não gosto quando brasileiros são retratados por gringos. Mas é claro que a brasileira tinha que ser a menina irritante, é claro que pelo menos um brasileiro tinha que ter um sotaque de espanhol falando em inglês e nos momentos em que Sofia falou “português” demorei um tempo pra ouvir o que ela quis dizer, acredito que Harold saiba falar português melhor que a brasileira. Eu adorei a cena em que ele lia as notícias em português, notícias essas que nos induziram a crer que o caso seria sobre questões políticas, mas no fim foi revelado que era sobre um esquema de drogas. Surpreendeu? Sim, mas dessa vez o elemento do “twist” não foi tão bem utilizado como em episódios anteriores e a trama ficou atropelada e com alguns buracos na história, e logo que a trama ficou esclarecida o desfecho foi previsível. Bom, pelo menos em Person of Interest não somos verdes de cabelo laranja e damos choque.

Como vocês podem reparar, eu não fiquei muito contente com o caso da semana. Mas Person of Interest sempre tem mais para oferecer. Foi interessante ver a repercussão do que aconteceu com Finch, com medo de enfrentar o mundo, mesmo com a ajuda de Bear. Outra coisa que foi interessante foi o desenvolvimento paralelo do plot principal da temporada, vimos que Reese ainda tenta localizar Root, e Carter continua a investigação sobre Alicia Corwin, que está digna de conspiração de Arquivo X, com direito a microship escondido no corpo e tudo. E no fim das contas Kara Stanton, antiga parceira de Reese, também se revelou como parte da trama, também querendo informações sobre Alicia Corwin, e conseguindo-as através do Agente Snow.

Eu sei que no ponto que estamos na temporada, a história não é para ser clara, mas estou com um pouco de dificuldade de organizar todos os detalhes. Geralmente, essas informações sobre o plot da temporada tem alguma relação com o caso da semana e, em Masquerade, este foi alheio àquele.

E se os três primeiros episódios dessa segunda temporada foram cheios de conspiração e muitos detalhes, com Triggerman voltamos à nossa programação normal. A pessoa de interesse da semana foi Riley Cavanaugh, o assassino da máfia irlandesa. Naturalmente, ele foi considerado o bandido do episódio, mas logo é revelado que George Massey, o chefe da máfia, havia ordenado que seu filho matasse Cavanaugh e Annie, dona de um restaurante local e viúva de um ex-funcionário de George. Acontece que Riley e Annie estavam apaixonados, e Riley mata o filho de Massey para salvar sua vida e poder fugir com Annie.

Por mais complexo que o caso possa parecer, a história foi bem executada e o mais interessante foi que Person of Interest mais uma vez “brincou” com questões morais. Riley era sim um assassino, levou uma vida repleta de vilanias e em um momento do episódio Finch chegou a chamá-lo de Bad Code (Root fez mais estrago que eu pensei). Mas Reese fez a escolha de protegê-lo mesmo assim, porque a Riley no momento lutava por uma causa nobre, salvar a vida de Annie. Mas vejo que o caso foi um tanto pessoal para Reese, o assassino que se apaixonou e quis mudar toda sua vida. Afinal as pessoas podem mesmo mudar? Um homem que passou toda sua vida de maneira ruim pode se redimir por um ato?

Person of Interest respondeu que sim, e nos quarenta e três minutos de episódio pudemos observar as mudanças no comportamento de Riley, que mais para o final do episódio só apresentava interesse em salvar a vida de Annie, sem mesmo se importar com a sua própria; e o suposto vilão terminou o episódio quase como um mártir.

Quem apareceu no episódio foi nosso velho de guerra, Elias, que resolveu ajudar retirando a recompensa que George havia posto sobre Riley, por um preço, é claro, Harold virou seu parceiro de xadrez. Essa cena do xadrez deu a entender que ele continua no comando das operações, que  praticamente nada mudou desde a primeira temporada. E também ficou claro que não há oponente a altura dele. A conversa foi de chefe para chefe? Mas e Root, Kara e o resto? Quem vai ser o peão, quem vai ser o rei?

E finalmente chegamos em Bury The Lede. Simplesmente adorei, com certeza foi um dos episódios mais interessantes da série. Juro que cheguei a imaginar que seria um episódio filler, aqueles só com o caso da semana sem desenvolvimento da trama da temporada, até que, KABOOM, tudo aconteceu nesse episódio.

A pessoa de interesse dessa semana é Maxine Angelis, jornalista, aquele tipo de pessoa enfrenta qualquer situação em busca da verdade. E quando digo qualquer situação, é qualquer mesmo, políticos corruptos, chefes de máfia, conspirações, qualquer sinal de que algo não “cheira bem”, Maxine está lá investigando, portanto, é evidente que ela cruzaria com a história do “Homem de Terno”. E não só cruzou com o boato, mas também estava determinada a descobrir quem era e trazê-lo à luz. E aí, Reese? Como proteger alguém que quer, de certa maneira, te prejudicar?

E quem resolveu a história foi Finch, de uma maneira criativa e divertidíssima para o telespectador. Harold inscreveu John em um site de encontros. E eu diria que Finch tem o tato para o flerte, a cena em que ele e Maxine trocavam mensagens e os dois estavam rindo, enquanto Reese perguntava o que “ele” havia escrito para ela, foi impagável. Mas Reese não é dono desse tato, e o encontro todo foi arquitetado por Finch, que tinha até o plano B – Zoe se passando por uma ex de Reese (meu coração exaltado em alegria por Zoe e Reese, sou shipper, não consigo evitar). E continuava convencida que o episódio seria calmo, só para entretenimento mesmo, então Person of Interest me surpreende com uma obviedade, novamente. Eu sempre me pergunto se um dia eu vou ficar cansada dessa artimanha que os escritores usam: a da reviravolta. Estou apostando aqui, e pode ser eu morda a língua futuramente, mas acho muito difícil. Os episódios sempre surpreendem o público de alguma maneira, e as surpresas, que podem ser boas ou ruins, sempre dão um jeitinho de me fazer pular na cadeira, literalmente. E eu amo isso num seriado.

E a surpresa foi: mais informação da trama. E que trama complicada. Admito que estou gostando desse jogo de ligar pontos que os escritores estão fazendo entre todos os vilões, quase como uma Liga dos Ex-namorados do mal (O que será a Ramona Flowers?). É quase evidente que Elias tem ligações com HR, também sem esquecer de que Kara provavelmente tem uma parte nisso tudo. Só ainda não consigo enxergar qual é a peça de Root na história, porque pra mim, por enquanto, ela é a louca que só quer libertar a Máquina, mas acredito que ela também terá algum envolvimento no futuro. E pergunto novamente, quem será o peão e quem será o rei desse tabuleiro? Gosto dessas tramas que fazem o público pensar, mas é um movimento ariscado, vide Lost que era de trama elaborada, todo mundo estava relacionado de algum jeito, mas depois de um tempo nem sempre ficava muito bem explicado (Não se enganem, sou Lostie assumida, até gostei do final piegas). Certo, são dois gêneros diferentes de série, mas ainda fico meio receosa. E que os escritores continuem minuciosos quanto aos detalhes, eles fazem diferença.

Sei que nem sempre falo de Fusco nas reviews, mas essa semana ele merece mais destaque. Fusco que não fora um dos melhores policiais no passado, mas que vinha se redimindo, está com a corda no pescoço outra vez. Durante o episódio tive a impressão de que ele seria preso, mas acabou sendo obrigado a voltar a fazer parte da HR. Será que ele vai contar a Reese e Finch sobre sua situação? Dá para ter dúvida sobre onde a “lealdade” de Fusco está, acredito que ele queria continuar fazendo o bem com Reese e Finch, mas a vida de seu filho também está em risco. A cena em que ele, nervoso, pede a caderneta a Maxine e logo retira as duas páginas, me deixou desesperada (olha a treta, mano).

Finch apostou que o verdadeiro chefe da HR ainda estava a solta, e ele estava certíssimo. E ele estava ali, escondidinho embaixo de nosso nariz, assim como Elias na primeira temporada (Twist!). Equilibrar ação, humor, suspense enquanto há a construção de uma trama inteligente não é para qualquer um, mas eu não esperaria nada menos de um episódio escrito por Christopher Nolan e David Slack.

E hoje de noite mais um episódio vai ao ar nos Estados Unidos. Estou torcendo pro nível se manter alto. Até a próxima review.

P.S.1: depois de Masquerade, preciso fazer uma indagação: por que os personagens brasileiros nunca são interpretados por atores brasileiros? Nem todos nós chegamos atrasados a todo lugar. Mas preciso dar alguns créditos ao seriado, já que o Brasil não se resumiu a carnaval e Amazônia. Isso prova que Melissa Scrivner-Love fez bem sua pesquisa sobre a política brasileira na hora de escrever o episódio.

P.S.2: She’s Long Gone do Black Keys tocou no final de Masquerade. Então, eu não tenho do que reclamar sobre a trilha sonora.

P.S.3: Finch no armário. *insira o subtexto aqui* – Sempre achei que Finch era apaixonado pelo seu melhor amigo, até o episódio que mostrou que ela tinha uma noiva. Ah, e Finch e Bear estão mais no meu coração a cada episódio que vai ao ar.

P.S.4: Gostei da dinâmica Maxine e Reese em Bury the Lede, ela tem ar de personagem que pode voltar em um episódio futuro.

P.S.5: Falei em outra review que POI não tinha muito espaço pros shippers, mas pretendente pro Reese é que não falta. Será que os escritores vão apostar em mais uma storyline? E, a propósito, o território não é bom pros shippers, mas eu sou valente e gosto da ideia de Zoe e Reese. Se você gosta também, dá uma olhada na promo do episódio 6. Eu surtei.

Séries citadas:

Estudante universitária, equilibra seu tempo entre livros acadêmicos, seriados e a regência do mundo livre. Depois de muito procurar, encontrou uma dobra no tempo que a permitiu continuar sendo seriadora, e assim mantêm em dia Castle, Suits, Doctor Who e Game of Thrones, entre outros milhares de seriado. É a responsável pelas reviews de Homeland.

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