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Orange is the New Black – Balanço de Temporada

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A espera foi longa. Mas cada segundo valeu a pena quando o dia 6 de junho chegou. Os envolvidos na produção da série haviam nos prometido uma temporada mais pesada, mais reflexiva e até mesmo mais violenta. E nos entregaram isso.

Logo no primeiro episódio nós já percebemos que as coisas seriam diferentes. Como eu já havia comentado no texto que fiz falando sobre o que esperar da segunda temporada de Orange, foi um grande acerto da equipe de roteiristas nos deixar no escuro, fazendo com que experimentássemos, junto com Piper, toda a ansiedade que a situação proporcionava. E por alguns minutos tememos que a ousadia dos produtores fosse enorme e fizesse com que todas as presas que aprendemos a adorar na primeira temporada não aparecessem mais.

Piper e Nicky

Felizmente foi um blefe, e dos bons. E se o primeiro episódio da temporada focou em Piper (e não poderia ser diferente), o 2° deu mostras de que as coisas não seriam bem assim: em mais uma decisão bastante ousada da equipe criativa da série, Chapman não participou da trama. Nada convencional, eis que até então a loira era tida como A protagonista do seriado. A partir daí, a tendência de vermos menos de Piper se confirmou. E foi um dos maiores acertos dessa temporada.

E  muito embora eu tenha sentido falta de uma maior interação da Piper com as outras detentas (ela e a Nicky funcionam muito bem juntas, poderiam ser melhores aproveitadas como dupla), reconheço que o foco em Chapman, da qual sabemos muito mais em razão da primeira temporada, seria incoerente, uma vez que não haveria como aprofundarmos ou avançarmos muito na história dela (os dois flashbacks cumpriram bem esse papel e foram suficientes para isso). Isso sem contar que a diminuição do destaque de Piper pode se creditar, também, à ausência de Alex Vause.

E com a relativização do papel de Chapman na trama, relativizou-se também o papel da Pennsatucky, uma vez que boa parte das rixas da primeira temporada as tiveram como protagonistas. Com o papel de antagonista vago, surge a figura de Vee, que ocupou o lugar com maestria, trazendo tons mais pesados para a segunda temporada da série. Ficou com mais cara de prisão, se é que vocês me entendem.

Ou seja: a dinâmica do show foi outra, bem diferente – embora os elementos que nos fizeram amar OITNB continuassem ali. E quando digo “elementos que nos fizeram amar OITNB”, falo de um roteiro competente e profundo, personagens bem construídas, atrizes (e atores também) magníficas e afiadas e um humor diferente, que apesar de muitas vezes absurdo, sempre cabe no contexto. E as tiradas e referências dessa temporada não ficaram devendo nada à temporada de estreia da série.

E como falar de 13 episódios sem deixar algo importante de fora é difícil, eu dividi o texto em tópicos, na esperança de escrever algo que faça jus à maravilha que a série é.

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OS FLASHBACKS

Orange is the New Black é uma série de desconstrução de estereótipos. Já na primeira temporada nós aprendemos que nem tudo que aparenta é. E quanto mais fundo íamos na jornada de conhecimento das detentas, mais nos livrávamos de pré-conceitos e preconceitos.

Nessa segunda temporada não foi diferente.

Os flashbacks reafirmaram aquilo que já sabíamos: não devemos julgar pela aparência, e muito menos em razão de um conhecimento superficial. As coisas têm uma razão de ser, e geralmente ela não é aquela que esperamos.

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O flashback de Poussey é um grande exemplo disso. Vê-la na Alemanha, vivendo em uma vila militar e feliz ao lado da namorada foi uma grande surpresa. Eu nunca havia parado para pensar sobre o passado de Poussey e sobre as razões para que ela estivesse na prisão. Sua história fugiu do lugar comum, e abordou também o preconceito que as pessoas com uma opção sexual considerada “fora do normal” sofrem. Vibrei com a defesa do pai da Poussey, e quis encher de porradas a cara do oficial alemão. Mas acompanhar essa história foi especialmente interessante em razão da luta da Poussey para entender a natureza de seus sentimentos por Taystee e sua tentativa de equilibrar os seus princípios e o relacionamento com a melhor amiga. Foi uma trama bonita de se acompanhar.

Os flashbacks de Gloria e da Taystee mostraram, por outro lado, que por questões sociais, muitas vezes a criminalidade acaba sendo uma das poucas saídas para a sobrevivência. Gloria fraudou o sistema de vale alimentação para fazer uma poupança para os filhos e fugir de um companheiro abusivo, e Taystee acabou envolvida no tráfico de drogas para sentir-se amada e querida por uma “mãe”, para possuir uma família. Uma busca justa por um caminho equivocado, e a punição vem daquele que deveria ofertar tais coisas, mas falha nessa tarefa. Só não falha em penalizar – ou até nisso falha, já que o faz de forma equivocada.

Já os flashbacks da Morello (assim como havia ocorrido com o da Pennsatucky, na primeira temporada) e da Crazy Eyes trazem à baila a questão da pouca eficiência do sistema carcerário em atender sua população de forma adequada e individualizada, e falo disso mais adiante.

O fato é que se já adorávamos a Crazy Eyes e queríamos coloca-la em um potinho, através de seu flashback pudemos compreender melhor sua vida de “deslocamento” e o porquê de sua associação com a ardilosa Vee. E o flashback da Morello, um dos mais surpreendentes da temporada, só fez com que meu amor por ela – e a minha torcida para que ela conseguisse escapar sem ser vista da casa do Christopher – aumentasse muito. É fenomenal como Jenji e sua equipe brincam com os nossos conhecimentos sobre as personagens e, sutilmente, conseguem nos surpreender repetidas vezes.

Mas Orange is the New Black também não cai no erro de afirmar que todas as detentas estão ali porque queriam dar uma vida bacana e digna à família, se sentirem protegidas, amadas ou algo do tipo. E a história da Dona Rosa mostra isso. Ela assaltava bancos pela adrenalina, pela sede de dinheiro. Se havia algo “nobre” por trás disso, não nos foi apresentado. Mas ainda assim a série é cuidadosa ao nos alertar que assim como o bem não é absoluto, o mal também não o é. E o carisma da Rosa, especialmente, sua relação com a Morello e com o garoto da quimioterapia, fazem com que nos apaixonemos por ela e vibremos com o final da temporada. Em se tratando de Orange is the New Black, nada é unidimensional.

O flashback da Irmã Jane também mostrou que as vezes, por mais bonita que seja a causa, o que motiva o ser humano é o ego, a vontade de ser visto e reconhecido, de ser amado. A vaidade da freira acabou colocando-a na prisão, e apenas o idealismo de Soso – e o apoio de Red – começam a mudar isso. Uma prova de que a prisão pode, sim, devido ao seu material humano, melhorar uma pessoa.

Foi bacana também, através dessas espiadelas no passado, descobrir o porquê do relacionamento “8 ou 80” de Red e Vee. Ver como as coisas funcionaram no passado, como algumas relações (como a de Red e de Norma) começaram a se construir, como os esquemas de contrabando se formaram, fez com que entendêssemos muito melhor o papel de Red dentro da trama, bem como a personalidade de Vee (e aqui os flashbacks da própria e da Taystee também auxiliaram) e o seu conflito com a primeira.

Por isso, no meio de tantas histórias pesadas, é impossível não achar o drama de Piper um pouco “first world problems”. Não que isso diminua a importância de Chapman, ou mesmo torne sua trajetória pessoal descartável ou menos interessante. Pelo contrário: a luta dela é outra, como bem mostra o flashback do 1° episódio.

Piper passa, na prisão, por um processo de autoconhecimento. E a imagem que ela passa a ter de si mesma é diferente da que os outros, aqueles que estão fora dos domínios de Litchfield, tem dela. É um processo incômodo, potencializado por estar ocorrendo em um ambiente tão hostil. E Chapman encontra, de certa forma, eco em Soso, que também luta com a questão da falta de compreensão dos demais em relação à sua essência e ao seu novo eu, o pós-prisão. E talvez ser o eco de piper seja a principal função de Soso na trama.

O fato é que os flashbacks de Orange is the New Black são uma das melhores partes da série. E é impossível não querer mais e mais deles. Mal posso esperar pela 3ª temporada e seus insights, suas surpresas e histórias.

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AS NOVAS PERSONAGENS

Duas novas personagens se destacaram nessa temporada. E eu tiro meu chapéu para a construção de Yvonne “Vee” Parker.

Poucas vezes eu vi uma personagem tão bem construída. E falo sério. A trama dessa temporada não só passou por Vee. Dependeu dela. E seu poder de percepção, aliado ao de manipular as pessoas, fez inclusive com que outras personagens se modificassem. Red, Taystee (e, consequentemente, Poussey) e Crazy Eyes foram as mais afetadas pela onipresença de Vee. A ardilosa vilã trouxe um esquema de venda de cigarros para dentro da prisão para, logo na sequência, reinstaurar o tráfico de drogas em Litchfield. Com isso, Red, que achou uma forma de reativar seu “contrabando do bem”, se meteu na contenda e acabou reabilitando uma inimizade de muitos e muitos anos.

E Vee formou seu pequeno exército de negras, certa de que o domínio branco ou hispânico em Litchfield era um sinal do fim dos tempos. E, com isso, mexeu muito com duas das personagens mais legais da série.

Crazy Eyes, que era um pouco aterrorizante, mas muito divertida na primeira temporada, acabou sofrendo uma inversão. A construção que a magnífica Uzo Aduba fez para a segunda temporada consistiu em tons mais pesados, já que Crazy Eyes fez parte do esquadrão da supremacia de Vee. E foi sua mais fiel seguidora, já que Vee a manipulou muito bem, oferecendo o que Crazy sempre buscou: carinho e proteção. Em suma: um lugar para chamar de seu. Vê-la completamente devastada no episódio final da temporada, após quase ir para a segurança máxima para proteger sua “melhor amiga”, foi de cortar o coração.

Taystee foi outra que mudou consideravelmente com a presença de Vee. A esperta e inteligente detenta, que fez na primeira temporada uma dupla fenomenal com Poussey, acabou se afastando da melhor amiga por causa dos conselhos venenosos de Vee, e de sua “dívida de gratidão” com a “mãe”. Ou seja: também Taystee, sempre tão irreverente e alegre, se adequou ao “tom” da temporada, inserido por Vee: ficou mais sombria, mais perigosa.

E mesmo que Vee tenha tido um desfecho fenomenal e merecido, suas heranças permanecem em Litchfield, seja através da segregação racial que incentivou, da heroína em poder de Nicky e de Boo ou das cicatrizes no rosto de Red. E sua ousadia final – a fuga – deve deixar para as outras detentas também a herança da fiscalização mais rigorosa. Em resumo: não seria equivocado dizer que essa segunda temporada de Orange is the New Black foi de Vee, ainda que não exclusivamente.

Brook Soso, a outra personagem nova, nem de longe teve o poder de Vee. E acho que ela não caiu no gosto da audiência, seja por ser chatinha, reclamona ou monotemática demais. Contudo, como já falei anteriormente, o papel de Soso na trama se justifica. Em primeiro lugar, por servir como uma espécie de eco ou de voz da consciência para Piper. Apesar de muito diferente de Chapman, Soso se encontra em uma situação parecida com a que Piper passou na primeira temporada (a “filhinha de papai” bonita que vai passar férias na prisão). E essa proximidade de histórias rendeu alguns bons diálogos entre as duas, servindo para mostrar, principalmente, que Piper não é mais a mesma.

E Soso, assim como Vee, também funcionou como agente de modificação para as outras detentas (e embora em escala bem menor). Ela teve reflexo direto no núcleo religioso (agora não tão religioso, já que a nova líder Leanne não é, nem de longe, uma Pennsatucky da vida) e na Irmã Jane. Creio que na 3ª temporada, Brook deve funcionar melhor. Afinal de contas, como Piper bem disse, depois de um tempo você passa a “pertencer” ao lugar. E isso faz toda a diferença.

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O STAFF DA PRISÃO

Nessa temporada nós acompanhamos um pouco mais da vida dos guardas. O destaque, assim como na temporada de estreia, ficou com Healy, mas ficamos sabendo um pouco mais de Caputo e de Figueroa também, o que foi bem bacana.

Nenhum guarda teve flashback até agora (e acho que pela importância de Bennet na trama ele mereceria um, talvez), mas os roteiristas utilizaram o artifício de deixar que conhecêssemos eles fora dos muros da prisão para que pudéssemos compreendê-los melhor. Funcionou bem, especialmente com Healy e suas sessões de terapia, que acabaram tendo um reflexo direto dentro da história.

Foi bacana e bastante surpreendente a dobradinha entre Healy e Pennsatucky. O grupo de apoio “Lugar Seguro” que o guarda tentou criar dentro de Litchfield mostrou que ele está tentando ser uma pessoa melhor para as detentas. O apoio que ele deu para o jornal da prisão também. Tá certo que muito da mudança dele foi motivada pela vontade de voltar a ser amado pelas “suas garotas”, mas isso não altera o fato de que ele teve uma temporada de mais amor no coração. E isso refletiu em Pennsatucky, que deixou de ser a “vilã-líder” para ser mais uma excluída, e passou de personagem odiado para um personagem quase que querido.

Foi interessante, também, ver o quão frustrada Figueroa é. A todo-poderosa de Litchfield desviou verbas para que o marido se eleger Senador, e além de lidar com a falta de afetividade dele, ainda por cima descobriu que ele estava tendo um apaixonado caso com um assessor. E como quem sobe muito, quando cai despenca, assistimos a derrocada de Figueroa, com direito à desespero e prestação de serviços sexuais ao Caputo, na tentativa de não ser exposta para a direção do presídio. Não adiantou, e por melhor que ela tenha saído da situação, deu para perceber que ela foi embora devastada.

Caminho inverso fez o “garoto da banda” Joe Caputo. De pau-mandado de Figueroa, ele passou a encarregado por Litchfield no final da temporada. E se ele conseguir permanecer no cargo depois das duas fugas do episódio final, creio que a sistemática na prisão se modificará bastante na próxima temporada. Espero um sistema mais rígido, mas com menos injustiças. Caputo provou ser um homem mais preocupado com as detentas do que com dinheiro, o que deve tornar a vida das presas mais confortável e os guardas menos abusivos. Contudo, a rédea na condução da coisa toda deve ser mais curta, já que essa foi uma temporada de fugas e de violência. Só resta saber se ele será, como Figueroa alertou, mais um a ser corrompido pelo poder. Será uma jornada interessante de acompanhar.

George “Pornstache” Mendez voltou à série, ainda que brevemente, para ser o idiota que conhecemos lá na primeira temporada. E eu acho que apesar dele ter sido preso, essa não foi a última vez que veremos ele. Mendez parece apaixonado por Daya e disposto a assumir o filho “deles”, o que pode trazê-lo de volta na próxima temporada. Mas isso é apenas um palpite.

Por fim, só me resta lamentar a partida de Susan Fischer, que acabou dispensada por ser “boazinha” demais para Litchfield. Desde a primeira temporada a guarda mostrou qualidades que, aparentemente, não combinam com a prisão. E sua vontade de agir de acordo com as regras e tratar as detentas com dignidade acabou fazendo com que um Caputo (magoado romanticamente, diga-se de passagem) desproporcional à dispensasse.

Mas concordo com a Nicky. A demissão foi a melhor coisa que aconteceu à Fischer. Apesar disso, torço para que a vontade de Caputo de fazer o “bem” acabe trazendo a guarda de volta à Litchfield. A personagem é ótima e engraçada, e acrescenta muito à série.

De qualquer forma, em relação ao staff da prisão, acho que podemos esperar caras novas na 3ª temporada.

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A CRÍTICA SOCIAL

Orange is the New Black SEMPRE insere temas importantes nos episódios. Algumas vezes, de forma mais velada. Outras, de forma mais escrachada. As vezes, o humor é utilizado para fazer graça de certas lendas urbanas que existem por aí (como a dominação gay). E em outras oportunidades, o papo é sério.

Nessa segunda temporada, a questão do descaso do sistema carcerário com a sua população ganhou evidência. E se na primeira temporada a questão dos trangêneros ganhou destaque, dessa vez foram outros dois grupos os mais focados: a idosas e as detentas com problemas mentais.

A inserção da soltura por compaixão foi, dessa forma, feita com perfeição na trama, já que uniu esses dois pontos, e escancarou a impossibilidade de um sistema que costuma tratar a todos de forma “igual”, desconsiderando as particularidades humanas, em lidar com o diferente.

Outro tema que veio à tona, com força, foi sobre a corrupção existente no meio, que se manifesta através do desvio de verbas. Essa questão também está ligada com o descaso, uma vez que vários projetos que serviriam para melhorar a qualidade de vida das detentas acabam não saindo do papel em razão da má utilização de verbas.

É absurdo pensar em um banheiro no qual o banho não possa durar mais que alguns segundos, sob pena de dejetos saírem pelos ralos. É absurdo pensar em geradores sem motor, uma rede elétrica que não funciona, presas sem atendimento médico adequado (como a Dona Rosa, que ficou sem a cirurgia que tanto precisava). E é mais absurdo pensar em tudo isso acontecendo para que alguns agentes do sistema encham seus bolsos.

Por fim, é preciso falar do abuso dos guardas, que costumeiramente confundem rigidez com excessividade, e acabam compensando sua ineficiência com cobranças e atitudes absurdas. E a crítica passa também por mostrar que os guardas que tentam ser mais humanos acabam sendo massacrados pelo sistema. Um problema sério, e que possivelmente será novamente abordado na próxima temporada, através da luta de Caputo para transformar Litchfield em uma prisão melhor e não se deixar corromper absolutamente pelo sistema.

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OS SHIPS

Uma boa série precisa de bons casais para os quais possamos torcer, certo? E Orange is the New Black não foge dessa “regra”.

O casal Bennet e Daya é quase que uma unanimidade entre os fãs. O romance do guarda com a hispânica conquistou os telespectadores na estreia da série, e nessa temporada nós acompanhamos os desdobramentos do envolvimento sexual e afetivo de ambos: a gravidez da Daya.

Eu gostei bastante da forma como a trama deles se desenrolou. A situação passa longe de ser simples, em razão de todos os complicadores que a cercam. E talvez por isso tenha demorado tanto para que a gravidez da garota tenha sido revelada, o que cansou um pouquinho, assim como a personalidade “fraca” de Bennet. O guarda é extremamente inseguro. E não que a insegurança dele não seja justificada, afinal de contas não é fácil ele revelar que se envolveu com Daya e acabar preso, como ela sugere. Mas acho que a decisão dele de se abrir para o Caputo poderia ter sido antecipada.

De qualquer forma, foi interessante acompanhar os dois nessa temporada, e vai ser interessante ver como o novo diretor lidará com a questão no futuro, bem como qual será o destino de Bennet e de Daya, e, especialmente, do bebê que ela carrega, já que o apaixonado Pornstache deu mostras de querer ser um pai de família. É esperar um ano para ver.

Outro “casal” que tem alguma torcida (tem, né? Mesmo que seja tipo caviar e a gente só tenha ouvido falar) é Larry e Piper. Pois bem, ex-casal. Definitivamente. O navio afundou.

Achei que toda a trama de Larry e Polly gastou um tempo considerável da série que, sim, poderia ter sido utilizado com outras tramas. Mas não achei que o tempo foi mal gasto. Era necessário encerrar esse capítulo, e a Jenji foi nada menos do que genial ao unir o ex-noivo de Piper à ex-melhor amiga da loira. Foi um tanto quanto clichê, foi previsível (pela forma como a trama se conduziu). Mas nada mata um ship como isso, Blair, Serena e Nate mandaram avisar.

Não sei se Larry e Polly aparecerão na próxima temporada. Mas se aparecerem, creio que será bem brevemente. Sinto que um capítulo se encerrou em relação à eles, e se eles não voltarem mais, a história fechou satisfatoriamente. Ponto positivo, então.

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E chegamos, então, ao ship da série. Sim, eu sei que Vauseman não é unanimidade entre os fãs, mas mesmo que não shippa precisa reconhecer que Vanilla and Vanilla são o casal principal do show. E a agenda de Laura Prepon impediu que o casal tivesse um bom tempo de tela na segunda temporada.

Contudo, é inegável que o tempo escasso de Prepon foi bem utilizado pelos roteiristas. A saída da delação premiada, introduzida no primeiro episódio (e que seguiu com a saga de Piper e Alex de ferrar com a vida uma da outra, alternadamente) foi genial, e explicou a ausência de Vause por pelo menos 9 episódios. Mas nem por isso Alex deixou de ser mencionada ou de participar da trama de outra forma, seja pelas cartas, pelas lembranças de Piper ou pelas conversas entre Nicky e a loira. E o retorno de Alex, lá no 10° episódio, pelo desenvolvimento da trama, foi natural e bastante crível.

Tudo para nosso atormentado e querido casal seguir sua sina de “vou ferrar com a sua vida” mais uma vez na season finale, o que explica o possível retorno de Alex à prisão na 3ª temporada. E nunca uma decisão tão errada me fez tão feliz, confesso.

Apesar de ferrarem com a vida uma da outra repetidas vezes, é impossível não torcer para que as duas fiquem juntas. Porque há muito, muito amor ali. Há inevitabilidade. Química. E quando elas estão juntas, transparecem que nada mais importa. Por isso eu espero que Jenji faça com que Piper abra o jogo com a Alex sobre sua jogada para trazê-la de volta à prisão logo no início da 3ª temporada. Impossível que o coração de Alex não se derreta todo se Chapman confessar que fez isso porque queria ela perto e segura. Se a temporada iniciar assim, o navio navegará por águas calmas e deliciosas. E já que série consegue se sustentar bem sem o drama entre as duas, seria legal vê-las felizes – embora encarceradas -, para variar. Ainda que tenhamos, eventualmente, lidar com a questão do tempo de pena das duas ser muito diferentes. Mas como muita água ainda pode passar sob essa ponte, não vamos sofrer por antecipação. Afinal, a liberdade é uma coisa boa, certo?

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O QUE ESPERAR DA 3ª TEMPORADA

Um longo tempo nos separa da 3ª temporada de Orange is the New Black. E ainda não temos certeza sobre as atrizes e atores que retornarão para ela, fazendo com que qualquer previsão seja um exercício de futurologia. Mas vou me arriscar.

Pela forma que a 2ª temporada da série foi conduzida, creio que assistiremos, na sequência, a tentativa de Caputo de reerguer Litchfield. E esse processo deve passar pela ajuda do (regenerado) Healy e de Bennet.

Nicky, possivelmente, ganhará mais destaque na próxima temporada. E o motivo pode partir nossos corações: talvez a garota não resista ao apelo da heroína. Prato cheio para a “família Red” ganhar uma trama para chamar de sua. E Poussey, pelo destaque que obteve nessa temporada e pelo amor que gerou na audiência, também deve ganhar destaque. E talvez um amor. Quem sabe…

Vauseman (nossa, Mariela, como você é previsível) será o ship da temporada, já que Laura Prepon falou em entrevista que estará disponível para a 3ª temporada inteira. E talvez Jenji dê uma chance para as duas e a gente possa ver o relacionamento delas em tempo real, e não mais através de flashbacks. Acho que podemos aguardar cenas fofinhas nas camas do presídio para a próxima temporada.

Ah, e é claro, podemos esperar piadas engraçadas, tiradas inteligentes, bordões grudentos, histórias muito bem contadas, surpresas, novos e bons personagens. Resumindo: vou esperar que esse ano que nos separa da 3ª temporada de Orange is the New Black passe rápido. Muito rápido.

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P.S.1: obrigada, Senhor, pelos novos dentes da Pennsatucky.

P.S.2: Nicky Nichols precisa de mais tempo de tela. De mais flashbacks. Natasha Lyonne dominou a cena, quando o roteiro lhe permitiu aparecer.

P.S.3: jamais na história da televisão existiu seriado com um elenco feminino tão forte e maravilhoso. E com personagens tão magnificamente construídas. Não há uma personagem sequer que não traga por trás de um manto de simplicidade uma complexidade que encanta.

P.S.4: Alex sendo libertada, Crazy Eyes revelada como a pessoa que quebrou a cara da Piper (e a impediu de matar Pennsatucky), Crazy Eyes (sempre ela) dando uma surra em Poussey,Taslitz matando “a Vee” errada e Dona Rosa atropelando Vee foram os momentos mais “OMG” da temporada.

P.S.5: alguém aí não está completamente apaixonado pela Poussey (e por seu alemão charmoso)?

P.S.6: Morello e a melhor descrição de um filme. Ever!

P.S.7: já é 2015?

Séries citadas:

Editora Chefe do TeleSéries, gasta boa parte da sua semana com séries. Sua estréia foi com ER, e atualmente assiste - entre várias outras - Grey's Anatomy, Game of Thrones, Suits, Castle e Rookie Blue. Ainda assim, arrumou um tempinho para maratonar Friends, The X Files e Chuck - pela qual se apaixonou, recente e irremediavelmente. Está saindo da crise de abstinência de Fringe graças à Orphan Black.

56 Comments

  1. Tatyane Nicklas

    Estou maravilhada com a sua matéria. Mariela Assmann, parabéns! – Essa série sem duvidas… É umas das que mais me ensinou a dar valor a dois fatores importantes, 1) Adaptação. 2) Dar valor as coisas simples da vida. Ex: Quando comemos em um prato de plástico, passamos a dar valor ao de vidro. E quão grandioso o mesmo se torna.

    Encantada;

    Tatyane Nicklas

  2. Bia Vauseman

    Aiii chega logo 3 season precisooo de vauseman urgente. Alex gostosaaaa kkkkk amo essas duas Laura e Taylor divas

  3. Julia Hassegawa

    Uau! Você descreveu tudo que sei da série e mais um pouco, até mencionou coisas em que não tinha pensado antes. Parece que você espremeu a série nessa página! Haha. Muito bom.

  4. Vanessa Rodrigues

    Gostei da sua resenha. Tô gostando muito também de OITNB ! E sim, já é 2015 o/ (risos)

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