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Estilo

O estilo “mãezona” da Dona Nenê, de ‘A Grande Família’

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Na próxima quinta-feira (11/9), a série A Grande Família se despede de vez dos espectadores brasileiros depois de 13 anos e 14 temporadas no ar. É um sentimento agridoce. Embora o seriado da Globo tenha nos rendido deliciosas gargalhadas ao longo dos anos, despedidas, quase sempre, são dolorosas. “Pirraça pai! Pirraça mãe! Pirraça filha! Eu também sou da família, eu também quero pirraçar.” Ainda que a gente se sinta parte do clã Silva, tamanha a intimidade conquistada em mais de uma década, nem adianta espernear: tudo o que é bom chega ao fim. Pelo menos, essa atual versão do programa chegará, já que a série original, com outros atores, foi ao ar na década de 70. Quem sabe venham algumas outras pela frente…

A Grande Família, como a conhecemos agora, estreou no dia 29 de março de 2001 na grade da Globo e se consagrou a série brasileira que mais tempo ficou em exibição. A história da família carioca de classe média, acostumada a viver com escassos luxos – muitas vezes, conquistados com anos de economia -, retratou não apenas o cotidiano de uma família típica do Rio de Janeiro, mas das famílias Silva espalhadas pelo Brasil inteiro. O sucesso foi imediato. Talvez porque, se utilizando de uma narrativa única, a televisão nos mostrava que era possível, sim, ser feliz com pouco – e muito feliz!

Com porções generosas realismo e uma pitada de romantismo, a receita parecia infalível. Na Grande Família, “gente como a gente” experimentou, semanalmente, histórias incríveis e para lá de especiais; inesquecíveis. E se consideramos todos os treze anos que o seriado ficou no ar, podemos até dizer que a “alegria de pobre”, quem diria, durou bastante! Personagens como Floriano (Rogério Cardoso), Tuco (Lúcio Mauro Filho), Bebel (Guta Stresser), Agostinho (Pedro Cardoso) e Lineu (Marco Nanini) vão ficar para sempre  na memória de Oliveiras, Cavalcantes, Bastos, Paganos e detentores de tantos outros sobrenomes por aí. Não, eu não me esqueci da Dona Nenê (Marieta Severo). É justamente ela a homenageada da coluna Estilo do mês de setembro!

familia silva

A matriarca do lar mais aconchegante do Brasil é do tipo que dedica tempo integral para cuidar da família – e, muitas vezes, esquece dela mesma. Não é raro ver Dona Nenê abrir mão das próprias vontades, sem hesitar, para deixar os filhos contentes. Ela é do tipo “mãezona” mesmo! Aposto que muita gente reconhece a própria mãe em Dona Nenê, mesmo que a mãe nem seja tão classe média assim. Amor de mãe é universal, não escolhe raça, religião ou classe social. E Dona Nenê dispensava qualquer vaidade para se ocupar em deixar seu lar mais feliz. Para fazer de sua casa… um lar.

Por isso, no primeiríssimo episódio de A Grande Família, ela apareceu, digamos, descabelada, usando um conjuntinho de gosto duvidoso, como tem que ser, de camiseta de bolinhas e bermudas, bem simples para faxinar a casa. Na ocasião, Bebel travou uma discussão histérica com Agostinho ao flagrá-lo com uma revista de “mulher pelada”. Revista que Lineu acabou pegando emprestada… O episódio recebeu o divertido nome de “Meu marido me trata como seu eu fosse uma geladeira”.

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Nenê sempre foi adepta do autêntico estilo “dona de casa”. Os cabelos de comprimento médio dispensam grandes cuidados, mas, de início, eram protegidos com lenços. Ela também gosta de vestidos tubinhos, que podem ser usados dentro de casa ou até mesmo para uma rápida ida à feira, de última hora. As camisas de botão também dão conforto e praticidade à vida da personagem. Além disso, as estampas florais são, definitivamente, uma preferência da Dona Nenê.

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O visual da personagem foi inspirado nos anos 50, época marcada pela feminilidade e elegância (passado o difícil e restritivo período da Segunda Guerra, as mulheres podiam, finalmente, voltar a usar alta costura). A partir de 2009, no entanto, os figurinistas da série decidiram arriscar um pouco mais. Nenê começou a usar decotes um pouco mais profundos e acessórios, como pequenos pingentes até maxi colares.

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Em 2012, ela mudou o corte do cabelo, que ficou mais moderno e curtinho. O vestido tubinho nunca saiu do guarda-roupa da personagem.

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Isso não quer dizer que Dona Nenê não sabia ousar. Quando ela decidia fazer isso, as risadas eram certas. E, aí, dá para lembrar de duas ocasiões divertidas. Na primeira, Nenê deixou a estampa floral de lado para apostar no “animal print”! É que a dona de casa decidiu fazer um ensaio sensual depois de ter sido chamada de “careta”. Uma verdadeira ousadia – de todas as partes!

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Em outro episódio, Lineu (re)montou uma banda de rock de nome sugestivo: os Fiscais do Ritmo. E, aí, Dona Nenê encarou a clássica jaqueta de couro (vermelha, ainda por cima!).

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Mas se a ocasião pedia uma “roupinha melhor”, Dona Nenê também não fazia por menos. A estampa floral ficava ainda mais elegante com o decote de renda 3D. As jóias, provavelmente guardadas na caixinha apenas para ocasiões especias, saiam de lá e davam muito charme à matriarca Silva.

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A gente sempre lê nos jornais que a classe média brasileira está viajando mais. Ao longo de seus treze anos de exibição, a Família Silva “da série” também foi experimentando todas as mudanças no estilo de vida dos “brasileiros da vida real”. A muito custo e longas economias, Lineu e Nenê conseguiram fazer uma viagem internacional. O destino foi Buenos Aires… Aposto que até Cristina Kirchner ficaria com inveja da Dona Nenê nesse lindo echarpe vermelho, não?

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É isso. Se, lá no primeiro episódio de A Grande Família, Dona Nenê nos foi apresentada como “meu marido me trata como se eu fosse uma geladeira”, a gente pode dizer que, depois de todos esses anos, ela derreteu nossos coraçõezinhos com tanta devoção à família. Todos nós nos sentimos um pouquinho filhos da Dona Nenê – e das Donas Nenê’s do mundo. Na próxima quinta-feira, todos nós ficaremos um pouquinho órfãos dessa matriarca a quem adotamos como mãe. A gente foi uma família muito unida…

Séries citadas:

É jornalista formada pela Unesp e pós-graduanda em Gestão Cultural. No TeleSéries, escreve mensalmente a coluna Estilo. Aficionada pelas histórias de terror, sobrenaturais e de mistério, também não dispensa aquela comediazinha romântica... Pushing Daisies, Jeannie é um Gênio, A Feiticeira, Riget, Lost in Austen, Wonderfalls, Samantha Who?, Copper, Harper's Island e Hannibal estão entre suas séries preferidas de todos os tempos! :)

5 Comments

  1. Arthur Barbosa

    Depois dos meus conselhos é claro que você faria um post com tamanha homenagem a Dona Nenê! Ela é uma matriarca que ficará para sempre em nossos corações. Dia 11 não perco mesmo o final de ‘A Grande Família’. Tomara que seja espetacular. =) Ótimo post Gaby! =)

  2. Carlos

    Muito boa essa postagem, e o clima de saudade só aumenta. Semana que vem acaba um ciclo. E o final promete ser muito bom.

  3. Gabriela Pagano

    Sim! A Grande Família merecia essa homenagem, né? Muito obrigada pela super dica! E que venha o final para gente desidratar de chorar hahahaha

  4. Gabriela Pagano

    Muito obrigada, Carlos! Estou super na expectativa para o final também.

  5. Pingback: Tradição à mesa: a gostosa receita de ‘A Grande Família’ » TeleSéries

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