Log In

Reviews

Nashville – Too Far Gone

Pin it
Série: Nashville
Episódio: Too Far Gone
Número do Episódio: 2x14
Exibição nos EUA: 05/02/2014
100
5
1

“Você matou a minha mãe? Você tentou assassinar o pai das minhas filhas?” – Rayna

Drama. Assim podemos definir Too Far Gone.

Se Rayna andou um tanto apagada nas últimas semanas de Nashville, este episódio veio para acabar com qualquer resquício de calmaria em sua vida, ao mesmo tempo em que prepara o território para a última metade desta temporada, que pode (ou não) ser a última da série.

Enfim, Tandy abriu o jogo com sua irmã e contou à Rayna que foi ela quem denunciou o pai às autoridades. E mais: confessa que fez isso porque foi ele quem assassinou a mãe delas há muitos e muitos anos. Covarde e sem caráter como sempre foi, óbvio que ela sequer chega a mencionar o fato de que estaria em sérios apuros caso não colaborasse com a Promotoria (aliás, muita ingenuidade de Rayna achar que a irmã – braço direito do pai por singelos 15 anos – não estaria a par de toda a sujeira escondida debaixo dos tapetes das Indústrias Wyatt). Além disso, claro que a confissão não se deu de forma espontânea: um Teddy cada vez mais transtornado e obcecado por descobrir a verdade sobre o assassinato de Peggy tratou de contar à Rayna tudo o que sabia. Acuada, Tandy se viu obrigada a falar a verdade.

O encontro entre ela e o pai foi no mínimo desconcertante. Desta vez, aquela que sempre pareceu ser “a filha favorita” de Lamar sequer conseguiu olhar em seus olhos e encará-lo de frente. Não era óbvio que algo estava errado ali? Aquela festa de “boas-vindas” só não foi mais melancólica e bizarra porque Maddie e Daphne estavam lá, fazendo o que sabem de melhor: cantando – pela primeira vez junto com a mãe! – e conferindo enorme doçura à cena.

Mas de nada adiantou. Na hora do acerto de contas, percebemos que, apesar do difícil relacionamento, é Rayna a filha que Lamar respeita. Aliás, aí percebemos uma gigantesca diferença entre as irmãs: enquanto Tandy é covarde e fraca, Rayna é o seu completo oposto. Direta e dona de uma sinceridade quase brutal, não hesita nem por um segundo ao tirar satisfações do pai.

Enquanto perguntava a Lamar se ele havia matado sua mãe – em uma atuação magistral de Connie Britton, há que se dizer – vimos toda a raiva, frustração e decepção tomarem conta de Rayna. Enfim, a verdade. Ou coisa assim. Não sei se consigo acreditar nessa versão “ela já estava morta, então eu fugi” da história. Ainda mais porque, logo em seguida, Lamar é incapaz de negar que está envolvido no atentado contra Teddy – pai de suas netas, vale lembrar –, provando mais uma vez que está disposto a fazer qualquer coisa para defender seu poder e seus interesses, custe a quem custar. Rayna não tolera tamanha falta de caráter e rompe com seu pai e irmã. Um tempo longe de tanta hipocrisia certamente lhe fará bem. Melhor assim.

A cena final, entre Lamar e seu ex-genro, foi… Inusitada. Sem qualquer cerimônia, Teddy joga na cara do sogro que Tandy é a responsável por sua quase ruína, e o que se segue me fez revirar os olhos por um momento. Pensei: “outro ataque cardíaco? Really?”, mas assim que percebi que Teddy não tinha qualquer intenção de pedir socorro, entendi o recado. O viúvo enlutado quer vingança, e, ao que parece, não pretende desperdiçar a oportunidade que lhe foi oferecida. Apenas Teddy e Lamar, e a chance de fazer justiça com as próprias mãos. A impressão que fica é de que o velho desta vez vai provar do próprio veneno – afinal, Teddy aprendeu tudo o que sabe com ele –, e não sobreviverá para contar a história. Será?

“(…) Eu não poderia te derrubar, mesmo se eu quisesse. Apenas alguém que estava com você e trabalhou para você por 15 anos e que sabia onde os corpos foram enterrados poderia fazer isso. Seu próprio sangue.” – Teddy

Avery_Juju1

Enquanto Rayna vivia todo este drama, vimos uma Juliette em situação oposta, completamente acuada e resignada com a desastrosa situação de sua carreira. Cansada de remar contra a maré e de ser vítima constante de sua própria fama e personalidade difícil, Juju decide… que não quer decidir absolutamente nada por enquanto. E se afasta. De tudo e de todos. Exceto de Avery. Ela busca refúgio em sua casa, redecora o seu apartamento, cozinha, passa o dia comendo pipoca e assistindo aos filmes de Fellini – chamando-os carinhosamente de “filmes italianos estranhos de ficção científica” –, recusando-se a atender os insistentes telefonemas de Emily ou a encarar sua nova realidade de frente.

Neste processo de humanização que a personagem vem sofrendo ao longo da temporada, acho importante, e muito válido, que ela passe por esta fase, mas Avery, que tem sido o seu grande porto-seguro e sua única constante neste processo, precisa puxar as suas orelhas e trazê-la de volta para o mundo real:

“Não é porque você fecha os olhos que você se torna invisível.” – Avery

Simples, não? E uma grande verdade. Juju não é burra, entendeu bem o recado e pretende utilizar o enorme talento de seu novo namorado como produtor para reconstruir sua carreira, um pequeno passo de cada vez. Don’t Put Dirt On My Grave Just Yet já começou a despertar o interesse de outras gravadoras e é uma excelente maneira de recomeçar. Daqui para frente, parece que não veremos mais esta Juliette apática e sentindo pena de si mesma. Mãos à obra!

“Acontece que eu odeio ser invisível mais do que odeio estar errada.” – Juliette

Brent

A parte decepcionante do episódio ficou, mais uma vez, por conta de Will Lexington. Depois de sua tentativa de suicídio, o cantor parece não ter mudado e isso é muito frustrante. Apesar de ter aberto uma enorme gama de possibilidades para o personagem, o roteiro escolheu a saída mais preguiçosa e… absolutamente nada mudou. Rapidamente, Will voltou a ser o menino medroso e cheio de nojo de si mesmo, repetindo os mesmos erros over and over again, demonstrando que não foi capaz de tirar nenhuma lição da experiência traumatizante que viveu. E do que é feita a vida senão de nossos tropeços e suas lições? O que Will espera conseguir com suas atitudes? No fim das contas, sobrou para Brent.

“Eu sei o que quero, e não deixarei que ninguém fique no meu caminho” – Will.

Sem saber como lidar com seus sentimentos por ele (sem mencionar a noite que passaram juntos!), Will age como um babaca homofóbico e vai correndo se queixar para Jeff (of all people!). Tem a pachorra de insinuar que Brent está agindo de maneira “imprópria” e coloca em xeque também a competência profissional do rapaz. Jeff, depois de perder as duas maiores artistas da Edgehill, está apostando alto em Will – inclusive adiantando o lançamento de seu álbum de estreia para 1º de maio, numa estratégia desesperada para concorrer com o novo álbum de Rayna –, e não está em posição de contrariar sua maior estrela. Resultado? Brent é demitido, e Mr. Fordham cuidará da carreira de Will pessoalmente daqui para frente (um bom castigo por si só).

Mas desta vez temos Gunnar para chamar a atenção de Will e trazê-lo de volta para a dura realidade. Será que ele realmente acha que Brent é o problema? Que basta tirá-lo da sua vida – custe o que custar – para que ele seja “curado” de sua homossexualidade? Que tipo de pensamento é esse, meu Deus? Como muito bem lembrado por Gunnar, Will tentou beijá-lo não muito tempo atrás. E ainda foi categórico ao afirmar que todos ao redor percebem que existe algo entre eles. Será que ele não percebe? Às vezes tenho a impressão que Will vive na década de 50. Esqueceram de avisar para ele que estamos no século XXI. A compaixão que eu senti por ele naquele último episódio de 2013 – e que já parece tão distante – sumiu por completo. Para ele, vale tudo nesta incessante busca pela auto aceitação, mesmo que para isso ele tenha que passar por cima de si mesmo – e de quem mais ousar atravessar seu caminho. Azar de Brent, que não fez absolutamente nada de errado. Patético e decepcionante, nada mais.

Enquanto isso, se por um lado Gunnar está desempenhando o papel de bom amigo para Will, com Zoey ele não passa de um namorado medíocre. Aliás, a linda moça tem se mostrado uma das personagens mais avulsas da série. Neste episódio especificamente, o roteiro até tentou dar um propósito à personagem que fosse além de namorada-do-Gunnar-e-ex-melhor-amiga-da-Scarlett, mas o tiro saiu pela culatra. Não consigo sentir empatia por ela, e a vejo bastante deslocada na trama. Se nem mesmo Gunnar se importa com os anseios e aspirações de Zoey, quem mais se importaria? Menção honrosa para o machismo e a babaquice colossais do nosso compositor favorito, quando diz à namorada que ela deveria se contentar em ser sua namorada e assistir seus shows da tão cobiçada primeira fila. Seriously, Gunnar? Quando lembramos que outro dia ele a comparou com Scarlett, não fica difícil concluir que este romance não tem um futuro muito promissor. O que será de Zoey, então? Pensando por este lado, uma carreira como backing vocal até que não é uma má ideia. Ainda mais porque a atriz Chaley Rose, intérprete de Zoey, tem uma bela voz e poderia dar mais certo quem sabe dando mais ênfase a uma possível carreira musical do que a seus relacionamentos fracassados.

Scarlett1

E o que dizer de Scarlett, então? Com ela, é sempre assim: one step forward, two steps back. Sem Liam, a personagem novamente se perdeu e ficou à deriva. Numa tentativa desesperada de acompanhar o ritmo alucinante de sua nova carreira, Scarlett se agarrou com todas as forças à válvula de escape errada e está rapidamente se tornando uma viciada em remédios controlados. Até quando a veremos nesta espiral destrutiva? Aquela incômoda sensação de que desconstruíram – e destruíram! – a personagem ainda me acompanha. Scarlett não consegue lidar com o que a carreira exige dela, e continua variando entre o amor e o ódio pela profissão. Até onde ela será capaz de se sacrificar? Que preço estará disposta a pagar por isso? Pelo menos vimos que aqueles que realmente a conhecem e se importam com ela já perceberam que tem algo estranho, fora do lugar. Deacon, Zoey, Avery, e até mesmo Juliette… Todos ficaram surpresos com suas atitudes tão atípicas. E Liam, que papel terá nisso? Ele será a salvação ou a perdição de Scarlett?

Seu tio Deacon, por sua vez, teve um episódio bastante movimentado. Eu tinha certeza absoluta que o fato de Megan estar ajudando Teddy na investigação do assassinato de Peggy traria ainda mais conflitos para os dois, afinal, não basta brigar “apenas” pelo amor de Rayna e Maddie.

TeddyMegan1

“Por isso você está comigo. Sou esse bêbado esquentado que você seduziu para satisfazer seu complexo salvador. (…) Estou falando de você se trancar em salas com pessoas que tem problemas para se sentir melhor consigo mesma.”

Confesso que fiquei um tanto assustada com a reação de Deacon. Ok, a cena que ele interrompeu entre Teddy e sua namorada dava margem a muitas interpretações, mas precisava tanto? Assim como vimos acontecer no episódio em que ele foi pressionado por sua nova gravadora, é nessas horas que percebemos o quanto ele se sente inseguro e indigno da felicidade e do amor. Sempre procurando razões para desconfiar de Megan e de seu amor por ele, sempre à espreita de um motivo para arruinar tudo. E vocês? Também veem as intenções de Megan com desconfiança? Acham que ela só está com ele por pena, por um desejo de “consertá-lo”, ou – para usar as palavras de Deacon – porque ela é “viciada em tragédias”? Eu acho que não. De uma vez por todas, Deacon precisa aprender a ser feliz. (e eu sinceramente espero que Megan não abandone o caso por causa deste mal-entendido.)

O casal fez as pazes na gravação de seu álbum de estreia como artista solo no Bluebird. Tudo terminou bem. Mas… Por quanto tempo? Apesar de achar que Megan faz um bem enorme a ele, sinto que este romance também está fadado ao fracasso. Ouvir a voz de Charles Esten, por outro lado, é sempre um privilégio. Linda voz, belíssima canção. Um brinde à carreira solo de Deacon, por favor!

Nashville entra em novo hiatus e retorna com um episódio inédito e cheio de emoções no dia 26 de fevereiro. Qual será o destino de Lamar?

 

A má notícia é que a audiência da série continua oscilando, e nesta semana novamente registrou números muito baixos, com pouco mais de 5 milhões de telespectadores e 1.3 na demo. Essa inconstância nos índices é angustiante, e nós ainda sofreremos por mais alguns meses até que seja anunciado o destino da série. Cancelamento à vista ou renovação? Torçamos!

Até a volta!

Séries citadas:

é Analista de Relações Internacionais, graduada em Direito pela Faculdade de Direito de Curitiba e em Letras pela UFPR. Apaixonada por livros, música e séries de tv, será eternamente uma "Garota Gilmore", mas também assiste The Good Wife, Castle, Orphan Black, Grey's Anatomy, Hart of Dixie, Nashville, Parenthood - entre um milhão de outras - e jura amar todas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Log In or Create an account