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Ficção (séries virtuais)

Série Virtual – Outsiders – Ways and Means

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Série: Outsiders
Episódio:
Ways and Means
Temporada:

Número do Episódio:
1×06

CENA 1 – COZINHA DA MANSÃO LIEFIELD – MANHÃ

JOEY está sentado ao balcão comendo cereal e lendo uma revista. CATHLEEN entra.

CATHLEEN: Bom dia.

JOEY: Bom dia.

CATHLEEN: [irônica] Nosso hóspede adorado não levantou ainda?

JOEY: Ele realmente tem sido meio folgado nos últimos dias. Não vejo a hora desse cara sumir.

JOEY fecha a revista enquanto CATHLEEN se serve de leite.

CATHLEEN: Meio folgado? O cara não se liga. E o que ele ainda tá fazendo aqui? Quer dizer, uma semana deveria ser suficiente pra Julia arrancar dele o que ela precisa.

JOEY: [irônico] É, o método de tortura dela de dar uma cama confortável, boa comida e água quente realmente vai fazer ele abrir o bico.

CATHLEEN: [arregala os olhos] Aposto que ela tá transando com ele.

JOEY faz uma cara de nojo e fala de boca cheia.

JOEY: Eu tô comendo aqui!

CATHLEEN: Só pode ser. No começo até que eu topava fazer um favor aqui e outro ali porque, convenhamos, ele é gato. [Joey revira os olhos] Mas eu não costumo preparar nenhum banho do qual eu não vá participar e como acho que apesar de muito tentador isso seria ilegal, ele que prepare o próprio banho!

JOEY: O cara claramente teve alguma coisa com a Julia. E o que você tá dizendo é errado em milhares de diferentes formas!

CATHLEEN: Você não precisa mais se preocupar com isso. Ele está totalmente fora do meu sistema. Chega de ficar pensando no seu rosto perfeito [Cathleen olha pra o nada] e olhos castanhos maravilhosos. Aqueles braços fortes naquele roupão–

JOEY larga a colher no balcão com um olhar entediado.

JOEY: [resmunga] Ótimo. Eu nem tava com fome.

CATHLEEN: [acordando do transe] É sério, Joey. Vou falar com a Julia. Hoje mesmo esse cara tá fora da nossa casa. Ele tá fora! Fora!

JOEY: Tem meu total apoio.

ROBERT entra ofegante na cozinha. A câmera mostra o ponto de vista de CATHLEEN revelando ROBERT de cima a baixo em slow motion. Ele veste uma calça de moletom e uma regata branca colada ao corpo pelo suor. CATHLEEN parece hipnotizada.

ROBERT: Bom dia, Geração X.

JOEY abre novamente a revista e responde sem levantar os olhos.

JOEY: Hmm.

ROBERT pega o copo de leite de CATHLEEN e vira de uma vez. A garota parece não perceber. JOEY levanta as sobrancelhas observando a cara de CATHLEEN.

ROBERT: Não há nada melhor do que começar o dia com um bom exercício. A sala de treinamento de vocês até que dá pro gasto. [irônico] Embora eu ache que a Julia precise de estantes mais altas pra manter os objetos cortantes longe do alcance de crianças.

ROBERT passa a mão no cabelo de JOEY como com uma criança e o garoto define o maxilar, claramente irritado. Ele levanta olhando ROBERT nos olhos.

JOEY: Vai ver você está certo. Você ficaria impressionado com o estrago que crianças conseguem fazer.

Os dois se encaram por uns instantes até ROBERT que abre um sorriso e começa a rir sacudindo o ombro de JOEY amistosamente, mas JOEY não parece achar graça.

ROBERT: Ha-ha! Bem, eu acho que vou tomar um banho.

Ele se aproxima de CATHLEEN.

ROBERT: Cathie, querida. Seria ótimo se você misturasse os sais daquele jeitinho que só você consegue.

Ele dá um beijo no rosto da garota e sai da cozinha. CATHLEEN solta um suspiro.

CATHLEEN: Bem, eu acho que não vai doer se ele ficar mais uns dias.

Ela deixa a cozinha na direção em que ROBERT saiu. JOEY balança a cabeça em negativa.

 

[MÚSICA TEMA – LATE GREAT PLANET EARTH, PLUMB]

 

CENA 2 – EXT. NARANDA HIGH – MANHÃ

A Cherokee de JULIA para em frente ao colégio. Ela desliga o motor.

JULIA: Ok, eu vejo vocês a noite. E tentem ficar longe daqueles garotos do rancho.

CATHLEEN: Um dia sem bater boca com Ehlios? Deus não é tão bom assim.

JULIA não ri.

CATHLEEN: Okay, okay. Ignorá-lo não tem funcionado muito bem até agora, mas a gente continua tentando e tentando e tent… [fade out]

CATHLEEN sai do carro deixando JOEY e JULIA a sós. A mulher olha pelo retrovisor para JOEY. Ele está de braços cruzados no banco de trás e cara de poucos amigos.

JULIA: Hey, Joe. Você tá bem?

JOEY olha nos olhos dela pelo retrovisor.

JOEY: Quando que ele sai?

JULIA: [respirando fundo] Em breve. Eu já tenho boa parte da informação que queria–

JOEY: Então, hoje à noite?

JULIA: Não sei. Talvez.

JOEY: Amanhã então?

Os dois se olham por um momento e então JOEY, insatisfeito, olha pros lados controlando sua raiva. JULIA vira para o banco de trás olhando-o cara a cara.

JULIA: Eu não tô.

JOEY: O quê?

JULIA: Fazendo o que você pensa que eu tô. Dormindo com ele. Não que seja da sua conta.

JOEY: Bem, não dá pra negar que é o único motivo aparente pra ele estar a uma semana sendo tratado como rei dentro daquela casa.[irônico] Tenho certeza que não foi o Ulisses que ordenou esse método tão agressivo de abordagem de prisioneiros.

JULIA: [séria] Não me lembro de você questionando meus métodos.

JOEY: Nunca foi necessário.

JULIA: [irritada] Nunca te pedi para fazer isso e não estou pedindo agora, Joey! Eu sei o que estou fazendo. Eu conheço esse homem e sei o que tenho que fazer pra conseguir o que quero dele.

JOEY: [ríspido] Ah, mas disso eu nunca duvidei. Acho que já passaram meus cinco minutos.

JOEY sai do carro e bate a porta. Julia esvazia os pulmões e passa a mão nos cabelos.

 

CENA 3 – CORREDOR DO NARANDA HIGH – MANHÃ

[MÚSICA DE FUNDO – ON THE WAY DOWN, RYAN CABRERA]

O corredor está cheio. CATHLEEN está passando alguns livros de seu armário para sua bolsa quando vê ZACK passando no corredor. Ele dá um sorriso discreto para ela enquanto passa e ela retribui. O armário se fecha de repente revelando KENNEDY encostada nele. CATHLEEN toma um susto.

KENNEDY: Olha só pra você toda amiguinha do Hayes!

CATHLEEN: [mão no peito] Sua louca. Você quase me matou de susto.

KENNEDY: Desculpa, amiga. Eu sei como é um baque voltar… das nuvens!

KENNEDY começa a mexer os braços como se voasse e a circular a amiga. CATHLEEN ri enquanto as duas começam a andar pelo corredor.

CATHLEEN: Do que você tá falando?

KENNEDY: De você e do Hayes. Nunca achei que você gostasse do tipo caladão.

CATHLEEN: Eu e o Zack? Você que tá viajando. Ele trabalha comigo. Eu tenho que pelo menos cumprimentá-lo.

KENNEDY: Yeah, certo. Joey mora com você e nem isso ele consegue. Admite que você tem uma queda pelo Hayes. Uma queda não, um precipício.

CATHLEEN: Cala a boca. Eu não tenho nada com o Zack. Na verdade, ele acabou virando um amigo melhor do que eu poderia imaginar. Ele é um bom ouvinte.

KENNEDY: Isso é porque ele não fala. Juro que já passei dias inteiros sem ouvir ele falar nada além de [voz mais grossa] “Posso anotar seu pedido?”.

CATHLEEN ri.

CATHLEEN: Depois que a gente passa a conhecê-lo ele não é tão tímido quanto parece.

KENNEDY: [maliciosa] Hmm, isso soa sacana.

CATHLEEN empurra o ombro da amiga de leve.

CATHLEEN: Cala a boca!

As duas riem e CATHLEEN entra numa sala enquanto KENNEDY dá um tchau e continua andando.

[Música fade out]

 

CENA 4 – CORREDOR DO NARANDA HIGH – MANHÃ

[MÚSICA DE FUNDO – AMAZING, JOSH KELLEY]

O sinal toca e KENNEDY caminha mais apressada quando alguém dobra um corredor ao lado e esbarra nela fazendo seus livros caírem.

KENNEDY: Ai!

KENNEDY abaixa sem nem olhar quem bateu nela.

KENNEDY: Não dá pra olhar por onde anda não?!

JOEY: Ah, droga.

KENNEDY olha pra cima, finalmente percebendo que é JOEY. O garoto abaixa para ajudá-la.

JOEY: Desculpa. Eu realmente não tava muito atento.

KENNEDY: Hum… não tem problema.

Eles recolhem tudo em silêncio. KENNEDY parece meio sem graça. Eles levantam e ficam se encarando por alguns segundos. JOEY coça a cabeça.

JOEY: Eu acho que—

[ao mesmo tempo]

KENNEDY: Eu queria te—

JOEY sorri.

JOEY: Você primeiro.

KENNEDY: [sem graça] É que… sobre aquela noite… bem… hum… eu queria me desculpar. Eu não sei o que me—

JOEY: Hey. Não tem problema, Kennedy. Todo mundo tem um dia ruim de vez em quando.

Com isso JOEY sai andando cabisbaixo e KENNEDY o observa ir com uma expressão interrogativa no rosto.

[Música fade out]

 

CENA 5 – BANHEIRO DA MANSÃO LIEFIELD – MANHÃ

JULIA entra no banheiro, séria. ROBERT está na banheira com uma máscara tampando seus olhos. JULIA bate a porta e ROBERT acorda assustado. Ele tira a máscara e sorri para ela.

ROBERT: Você tá precisando relaxar, hum? Se me permite uma sugestão esse banho tá maravilhoso. Te faria milagres.

Ele senta e aponta para que ela entre.

JULIA: Quero o nome da base, características e vulnerabilidades. Cansei de você dando voltas. Você já teve seus dias de descanso depois de alguns anos naquele lugar, mas agora tá na hora de começar a falar ou você volta pra lá em menos de 12 horas.

ROBERT: Meu Deus, Jules. Já disse, se acalma. Só não tenho pressa pois achei que a gente fosse… se divertir um pouco antes de eu ter que ir embora.

JULIA: Não vamos.

ROBERT a encara com uma expressão confusa e balança a cabeça em negativa.

ROBERT: O que diabos esses garotos fizeram com você? Você tá irreconhecível! No começo tava até bonitinho te ver toda Bree, mas agora é só irritante!

JULIA: As pessoas mudam.

ROBERT: [frustrado] Você não, Jules! Eu te vi fazer umas coisas bem barra pesada no passado. Deus, o que você fez comigo da última vez é algo que a maioria das pessoas não perdoaria e agora você quer me convencer que alguns anos brincando de casinha mudaram sua vida? Por favor!

ROBERT levanta da banheira e a câmera só mostra a parte de cima do seu corpo. JULIA não reage à ação. Ele sai naturalmente da banheira e começa a enxugar o corpo.

ROBERT: Nós dois sabemos que as pessoas não mudam. Elas só… se adaptam. Aprendem a se socializar de forma diferente por pura questão de sobrevivência. Interesse.

[MÚSICA DE FUNDO – BENT, MATT NATHANSON]

Ele joga a toalha longe e se aproxima falando bem próximo ao rosto dela de forma suave.

ROBERT: Quem você é tá aí dentro em algum lugar. Eu sei que sim. E ela tá morrendo de vontade de se liber–

JULIA: [séria] O tempo tá passando, Bob.

Ele esvazia os pulmões, olhando pra baixo com uma expressão de desistência, mas logo a olha nos olhos e coloca uma mexa de cabelo delicadamente atrás de sua orelha. Ele acaricia sua face.

ROBERT: Eu só… eu achei que chegaria a encontrá-la antes de ir. Diz pra ela que eu tô com saudades.

Eles se encaram a poucos centímetros de distância. ROBERT continua acariciando o cabelo dela. Ele começa a massagear sua nuca e Julia fecha os olhos. Ele toca os lábios no nariz dela e passeia delicadamente pelos olhos, testa, bochechas.

ROBERT: [sussurra] Eu só… queria que não estivéssemos tão distantes.

ROBERT toca os lábios de JULIA com seus dedos. A câmera foca a fechadura da porta e a chave a tranca sozinha. Rapidamente, ROBERT pressiona JULIA contra a porta e a beija com intensidade. O beijo é profundo e JULIA corresponde. As mãos dela acariciam o cabelo de ROBERT e ele começa a beijar seu pescoço. A câmera mostra a mão de ROBERT descendo pelas costas de JULIA e entrando dentro da camisa dela.

[Música subitamente cortada. Barulho de freios.]

De repente, ROBERT é empurrado para trás por uma força invisível e para há uns dois metros de distância de JULIA.

JULIA se recompõe arrumando os cabelos. ROBERT aponta pra ela.

ROBERT: Agora isso é golpe baixo!

Ele urra frustrado e dá um soco no ar.

JULIA: Um beijo. Era tudo que você queria antes de ir. Agora você já tem. Começa a falar.

ROBERT: [frustrado] Alguém já te disse que essa sua mania de ler o pensamento dos outros é extremamente irritante?!

JULIA: [sorri] Algumas pessoas.

ROBERT: Um sorriso? Será que eu finalmente atravessei esse escudo que você armou desde que cheguei?

JULIA: Na verdade… [desvia o olhar pro teto] eu acho que você precisa de um banho gelado.

JULIA começa a rir. ROBERT olha para baixo.

ROBERT: [sorri] Não é engraçado.

ROBERT começa a gargalhar.

ROBERT: Não tem graça nenhuma!

Os dois riem. ROBERT abre o box transparente e entra no chuveiro. Ele dá alguns pulos quando entra em contato com a água e vibra os lábios expressando frio. JULIA senta na bancada, ao lado da pia. Ela agora parece mais relaxada. Eles se vêem através do vidro transparente.

ROBERT: Achei que tinha te bloqueado melhor.

JULIA: Bem, eu tentei por uma semana e só consegui agora, com você praticamente gritando por isso. Estou até um pouco impressionada. Você realmente aprendeu algumas coisas sobre sua mente.

ROBERT: Eu te disse.

JULIA: Então…

ROBERT: Então. Hora de falar de negócios.

JULIA: Por favor.

ROBERT: Aos negócios então. Eu tenho certeza que não é por acaso que você escolheu Naranda pra morar. [esfrega o cabelo] O complexo.

JULIA: Nove bases militares externas e subterrâneas num raio de 800 milhas.

ROBERT: O governo tem uma obsessão estranha com essa parte do país.

JULIA: Nem me fala.

ROBERT: Só pra que você saiba, tem mais uma em construção no norte de Lander e outra na divisa com New México. Não esquece de dar uma olhada.

JULIA: Como você sabe disso depois de cinco anos preso?

ROBERT: Bem, eu descobri que seu acesso à internet é absurdamente seguro e um terço dos meus contatos ainda vivem. Só me dei um update antes de te passar as informações.

JULIA: [sorri] Eu darei uma olhada nas bases. Obrigada.

ROBERT: Lutando contra a vontade de mudar de assunto, já que acabei de ver o primeiro “obrigado” que sai da sua boca na minha vida…

JULIA sorri.

ROBERT: …o que você deve procurar é um receptor. Ele deve parecer com um HD com um painel complicado em cima. Células receptoras de ondas.

JULIA: Pra um satélite.

ROBERT: Exatamente. Aparentemente vocês são tão bem quistos pelos militares que agora vocês têm seu próprio satélite. Alguma coisa com obter informações de pesquisas em outros países, sei lá. Já era um projeto antigo na época em que fui preso, mas agora ele está prestes a ser lançado. Então é melhor você se apressar.

Ele sai da ducha e JULIA joga outra toalha para ele.

ROBERT: Suponho que já saiba sobre a China?

JULIA: Sim.

ROBERT: Você já tem todos os desenhos?

JULIA: Você sabe que não posso responder isso.

ROBERT: [revira os olhos] Quê que eu tô perguntando? É claro que já os tem.

Ele enrola a toalha na cintura e se aproxima.

ROBERT: O lance é que você não precisa ir à China. Ela virá a você. Todo pedaço de informação que os militares têm sobre vocês vai passar por esse satélite. Tudo. Tudo que eles descobrirem lá ou seja lá mais em que países que essas células vão chegar.

A expressão de JULIA fica levemente surpresa.

ROBERT: Isso mesmo. Eu te disse que era coisa grande.

JULIA: E onde eu pego essas células?

ROBERT: [coça a cabeça preocupado] Aí que tá a coisa. Você não pega.

JULIA: O que você quer dizer?

ROBERT: Elas estão na base de White Pine.

JULIA: Hum… então por isso que você descobriu tanto desse satélite.

ROBERT: Yeah, preferia não ter tido que descobrir nada.

JULIA: Okay, eu admito que entrar lá vai ser um pouco difícil–

ROBERT: [riso nervoso] Não, Jules. [se aproxima mais] Você não tá me entendendo. Você pode ser a melhor agente que eu já conheci, mas White Pine não tem falhas na segurança. Não tinha quando eles tavam montando essa coisa e agora que tá pronto vai ser quase impossível entrar.

JULIA: Qualquer lugar tem falhas na segurança. E considerando que você ficou lá por três semanas antes da instituição metal, eu tenho certeza que você sabe qual é.

ROBERT: Jules, não tenta entrar lá. Compra alguém, espera o transporte dessa coisa, mas–

JULIA: Não posso arriscar, Bob. Não essa chance. Pelo visto eu vou ter que achar essas falhas sozinha.

Ela começa a sair do banheiro. ROBERT corre até a frente dela e fecha a porta ficando entre ela e JULIA.

ROBERT: Tem uma coisa.

Ela sorri.

ROBERT: E depois dessa você realmente tá me devendo uma–

JULIA: Eu te tirei de Charenton, te arranjei um apartamento, uma mesada–

ROBERT: …depois dessa nós estamos realmente quites.

Eles sorriem.

ROBERT: O gerador. Se aquilo ainda é o que costumava ser, tudo lá dentro é comandado por eletricidade. O sistema de segurança, a tranca das selas e dos laboratórios, até as torneiras… tudo funciona na base da eletricidade. Mas o lugar é tão gigante que o gerador reserva precisa de algum tempo para se carregar quando o principal cai.

JULIA: Quanto tempo?

ROBERT: Assim que o gerador cair, você tem – escuta bem – vinte segundos pra entrar e sair. Vinte segundos de vulnerabilidade total até o gerador reserva carregar. Vinte! Jules… é impossível.

JULIA: Eu agradeço a preocupação, mas eu preciso tentar.

JULIA inclina-se e toca os lábios de ROBERT com os seus trocando um suave beijo por alguns instantes. Ela interrompe o beijo e ROBERT apóia sua testa na dela enquanto ela acaricia o rosto dele. Eles se olham nos olhos.

JULIA: É melhor você arrumar suas coisas. O avião parte as oito e quarenta e cinco.

Ela passa por ele e sai do banheiro. ROBERT passa a mão nos cabelos molhados.

 

CENA 6 – REFEITÓRIO – TARDE

[MÚSICA DE FUNDO – WORK, JIMMY EAT WORLD]

CATHLEEN e SAMANTHA estão sentadas em uma das mesas com outras garotas. KENNEDY chega à mesa com sua bandeja e senta. Uma das garotas se inclina na mesa para falar com KENNEDY.

GAROTA: [sussurra] Não olha agora, mas eu acho que a Amy tá dando mole pro Ben.

KENNEDY: [irritada] O quê?!

Ela começa a virar, mas SAMANTHA ao seu lado, a puxa para frente.

SAMANTHA: Não olha!

KENNEDY: [nervosa] O que ele tá fazendo, Cathy? O que ele tá fazendo?

CATHLEEN, que está sentada no lado oposto a KENNEDY e de frente para BEM, observa o garoto. A câmera focaliza BEN sentado sobre uma das mesas e AMY na frente dele, sorridente e mexendo nos cabelos. Também vemos HARRISON ao lado dos dois, comendo, e alguns outros garotos com jaquetas do time.

CATHLEEN: Que vadia!

AMY olha rapidamente para a mesa das garotas.

CATHLEEN: Ela tá usando ele descaradamente!

KENNEDY: [nervosa] E ele? E ele?

AMY dá um empurrão de leve no braço de BEN e ele se remexe desconfortável, colocando as mãos nos bolsos da jaqueta.

GAROTA: Ele não parece muito interessado.

CATHLEEN: Essa garota não tem nenhum amor próprio.

KENNEDY: Ela tá realmente partindo pra cima? Quero dizer, eles podem estar só conversando.

CATHLEEN: Por favor! Numa escala de 1 a 10 ela tá flertando com ele como se fosse Paris Hilton.

KENNEDY: [irritada] Eu vou acabar com ela!

SAMANTHA: Acho que não precisa se preocupar. Ele ainda tá totalmente na sua.

KENNEDY: Como você sabe?

SAMANTHA: O Harry me contou. Aparentemente ele ainda não ficou com ninguém desde que vocês terminaram. Ele tá arrasado.

KENNEDY: Droga. Não queria que ele ficasse sozinho. [irritada] Só não quero ele com essazinha!

SAMANTHA: Por que você terminou com o Ben mesmo?

KENNEDY: Sei lá… ele ligava o tempo todo. Mandava flores pelo menos uma vez por semana, presentes—

SAMANTHA: [abismada] E isso é errado porque…

KENNEDY: Não é errado. Só que era demais. Você nunca cansou de ter namorados atenciosos demais? Quero algo diferente. Pelo menos pra ver como é.

SAMANTHA: [sem entender] Amiga… você é louca.

CATHLEEN: Vai ver ele ainda tem esperanças.

KENNEDY: Mas pra mim não tem volta.

CATHLEEN: Você devia arranjar alguém. Pra mostrar pra ele que não tem mesmo volta. Só assim ele vai superar.

KENNEDY: Não sei se é uma boa idéia—

SAMANTHA: É uma ótima idéia! Hoje a noite tem a inauguração daquele cinema gigante lá perto da Faculdade. Tenho certeza que vai estar cheio de universitários pra você escolher.

CATHLEEN: Perfeito!

KENNEDY: Eu não sei gen–

CATHLEEN: Mas a gente sabe. Nós vamos.

KENNEDY: Você? A furona oficial do Naranda High.

CATHLEEN: Depois do trabalho. Passa lá em casa e de lá a gente vai pra casa da Sam.

SAMANTHA: Por mim tudo bem.

KENNEDY olha desconfiada para as amigas.

KENNEDY: Ok, ok. Eu vou!

As garotas comemoram.

KENNEDY: [pra Cathleen] Mas não fura!

CATHLEEN: Não vou. Prometo.

CATHLEEN dá uma última espiada em AMY anotando algo na mão de Ben.

 

CENA 7 – REFEITÓRIO – TARDE

MEG está almoçando sozinha enquanto lê um livro. EHLIOS aparece com sua bandeja.

EHLIOS: Posso sentar?

MEG: [sem levantar os olhos] Não.

EHLIOS: Eu só… eu queria agradecer. O vídeo… bem, a gente pegou terceiro lugar, sem orçamento nenhum ou roteiro decente. Então eu pensei “o que diabos eles viram no filme pra conseguirmos terceiro lugar?”. A resposta veio bem rápido—

MEG: [olha pra ele] Eu?

EHLIOS fica sem graça.

MEG: [balança a cabeça em negativa] Cantadas de caras são tão previsíveis. [volta a ler] Não se incomode. Você não vai conseguir nada aqui, Ehlios. Terminamos.

Ele fica paralisado.

MEG: Você já pode ir agora.

EHLIOS abaixa a cabeça e se distancia.

 

CENA 8 – LABORATÓRIO DE INFORMÁTICA – TARDE

Todos os alunos estão em seus computadores individuais. JOEY continua com uma expressão aborrecida e brinca com uma borracha entre os dedos, parecendo não prestar atenção no professor à frente da turma. Um barulho rápido no computador o chama a atenção. A câmera mostra o monitor de JOEY. Uma janela de mensagem instantânea está aberta. JOEY clica em “desabilitar alarme” na caixa.

A câmera mostra o monitor de JOEY.

C DIZ: Q q vc tem hoje?

JOEY olha envolta para encontrar os olhos de CATHLEEN o encarando discretamente por cima de um dos monitores. Ele digita.

JOE DIZ: Achei que esse programa fosse bloqueado aqui.

Mais uma mensagem aparece.

C DIZ: E é. :D

Ele digita.

JOE DIZ: Bom saber q você ainda não perdeu a manha.

Vemos CATHLEEN sorrir. A garota digita. A câmera foca o monitor dela.

A câmera mostra o monitor de CATHLEEN.

C DIZ: ñ c preocupa. vc ainda eh melhor q eu. em hacking, mas ñ em mentir. Q q houve?

Vemos JOEY suspirar. Ele digita. A câmera foca seu monitor.

JOE DIZ: Besteira minha. Não precisa se preocupar.

C DIZ: essa mania q vc tá pgando d ñ falar nd tá me irritando.

JOE DIZ: Bem… é a Julia.

C DIZ: Q q tem ela?

Vemos JOEY ficar com uma expressão irritada. Ele digita com rapidez e aperta a última tecla com força. A câmera ainda foca no monitor de JOEY.

JOE DIZ: Cansei desse lance da gente não saber absolutamente nada da vida dela. Tipo, ela é o que a gente tem mais próximo de uma família e tudo que a gente sabe é o nome e a idade dela!

C DIZ: sem qrer t deixar com mais raiva, ms pd somar mais 5 na idade dela… ms q q a gnt pd fazer? ela eh fechada. sempre evita falar do passado.

JOE DIZ: Bem, eu acho que nós temos o direito de saber. Nós vivemos há quatro anos juntos! Daí esse Robert que nunca ouvimos falar e que claramente participou de uma parte importante do passado dela aparece e a gente tem que simplesmente lidar com isso?! Ela tá pedindo DEMAIS.

C DIZ: ah, entaum eh DISSO q a gnt tah falando… robert… vc tah cum ciumes da mammy. :D

JOE DIZ: Não é isso!! E quanto a Sarah? A gente vem evitando falar isso de uma forma tão descarada que me dá enjôo. Parece que ela simplesmente esqueceu que a gente sabe que ela conhece a Sarah. Conhece como? Da onde? Eles três são a mesma coisa que a gente é… Coincidência? Acho que não.

Ele respira fundo.

JOE DIZ: É só que… só me bateu agora que eu moro com alguém de quem eu não sei nada.

C DIZ: tem um jeito da gnt descobrir isso… o robert… a gnt pd tentar tirar alguma coisa dele.

JOE DIZ: Você podia ir lá e tocar nele.

C DIZ: acredite! eh td q eu qro fazer ha dias! :D

JOEY encara a garota por cima dos monitores rolando os olhos enquanto ela sorri. Outra mensagem chega. A câmera mostra o monitor de CATHLEEN.

C DIZ: d qq forma eu tenho q trabalhar. tenta puxar papo com ele hoje. soh vai ter vcs lah msm.

JOE DIZ: De jeito nenhum eu vou ficar papeando com aquele cara! Não, não e não!

C DIZ: eh a forma mais rapida d conseguir respostas…

Ela arregala os olhos e digita rápido.

C DIZ: e vc sabe q ela vai saber o q a gnt fez assim q ela nos ver né?!!

JOE DIZ: Esse lance de vocês duas me tira do sério. Mas eu não me importo. Ela que saiba o que eu penso.

C DIZ: ow inteligencia. c ela descobrir antes da gnt conseguir respostas nunca vamos falar com ele… tem q ser hj… antes dela chegar em casa e olhar p nossa cara. faz isso… hj a tarde! ou eu vou ficar mais semanas sem o carro por nada!!

Ela parece apavorada.

C DIZ: O CARRO!! Ó julia, isso eh tudo ideia do joey! vc tah vendo! eu não fiz nada, JURO!!

JOEY balança a cabeça negativamente. Ele digita. O sinal bate. A câmera volta a mostrar o monitor de JOEY.

JOE DIZ: Eu falo com ele. Essa tarde.

C DIZ: e eu num tenho NADA a ver c isso!!

Ele digita.

JOE DIZ: Vamos. Não esquece de apagar o histórico.

C DIZ: naum vo eskcer eh d chutar seu traseiro por me chamar d amadora!!

JOE DIZ: Vamos que eu estou a fim de um shake. Te acompanho até o TA.

JOEY digita mais algumas coisas mas logo pega sua bolsa e levanta, quase ao mesmo tempo que CATHLEEN.

 

CENA 9 – THE ALLEY – TARDE

[MÚSICA DE FUNDO – MOTOR, NEVE]

CATHLEEN e JOEY adentram a lanchonete com o som característico do sino. ZACK, no balcão, os nota entrar e vai em direção à CATHLEEN enquanto JOEY senta em uma das poltronas do local.

ZACK: [pequeno sorriso] Hey. Que bom que veio.

CATHLEEN sorri.

ZACK: Não tem muito movimento agora mas—

CATHLEEN: Dia de treinamento do time.

ZACK: Exatamente.

CATHLEEN: Já estou mentalmente preparada pra distribuir 100 quilos de hambúrguer pra jogadores esfomeados.

ZACK: Vai em frente e faz o que quiser por agora.

CATHLEEN: Acho que vou tentar tirar aquela mancha horrorosa do balcão. Só vou me trocar. E…

Ela olha para JOEY sentado a uma das mesas.

CATHLEEN: Dá alguma coisa com altos níveis de glicose pro Joe. Ele não tá muito bem hoje.

ZACK: Deixa comigo.

CATHLEEN vai para os fundos na lanchonete enquanto ZACK se aproxima de JOEY.

ZACK: Ei, cara. O que vai ser hoje?

JOEY: Uma nova vida. Tem aí?

ZACK: Bem, eu tenho uma banana split com um litro de sorvete que pode te matar.

JOEY: Traz uma dupla.

ZACK: [anotando] Wow. [grita] Uma Double Giant Split pra mesa 7!

ALGUÉM: [distante] Saindo!

JOEY deixa a cabeça cair sobre os braços cruzados na mesa. CATHLEEN volta com o uniforme da lanchonete e vai para trás do balcão. O sino toca e EHLIOS entra com uma expressão devastada.

CATHLEEN: O Prozac de hoje já acabou, mas ainda tem algum cianureto lá nos fundos.

EHLIOS não responde e CATHLEEN lança um olhar surpreso para ZACK. EHLIOS senta ao lado de JOEY e também abaixa a cabeça na mesa.

ZACK: Eu acho que ele tá com um problema.

CATHLEEN: Isso aqui é uma lanchonete, pessoal. Não um divã!

EHLIOS: [levanta a cabeça] As mulheres são a criação mais maligna de Deus.

CATHLEEN: [esfregando o balcão] Por isso que temos que carregar o pior fardo que existe: homens.

EHLIOS: É… vai ver você tá certa.

CATHLEEN: [arregala os olhos] Ok, agora ele tá me assustando!

ZACK: O que aconteceu, cara?

EHLIOS: Minha vida é um saco.

JOEY: [voz abafada] Tire as mãos do título do meu filme.

CATHLEEN: Alguém lembra o número do Dr. Phil? Os níveis de depressão estão subindo nesse lugar!

EHLIOS: Acho que vou querer aquele cianureto que você ofereceu.

JOEY: Traz dois.

ZACK coloca uma travessa enorme de sorvete na mesa.

ZACK: Por que a gente não começa com isso aqui e depois você repensa o cianureto.

JOEY levanta a cabeça e começa a comer em colheradas fundas. O sino toca e ROBERT entra na lanchonete.

JOEY: [irônico] Ótimo.

CATHLEEN parece nervosa e joga o pano que estava na sua mão embaixo do balcão. ROBERT senta em um dos bancos na frente dela. Ela sorri e arruma o cabelo.

ZACK: [incomodado] Quem é o cara?

JOEY: [irônico] Esse é o nosso ilustre hóspede. Ele tá lá em casa há uma semana.

ZACK: E qual é a dele?

JOEY: [de boca cheia] Não pergunta pra mim. Eu sei tanto quanto você. E você acabou de conhecê-lo.

CATHLEEN ri. ZACK parece ainda mais incomodado.

ZACK: Cathleen parece bem íntima dele.

JOEY: Não sei se “íntima” é a palavra. Mas eu te digo uma coisa. Ele é o único cara que eu já vi que deixou essa garota sem palavras. Além de Orlando Bloom, pelo menos.

ZACK continua observando os dois.

EHLIOS: Eu disse cara. Mulheres são malign—

ZACK: Cathleen! Você poderia checar se temos hambúrgueres suficientes pra hoje?

CATHLEEN parece surpresa.

CATHLEEN: Mas você disse que eu podia fazer—

ZACK: É, mas eu acabei de lembrar que talvez não os tenha descongelado. Pode fazer isso?

CATHLEEN franze o cenho.

ZACK: Agora?

CATHLEEN: [irritada] Claro.

A garota vai para os fundos da lanchonete. A campainha toca. ZACK vai até a janela entre a lanchonete e a cozinha e pega um saco de papel. Ele o entrega para ROBERT.

ZACK: [seco] Aqui está seu pedido. Bom apetite e volte sempre.

ROBERT: [rindo] Se acalma, garoto. Não tô tentando pegar sua garota.

ROBERT ri e ZACK toma uma expressão irritada. ROBERT se aproxima da mesa de JOEY e EHLIOS.

ROBERT: Cathy disse que você precisava de uma carona pra casa.

JOEY esvazia os pulmões, não muito satisfeito.

JOEY: Ah, sim. [entre dentes] Claro.

JOEY levanta.

ZACK: Mas você nem terminou seu—

EHLIOS: Deixa comigo.

EHLIOS pega a colher e começa a comer como o rosto apoiado na mão. JOEY e ROBERT deixam a lanchonete.

 

CENA 10 – SALA DE TREINAMENTO – TARDE

JOEY entra na sala de treinamento seguido de ROBERT.

ROBERT: Você tem certeza que quer fazer isso?

JOEY começa a enfaixar as mãos.

ROBERT: Quero dizer, você não tem… lição de casa pra fazer, ou sei lá?

JOEY: Provavelmente.

ROBERT dá de ombros e abre o saco de papel tirando um hambúrguer. Ele começa a comer.

JOEY: Então… o que você achou de Naranda?

ROBERT: Se por Naranda você quer dizer as três ruas que eu tive que tomar pra chegar naquela lanchonete, então bem… Naranda é irritantemente quieta.

JOEY: Acredite, você não precisa conhecer a cidade inteira pra atestar isso. Eu não sabia que você podia sair de casa.

ROBERT: [boca cheia] Não posso.

JOEY: Oh…

Eles ficam em silêncio e JOEY parece um pouco incomodado, mas ROBERT apenas aprecia seu lanche.

JOEY: Então…

ROBERT: Por que você não simplesmente pergunta o que quer saber, garoto?

Joey fica surpreso.

JOEY: Eu não… eu—

ROBERT arqueia as sobrancelhas.

JOEY: [frustrado] Como você sabia?

ROBERT: Considerando que durante a ultima semana você tem deixado bem claro o quão bem vindo não sou nessa casa, se agora você quer que eu [gesto de aspas] te ensine alguns golpes, alguma coisa você quer.

JOEY: Eu só—

ROBERT: Quer saber sobre eu e Julia.

JOEY: [irritado] Dá pra parar? Já tenho a Cathy e a Julia pra isso.

ROBERT: Você é óbvio demais. O que você quer saber, garoto?

JOEY: [desconfiado] Você vai simplesmente me dizer o que eu quiser saber?

ROBERT senta sobre uma das mesas.

ROBERT: Ainda tô decidindo. Depende das suas perguntas. Seja direto. Odeio que me enrolem.

JOEY: Ok. Há quanto tempo vocês se conhecem?

ROBERT: [pensa um pouco] Oito… não, nove. Nove anos. Acho que é isso.

JOEY: Como vocês se conheceram?

ROBERT: HT. Ulisses estava recrutando agentes. Me achou.

JOEY: Não sabia que o Heller recrutava pessoas normais.

ROBERT: E ele não recruta.

JOEY: Então como—

ROBERT: Continue no campo das perguntas certas, garoto.

JOEY o analisa com curiosidade, mas logo balança a cabeça afastando o assunto.

JOEY: Sarah Jones. Você sabe algo sobre ela?

ROBERT pensa por um momento.

ROBERT: Não me lembro de nenhuma Sarah Jones. Não deve ser da minha época.

JOEY: E… você e Julia… vocês…

ROBERT: Direto, garoto.

JOEY: Vocês tiveram algo?

ROBERT: Sim.

JOEY: Ok… [respira fundo] E por que você concordou em me dizer tudo isso?

ROBERT observa JOEY por uns instantes como se não fosse responder.

JOEY: Acho que acabei de cruzar os campos.

ROBERT: Bem no limite, garoto. Gosto de você. Tem coragem. Sua resposta… às vezes é bom relembrar algumas coisas. Pessoas que você nunca voltará a ver.

JOEY franze a testa

ROBERT: A Julia de quem estamos falando não existe mais, garoto. Eu não sei o que vocês fizeram, mas vocês transformaram a Liefield em alguém que deixa as crianças na escola toda manhã…

Ele levanta e começa a sair da sala.

ROBERT: …e que vai chutar seu traseiro quando ler em você essa nossa conversinha.

JOEY: Você ainda gosta dela?

ROBERT para há poucos passos da saída, mas não vira.

ROBERT: E agora você acabou de cruzar o limite, garoto.

ROBERT sai da sala.

 

CENA 11 – COZINHA DO THE ALLEY – TARDE

[MÚSICA DE FUNDO – PLEASE DON’T TELL HER, JASON MRAZ]

ZACK está cortando alguns pães de costas para CATHLEEN enquanto ela varre o chão. Os dois estão em silêncio. ZACK, observa CATHLEEN pelo canto dos olhos, mas quando ela olha, ele rapidamente fixa-se nos pães. A garota levanta as sobrancelhas.

CATHLEEN: Você tá bem?

ZACK: Sim, eu tô ótimo.

Ela começa a colocar as cadeiras de cima das mesas, no chão.

CATHLEEN: Você tá quieto demais hoje. Até pra seus próprios padrões de silêncio.

ZACK se esforça para manter sua visão fixa aos pães.

CATHLEEN: Então você vê que isso pode ser um pouco preocupante.

ZACK: Eu tô bem, Cathleen.

A garota o observa por um segundo, mas dá de ombros e limpa a mesa. ZACK continua em silêncio e mais alguns momentos mudos passam. Ele se remexe desconfortável.

ZACK: [sem desviar o olhar] Então… [limpa a garganta] eu ouvi dizer que… vocês têm visita em casa.

CATHLEEN: É. Robert. Ele é meio espaçoso, mas acho que não vai ficar por muito mais tempo mesmo.

ZACK: Ah… sinto muito.

CATHLEEN: [franze o cenho] Pelo que?

ZACK: Bem, pelo que vi de vocês antes, tenho certeza que você vai sentir falta dele.

CATHLEEN aperta os olhos.

CATHLEEN: Não… Zack… [pára de limpar] Eu e Robert não somos desse jeit—

ZACK: Não precisa esconder de mim. Está tudo bem se—

Ela vai até ele e o encara.

CATHLEEN: Não, Zack! [passa a mão nos cabelos] Eu sei que fico meio… estranha quando ele chega, mas… sei lá… é mais uma coisa meio groupie. Sabe? Quando você encontra um ídolo maravilhoso e não consegue nem desengasgar pra pedir um autógrafo. Mas não é como se fosse acontecer algo entre a gente. Eu gosto da imagem dele, não dele. Tipo… Orlando Bloom.

Um sorriso se abre no rosto de ZACK.

ZACK: Eu entendo, Cathy.

CATHLEEN: Eu só quero que você entenda que—

ZACK volta seu olhar para os pães.

ZACK: Cathy, não é como se você me devesse satisfação.

CATHLEEN para e olha para ele com uma expressão de quase raiva.

CATHLEEN: Você tá certo. Não devo.

Eles se olham e ouvimos algumas vozes altas. A câmera mostra muitos garotos entrando na lanchonete, mas CATHLEEN e ZACK continuam se encarando.

CATHLEEN: [amarga] É melhor a gente trabalhar.

Ela sai. ZACK aperta os olhos e solta um suspiro frustrado.

[Música fade out]

 

 

CENA 12 – EXT. MANSÃO LIEFIELD – NOITE

[MÚSICA DE FUNDO – BENT, MATT NATHANSON]

ROBERT sai da casa arrastando uma mala. Atrás dele vêm JULIA e JOEY. Há um táxi parado. O taxista pega a mala e a leva para o carro.

ROBERT: [para o motorista] Estarei lá em um segundo.

Ele vira-se para JULIA e JOEY a sua frente.

ROBERT: Diga à Cathleen que eu disse “tchau”.

JOEY concorda com a cabeça e estende a mão para ROBERT.

JOEY: Faça uma boa viagem. Eu vou… [olha pros dois] hum… entrar… lição de casa.

JOEY dá as costas e entra na casa deixando JULIA e ROBERT a sós. Eles se encaram por uns momentos.

JULIA: Então… obrigada pela informação. Não estava certa de que me daria.

ROBERT: Era o mínimo que podia fazer. Foi bom te ver outra vez. Mesmo com todas as mudanças.

JULIA: É. Passou um bom tempo.

ROBERT: Mas se vale alguma coisa, essa nova Julia? Eu até que gostei.

Eles sorriem.

JULIA: É melhor você ir. Vai perder o vôo.

ROBERT: É. Acho que você tá certa.

Ele pega na mão dela. Ela entrelaça os dedos.

ROBERT: Adeus, Jules.

Ele dá um passo para trás e depois larga a mão dela.

ROBERT: Você sabe onde me encontrar.

ROBERT dá as costas e entra no táxi. JULIA observa o veículo se distanciar.

JULIA: Adeus, Bob.

Ela lentamente caminha para dentro da mansão.

[Música fade out]

 

PRODUÇÃO EXECUTIVA
Samir Zoqh
Luciana Rocha

ELENCO
Keira Knightley como Cathleen
Riley Smith como Joey
Paul Wasilewski como Zack
J. Mack Slaughter como Ehlios
Ashly Lyn Cafagna como Kennedy
Bonnie Somerville como Julia

ATOR CONVIDADO

Victor Webster como Robert

ESCRITA E EDITADA POR
Luciana Rocha

REVISADA POR
Samir Zoqh
Rafael Schuindt

CRIADA E DESENCOLVIDA POR
Samir Zoqh
Luciana Rocha

MÚSICA TEMA
Late Great Planet Earth, Plumb

TRILHA SONORA
On The Way Down, Ryan Cabrera
Amazing, Josh Kelley
Bent, Matt Nathanson
Work, Jimmy Eat World
Motor, Neve
Please Don’t Tell Her, Jason Mraz

A HYBRID STUDIOS PRODUCTION

DISTRIBUTED BY TELEVISION SERIES NETWORK
©2005

Séries citadas:

Os textos assinados pela Redaçao TeleSéries são textos de autoria coletiva ou notícias escritas por um redator anônimo, mas sempre revisadas com a máxima precisão jornalística.

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