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Os encantos de Alice – o que esperar da nova série brasileira

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Cena de Alice

Quando as luzes se acenderam na sala de projeção na tarde da última sexta-feira (12/9), no cinema Reserva Cultural, em plena avenida Paulista, em São Paulo, jornalistas, produtores e atores aplaudiram com intensidade. Não estavam fazendo média. Haviam acabado de assistir aos dois primeiros episódios de Alice, a nova série produzida no Brasil pela Gullane Filmes e pela HBO, e todos estavam surpresos com a qualidade do produto exibido na tela.

Sérgio Machado, diretor geral e roteirista da série foi o primeiro a falar em nome do elenco. Emocionado (era a primeira vez que os diretores assistiam ao seriado fora da sala de edição), acabou criando a sua própria versão do slogan do canal:

Eu estou impactado. Não é televisão, é cinema. O acabamento é igual ao dos longas que fizemos.

Sérgio Machado e Karim AïnouzGravada em 16mm e finalizada em HD, Alice atingiu, ao menos tecnicamente, o nível de excelência que ainda faltava aos seriados brasileiros. Esqueçam a baixa qualidade técnica de 9mm:São Paulo e Brazil´s Next Top Model, os seriados da Globo gravados como se fossem telenovelas ou teleteatro, ou mesmo comparações com as primeiras apostas da HBO no país, Mandrake e Filhos do Carnaval, que dividiram opiniões. Tecnicamente, os 13 episódios da primeira temporada Alice prometem levar a produção de TV no Brasi a um novo patamar de excelência.

O motivo da qualidade? A dedicação da equipe formada pelo diretor geral Karim Aïnouz e os demais diretores. Machado explica:

Quando terminei de gravar a série fui direto para o hospital. Foi como se eu tivesse gravados sete longas. A gente não abriu mão de nada, pra manter o acabamento e o visual da série como o de nossos filmes. A diferença para o cinema é que tínhamos que gravar e escrever mais rápido.

A Série – Alice é um drama sobre uma garota que, em razão do suicídio do pai, sai de Palmas, no Tocantins, para São Paulo. Uma série de incidentes ao longo não só do piloto, mas da temporada, a levará a permanecer na metrópole, inclusive colocando em risco seu noivado. Como a personagem da história infantil Lewis Carroll, ela acaba se deixando seduzir pela cidade grande, se perdendo e se transformando.

Para os fãs de seriados americanos, a sinopse pode parecer estranha, trivial, tola. De fato a série foge do padrão americano, correndo riscos, inclusive o de ser original e de ser genuinamente brasileira. O que tem de genuíno na série? Segundo Machado:

É uma série de personagens. E estes personagens tem sangue correndo em suas veias.

Andréia Horta e Daniela PiepszykO elenco – De fato, além da qualidade técnica, a série se destaca pela qualidade do elenco, e de como este elenco vai desenvolvendo seus papéis ao longo das semanas. E não são poucos atores. Alice não é uma série de apenas uma personagem, como o nome pode sugerir. Desde o primeiro episódio e ao longo da temporada o telespectador será apresentado a diversos personagens, em São Paulo e em Palmas, que deverão crescer de importância com a evolução da história. Um dos nomes mais conhecidos do elenco, o ator Du Moscovis, sequer aparece nos primeiros episódios.

Mas, claro, a maioria dos holofotes recai para Andréia Horta, incrivelmente sedutora no papel de Alice. A atriz, com passagens pela minissérie JK, pela novela Alta Estação e atualmente em Chamas da Vida, da Record, pouco falou na entrevista. E a resposta que melhor explica como ela desenvolveu uma personagem tão diferente de si mesma, acabou arrancando gargalhadas dos jornalista:

Me tornei mulher na mão desses caras!

Os cenários – Há ainda um personagem extra no seriado, que não participou da coletiva. Segundo Machado:

A série nasceu do desejo de fazer uma série sobre São Paulo, onde São Paulo fosse um personagem.

Os primeiros episódios confirmam a intenção. São Paulo aparece na série como poucas vezes foi retratada na TV e no cinema – de tomadas mais óbvias, como a cena do piloto em que Alice grita da janela de um carro em plena avenida Paulista, passando por outros pontos da cidade mais obscuros, totalizando mais de 100 outras locações, segundo afirmou o produtor Fabiano Gullane. No segundo episódio, a declaração de amor a São Paulo é explícita – a produção coloca na tela imagens de São Paulo S.A., filme clássico de Luís Sérgio Person.

A atriz Regina Braga, nascida em Belo Horizonte e moradora em São Paulo, destaca uma destas locações:

Eu sempre achei lindo embaixo do Minhocão. E eles foram lá e filmaram embaixo do Minhocão.

Minhocão, para que não conhece São Paulo, é o nome popular do elevado Presidente Costa e Silva, obra construída pelo prefeito Paulo Maluf para desafogar o trânsito na região central da cidade, ao custo de muita desvalorização imobiliária na região e de um resultado estético desagradável – menos para Regina!

Números – Como já virou regra entre produtores de televisão, o pessoal da HBO não revelou quanto foi gasto na série, produzida com recursos públicos. Mas todos os demais números de Alice chamam a atenção – são dois anos de desenvolvimento do projeto, 600 páginas de roteiro escritas em um ano, sete meses de gravações, com o elenco trabalhando 12 horas de trabalho por dia em semanas de seis dias de trabalho e as já citadas mais de cem locações.

O trabalho duro, e que agradou a imprensa, faz pensar se não seria o caso de buscar um parceiro para exibir para um público ainda maior no Brasil. Mas o executivo da HBO e produtor executivo Luiz Peraza rechaçou a idéia, dizendo a HBO produz séries para exibição apenas em seu canal. O caminho de Alice é exibição em toda a América Latina pela HBO, a venda para o exterior e, no futuro, o lançamento em DVD. E, claro, continuações, caso o seriado caia no gosto do público. Segundo Peraza:

Temos a expectativa de que Alice tenha várias temporadas.

* * *

Alice estréia no domingo, dia 21 de setembro, às 22h na HBO.

Fotos fornecidas pela assessoria de imprensa da HBO. As fotos da coletiva são de Fábio Nunes.

Séries citadas:

É jornalista, pós-graduado em Jornalismo Digital pela Pucrs e trabalha com produção de conteúdo para Internet desde 1995. É editor de internet do Jornal do Comércio, de Porto Alegre. Fundou o TeleSéries em agosto de 2002. Na época, era fã de The West Wing, The Shield, Família Soprano e Ed. Atualmente é viciado em The Good Wife, NCIS, Game of Thrones e Parks and Recreation.

28 Comments

  1. Junim

    Que ótimo, com certeza irei assistir, principalmente depois que li isso.

  2. Davi Garcia

    Ótimo texto. Se já estava curioso para conferir a série, agora então… Pena que vai estrear justamente no horário em que o Emmy ainda estará rolando.

  3. Walber

    Essa atriz é otima, a Andrea Horta. Simpatica e boa atriz, espero que a serie seja um sucesso

  4. eliane moura

    Recursos públicos? Hum… nós que pagamos essa porcaria. Não vou ver. Aliás, A HBO não passa mais nada que preste. Só o filme de sábado às vezes vale a pena ver.

  5. Thiago

    ano que vem quando for exibido a segunda temporada a net passa a primeira com sinal aberto…

    inclusive o sinal estará aberto para quem quiser conferir…

    em relação a HBO, eu acho você eliane, talvez tenha sido infeliz nas ewscolhas dos filmes, pois ele é um dos melhores, senão o melhor canal premium de filmes, tanto é que sempre está nos pacotes mais caros das tvs pagas, e eu sempre vi boas séries (capadócia, em terapia, mandrake, skins..) e bons filmes… mas opinião ebom gosto cada um tem o seu não é!

  6. Mica

    Como vc pode chamar de porcaria, eliane, se vc não assistiu e nem vai assistir? Até entendo dizer que o tema não te chama a atenção, não é o tipo de coisa que te agrada e tal, mas…porcaria? Sem assistir?

  7. Cristiano (Highlander_Master)

    Olha, eu até vou ver, mas não levo fé nenhuma nessa série. Simplismente pq a história me parece ter nada. Simples assim: Uma mulher que vem do Tocantins, pra uma grande cidade, no caso São Paulo. E…? E NADA!! É essa a impressão que tá me passando, posso ta enganado, mas…

    E amanhã é o dia que todo mundo vai reclamar que o filme da HBO começou tarde… O filme tá programado pra começar as 21:40, acho que é pq é final de temporada de “The wire”

    Aos donos, moderadores e afins do site: Já pensaram em criar um messenger group do site? É tipo um contato de msn, que na verdade é um chat, só que ninguém precisa adicionar ninguém, só o contato. Mais informações: http://www.messengergroupchat.com/

  8. Pingback: Teleseries via Rec6

  9. Abelardo

    mas a HBO vai estar com sinal aberto p todos os assinantes na estreia!!

    O que pega é q é bem na hora do Emmy, acho!

  10. Fernando dos Santos

    Está de parabéns a HBO Brasil pela produção contínua de séries nacionais.Começaram em 2005 e não pararam mais.Eu acho que o caminho certo é esse mesmo, só assim vai ser possível azeitar a máquina.

    Achei um pouco exagerada a crítica da eliane em relação aos filmes, mas concordo que a rede HBO já teve uma programação bem mais diversificada em todos os seus canais e nos ultimos anos deu uma caída.

  11. Gustavo

    No Brasil, pra sair praticametne qualquer coisa fora novela, jogue dinheiro público de incentivo a cultura…

    eu acho que só chega “num outro patamar” uma série brasileira quando for paga independente do governo, e receber de volta o que foi gasto só com o público nacional. Mas daí exibir SÓ na própria HBO, muita gente vai correr pra torrent, por não ter o canal em casa, o que é um baita tiro no pé pra arrecadar dinheiro. Pelo menos que lançassem depois, para outro canal, mesmo que de TV paga.

  12. Fernando dos Santos

    E por falar em Telecine ele também já foi melhor.

    Quanto ao financiamento publico de filmes e séries vale lembrar que até nos EUA os produtores procuram rodar suas obras onde há incentivo fiscal.Para citar apenas um caso recente:Ugly Betty que mudou de LA para NY.

  13. Eduardo

    Pelo menos agora, se bem divulgada, essa série acaba com o mito de que minisséries da globo são produções com “nível de qualidade de cinema”.

    Acho que a HBO é a melhor opção para uma produção nacional mais bem conduzida. É um grande canal com os melhores seriados de todos os gêneros produzidos com o maior cuidado e qualidade de cinema de verdade. É so ver séries como Entourage ou The Wire pra perceber isso.

  14. eliane moura

    Tem culpa eu? Antigamente, a HBO exibia filmes novos na 2ª, 6º e sábado; agora, só no sábado e assim mesmo filmes que estão mofando nas prateleiras das locadoras.
    Quanto ao financiamento, dinheiro de governo NÃO deve ser usado pra financiar filmes. Governo não tem dinheiro, o dinheiro é nosso e deveria ser usado em educação, saúde, segurança, etc, e não pra sustentar “cineastas” vagabundos que só fazem porcaria. Ora, eu paguei pra fazerem Alice, pago a HBO, ainda sou obrigada a ver e gostar? NÃO!!! No trailer a tal de Alice fala, com uma voz de retardada, que o mundo não para de girar e vc tem que acelerar fundo… filosofia de botequim de 5ª categoria!
    Nos USA, o dinheiro do contribuinte não é usado pra fazer filmes ou séries; Ugly Betty foi pra NY pq é mais barato filmar lá e a prefeitura facilita e incentiva a filmagem lá. Os americanos ganham muito mais que nós e pagam 6 impostos, nós pagamos 70! SETENTA! E ainda sustentamos “cineastas” e outros que tais.
    Não, a Eliane não trabalha no Telecine! :0)

  15. Fernando dos Santos

    Eliane
    Se a prefeitura de NY facilita e incentiva a filmagem lá, então isso também constitui uma forma de subvenção publica,não é?
    Quero acrescentar que Ugly Betty não é um caso isolado pois muitas produções estão rumando para a big apple pelo mesmo motivo.Cito ainda o caso da BBC, emissora publica do Reino Unido que produz séries mundialmente consagradas.
    E tem também as inúmeras produções estadunidenses rodadas no Canadá e na Austrália não apenas pelo cambio favorável, mas também pelos incentivos oferecidos pelos governos destes países.

  16. Elena

    Simplesmente adorei Alice! A trama, as filmagens e os atores que são muito convincentes em seus papíes. Enfim, acho que vi um pouco de mim nessa história, que me trouxe saudades do tempo que morei em São Paulo.

  17. Ricardo

    Quem não pôde assistir, não perdeu nada. A série é um desfile de clichês e leviandades. Para variar, o tema da menina saída do meio do mato que se deslumbra com o universo de possibilidades da cidade grande. E é claro, esse universo a leva a reconsiderar os seus valores e (supresa!!) ela começa a ver que nunca tinha sido realmente livre até aquele momento. (Aliás, que estereótipo é esse que diz que todo jovem de seus vinte anos resolve seus dilemas existenciais trepando e se drogando? Pensar dói, não é?) A seqüência final do episódio chega até a ser meio nauseabundo: o suicídio do pai é tratado da maneira mais leviana possível, como mero motor para que a protagonista viva tudo aquilo que o pai se recusara a viver. Pífio. O que mais assusta é ver que esse libelo é produzido com dinheiro público. Quem sabe fosse mais proveitoso aplicar esse dinheiro para montar videotecas pelo país. Pois o que falta aos produtores e roteiristas da série é certamente mais Bergman, Fellini, Tarkovski, Godard… (Adendo marginal: alguém mais notou o parentesco estético entre a série e aquele filme “Irreversível”?)

  18. José Catarrino Rodrigues (Montes Claros-MG)

    Assisti ontem a noite a estreía de Alice. E fico em dúvida quanto à imagem: a material linda, com tomadas pan de arregalar. A São Paulo velha e a nova. O luxo e a miséria. A imagem psicológica, feia. Penso em Alice, saindo de seu estado rural de Tocatins e enfrentando São Paulo,em especial as drogas, que ao contrário do que nos do interior pensamos, se encontra dentro de casa de pessoas que deviam ser responsáveis, compartilhada em família. Tenho pena do caração de Alie. Vou torcer para que dê tudo certo. Sobre a produção já estava na hora do Brasil demonstrar que também sabe fazer novelas com o mesmo tema, apenas com personagens diferentes. E teria que ser algo bom e grandioso, ainda mais depois que o méxio nos brindou com Capadocia ( Capadócia).

  19. INFORME-SE

    quanto a opinião estética fica ao gosto do freguês. cada um tem a sua.

    mas para a senhora Elaine que é puramente reacionária, para não dizer muito mal informada:
    as produções nacionas da HBO, FOX, VH1 e tantos outros canais da TV a cabo FOMENTAM O MERCADO AUDIOVISUAL BRASILEIRO COM O DINHEIRO DO ARTIGO DA ANCINE CRIADO ESPECIFICAMENTE PARA CANAIS QUE FAZEM REMESSA DE RECOLHIMENTO PARA PAÍSES ESTRANGEIROS. Estas empresas pagam uma cota maior de imposto e após um ano podem aplicar essa fatia extra em produções EXCLUSIVAMENTE nacionais. e podem fazer apenas isso. nada mais. se após um ano esse dinheiro não for utilizado O FUNDO VAI PARA OS COFRES PÚBLICOS.

    ou seja, vai ver novela das 8 que a Globo agradece.

  20. Josi

    Concordo com você Ricardo em alguns itens.O que eu acho bacana nesta série é A INOVAÇÃO principalmente porque os canais abertos tem as mesmas condições de produzir uma série como esta e não a faz,pela simples monotonia de exibir seus atores devasados e que por tras de uma novela careta tem ator que ganha seus 100.000,00 por mês.Onde o brasileiro fica a merce de todas essas fantasias mesmeiras ques estes canais proporcionam a nós.Prefiro mil vezes estes canais como a hbo pago mas tenho qualidade e opção em assistir final de semana algo que preste.

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