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O que esperar da 2ª temporada de ‘Hemlock Grove’

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“Há mais ação. E, definitivamente, mais sangue.” É assim que o ator Bill Skarsgård define os novos episódios de Hemlock Grove, deixando escapar uma risadinha maliciosa. A frase é parte de um vídeo promocional da série liberado pela Netflix (no final desta página). “A segunda temporada possui um tom diferente. É um mix de assassinato, mistério, terror e sobrenatural”, completa ele. “O clima ficou muito mais sinistro. O sangue jorra para cima do espectador”, concorda seu colega Landon Liboiron, com o mesmo riso de canto cínico, típico de menino que vai fazer arte – e eles fazem.

Eu assisti ao vídeo descrito acima logo depois de ver os seis episódios iniciais da segunda temporada do seriado. Não, você não perdeu a noção do tempo. A reestreia da atração é mesmo no dia 11 de julho. É que a Netflix liberou esses episódios um pouco mais cedo para alguns sites especializados, entre eles o TeleSéries. E, ao ver o vídeo promocional, fiquei intrigada, pois os adjetivos utilizados pelos atores da trama foram exatamente aqueles que passaram pela minha cabeça enquanto assistia à nova temporada do programa. Hemlock Grove está mesmo mais sinistra. Tem, indiscutivelmente, muito mais sangue do que no primeiro ano. E, de fato, a série mistura alguns gêneros, que envolvem a gente do começo ao fim. Comparada ao primeiro ano, essa nova temporada também está mais fácil de entender (a complexidade em demasia do enredo era a reclamação de grande parte dos espectadores). Com todas as cartas colocadas na mesa no final da temporada passada, agora a gente compreende muito melhor todas as situações que as personagens centrais precisam vivenciar.

Se você não se recorda muito bem do que aconteceu na finale da temporada passada – precisei revê-la para lembrar de tudo -, vou ajudar: o cigano Peter (Landon), o “riquinho” Roman (Bill) e a prima dele, Letha (Penelope Mitchell), passaram a temporada inteira tentando descobrir quem era o vargulf da cidade (o lobisomem “mau” que estava matando moradores do vilarejo, crimes pelos quais Peter e Roman eram acusados). No capítulo final, o trio encarou o vargulf em uma propriedade abandonada dos Godfrey. Quando o lobo estava prestes a matar Roman, Shelley (a desengonçada irmã dele) apareceu e matou o animal,  expondo sua identidade: o vargulf era Christina (Freya Tingley), uma colegial problemática. Em seguida, Shelley desapareceu e deixou o irmão desolado. Letha – que havia engravidado de um anjo – entrou em trabalho de parto, mas morreu após uma hemorragia bizarra no Instituto da família. Secretamente, Olivia (Famke Janssen) recuperou a criança e Roman, então revelado como pai do bebê, virou um upir – o termo “vampiro” não é citado. A palavra “vampiro” se originou, provavelmente, da palavra “upir”, que foi usada na Rússia pela primeira vez. Segundo a lenda, é preciso que a pessoa acabe com a própria vida para que ela se transforme em um upir, uma espécie de dragão que se alimenta de sangue humano e tem o dom da hipnose. Para finalizar a temporada, Roman matou a mãe e arrancou-lhe a língua.

Atmosfera diferente

O que é legal é que essa segunda temporada de Hemlock Grove não se trata majoritariamente de lidar com as consequências desastrosas das novas descobertas. Muito pelo contrário. Agora, os personagens apenas tentam viver com elas, dia após dia, da maneira mais simples possível. Não temos mais situações extremistas e, por incrível que pareça, a série está ainda mais envolvente. O seriado é sobre tentar viver a vida normalmente em uma cidade completamente anormal. Vou dar um exemplo: depois de se transformar em um upir, o Roman não saiu por aí como quem diz “descobri meus superpoderes e agora vou salvar o mundo (ou destruí-lo de vez).” Não, como a gente bem sabe, “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. E ele tenta, genuinamente, lidar com a sede por sangue, com os seus demônios interiores. A situação toda pode parecer bem clichê – e Hemlock Grove apresenta clichês aos montes -, mas é tratada sob uma abordagem diferente. Ao se descobrir uma criatura sedenta por sangue e pela vida humana, Roman não virou o “mocinho” chato e moralista que luta contra isso com todas as forças. E muito menos se transformou no anti-herói cheio de fraquezas, que sucumbe em algum momento decisivo. Roman mantém o auto-controle o tempo todo (ou quase, não vou entregar a enorme complexidade do caso, né?) e o personagem  não chega nem perto de se tornar cansativo. Ele é sedutor.

Como já havia sido nos mostrado ao final da primeira temporada, Bill faz jus a sua família de atores famosos (ele é filho de Stellan Skarsgård, do filme Piratas do Caribe, e irmão de Gustaf e Alexander, das séries Vikings e True Blood, respectivamente). O jovem ator domina muito bem seu personagem e nos presenteia com uma atuação cheia de nuances, que vão desde a fúria incontrolável até trejeitos psicóticos, em alucinação pura, sem ser caricato. Algo espantoso em um ator de apenas 23 anos – mas que acaba por fazer todo sentido quando a gente olha a longa filmografia dele.

O retorno nunca é fácil

A temporada, no entanto, está mais focada em Peter, papel do ainda mais jovem Landon Liboiron. O cigano havia deixado Hemlock Grove ao final da primeira temporada, tentando fugir de toda a tristeza que o vilarejo lhe proporcionou – ele teve o trailer que morava com a mãe vandalizado e ainda perdeu seu grande amor, Letha. Mas ele é obrigado a retornar à cidade quando a matriarca é acusada de vários crimes e é levada de volta para lá. Como o vídeo promocional da nova temporada já adiantava, ele ainda se transforma em lobisomem na lua errada. Ao que tudo indicada, isso lhe trará consequências bastantes graves. Os problemas não acabam aí. Se existe uma coisa que pode ser afirmada sobre esse novo ano do seriado, é que nenhuma relação é como antes. Peter e Roman já não são mais muito próximos e é a chegada de um nova personagem que poderá uni-los ou separá-los de vez. Miranda, interpretada por Madeline Brewer (de Orange is the New Black), apareceu na cidade sob circunstâncias misteriosas. O carro dela quebrou na estrada, depois de um acidente, e ela foi até o guincho em que Peter trabalha para buscar assistência. Antes, ela parou na casa de Roman e pediu o telefone emprestado. Embora Miranda tenha sofrido um acidente de fato, a gente desconfia de que a moça saiba (e deseje) muito mais do que demonstra – afinal, até mesmo a “prima-cigana-vidente” do Peter acusa-a de estar mal intencionada. Só o dia 11 de julho nos dirá…

Sonhos e máscaras

Outra coisa que une Peter e Roman é um sonho em comum, uma espécie de premonição noturna que lhes revela assassinatos prestes a ocorrer. O autor do crime, dessa vez, não é um lobisomem malvado, mas sim um homem mascarado, típico de filmes de terror. Se no primeiro ano os personagens tiveram que driblar as investigações de Clementine Chasseur, agora é o irmão dela, o detetive Michael Chasseur (Demore Barners), quem chega a Hemlock Grove para descobrir o que aconteceu à irmã e, ainda, tentar parar seja lá o que há de tão macabro na cidade. A Ordem do Dragão, organização para a qual ele trabalha e Olivia tem alguma ligação, está bem presente nesses novos episódios também.

Já ouvi esse nome antes…

Por falar em Ordem do Dragão, uma coisa deliciosa na série é como a mitologia de terror, os diversos clássicos da literatura e cinema sobrenatural, se cruzam na trama. A Ordem do Dragão é conhecida nas histórias do Drácula, já que o vampiro é inspirado em um imperador de verdade, Vlad Tepes, que era integrante da Ordem. Além disso, na história, a organização secreta parece estar ligada à Igreja Católica, que está de olho em Roman. Roman, em inglês, quer dizer romano, e Roma é a sede do catolicismo. Além disso, Roman nos lembra a palavra “Romênia” (“Romania”, em inglês), pais em que se situa a Transilvânia… lar dos vampiros (e de onde Olivia provavelmente veio). Já Norman, o “tio” Godfrey, nos remete ao lendário Norman Bates, o psicopata do filme Psicose (e retratado na série Bates Motel). Por fim, Shelley é uma clara referência à criatura descrita pela escritora Mary Shelley no livro do Dr. Victor Frankenstein (também retratada na série estreante do Showtime, Penny Dreadful).

Nessas horas, me pergunto como ainda existem pessoas com tanto preconceito com séries de terror/sobrenaturais, que acham que são histórias forçadas, sensacionalistas e superficiais… quando, na verdade, existe uma complexidade nesses enredos, uma mitologia que une todos eles e nos faz, enquanto consumidores, querer conhecer mais e mais, pois uma coisa nos leva à outra. É repertório que não acaba mais!

Ares (e cores) de Hannibal

Além disso, a segunda temporada de Hemlock Grove está muto mais visual, é nítida a preocupação estética dos produtores. Em alguns momentos, ou melhor, em vários momentos, a série se parece bastante com Hannibal, da NBC, cultuada pelos padrões estéticos. Em uma das cenas, por exemplo,  sangue em abundância jorra na tela; um mar de sangue. Uma imagem verdadeiramente caótica, para, depois, sermos avisados de que foi tudo ilusão de um personagem desequilibrado (Will Graham o entenderia).

Resumindo: sangue!

Em suma, essa segunda temporada da série da Netflix só vem confirmar a tendência e o alto nível das séries de terror na indústria americana atualmente. Nos dois episódios iniciais da nova temporada, os roteiristas nos mostram como os personagens lidam com os acontecimentos da season finale do primeiro ano. A partir do terceiro capítulo, a série começa, então, a surpreender de verdade! Aí, prepare-se para ver mais sangue esguichando na tela, mais nudez, cenas de tortura.. e até um certo humor macabro, meio noir. A julgar pelos seis episódios iniciais, essa segunda temporada é MUITO melhor que a primeira. E terá dez episódios (três a menos que a temporada anterior). Não vou te julgar caso você esteja com “sangue-no-olho” morrendo para que o dia 11 de julho chegue logo e as novas histórias sejam, finalmente, disponibilizadas no catálogo da Netflix. Sinceramente… eu estou! ;-)

Séries citadas:

É jornalista formada pela Unesp e pós-graduanda em Gestão Cultural. No TeleSéries, escreve mensalmente a coluna Estilo. Aficionada pelas histórias de terror, sobrenaturais e de mistério, também não dispensa aquela comediazinha romântica... Pushing Daisies, Jeannie é um Gênio, A Feiticeira, Riget, Lost in Austen, Wonderfalls, Samantha Who?, Copper, Harper's Island e Hannibal estão entre suas séries preferidas de todos os tempos! :)

3 Comments

  1. MicaRM

    A vergonha é que só vi o post hoje….mas assisti à segunda temporada já no dia 11 mesmo.
    Sinceramente gostei mais da primeira. Senti uma falta gigantesca da Christina. Outra coisa que eu estranhei bastante foi o afastamento de Roman e Peter por mais de metade da temporada. Eu gosto de cada um individualmente, mas não há dúvidas de que a série é muito melhor quando foca nos dois juntos. Sei lá, eles tem uma química em cena que funciona bem demais. Tanto que, a partir do momento que a temporada os reuniu, os episódios fluíram bem melhor.
    Eu me incomodei com o final. Nem tanto pelos bizarros últimos 5 minutos, mas (spoiler do final da temporada no restante do parágrafo, depois volto às generalidades) porque eu já estou enfastiada com esse negócio de escolhido apocalíptico. Era muito mais interessante a singeleza do bebê ser um futuro upir, filho de Letha e Roman que, no final das contas, eram irmãos.

    Eu acho o ator que faz o Peter bem fraco, mas o personagem funciona porque, como eu já disse, ele e Bill tem uma química monstruosa e isso se reflete nos personagens.
    E, cá entre nós, eu acho engraçado como Roman e Peter ficam dando círculos quando na verdade é muito óbvio que os dois tem sentimentos mais ‘fortes’ um pelo outro desde o início.

    Eu até gostei da Miranda, mas me irritei com algumas atitudes dela em relação ao bebê. Quero dizer, ela ficou toda cheia de razão, exigindo explicações de Roman (que não devia explicação alguma e mesmo assim a tratava super bem), tirando o bebê de casa sem autorização, quase raptando a criança e no final, tomando em suas próprias mãos uma decisão que não lhe cabia tomar, já que ela não tinha qualquer direito àquela criança.
    Minha humilde opinião é que a única função real da Miranda foi reaproximar Peter e Roman.

    Olívia esteve ótima durante a temporada inteira, embora estivesse ainda melhor na primeira. Senti falta do seu branco eterno. Por algum motivo o preto e vermelho não tinham o mesmo impacto.
    E fiquei passada com o Norman no final. Simplesmente ninguém conseguirá me convencer que ele agiria daquele jeito.

    E ainda não conseguiram vender para mim a ideia de que precisavam trocar mesmo a atriz que interpretava a Shelley. Eu gostava muito da garota original. Ela tinha uma delicadeza e passava a emoção com qualidade. Quero dizer, também gostei muitíssimo da Madeleine no papel, mas a forma como o produtor comentou sobre a troca de atriz me deixou muito chateada, como se precisasse de uma ‘atriz de verdade’ para o papel daqui para frente.

    E fiquei arrasada com a Pryscilla. Eu sei que jamais contratariam Madeleine para fazer Shelley apenas por uma temporada, mas…poxa, Shelley merecia tanto.

    Enfim, fiquei fascinada pela segunda temporada, assisti em uma sentada só (a primeira temporada tinha 13 episódios, então assisti em dois dias, esta eu vi em uma tarde apenas) e custo a acreditar que terei que esperar um ano inteiro por mais :(

  2. Camila Palmeira

    Sua resenha esta muito bem escrita. Parabéns!
    Eu gostava da Letha :(

  3. Electra

    Eu gostava da Letha, longe do Roman, mas já que querer não é poder. O Bill está muito mais gostoso na segunda temporada, gente.

  4. Daiana gomes

    Letha Godfrey não podia morre o amor dela e do Peter era lindo ?

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