Log In

Opinião Spoilers

Monk: cem episódios depois

Pin it

Cena de Monk

Monk para mim transcende tempo e espaço. É atemporal. É o que eu sinto quando me deparo com a realidade de que a série alcançou a marca de 100 episódios. É um sentimento paradoxal. São só 100? Porque Monk está a tanto tempo no ar (desde a época que o Universal Channel era USA) e é tão clássica e deliciosamente demodê que parece que nos acompanha desde sempre. A recém chegou nos 100? Porque, por outro lado, a cada início de temporada (e em razão da forma como a série é produzida, é como se tivéssemos cerca de dois inícios de temporada por ano) Monk ainda parece fresca e jovem, como se estivesse estreado a pouquíssimo tempo.

Eu sei que tem uma penca de gente que não gosta de Monk. E é até compreensível. É uma série que não se preocupa em desenvolver personagens. Que repete uma mesma fórmula a exaustão. Que não tem personagens com os quais possamos nos identificar. É polícial, mas é cômica. É cômica, mas não tem um humor muito sofisticado. O que não compreendo é como tem gente que não gosta do Tony Shalhoub. Ele é simplesmente o melhor ator de comédia da TV americana desde que Kelsey Grammer pendurou os mocassins de Frasier, e 100 episódios depois continua mantendo a mesma performance impecável a cada nova cena de Adrian Monk.

A esta altura Tony Shalhoub deveria ser hour-concours em premiações. São seis indicações ao Emmy Awards e as três estatuetas – e a certeza que sua presença na lista de indicados continuará enquanto a série permanecer no ar. Pra mim quem torce o nariz para Tony Shalhoub o faz por despeito – afinal são seis anos tirando estatuetas da mão do Charlie Sheen ou do Matt LeBlanc e roubando indicações de Zach Braff, do David Duchovy ou do Matthew Perry. Sinto muito, mas absurdo mesmo seria Tony Shalhoub não ser indicado.

Recebi para avaliação o DVD com o 100º episódio de Monk e, bom, digamos que o episódio O Centésimo Caso de Monk (Mr. Monk’s 100th Case) reacendeu minha admiração pela série. É um dos melhores episódios comemorativos que eu já vi, uma bela homenagem a história da série. Repleto de convidados especiais, o episódios é construído por três acontecimentos paralelos – cenas de um documentário que mostra Monk resolvendo seu centésimo caso, entrevistas com pessoas que conhecem Monk e a festa que o jornalista, interpretado pelo competente Eric McCormack, faz para comemorar o programa. O episódio merecia ser mais longo, para dar tamanha a intensidade dos acontecimentos.

Ok, ele é meio previsível. Mas vale pela oportunidade bacana de rever uma dezena de personagens que passaram pela série: o premiado John Turturro reaparece como Ambrose Monk, assim como a indicada ao Emmy Sarah Silverman com a fã número um Marci Maven; a esposa de Shalhoub, Brooke Adams, que já teve diversos personagens na série, repete o papel da comissária de bordo Leigh Harrison; Kathryn Joosten é a babá, que aparece para dizer que Monk quando criança trocava as próprias fraldas; Tim Bagley reaparece como Harold Krenshaw, o adversário de terapia de Monk; e temos ainda algumas das vítimas do detetive, interpretados por Sharon Lawrence, Ricardo Antonio Chavira, Angela Kinsey, David Koechner, Howie Mandel e Andy Richter. A graça está em puxar pela mente e lembrar quem são estes personagens e seus crimes.

O esforço para colocar estes talentos todos na tela é elogiável. Mas, claro, a gente obviamente se pega pensando nas ausências – mas este também é o charme do episódio. Stanley Tucci, que ganhou um Emmy por Mr. Monk and the Actor podia estar ali. Jeffrey Donovan, da série Burn Notice (que é do mesmo canal USA), podia reaparecer como o vilão de Mr. Monk and the Astronaut, pra mim o mais notável criminoso que passou pela série. E claro, fã que é fã de Monk ainda sonha em rever Bitty Schram como a inesquecível assistente Sharona Fleming.

Felizmente, Monk terá um oitavo ano. Ainda é possível sonhar com este reencontro. Ou quem sabe um filme depois que a série terminar? Porque quem realmente gosta de Monk não enjoa e não cansa. E depois do 100º caso com certeza vai se pegar imaginando como seria o 200º programa.

* * *

O episódio número 100 de Monk vai ao ar neste domingo (7/12), às 19h no Universal Channel. O programa não terá reprise na madrugada. É esperada uma nova reprise no primeiro domingo de fevereiro de 2009.

Séries citadas:

É jornalista, pós-graduado em Jornalismo Digital pela Pucrs e trabalha com produção de conteúdo para Internet desde 1995. É editor de internet do Jornal do Comércio, de Porto Alegre. Fundou o TeleSéries em agosto de 2002. Na época, era fã de The West Wing, The Shield, Família Soprano e Ed. Atualmente é viciado em The Good Wife, NCIS, Game of Thrones e Parks and Recreation.

13 Comments

  1. Ângelo Romão

    Paulo,

    o segundo parágrafo do texto traduziu precisamente a relação da série com o telespectador casual (eu estou incluído nessa categoria). Monk não é tão cativante e nem fideliza muita gente por causa de tudo isso, mas ninguém tem o direito de revirar os olhos a cada vez que o Shalhoud ergue uma estatueta. O cara é muito bom no que faz.

  2. segundotorres

    Concordo em parte com o que você falou, Paulo Antunes.
    Monk sem dúvida é incrível, mas eu não a vejo muito como uma série cômica, a maioria das pessoas que dizem que não gostam da série olham a série dessa maneira, apenas uma coisa cômica, mas é muito mais que isso, ela mostra o drama, o problema do personagem, suas fobias, que hora são cÔmicas, hora não.
    Quando você disse que a série não trabalha os personagens, bem, isso é comum nas séries de investigação, que não costumam trabalhar com coisas pessoais dos personagens, e sim trabalham com casos em cada episódio. Mas aí está a questão, não creio que Monk seja como as outras, pois eles exploram sim o personagem, justamente nas fobias, mas não apenas o lado cômico, pois em vários nomentos podemos ver que ele tem uma luta psicológica tremenda em tentar aceitar aquilo, e mostra alguns momentos de “lucidez”, exemplo disso é o episódio em que ele toma umas pílulas, e fica sendo “normal”, mas tudo não passa de uma ilusão, pois tudo volta ao normal no fim, isso que acho incrível na série, os detalhes que ela nos mostra, tanto nos casos, quanto na doença dele, são inigualáveis, é uma série que se cancelada, fará falta, mas felizmente não fica sem fim, a única coisa que TEM QUE SER ESCLARECIDA, é a morte da nossa querida Trudy.
    Mas em relação ao ep 100, assumo que me decepcionou, não achei graça nele, não graça(hahahah), mas graça em ser interessante, e é raro um ep de Monk ser assim. Mas toda série tem seus eps meio inferiores comparados aos outros.
    Mas Monk estará sempre comigo, uma das únicas que faço questão de ter original, já tenho 4 temporadas originais, e será a única que posso abrir exceção e voltar a traduzir um dia, mas fiz uma promessa a mim mesmo, o último ep, que deve ser da próxima temporada, provavelmente será exibido em fevereiro de 2010, irei sim traduzir, com a companhia dos meus queridos colegas, que não vou citar nomes, mas quem acompanha legendas, e sabe quem traduz Monk, sabe de quem estou falando.
    E caso o site queira uma pessoa para fazer review de MOnk, me proponho, não sei se vocês já tem, mas eu faria o review com todo prazer.

  3. Luciano Cavalcante

    Uma coisa que sempre me chamou a atenção em Monk – e me choca até hoje – é que os assassinos que aparecem ali, são os mais crueis que eu já vi em alguma série – mesmo as policiais, em que o vilão tem alguma razão quase nobre – em Monk eles matam pelos motivos mais egoistas possíveis. Parabens aos autores.

  4. Ângelo Romão

    Ótima celebração. O episódio foi muito legal, surrealismo à parte (afinal, é Monk). Como é bom rever o Eric McCormack. Saudades…

    Meus momentos preferidos, com certeza, foram esses dois: a recepção hilária daquele garçom vampiro (“por que você está falando assim?”). E a namorada do cara reconstituindo uma morte por facada – e sendo aplaudida no final por se fingir de morta mais uma vez (“é a força do hábito”).

    Sem falar que o programa “In Focus” fez uma boa retrospectiva para o espectador novato. E aquele final, em que a Natálie observa que na verdade são 101 casos e não 100 foi uma ótima maneira de fechar o episódio.

  5. KJr.

    Impossível não admirar um protagonista que tem ‘medo de leite’… Adoro Monk!

  6. [S.E.P]Diego M.C

    È incrível como não dá para enjoar dessa série…Monk consegue ser uma ótima série…

  7. Fernando dos Santos

    Eu também acho que o Tony Shaloub mereceu todos os prêmios que ganhou por Monk e espero que após o final da série ele não desapareça, como aconteceu com vários protagonistas de séries longevas e que hoje andam sumidos.

    Quanto a série, eu gosto do ar demodê que ela carrega embora muitos vejam nisto um defeito.Ela me faz lembrar das comédias policiais dos anos 80 como Faro Fino e Remington Steele.
    No entanto, eu gostaria que seus realizadores fizessem mais episódios duplos, coisa que até hoje eu acho que só aconteceu duas vezes.Uma foi no piloto e outra no término do sexto ano.

    E também queria ver um crossover com Psych, que também é do USA.

  8. ana melo

    Já perceberam que todos temos um pouco de Monk??
    eu amo o Tony Shalhoub eu amo o Monk.

  9. Fátima Ap. Bergamin

    eu sou apaixonada pelo Monk, gostaria que continuase a passar na tv (aberta) sinta das trapalhadas dele

  10. Carlos Benethi

    Monk é a melhor série de todos os tempos, inteligencia, humor e raciocínio lógico misturados a uma simplicidade genial.
    Uma série assim, nao deveria acabar nunca.
    O bom gosto agradece ao Sr. Monk por fazer da tv um lugar em que ainda existe vida inteligente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Log In or Create an account