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Reviews

Parenthood – The Waiting Room, A Potpourri of Freaks e The Scale of Affection is Fluid

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Série: Parenthood
Episódios: The Waiting Room / A Potpourri of Freaks / The Scale of Affection is Fluid
Número dos Episódios: 6×03 / 6×04 / 6×05
Exibição nos EUA: 09, 16 e 23/10/2014
Nota dos Episódios: 9

Bom, devo começar esta review tripla com um pedido sincero de desculpas pelo sumiço e pelo atraso. A vida e suas reponsabilidades andaram tão corridas que não me permitiram sequer assistir Parenthood até este fim de semana. Cinco episódios já se passaram desde a última review, mas, para que esta aqui não fique muito extensa, decidi dividi-los em duas resenhas. Espero estar em dia até o episódio da semana que vem (me desejem sorte!). Sem mais delongas, vamos aos episódios?

The Waiting Room, o terceiro episódio da temporada, certamente foi o mais emocionante até agora. Se, por um lado, era chegada a hora da tão temida cirurgia cardíaca de Zeek, por outro, Amber tinha a difícil missão de contar a Ryan sobre a sua gravidez. Confesso que passei o episódio todo meio apreensiva, com medo do que estava por vir.

Eu realmente não acreditava que Zeek morreria. Pelo menos não assim tão cedo na temporada. O roteiro foi preciso e não falhou em nos emocionar naquela reunião na véspera da cirurgia. A apreensão e angústia de cada um deles era quase palpável e estava à flor da pele. Adam, Sarah, Julia, Crosby, Amber e companhia não estão preparados para vislumbrar a vida sem Zeek. Mas quem roubou a cena, sem sombra de dúvidas, foi Camille. Assistir a aflição e o medo da personagem foi de cortar o coração. Depois de décadas de um casamento repleto de amor, a possibilidade de perder Zeek era dura demais. E a cena da despedida entre marido e mulher ali, logo antes da cirurgia, foi um tapa na cara.

Um tapa na cara porque eu não esperava ter a vulnerabilidade de Zeek esfregada na minha cara assim, de forma tão crua e direta. Não esperava vê-lo deixar aquela sua superfície durona de lado, para admitir que sim, ele estava com medo. Muito medo. Suas lágrimas no momento em que deu sua aliança para Camille também me levaram as lágrimas, porque elas pareciam dizer: “e se eu morrer?”.

Esperar, esperar, esperar… Acompanhar os Braverman na dura tarefa de esperar por notícias naquela sala de espera fria e impessoal também foi um soco na boca do estômago. Em momentos como esse, maior impotência não há.

A cirurgia, entretanto, foi bem-sucedida, e Zeek está no caminho para uma recuperação plena (com ou sem sua característica teimosia). Será? O alívio foi enorme, claro. Mas, considerando o andamento dos arcos desta temporada, ainda tenho minhas dúvidas de que Zeek terá mesmo o seu final feliz.

AmberRyan

Enquanto isso, Amber foi para Wyoming com Drew para contar a Ryan sobre sua gravidez. E isso me incomodou um pouco. Sim, mais cedo ou mais tarde, ela precisaria enfrentar Ryan e contar a ele toda a verdade. Mas… Por que diabos ela escolheu fazer isso justamente no dia da cirurgia de seu amado avô? Enquanto a família toda estava lá, naquela sala de espera, aguardando ansiosamente por notícias, Amber e Drew estavam em uma road trip bastante peculiar. Conhecendo Amber como a conhecemos há seis temporadas, considerei isso um enorme “furo” do roteiro. Furo, porém, perdoável, se considerarmos que os roteiristas tem apenas 13 singelos – e insuficientes – episódios para dar aos Braverman o final digno que eles merecem (e que quase não tiveram). Natural que um episódio ou outro nos passe essa sensação de “pressa”, de estarmos correndo contra o tempo. Ficou estranho? Ficou. Em meio a um episódio tenso, o arco de Amber, embora seja um dos maiores e mais interessantes da temporada, pareceu um tanto deslocado. Bad timing… Mas, por outro lado, como se estivessem se justificando, os roteiristas tiveram o cuidado de nos presentear com aquela linda cena entre avô e neta logo nos primeiros minutos do episódio. Amber deu à Zeek uma foto de seu bisneto; aquele cuja mera existência foi capaz de fazê-lo mudar de ideia em relação à cirurgia. Nada mais emocionante e significativo.

E, em meio à esta montanha-russa emocional, está Ryan. E Ryan… Continua exatamente o mesmo. Que preguiça… Compreensível Amber ter ficado tão balançada, querendo dar uma nova chance ao pai de seu filho, especialmente diante de sua reação emocionada ao receber a notícia, mas este seria um erro enorme. No fim das contas, fiquei muito contente e satisfeita ao ver a maturidade de Amber – e de Drew! – ao reconhecer que Ryan não está preparado para criar um filho, e que, neste momento, o mais importante é que ela cuide de si mesma e de seu bebê.

Drew, vale dizer, vem me surpreendendo positivamente nestes últimos episódios com sua tremenda evolução. Vê-lo acompanhar a irmã em um momento tão delicado e ter a coragem de apontar a verdade como ela é (mesmo quando Amber não queria encará-la), comparando Ryan ao pai ausente que tanto lhes magoou, me fez ficar muito orgulhosa do caçula de Sarah.

Outro efeito colateral desta curta e derradeira temporada foi o, digamos, “rodízio” de personagens. Parenthood é uma série de produção bastante cara e, para tornar possível uma nova temporada, a NBC teve de suar a camisa para conseguir um acordo satisfatório com seu elenco estelar. Numa tentativa louvável de reduzir custos, nem todos os atores aparecerão em todos os treze episódios. Em The Waiting Room, foi a vez de Monica Potter se ausentar. E, meu Deus, que falta absurda Kristina fez! Não gostei. Mas, mais uma vez, o “furo” foi justificável. Nessas horas, tento me agarrar ao pensamento de que pelo menos ganhamos esta última temporada!

A Potpourri of Freaks, entretanto, veio justamente para nos dar uma das cenas mais bonitas desta temporada, e que certamente corrigiu a “falha” da ausência de Kristina naquela angustiante sala de espera.

A teimosia de Zeek em sua longa jornada para a recuperação tem sido mais difícil para Camille do que para ele, por assim dizer. Vemos a matriarca da família buscar os ombros compreensivos de Adam para desabafar seu maior receio: estaria mesmo Zeek desistindo de viver?

No fim das contas, era apenas de Kristina que ele precisava. Tendo vencido um câncer há duas temporadas, quem melhor do que ela para dar alguma perspectiva ao sogro? Sim, as pessoas são irritantes, a “torcida” alheia constante incomoda, e todos aqueles “nós vamos sair dessa” rapidamente se transformam em clichês insuportáveis. Mas… Quem é que precisa disso quando se tem diante de si uma Kristina cheia de lágrimas nos olhos, dizendo “muitas pessoas estão contando com você?”. Em um piscar de olhos, ela foi capaz de fazer o que Braverman nenhum conseguiu: tirar Zeek de seu ciclo vicioso de auto-piedade para dar uma volta ali pelo quarteirão. Um passo de cada vez.

Crosby

Enquanto isso, o que dizer de Crosby? O arco do personagem nesta temporada está me assustando um pouquinho, confesso. O caçula dos irmãos Braverman sempre foi meio moleque, meio imaturo, é verdade, mas suas atitudes impulsivas vem me surpreendendo e representam uma involução tremenda para o personagem, nos remetendo ao Crosby que conhecemos na já longínqua primeira temporada. Com a debandada de Oliver Rome – em busca de uma carreira solo – para a concorrência, a Luncheonette está em sérios apuros. O fato de a gravadora de Adam e Crosby ter oferecido contrato de gravação apenas para a “Ashes of Rome” foi um erro grotesco de principiante. De Crosby, vale dizer. Adam nunca escondeu que estava fora de seu elemento ao ingressar na indústria da música e, portanto, não teria a expertise ou mesmo a experiência para saber como lidar com estas minúcias contratuais. Aquele acidente de moto no meio da cirurgia de Zeek me pareceu bastante aleatório, mas serviu para demonstrar o descontrole de Crosby e um pouquinho do que estava por vir.

Numa tentativa falida de remediar o irremediável, ele vai para aquele retiro nonsense apenas para descobrir que o estrago já está feito: Oliver escapou por entre seus dedos, e, com isso, a estabilidade da Luncheonette. Como uma criança assustada, Crosby se desespera diante do primeiro obstáculo. Para desespero de Jasmine, sai correndo de moto no meio da madrugada, rompe seu voto de silêncio para dar sua opinião à Oliver aos berros, bebe até cair na companhia do pai convalescente… Mas desconfio que todo este extravasamento não seja apenas em virtude dos problemas profissionais e financeiros. A maneira irresponsável e leviana como ele vem tratando o estado de saúde de Zeek, ao menos para mim, demonstra apenas o enorme medo de Crosby ao ser confrontado com a possibilidade da mudança. Perder o pai e a Luncheonette, tudo-ao-mesmo-tempo-e-agora pode ser muito mais do que ele poderia suportar.

Não saberia bem dizer a que este arco veio ou para onde ele pretende ir, mas The Scale Of Affection Is Fluid, o quinto episódio, pareceu corroborar a minha teoria. A cena entre Crosby e Zeek naquela mesa de bar teve um melancólico tom de despedida naquele discurso que parecia conter toda a sabedoria de um pai: “a vida passa rápido; aproveite cada momento”. “Espante o urso.”. Em outras palavras: a vida não é fácil. É preciso muita coragem para vivê-la, Crosby.

Zeek também fez questão de compartilhar um pouquinho de sua sabedoria e experiência de vida com Julia, em outra cena que pareceu um prenúncio para uma possível despedida.

“Vai ficar tudo bem, filha.” – Zeek

Joel

Amorosa, carinhosa e dona de um coração enorme, Julia nunca hesitou em colocar a felicidade de seus filhos em primeiro lugar. Não é justo agora que ela se sinta uma péssima mãe, e Zeek sabe disso. Sensacional vê-lo olhar nos olhos da filha e dizer que ela não deve se sentir tão especial por “destruir” a vida de Sydney e Victor. Afinal, pais estão aí para arruinar a vida de seus filhos, e, aparentemente, esta é uma regra da vida desde que o mundo é mundo.

Joel teve seu coração partido incontáveis vezes nestes três episódios, ao saber da existência de Chris, ao vê-lo numa reunião familiar tão à vontade com seus filhos, e ao se dar conta de que Sydney e Victor o adoram. E nossos corações se partiram com o dele, quando Julia afirmou categoricamente que eles deviam contar para as crianças de uma vez por todas que não voltariam a ficar juntos. O desejo de Julia de dar alguma clareza aos filhos em meio ao caos é louvável e só demonstra a mãe maravilhosa que ela é para Sydney e Victor. E como doeu ver a reação da menina àquela conversa tão sincera!

“Ah, querida… Eu e você somos tão parecidas! Eu sei que odeio a incerteza. Odeio sentir que não estou no controle. Desculpe. (…) Se você está com raiva de mim, tudo bem. Se você está braba com o papai, tudo bem. Nós não vamos a lugar nenhum.” – Julia.

Isso é amor incondicional, Syd.

Max

“O que você faz quando gosta de uma garota?” – Max

A Potpourri of Freaks também nos apresentou a uma nova personagem: Dylan, a nova aluna da Chambers Academy. E, com a chegada da menina, ganhamos um novo e promissor arco para Max.

O roteiro de Parenthood sempre foi de uma delicadeza, bom senso e – por que não? – humor incríveis ao retratar a Síndrome de Asperger no personagem de Max. Sua vida e desafios sempre estiveram no centro deste drama familiar. Desta vez, não foi diferente: agora que Max é um adolescente, nada mais natural do que abordar o seu inevitável primeiro amor.

Logo de cara, adorei a menina excêntrica, de personalidade forte e cheia de opiniões. Mas foi quando encarou Kristina de igual para igual na sala da diretoria que ela conquistou meu coração.

“Eu achei que deveríamos celebrar as nossas diferenças. Eu acho que o verdadeiro problema é atribuir um estigma à palavra. É isso que a torna pejorativa.” – Dylan.

Como dizer que Dylan não tem razão? Kristina está ali, tentando encontrar um equilíbrio (inexistente) entre o seu papel de educadora e o de mãe. O dilema – vamos admitir – rendeu ótimos momentos cômicos entre ela e Adam. Todo o drama que se seguiu em The Scale of Affection is Fluid funcionou de maneira bastante orgânica, e foi ótimo ver Adam e Kristina discordando em como lidar com esta nova situação.

O título do episódio, inclusive, faz perfeita alusão à toda aquela elaborada explicação sobre a escala “variável” e “fluida” de afeto, que aparentemente vai “de 1 a 5”, e que foi nada menos do que sensacional. Também ri muito das explicações atrapalhadas de Zeek sobre a “libido dos Braverman” e de Crosby explicando o que são as “bases”, enquanto um Adam constrangido insistia em falar sobre “interesses comuns e qualidades”.

Max, inteligente, direto e dedicado, toma todos aqueles conselhos ao pé da letra e passa a observar e “estudar” Dylan nos mínimos detalhes, e a situação toda é, na mesma medida, tão absurdamente fofa e desconcertante que eu tenho que resistir à enorme vontade que tenho de dar um abraço nele. E em Kristina. E em Adam. Especialmente nele, que está se saindo tão bem em suas aulas de culinária, e que precisa desesperadamente acreditar que Max pode amar e ser amado neste grande caldeirão de gente estranha. Mal posso esperar para ver se Max conseguirá aumentar seu atual 2.5 nesta escala de afeto.

Sarah

Mas nem tudo são flores… O arco de Hank, Sarah, Ruby e sua ex-mulher Sandy continua irritantemente monótono, insosso e nem remotamente interessante. A menina é mimada, grosseira, rebelde sem causa, deu uma de Wynona Ryder sob o olhar incrédulo da madrasta, e… ficou por isso mesmo. Que preguiça. Pelo menos vimos o banana do Hank, ENFIM, se posicionar a respeito de Sarah ao enfrentar sua ex-mulher.

Este arco me deixa bastante triste e frustrada, principalmente porque Lauren Graham é uma atriz extraordinária, de quem eu sou fã desde o dia em que a vi como a incrível Lorelai Gilmore no episódio piloto de Gilmore Girls (série do coração, para todo o sempre). Na minha humilde opinião, ela é uma das atrizes mais subestimadas de Hollywood, e eu fico triste ao ver seu enorme talento sendo “desperdiçado” em um arco sem graça justamente nesta temporada de despedida.

Hank só deixou de ser um personagem completamente aleatório e sem propósito na série na temporada passada, quando foi um ótimo mentor para Max. A identificação que ele sentiu quase que imediatamente com o menino e sua angústia ao realizar que, como ele, poderia ter a Síndrome de Asperger, foram onde ele mais brilhou, confirmando o auge do personagem. A reconciliação com Sarah, infelizmente, serviu para o roteiro abandonar de vez a ligação entre Max e Hank. Uma pena. Porque, para mim, nada mais ali funciona.

Minha esperança ainda é ver muitas cenas de Sarah com Amber e Drew. Apesar dos pesares e de todos os percalços, ela foi uma boa mãe. Prova disso é a enorme evolução de ambos. Ainda vejo uma luz no fim do túnel para a personagem de Lauren… Desde que longe de Hank.

Para terminar, confesso que fiquei com pena de Amber quando ela levou aquele pé na bunda de seu novo pretendente. Foi um tapa na cara e um choque de realidade dolorido, porém necessário para ela. A boa notícia é que Amber está realmente disposta a seguir sua vida sem Ryan, e isso não é pouco. Drew, mais uma vez mostrou o quanto cresceu e amadureceu, desempenhando seu papel de irmão responsável com desenvoltura e naturalidade e me deixando orgulhosa como uma mãe coruja. Mas Sarah bem que poderia se intrometer nesta equação de vez em quando, não? Isto anda fazendo uma falta gigantesca.

Bom gente, é isso. Deixo vocês com a promessa de que até a próxima quinta-feira estaremos com as reviews em dia! Se você foi persistente e leu até aqui, muito obrigada! E até breve.

Séries citadas:

é Analista de Relações Internacionais, graduada em Direito pela Faculdade de Direito de Curitiba e em Letras pela UFPR. Apaixonada por livros, música e séries de tv, será eternamente uma "Garota Gilmore", mas também assiste The Good Wife, Castle, Orphan Black, Grey's Anatomy, Hart of Dixie, Nashville, Parenthood - entre um milhão de outras - e jura amar todas.

4 Comments

  1. Drica

    Gabi você sempre descrevendo com maestria o que eu só consigo sentir. Concordo com absolutamente tudo. Especialmente sobre Drew, Dylan, Sarah e Hank. Mas também preciso comentar como o fato do namorado da Julia ser um cara super gente boa, lindo e atencioso tem confundido meus sentimentos, dito isso, ainda me declaro para sempre Team Joel… Obrigada pelas belas review!!!

  2. Gabi Guimarães

    Oii Drica!
    Aah, que bom que vc tem gostado das reviews! Escrever sobre a família Braverman é sempre um prazer, e eu não acredito que logo logo ficaremos órfãos dessa série linda!
    E vc tem toda a razão: o novo namorado da Julia é fofo, lindo e super paciente e atencioso (prova disso foi ele ouvindo ela falar sobre os papéis do divórcio), mas poxa… É impossível torcer por ele. hahaha #TeamJoelForever
    Obrigada pelo comentário e pelo carinho! :))

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