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O 11 de setembro e a TV americana

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O TeleSéries relembra como a tragédia afetou séries de TV como Third Watch, The West Wing e Friends

Cena de Life on Mars
Na versão norte-americana da série Life on Mars, produzida em 2008, o detetive nova-iorquino Sam Tyler sofre um acidente e inexplicavelmente acorda no ano de 1973. As roupas, os carros, os telefones, tudo está diferente. Mas o maior choque acontece no momento que olha para o céu e vê, ao sul de Manhattan, as torres gêmeas do World Trade Center.

A série de atentados terroristas que provocou a queda das Torres Gêmeas, atingiu o Pentágono e provocou a queda de um avião em Arlington, na Virgínia, na manhã do dia 11 de setembro de 2001 mudou para sempre a História e transformou a vida, a rotina e a cultura dos Estados Unidos. Passados 10 anos desde os atentados terroristas, o TeleSéries relembra como o tema afetou a ficção na TV – seja através dos shows que abordaram diretamente a tragédia, seja através daqueles que serviram como escape para o cenário de terror que foi transmitido em tempo real pela televisão. Confira o nosso especial:

Cenas de Third Watch
Third Watch, terceira temporada

Entre 1999 e 2005, John Wells foi produtor executivo de três importantes shows da NBC. Um era o drama político The West Wing, tetracampeão do Emmy de Melhor Drama. ER, seriado médico que era uma das maiores audiências no período, foi outro. O terceiro show era Third Watch. Third Watch narrava o terceiro turno, de 15h às 23h, dos profissionais do 55º Distrito Policial e 55º Batalhão dos Bombeiros de Nova York. Em suas seis temporadas, o seriado co-criado por Edward Allen Bernero (Criminal Minds), trafegou entre realidade visceral e forçados clichês hollywoodianos em suas histórias, seja na busca de audiência ou esgotamento do formato, cumprindo seu papel como elo mais fraco na trinca de Wells.

Isso até a terceira temporada, iniciada pouco mais de um mês após o 11 de setembro de 2001. Como utilizava em seu elenco policiais e bombeiros reais, a produção da série, que se passava em NY, procurou não fugir do tema. Muito pelo contrário: o atentado terrorista foi peça central no terceiro ano de Third Watch.

Sua season premiere não foi ficcional e contou apenas com relatos dos homens e mulheres que participaram dos atendimentos naquele fatídico dia. O prestigiado In Their Own Words concedeu ao drama seu prêmio mais importante: o Peabody Award por sua excelência.

Na semana seguinte, o episódio intitulado September Tenth misturou realidade com ficção e iniciou na véspera do atentado o encaixe, de forma respeitosa, dos personagens fictícios nesse drama da vida real, terminando com diversos personagens, alguns inclusive de forma voluntária, seguindo para o Ground Zero ao som de inúmeras sirenes.

A força motriz desse acontecimento fez da terceira temporada a melhor da série. Infelizmente, pouco depois, Third Watch voltou a cair no lugar comum. Apesar de nunca levar um Emmy nas categorias principais, a série será sempre lembrada como aquela que de maneira mais corajosa, e breve (já no mês seguinte), incluiu os atentados em sua narrativa. E de maneira perfeita. (Thiago Sampaio)


24 Horas

A série 24 Horas foi idealizada e começou a ser filmada antes dos ataques de 11 de setembro, porém, talvez seja o produto de entretenimento que mais captou o espírito da época. Ela estreou em 6 de novembro de 2001 (quase dois meses depois dos ataques), atrasada justamente porque a emissora temia a rejeição. Mas Jack Bauer era o herói que os norte-americanos queriam. Ele fazia o que era necessário para derrotar os terroristas, torturando-os, ameaçando suas famílias e até decapitando um criminoso para conseguir se infiltrar. E isso era compreensível, afinal, sua própria família estava ameaçada e sua esposa acabou morrendo, e quem não se sentia assim nos EUA? Quem não perdeu alguém no 11/9, temia perder a qualquer momento, já que o país estava em guerra contra o terror e o inimigo poderia surgir de qualquer lugar. Isso gerou uma identificação tão grande que o nome Jack Bauer chegou a ser mencionado em pesquisas como a melhor opção na guerra contra o terror. No entanto, os anos foram passando, as pessoas começaram a ver que a cruzada de Bush não era tão nobre assim e começaram a querer outro ponto de vista, o que resultou na eleição de Obama. Isso se refletiu na série, com as conspirações cada vez chegando mais perto do centro do poder e com os métodos de Jack sendo cada vez mais questionados, por outros personagens e por ele próprio. O herói se tornou o resquício de uma era passada. (Eddie Tertuliano)

Cenas de NYPD Blue
Nova York Contra o Crime, nona temporada

Depois de oito temporadas, NYPD Blue (ou Nova York Contra o Crime, como ficou conhecida por aqui por conta da exibição na rede Globo) já era uma série cansada. Ao longo do oitavo ano o seriado perdeu três de suas estrelas: James McDaniel (substituído no meio da temporada por Esai Morales), Kim Delaney (que trocou a série pela fracassada Philly) e o carismático Rick Schroder (o garotinho-prodígio de O Campeão, adulto, em seu primeiro papel de protagonista no primetime americano). No anúncio da nova programação, em maio, a ABC já havia sinalizado que o show perderia seu horário tradicional, nas noites de terça-feira, e que a nova temporada, como nos últimos anos, não estrearia na fall season.

O atraso, no fim, foi providencial. A nona temporada estreou 56 dias após a queda das Torres Gêmeas. O show policial, que sempre mostrou uma Nova York orgânica e crua, não tinha mesmo como exibir todo aquele terror. A opção dos produtores foi mostrar como os policiais do 15º Distrito tentavam tocar a vida depois de tudo o que aconteceu. A primeira referência aos atentados acontece em uma cena em que Connie vai atrás de um Sipowicz mais destrambelhado do que nunca no banheiro masculino, lembrá-lo de que ele não é o único que está sofrendo. O episódio introduz um novo detetive na equipe (Mark-Paul Gosselaar, atualmente em Franklin & Bash) e finalmente revela o paradeiro do detetive Sorenson – quando um suspeito revela para Sipowicz (após um dos interrogatórios mais violentos da série) onde seu corpo pode estar enterrado. Na cena final, que poderia muito bem ter rendido uma sexta indicação ao Emmy para Dennis Franz, Sipowicz vai para o bar e quase tem uma recaída. NYPD Blue sempre foi uma série de personagens atormentados, que carregavam a dor do mundo nas costas. Depois do 11 de setembro, parece que o mundo passou a pesar mais. (Paulo Serpa Antunes)

Rescue Me
Rescue Me

Tommy Gavin (o talentosíssimo Denis Leary) é a alma de Rescue Me. Seja com seus atos de heroísmo irresponsável, por seu palavreado chulo ou por seu sangue quente, Gavin está sempre chamando a nossa atenção para a sua presença. Bombeiro de uma Nova York pós-11 de setembro, ele vive em eterno conflito, tanto com seus colegas, parentes e esposas quanto dentro de sua própria cabeça. Ele é constanemente atormentado por visões daqueles que ele não conseguiu salvar em serviço.

Não que a TV não esteja cheia de protagonistas magnéticos. Mas mesmo nesse universo recheado de Dexters e Bauers, Leary se destaca. Prova disso são as duas indicações ao Emmy de Melhor Ator em sua bagagem. Ele também é co-criador, produtor e roteirista do programa, um fenômeno raro no campo dramático.

Os mais desinformados podem pensar que Gavin ofusca os outros personagens. Isso só é verdade até certo ponto. Rescue Me conta com uma gama de bons personagens, geralmente envolvidos em seus próprios arcos independentes, que vez por outra brilham mais que os do protagonista. Inocência e imaturidade são as características mais marcantes de Sean e Probie. Franco está sempre em busca da mulher ideal (e quase sempre se dá mal, e não de uma maneira cômica, como seus colegas já citados). Lou foi deixado por sua mulher justamente por ser erudito demais, para logo após descobrirmos que ele não é tão inteligente quanto aparenta. Chefe Reily, por sua vez é aquele possui os desdobramentos mais previsíveis, mas ao mesmo tempo é o personagem mais real da série. Afinal de contas, os clichês muitas vezes apenas retratam a realidade. (Juliano Cavalcante, adaptado de post do Cavalca Blog, de 2007)

The West Wing
The West Wing, episódio especial Isaac and Ishmael (exibido em 3/10/2001)

Um estudante:

Como poderíamos chamar uma sociedade que precisa viver todos os dias com a ideia que a pizzaria onde você está pode explodir a qualquer momento?

Sam:

Israel.

O diálogo acima foi um dos que mais chamaram minha atenção durante o episódio porque baseado nele podemos dizer que após os ataques de 11 de setembro a sociedade americana passou não só a ter essa sensação de que tudo poderia explodir a qualquer momento como *acordou* para o fato que existem pessoas no mundo que não acham sua forma de viver a melhor. Neste episódio especial, produzido no calor do ataque às Torres Gêmeas e exibido uma semana antes da estreia da terceira temporada, Aaron Sorkin tentou mostrar todos os lados dessa “guerra de ideologias”.

A forma encontrada foi simples e ao mesmo tempo brilhante. Estudantes ficam presos na Casa Branca durante a ameaça de ataque terrorista e acabam tirando suas dúvidas sobre o assunto com os principais personagens da série. Leo fica responsável por interrogar um suspeito e coube a ele a representação de toda a arrogância norte-americana (que é um termo bem arrogante se levarmos em conta que México e Canadá fazem parte da America do Norte). Recomendo que mesmo você que nunca acompanhou a série procure assisti-lo. Vale muito a pena. (Tati Leite)

Friends
Friends, as temporadas finais

Friends foi um dos mais emblemáticos seriados da história e, por se passar na cidade de Nova York, também foi influenciado pelos atentados de 11 de setembro. As temporadas de Friends sempre estreavam em setembro, na fall season, e a oitava temporada da série teve início apenas 16 dias após o ataque às Torres Gêmeas.

Ao longo das sete primeiras temporadas de Friends, as Torres Gêmeas apareciam com frequência nos takes panorâmicos que eram inseridos em meio à trama. Depois dos ataques, não só os produtores passaram a evitar incluir imagens de Nova York na edição, como o terceiro episódio da oitava temporada precisou ter cenas regravadas em virtude do drama que a cidade e o país viviam.

O episódio The one where Rachel tells Ross conta a história da revelação da paternidade e da lua de mel de Monica e Chandler. As cenas retiradas da sequência se passavam no aeroporto, no momento em que o casal se prepara para embarcar. Na história, Chandler e Monica brincavam com os seguranças do aeroporto ironizando a presença de bombas em suas malas. Como as cenas iriam ao ar após 11 de setembro, elas foram retiradas do episódio em respeito aos acontecimentos. A filmagem original só foi disponibilizada mais tarde, na forma de uma espécie de errata.

Com o passar das temporadas, muitos dos fãs de Friends acreditavam que a série não tinha mais o brilho de antes. Apesar disso, depois dos ataques terroristas de 11 de setembro, as avaliações da série aumentaram 17% com relação à temporada anterior.

Tempos depois do atentado, um grupo mais de cem pessoas foram convidadas a assistir as gravações de um episódio de Friends. O público incluía bombeiros e pessoas que trabalharam no resgate no World Trade Center, além de familiares das vítimas. As gravações duraram cerca de sete horas, e o elenco do seriado fez questão de interagir com o público durante o intervalo. (Julia Giglio)

Séries citadas:

Os textos assinados pela Redaçao TeleSéries são textos de autoria coletiva ou notícias escritas por um redator anônimo, mas sempre revisadas com a máxima precisão jornalística.

15 Comments

  1. Flávia Ribeiro Varsano

    Esse episódio de Third Watch é icônico! E até concordo que a série era o elo mais fraco da corrente do John Wells, Thiago, mas que corrente, né? The West Wing, ER e Third Watch, só coisa fina.

    Não vi o episódio de NYPD Blue, mas fiquei curiosa. Acho que vou baixar. Adorei as três primeiras temporadas dessa série, ainda vi a quarta, mas depois abandonei. Às vezes me arrependo, Sipowicz é um grande personagem.

  2. Mônica Almeida

    Esse post está perfeito. Eu lembro perfeitamente o que eu estava fazendo no 11 de Setembro.
    Das séries citadas eu só via The West Wing (lembro bem desse episódio) e Friends. Third Watch eu vi um episódio ou outro, mas não acompanhei a série. Acho que vou baixar esse episódio.

  3. Lara Lima

    Jack era um “herói” que a nação buscava naquele momento, mas a justiça dele não era muito diferente da dos terroristas que ele enfrentava.  O governo americano financiou uma guerra pra encontrar um homem. Ou seja, ainda que milhares de pessoas tivessem que morrer valia a pena se Osama fosse encontrado. Dez anos depois a notícia da morte do Osama não trouxe um alívio tão grande assim, essa é que é a verdade. Ele morreu, mas a que custo? E quem garante que a violência que os EUA provocou não vai ter retaliação? E quantos outros vão precisar morrer? Até quando as pessoas vão ter a falsa impressão de que Jack Bauer faz justiça ao matar e torturar, enquanto outros fazem porque são psicopatas? Guardando-se as devidas proporções, Jack Bauer não é muito diferente de um terrorista que mata “em nome de deus” – pra este a justificativa é tão nobre quanto para àquele. 

    ***

    Não me lembrava desse episódio de Third Watch. Vou baixar pra assistir =D

  4. Fernanda

    Oi! Outra série que foi atingida pelo 11/09 foi Sex and the City! Seria impossivel a série que mostrava NY como ninguem não refletisse nada.
    Na 5º temporada, mesmo sendo a mais curta em função da gravidez de Sarah Jessica Parker, o ultimo episodio é uma declaração de amor a cidade, onde Carrie dizia que não precisava de homem algum porque o maior amor dela, além das amigas logico, era a cidade que a acolheu e permitiu escrever tantas histórias.

  5. Maria Regina

    Third Watch não é uma série fácil de se achar para baixar. Só consegui descobrir sites que disponibilizaram até a 2 temporada. Eu gostava muito desta série.

  6. Paulo Serpa Antunes

    E o curioso Lara, é que a série não era exatamente maniqueísta. Os tons de cinza estavam lá. Mas a maioria das pessoas faziam a leitura simplista na época, que o Jack era o vingador da América.

    Mais ou menos como fazem atualmente com Capitão Nascimento hoje. Na tela eu vejo um homem atormentado. Mas o povão só vê o lado justiceiro.

    Mas a verdade é que, na minha opinião, 24 poderia ser uma série muito melhor do que foi.

  7. Paulo Serpa Antunes

    Fernanda, tem uma coisa engraçada que quase inserimos no texto que é o seguinte. Após o 11/9, os produtores removeram da abertura de Família Soprano uma imagem que mostrava a imagem das torres gêmeas da janela do carro do Tony Soprano. Já em Sex and the City, as torres gêmeas também apareciam na abertura, mas nunca foram removidas (e aparecem justamente no momento que aparece na tela o nome da série)…

    Abertura de Sex and the City
    http://www.youtube.com/watch?v=ftj7yH8nQXg

    Abertura de Sopranos com as Torres
    http://youtu.be/RLxSUKA–Dg

    Abertura de Sopranos sem as Torres
    http://youtu.be/ERYpbpqxf4o

  8. Maria Regina

    Nas primeiras temporadas de Law & Order SVU tambem apareciam as torres na abertura do programa, coisa que desapareceu depois de 11/09.

  9. Lara Lima

    Concordo, exceto pela parte que 24 poderia ter sido melhor. Ela seguiu a risca a proposta, e qual era essa proposta? A de produzir um “herói”, ou melhor, de usar a dor e a sede de justiça de um povo em prol de uma guerra, de modo a justificá-la. E a série conseguiu êxito.

  10. Célia Regina

    Eu já havia comentado aqui no Teleséries sobre a linda homenagem aos policiais, bombeiros e paramédicos que Third Watch fez em 2001. Eu sempre gostei da série. Concordo que era a mais fraca das 3 (West Wing e ER), mas a temática me prendia mais.
    Lembro que chorei assitindo Third Watch. Nenhuma outra série já me fez chorar.
    Eu lembro muito bem do 11/9. Assisti o segundo avião colidir com a segunda torre ao vivo.
    Maria Regina, eu também lembro bem da abertura de Law & Orde SVU com as torres gêmeas!
    Eu fiquei muito comovida com os atentados e ainda hoje fico triste.

  11. Fernando dos Santos

    Sem  duvida a série que mais esteve atrelada ao espirito pós-11 de setembro foi 24 Horas.O texto do  Eddie Tertuliano analisou com exatidão o quanto 24 Horas esteve ligada ao clima pós-11 de setembro, desde o inicio até sua ultima temporada.

    Concordo também com o Paulo Antunes quando ele diz que a maioria das pessoas fazia uma leitura simplista de 24 Horas.A série sempre teve uns tons cinzas evitando cair no  maniqueismo e muitas vezes os inimigos de Jack  Bauer estavam escondidos dentro do proprio governo americano e nas grandes corporações americanas.Na quinta temporada até o presidente americano revelava-se o vilão da trama e foi nesse mesmo que 24 ganhou o Emmy de Melhor Drama.
    Além disso a série nunca deixou de lembrar ao publico que inocentes poderiam ser vitimas de torturas devido a informações equivocadas ou manipuladas.O proprio Jack chegou a torturar um sujeito que depois descobriu-se ser inocente,  lembro que era um personagem interpretado pelo James Frain.Houveram ainda um funcionario e uma  funcionaria da CTU que eram inocentes mas foram torturados por causa de equivocos e tramoias.

  12. Rubens

    24 passou a ser uma bomba chaterrima exatamente quando comecou toda essa babaquice de ficarem questionando os metodos de Jack Bauer (mas o pior mesmo foi ELE proprio se questionar, como mulherzinha, essa foi indesculpavel…)

  13. Fernando dos Santos

    A série refletia o estado de espirito da sociedade americana diante dos fatos.No inicio o Jack torturava e matava sem ser questionado assim como os americanos apoiavam a iniciativa do governo americano de usar metodos extremos em interrogatorios.Aos poucos foram surgindo denuncias de abusos, que foram se tornando mais frequentes com o passar do tempo e a sociedade americana começou a refletir e debater o uso de tortura em interrogatórios.
    Os produtores da série resolveram usar esse clima de questionamento e reflexão nos roteiros da série pra que ela não se tornasse obsoleta e ultrapassada.
    É por isso que 24 Horas é a série que melhor ilustra os EUA do pós-11 de setembro.

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