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Reviews

Nashville – All Or Nothing With Me

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Série: Nashville
Episódio: All Or Nothing With Me
Número do Episódio: 2x21
Exibição nos EUA: 07/05/2014

Já podemos comemorar, Nashies! Depois de muita espera, muita especulação e muitas incertezas (cortesia da ABC), já que a audiência da série patinou por grande parte desta temporada, na última sexta-feira (9) recebemos a aguardada notícia da renovação da nossa amada Nashville para uma terceira temporada completa, com 22 episódios. Let’s celebrate!

Passada a euforia, entretanto, é preciso dizer que o episódio dessa semana foi apenas morno. O que não é exatamente um problema, se considerarmos a grande carga emocional de seus antecessores, com o surto psicótico de Scarlett e suas consequências tomando grande parte da trama. All Or Nothing With Me foi como uma breve calmaria antes da tempestade que promete ser esta season finale.

Quer dizer, calmaria para todos, EXCETO para Juliette, que começa o episódio com uma enorme ressaca moral pela atitude autodestrutiva, egoísta e – por que não? – babaca que tomou no episódio da semana passada. Nem toda a água do mundo seria capaz de lavar a sua alma e a sua vergonha neste momento, e ela sabe disso. E esse é o seu maior defeito: Juju não sabe encarar seus problemas de frente. Como disse na review passada, não achei nada justa a maneira como ela foi tratada por todos na ocasião do surto de Scarlett, e isso inclui o próprio Avery e suas atitudes incoerentes. Juliette foi ignorada, descartada, e reagiu da única maneira que sabe: fazendo besteira. A autodestruição parece ser sua amiga de infância, mas desta vez a besteira em questão tomou proporções épicas. Jeff Fordham? Não me conformo.

Mas não se enganem: não estou defendendo a atitude de Juju. Só me incomoda essa involução da personagem a esta altura do campeonato justamente porque ela parece estar em um eterno ciclo vicioso, repetindo os mesmo erros again and again and again… Até quando, Juju? Aliás, não sei o que me incomoda mais: o fato de ela ter escolhido Jeff Fordham – entre todas as pessoas do mundo! – para ser seu “cúmplice” nesta estupidez, ou se foi a traição a Avery. Poxa, depois de tudo o que eles passaram juntos, depois de toda a cumplicidade, amizade e lealdade de Avery, depois de tudo o que ele representou para ela e para a sua evolução, fica muito, muito difícil engolir ou perdoar este “deslize”.

O fato de Avery pedir perdão pela maneira como a vem tratando já logo no início do episódio não tornou as coisas mais fáceis para ela; a culpa está devorando-a. Avery, todo arrependido e apaixonado, sabe que algo está errado, que a namorada está distante, mesmo apesar das garantias de Juliette de que tudo está bem, e foi bastante doloroso assistir as cenas dos dois juntos e ver a dor de Juliette estampada em seu rosto. É, Juju… Quando você vai aprender que devemos arcar com as consequências dos nossos atos, custe o que custar?

E as coisas apenas se complicarão mais para ela, já que está cercada por Zoey – sua nova backing vocal, Gunnar – seu novo compositor, e o próprio Jeff Fordham, que está disposto a insistir no erro e quer a todo custo trazê-la de volta para a Edgehill Records. Que essa história não vai acabar bem, já temos certeza, mas… Como Avery irá descobrir a traição de Juliette? Achei bastante louvável (apesar de delicada) a decisão de Gunnar de contar a verdade ao amigo (podemos chamá-los assim? Quem diria!), mas com a carreira de Zoey em jogo, a cautela falou mais alto… Será que Avery se sentirá traído também por Gunnar e Zoey? O que vocês acham?

JulietteAvery

Por outro lado, um arco que vem me incomodando bastante é o que envolve toda a vida profissional de Juju. Gente, sério mesmo que as rádios de Nashville AINDA não querem nem saber de ouvir o nome dela, quanto mais tocar suas músicas (nem com a inestimável ajuda de Charlie Wentworth)? Este arco, abordado semana após semana, já se tornou cansativo, para ser generosa. Está mais do que na hora de os tablóides e a conservadora indústria fonográfica de Nashville encontrarem outro bode expiatório, até porque, o que diabos mais Juliette pode fazer para se reinventar? Quantas maneiras possíveis de redenção existem para ela? Don’t Put Dirt On My Grave Just Yet, como Rayna bem apontou, é mais do que uma grande canção, é uma afirmação. Get over it, people!

E Luke, feridas no Afeganistão à parte (??), contribui para que o boicote à Juliette continue, impedindo-a, a princípio – e para surpresa de Rayna –, de participar de seu show tributo ao exército americano. Ainda bem que este foi apenas um pretexto para conhecermos um pouquinho mais do passado de Juju. E, mais uma vez, sua história nos deixou de coração partido. Ficamos sabendo que o seu pai era um “Falcão Negro”, piloto do exército americano, que morreu em treinamento quando ela tinha apenas 4 aninhos. Poxa, a vida realmente não deu muitas tréguas para a pequena Juliette, hein? Pelo menos essa história foi suficiente para amolecer o coração endurecido de Luke, que não só a reconvidou para seu show, como também fez um dueto com ela. A música escolhida? Don’t Put Dirt…, claro!

Luke, aliás, também vem me incomodando muito com suas atitudes (talvez até por eu nunca tê-lo considerado um personagem necessário ou mesmo carismático). Acusar Rayna de organizar aquele show apenas para promover a Highway 65 foi um pouco longe demais, não? Ele claramente duvida do amor que ela sente por ele. E nisso, para falar a verdade, acho que está coberto de razão. Apesar dos pesares, não vejo a nossa rainha do country realmente apaixonada por ele.

No mais, todo aquele arco envolvendo um acidente no Afeganistão (!!) foi meio bizarro e deslocado. Aliás, em uma opinião bastante pessoal, sempre acho estas homenagens efusivas ao exército americano um tanto quanto pedantes, e nem mesmo a participação especialíssima de Michelle Obama conseguiu me convencer do contrário. Pelo menos foi um belo show – olá, Kellie Pickler! –, e serviu como pano de fundo para aqueles que considerei os melhores momentos do episódio.

RaynaDeacon

O primeiro deles foi justamente o acerto de contas entre Deacon e Rayna. A aproximação entre ele e Maddie trouxe à tona várias perguntas e inseguranças, como era de se esperar. Deacon não consegue sequer se lembrar onde estava na noite em que sua filha nasceu, e foi justamente neste momento que teve clareza suficiente para entender a decisão que Rayna tomou todos aqueles anos atrás. Ela fez o que precisava ser feito para proteger sua filha, e agora Deacon consegue aceitar e acolher esta decisão. Afinal de contas, naquele momento conturbado, ela fez a única coisa certa.

“Eu disse que nunca iria perdoá-la por não ter me contado [sobre a Maddie] há 14 anos, e não vou perdoar. Porque isso significaria que você fez algo errado. E você não fez. Só estava protegendo a nossa garotinha. Finalmente entendi isso. Tudo o que eu fiz foi transformar isso num inferno, então me desculpe. Eu sou grato.” – Deacon

TeddyDeacon

Rayna também ficou grata por, enfim, receber a compreensão do pai de sua filha. E isso me traz àquele que foi, de longe, o meu momento favorito do episódio: o acerto de contas entre Deacon e Teddy. E foi uma brisa de ar fresco vê-los, enfim, agindo como os adultos que são. Foi lindo ver Teddy deixar aquela postura defensiva e tantas vezes babaca de lado para pensar no bem-estar de Maddie. Deixou a menina ir dormir na casa de seu pai biológico, e teve toda a paciência do mundo para acalmar o coração angustiado de Daphne quando ela precisou. Acho que esta foi a primeira vez que tivemos a oportunidade de ver um lado mais humano de Teddy. Claro que o reconhecimento de Deacon de que ele criou uma menina maravilhosa ajudou a acalentar seu coração magoado, mas vê-lo baixar a guarda e compartilhar com Deacon a noite do nascimento de Maddie foi muito emocionante. Por um Teddy mais humano, por favor!

“Você criou uma garota e tanto, Teddy. E estava lá para tudo isso. Eu só queria saber o que perdi.” – Deacon

“… Maddie nasceu um pouco antes do sol nascer. Ela já saiu chorando. Cara, ela tinha um belo par de pulmões. Ainda tem (…) Naquele momento… Era um amor que eu nunca tinha conhecido.” – Teddy

O final do episódio foi um enorme presente para os fãs da série: Rayna, Maddie, Daphne e Deacon, juntos no palco, como uma grande família feliz, cantando A Life That’s Good. Lindo, lindo, lindo (mesmo com a carinha contrariada de Teddy na primeira fila). Quem sabe um dia essa família ainda não tenha uma chance de ser feliz (inclusive com Teddy)? Eu quero muito acreditar nesse final perfeito para eles.

HappyFamily

Enquanto as coisas caminham bem para uns, nem tudo são flores para Scarlett. Como voltar para sua vida “normal” depois do que houve? Scarlett está lutando para devolver à sua vida algum senso de normalidade, mas ainda está incerta sobre o que fazer. De volta ao Bluebird, se deu conta de que aquele não é mais o seu lugar. Depois de todas as experiências sob os holofotes, Scarlett mudou, claro. Nem poderia ser diferente. E ela não demorou a perceber que sua antiga vida também não mais lhe convém. Se é verdade que ela não nasceu para ser artista, o mesmo pode ser dito agora sobre sua vida antiga. A verdade é que ela parece não pertencer mais à lugar algum. Desconstruída – e destruída –, o que Scarlett precisa agora é de uma transformação radical, e ela sabe disso. Será que a veremos mesmo ir embora de Nashville para que tenha a chance de um recomeço? De qualquer forma, foi ótimo vê-la mais tranquila, serena, e feliz pela conquista de Zoey. Um alívio, na verdade.

Para terminar, Will, Layla e seu reality show. Os avisos em tom de ameaça de Jeff Fordham ressoam incessantemente como um alarme na mente de Will, e logo vem a constatação do óbvio: com aquela quantidade insana de câmeras pela casa seguindo todos os seus passos, ele não será capaz de esconder quem é de verdade. A irritação, o mau-humor, a impaciência, o seu desamor à Layla, o personal trainer que lhe deu o número de telefone… Tudo caminha para uma revelação… bombástica? Não… Tudo neste arco é óbvio, monótono e não tem nada a acrescentar à série. Os roteiristas bem que podiam nos fazer um favor e mandar Will e Layla para longe de Nashville no lugar de Scarlett, não?

Amanhã teremos a season finale desta segunda temporada, e o episódio promete fortes emoções:

 

Até a semana que vem! E comemoremos: a terceira temporada vem aí!

 

Séries citadas:

é Analista de Relações Internacionais, graduada em Direito pela Faculdade de Direito de Curitiba e em Letras pela UFPR. Apaixonada por livros, música e séries de tv, será eternamente uma "Garota Gilmore", mas também assiste The Good Wife, Castle, Orphan Black, Grey's Anatomy, Hart of Dixie, Nashville, Parenthood - entre um milhão de outras - e jura amar todas.

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