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Reviews

Parenthood – Left Field

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Série: Parenthood
Episódio: Left Field
Número do Episódio: 4x02
Exibição no EUA: 18/09/2012
90.666666666667
4.5
3

Enquanto assistia a este episódio, eu fiquei o tempo todo tentando encontrar algum erro, uma falha de roteiro, de direção, interpretação, mas foi em vão. Talvez o único problema com Parenthood seja o canal em que é exibida.

Essa série merece os caprichos e atenção de um canal fechado, onde pudesse levar sua vida sem se preocupar com audiência. Poucas vezes eu vi uma história com tantos pontos focais dividir tão bem o tempo que dedicaria a cada trama. Particularmente, eu prefiro quando os irmãos interagem mais, mas isso não chega a atrapalhar nada.

A nota 10 do episódio vai pra Monica Potter, intérprete da Kristina, e não foi pela cena final (que sim, foi uma das coisas mais bem feitas da série até agora, mas falemos disso mais abaixo). Em uma sequencia super complicada, onde todos gritavam na cozinha, a atriz improvisando em cima das intervenções da bebê foi incrível.

A história mais fraca talvez tenha sido o imbróglio entre o Drew e a sua namorada, tendo que aguentar a mãe enchendo a sua paciência. Mas o ator que faz o garoto foi tão bem, que não teve como não compadecer da sua dor. Quem nunca levou um fora aos 15 anos (ou aos 20, aos 30, aos 60)? A ausência do Mark e a interação do Hank com o Drew deram uma pista sobre a direção que essa história tomará. Depois do papo entre os dois sobre corações partidos, pode pesar sobre a Sarah a necessidade de ter não só um companheiro, mas alguém que possa ajudá-la a criar seus filhos. Destaque para a cena entre o garoto e sua mãe no quarto. A química entre os dois atores deixou a sequência ao mesmo tempo emocionante e engraçada.

O Crosby e a Jasmine percebendo que a vida de casados não pode ser uma eterna lua de mel não chegou a empolgar, mas também não incomodou. A atriz, que no começo me causava uma certa antipatia, vem acertando o ponto já há algum tempo. Foi bacana vê-la desesperada no caminho da escola para pegar o filho que o pai tinha esquecido. Talvez seja a trama que menos tenha potencial, já que eles passaram por boa parte dos perrengues que um casal pode passar no período pré-casamento.

Mas agora vamos falar da principal surpresa dessa temporada, a Julia. A personagem que passou boa parte da série apagada, ganhou bastante destaque no fim da última temporada e ao que parece, conseguirá manter-se em evidência. A história da mãe que luta para conquistar e ser conquistada pelo filho recém-adotado está convencendo. Duvido que alguém tenha deixado de se comover com a advogada passando o dia todo no carro, mostrando para o filho que estaria presente enquanto ele precisasse. E o abraço dos dois mais tarde selou o começo de uma nova fase de confiança, sentimento essencial para surgimento do amor.

E por fim tivemos a revelação no final do episódio. Na última review, elogiei a série por fugir de tramas já batidas, entre elas o câncer. A série já tem sua cota de merchandising social ao mostrar as dificuldades de criar um filho com Asperger. Eu pensei que quando esse momento chegasse, não conseguiria aceitar e criticaria a decisão. Mas não consegui não me emocionar com aquela cena. A decisão de abrir mão dos diálogos por uma música, que por sinal sempre é cuidadosamente escolhida, não poderia ser mais correta. A tristeza da personagem, não só pela descoberta da doença, mas também por ter que dar a notícia ao marido num momento de alegria, foi passada com a maior eficiência, mostrando um trabalho de direção e interpretação dignos de cinema. Não tenho dúvidas de que Parenthood vá conseguir fugir do lugar comum e tratar a doença como poucas vezes vimos na televisão.

Terminei o episódio com a certeza de que eu estava vendo uma superprodução. É nítido o cuidado de todos da equipe com o trabalho. Triste mesmo é só o fato de que a série não tem, e provavelmente nunca terá, o reconhecimento merecido. Eu continuarei na minha árdua cruzada de divulgá-la para as pessoas que gosto. A meu ver, é como se eu estivesse dando um presente, daqueles que nunca se esquece.

Séries citadas:

Analista de Sistemas, mas só porque assistir séries não dá dinheiro. Fã de Six Feet Under, Breaking Bad, comédias da NBC, Happy Endings e qualquer coisa que Aaron Sorkin escrever. Não tem vergonha de falar que gosta de Grey's Anatomy e Revenge.

7 Comments

  1. Maria Clara Lima

    Essa série é um presente. Texto, atores, tudo se encaixa. O elenco infantil é o melhor que a TV já viu, o entrosamento entre a família Braveman é singular. Concordo com tudo o que você falou Tiago. E é esperar que um dia, antes de seu iminente cancelamento, nós podemos contar com um pouco mais de holofote.
    Mas talvez seja melhor assim, só para alguns poucos que gostam da simplicidade de um diálogo bem feito, o centro da série.
    Todo o amor para a Monica!

  2. @ZePicelli

    UHULL, finalmente com tempo de ler e comentar!

    Mesmo não achando o melhor episódio da série (ainda acho o do nascimento
    do bebê da Zoe de certa forma superior), esse daqui não fica tão atrás.
    E isso não tem nada a ver com a revelação final.

    Mesmo com tramas pequenas (Crosby/Jasmine, Drew), tudo foi coerente e
    extremamente expontâneo. Parecia um pouco all over the top o desespero
    de Jasmine? A primeira vista sim, mas poxa! Eles esqueceram o filho na
    escola! Toda aquela raiva e agressividade não era de furia pelo fato do
    marido ter esquecido o filho mas sim de o casal terem falhado com o
    filho.

    Já Drew finalmente voltou a ter mais destaque na série. Acho que a
    última vez que ele realmente teve um tempo de tela relevante e
    interessante foi com a última aparição do pai e desde então estava
    aguardando outra oportunidade para o garoto ganhar novamente destaque.
    Como a Clara disse em seu comentário, o elenco infantil da série é muito
    bom e o ator que faz Drew não fica de fora. O sofrimento contido do
    personagem, apesar de ser quase que imperceptível, não deixa de
    emocionar. Ele é fechado, ele é calado, mas seu desconforto está lá, ao
    desviar o olhar ao falar com a mãe ao entrar no estúdio, ou fazendo
    paidas para descontrair sua dor. (“Você tem alguns calmantes? O QUE??
    Não tô conseguindo dormir, só isso!” hahaha)

    Aliás, Hank só melhora! SÓ MELHORA! Ele dando conselhos de pai para o
    Drew foi bem interessante. Já já Sarah vai começar a se dar conta que
    ela não precisa apenas um marido e sim a figura de pai para os filhos.

    Agora Julia. Que cena mais linda aquela em que ela convence Victor a ir à
    escola. Estou muito satisfeito com o destaque que a personagem tem
    ganho nessas últimas temporadas. Para mim, o núcleo dela era um dos mais
    chatos da série (no começo, detestava tudo que envolvia Crosby), mas
    agora tenho achado as tramas de Julia muitas vezes até melhor que a de
    Sarah/Amber, que costumavam ser minhas favoritas.

    Mas nada, absolutamente NADA supera o núcleo da Kristina. Pouco sabemos
    sobre sua família, sobre seu passado, mas o amor que ela disperta no
    expectador chega a ser mais intenso àquele dispertado pelos Braverman de
    sangue.

    Como você indicou, ela foi o grande destaque do episódio. Seja na cena
    final como nas pequenas cenas na sala. A interação com Nora foi a cereja
    do bolo!

    Apesar de esse ser um tema batido nos dramalhões da TV, tenho fé que
    Katims irá sair do senso comum e tratará lindamente desse tema,
    utilizando ao máximo o potencial dramático da fantástica Monica Potter.

    Aos poucos Parenthood tem deixado sua marca na lista de dramas mais
    emocionantes da TV, assim como Kristina tem se tornado uma personagem
    inesquecível ao lado de grandes nomes como Tami Taylor de Friday Night
    Lights.

  3. Tiago Oliva

    Me lembro de não gostar da Kristina no começo, apesar de não me lembrar exatamente por quê. Ela vem me conquistando desde o quase caso extra-conjugal do Adam. Nesse episódio ela me ganhou de vez. A comparação que você fez foi perfeita. Ela está começando a me fazer lembrar da Tami. A Sarah já faz tempo que perdeu o brilho. A personagem ficou muito imatura. Sem contar que deixaram pra traz o talento que ela tinha descoberto como escritora (ou eu tô perdendo alguma coisa?). Agora com a Amber mais independente, a dinâmica entre as duas tem feito falta.Tudo indica que essa temporada vai ser empatada entre a Kristina e a Julia.

  4. @ZePicelli

    Se for empatada entre a Kristina e a Julia então certamente será a melhor temporada até o momento!
    Também queria me lembrar do por quê de não gostar tanto assim da Kristina no início. Talvez pelo motivo de ser apenas uma cônjuje dos Braverman, assim como aconteceu no início com Jasmine. Lendo uma entrevista que ela deu à TV Line (recomendo!), ela menciona que teremos a oportunidade de saber mais sobre a personagem, além de ver mais interação com Camille. Ansiosíssimo pelo episódio da semana que vem!

  5. Nerd Loser

    linda essa série mas câncer de novo?! tocando naked as we came? se usar wayfarer fosse super cool, eu diria que estamos em 2008. tudo bem que como vc falou, a cena foi linda. a kristina mandou benzaço e eu adorei que ela já foi direto contar pro adam ao invés de guardar o segredo e sofrer em silêncio, tipo sempre fazem. a jasmine voltou a me irritar um pouquinho e eu adorei a parte da julia (mas ela fazendo cafuné no filho agora que eles se amam foi super cafoninha – a vida não é tão fácil).

    (curti o review!)

  6. Tiago Oliva

    É verdade, câncer já tá over desde camila em Laços de Família. Mas eu vou curtir se o desfecho for a morte dela. Aí essa galera vai provar que tem balls. Sobre o cafuné da Julia, eu achei que foi ok, porque não foi aquele cafuné, né?Foi aquela coisa meio constrangedora.

  7. Dieter Klaus

    Depois de ler esta review e os comentários estou ansioso para ver este episódio.

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