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Os problemas de ‘Lucifer’, a nova série da Fox baseada nos quadrinhos da DC Comics

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Antes de virar porta-voz do antipetismo, o Lobão escreveu uma música bem bacana chamada “O diabo é Deus de folga”. Fiquei com a música na cabeça após ver o piloto de Lucifer. Não, Deus não tirou folga não. Quem tirou foi o Diabo, que cansou do inferno e decidiu virar pianista de boate na Terra.

Lucifer é uma das apostas da Fox para a próxima fall season, com estreia marcada para 2016 mas cujo piloto já está circulando na internet. A série é a 666ª adaptação de uma história em quadrinhos para a televisão nos últimos anos (tá, tá, exagerei!). Esta aqui não é nem Marvel, nem DC de raiz, é mais uma adaptação da Vertigo, o selo adulto da DC Comics. No ano passado duas séries da Vertigo viraram série: Constantine e iZombie.

Pois Lucifer vive no mesmo universo de Constantine (e ambos, curiosamente, são atormentados de tempos em tempos por um anjo afro-americano – o desta série aqui vivido por D. B. Woodside). Falando em Constantine, Lucifer possui alguns problemas em comum com a cancelada série da NBC: ainda que tenha um demônio charmosão e safadão como protagonista (o galês Tom Ellis, o Robin Hood de Once Upon a Time), a série se autocensura demais para caber na TV aberta. Lucifer é pra ser adulta, sexy e imoral, mas na verdade acaba sendo ingênua demais.

Lucifer - Piloto

Isto obviamente não é programa para muita gente, certo? Afinal tem muito marmanjo aí que assiste Supernatural há mais de dez anos. O problema é que Lucifer tem outros problemas. Os diálogos são fracos. E o plot é forçado: o demônio acaba presenciando uma amiga sendo assassinada e decide ir atrás de vingança. Na jornada, ele acaba fazendo dupla com uma detetive desacreditada. Lucifer parece uma série policial destas dos anos 80, que inventa uma premissa esquisita para colocar dois personagens antagonistas agindo lado a lado.

Só que Lucifer não é um personagem qualquer. Ele é Satanás, o anti-herói mais fodido do universo da DC. É meio complicado você colocar alguém imortal e com a habilidade de revelar os segredos de qualquer pessoa com um simples sugestão mental, entre outros poderes, a combater o crime. Não faz lá muito sentido. O crime seria resolvido em 5 minutos, não em 40 minutos de um episódio normal! Pra contornar isto, a série vai ampliando suas mão de alguns truques: um deles é o fato de que Lucifer, misteriosamente, não consegue “ler” a mente da detetive Chloe Dancer (que nome, hein?), a personagem da bela Lauren German (ex-Chicago Fire). Outro truque, este que vem dos quadrinhos, é que Lucifer é um fanfarrão e prefere resolver os desafios fazendo uso de jogo mentais do que usando outras habilidades. E assim a série se revela no piloto e promete se desenrolar ao longo dos próximos episódios, usando alguns recursos que funcionam bem, e outros que não funcionam.

Lucifer - Piloto

Lucifer, no fim das contas parece que terá menos de Constantine e mais de The Mysteries of Laura. Será mais policial do que sobrenatural, e muito mais cômica e leve do que dramática. É uma aposta arriscada. Mas como esta é a 666ª adaptação de uma história em quadrinhos para a televisão nos últimos anos, e quase tudo que é da Marvel e da DC está dando certo, vai que cola, não?

Séries citadas:

É jornalista, pós-graduado em Jornalismo Digital pela Pucrs e trabalha com produção de conteúdo para Internet desde 1995. É editor de internet do Jornal do Comércio, de Porto Alegre. Fundou o TeleSéries em agosto de 2002. Na época, era fã de The West Wing, The Shield, Família Soprano e Ed. Atualmente é viciado em The Good Wife, NCIS, Game of Thrones e Parks and Recreation.

4 Comments

  1. Claudia Braga

    Belo texto, Paulo! Quanto a série eu achei divertida e gostei dos personagens, hehe, espero que vingue e tenha mais estória, mais “sustância” como se diz aqui no nordeste.

  2. biancavani

    É bobinho mesmo. Vou assistir a mais um; se continuar assim, mando a série pro diabo que a carregue, rs.

  3. Fabio

    Interessante a sua análise sobre o seriado, mas discordo em alguns pontos:

    1-) Devido a necessidade de classificação, realmente a série não pode abusar do lado sombrio e sexual que deveria ter;
    2-) Se você reparar , tanto no quadrinhos quanto na série televisiva, a opção por estar na Terra é dele mesmo. Ele abriu mão do inferno dentre outras coisas. Acredito que assim como nas HQ´s, ele não vá ter vontade e necessidade de mostrar todos os seus poderes (importante ressaltar que ele está entre os 3 seres mais fortes do Universo DC Comics);

    Parabéns pela análise e pelo tema escolhido também. Você escreve bem e a leitura não se torna monótona!

  4. Katerina

    Porque razão Lúcifer não consegue entrar na mente de Chloe?
    Será que ela é um plano feito por Ele, para o seu filho Lúcifer?

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