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Mark Gatiss fala sobre ‘Sherlock’ e ‘Doctor Who’ em evento com fãs em São Paulo

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Se pudéssemos usar essa classificação, seria adequado dizer que Mark Gatiss é um típico inglês: o porte elegante, o cavalheirismo, o sotaque charmoso e o senso de humor repleto de sarcasmo são marcas facilmente perceptíveis no ator/autor/roteirista.

Nos pouco mais de 40 minutos que conversamos com Gatiss, o brilhantismo do britânico ficou bem evidente, e ficou ainda mais compreensível o sucesso de suas produções, desde The League of Legends (o que pode explicar a veia cômica), passando por A History of Horror, Horror Europa, Doctor Who e culminando em Sherlock.

Logo de cara, uma das perguntas direcionadas ao profissional multi-tarefa já fez referência à presença maciça dele em programas bastante ligados à cultura pop, ressaltando a participação dele em Game of Thrones (Gatiss irá interpretar  Ticho Nestoris na 4ª temporada do show). Mark brincou, então, que tem planos de dominar a cultura pop, sim, e que ser o “Imperador de ambos os universos” soava como um bom plano de aposentadoria para ele.

Na sequência, às referências à season finale da 3ª temporada de Sherlock foram inevitáveis. O co-criador do seriado foi questionado sobre um possível retorno de Moriarty à série, e se esquivou da pergunta com um sorriso no melhor estilo “você está querendo demais, não vou entregar o ouro aqui”. Mas respondeu sobre a ligação entre os irmãos Holmes, e falou que não devemos esperar, pelo menos por enquanto, um relacionamento mais próximo dos dois (aqui, a expressão foi mais como um “e isso é óbvio, devido aos acontecimentos da série, vocês não assistiram?”. Hilário).

Falando sobre as semelhanças entre as personalidades de Holmes e do Doctor de Matt Smith, Gatiss ressaltou que apesar de pontos em comum, acredita que os personagens são bastante diferentes “O Doctor é um anjo que quer ser humano. Sherlock é um humano que acredita ser um anjo”. O co-criador de Sherlock ainda brincou dizendo que as semelhanças podem ser explicadas pela grande coincidência entre produtores e roteiristas dos dois seriados, arrancando risadas da platéia. Mas depois, falando sério, pontuou sobre as diferentes aspirações e problemáticas dos personagens, pontuando a vontade de pertencer à humanidade de um, em contraponto à impressão de não pertencer à humanidade de outro.

Aliás, foram vários os momentos de riso (legítimo e espontâneo). Questionado sobre os boatos de que substituiria Stephen Moffat como showrunner de Doctor Who após a 8ª temporada da série, bem como sobre a permanência de Peter Capaldi como o Doctor por apenas uma temporada, Gatiss riu e falou que boatos são como as teorias de Nostradamus: mesmo que eles nunca se concretizem, as pessoas seguem acreditando neles. Mark ainda disse que não vê qualquer fundamento nessas suposições, e que Moffat pretende continuar à frente de Doctor Who por um longo tempo – o que ele espera que se confirme.

Ainda falando sobre Doctor Who, Gatiss, ao responder o questionamento sobre como a produção da série recebeu o sucesso que o especial de 50 anos fez ao redor do mundo – especialmente aqui no Brasil -, falou que embora não estivesse ligado diretamente à produção do especial (“você deveria perguntar isso ao Stephen”) (para as comemorações, ele produziu e roteirizou An Adventure in Space and Time, episódio especial de 90 minutos sobre que fala sobre a gênese de Doctor Who), ele soube que toda a produção do especial ficou bastante assustada e agradecida com a repercussão que o episódio teve. Gatiss ainda brincou sobre o sucesso quando fez uma cara de surpresa/humildade e soltou um “you know, it’s Doctor Who!“.

Sobre o feedback quase que imediato que os produtores recebem do público através das mídias sociais, Gatiss disse que isso pode ser “um inferno“, já que os fãs geralmente querem que o show seja conduzido de acordo com sua vontade, e que isso não vai acontecer. Mas ele também ressaltou que há uma parte muito boa dos comentários nas redes sociais: o estímulo de fazer sempre melhor. Para Mark, ele, os roteiristas e os atores, ao lerem coisas do tipo “Sherlock é a melhor série do universo”, se estimulam a manter os comentários positivos na semana seguinte. Com isso, a série acaba se mantendo sempre em um patamar elevado.

O ator brincou sobre a fama do elenco de Sherlock ao ser questionado sobre a possibilidade de temporadas mais frequentes e maiores do seriado: “nosso elenco é de superstars”, se referindo à Martin Freeman e Benedict Cumberbatch, que tem carreiras sólidas e promissoras no cinema.

Ainda falando sobre a relação que os fãs tem com suas séries favoritas, Mark abordou a dificuldade que os telespectadores tem para seguir em frente quando um seriado acaba ou determinado ator deixa uma produção. Gatiss citou a comoção que a saída de David Tennant e Billie Piper gera até hoje entre os whovians, e sobre a dificuldade que o público tem em entender que esses atores seguiram seu caminho e um retorno deles à Doctor Who (exceto em episódios especiais, como o de 50 anos) é bastante improvável. Mark ainda citou produções como The West Wing e Breaking Bad quando se referiu à vontade que os fãs tem que suas séries favoritas sejam eternas. Mas falou que assim como atores e produtores, o público também precisa “deixar as produções irem”.

E Mark Gatiss ainda saciou a curiosidade dos fãs, revelando seus episódios favoritos de Sherlock (não sem antes deixar claro que como “pai”, ama todos os 9 episódios da série), e de Doctor Who (entre aqueles que roteirizou). A Scandal in Belgravia (a season premiere da 2ª temporada de Sherlock) e The Crimson Horror (o episódio 238 de DW) foram os escolhidos.

Depois da coletiva, Mark ainda participou de uma espécie de bate-papo com cerca de 600 fãs que lotaram a Livraria Cultura. Quando o britânico apareceu, a impressão era a de um gol em uma final de copa do mundo: gritaria, histerismo e comoção. Antes de vir ao Brasil, Gatiss declarou estar “ansioso para encontrar os fãs brasileiros de Doctor Who e Sherlock”. Ocorrido o encontro, resta a certeza de que este é um dia que Mark nunca mais esquecerá. Nem seus ouvidos.

Séries citadas:

Editora Chefe do TeleSéries, gasta boa parte da sua semana com séries. Sua estréia foi com ER, e atualmente assiste - entre várias outras - Grey's Anatomy, Game of Thrones, Suits, Castle e Rookie Blue. Ainda assim, arrumou um tempinho para maratonar Friends, The X Files e Chuck - pela qual se apaixonou, recente e irremediavelmente. Está saindo da crise de abstinência de Fringe graças à Orphan Black.

1 Comment

  1. biancavani

    Adorei o bom humor, as tiradas inesperadas, a clareza e honestidade da sua fala. E de fato, Mark é praticamente um Sir – só falta a cerimônia de entrega do título.
    (e será mesmo inesquecível esse encontro com os os whovians brasileiros… mas no mau sentido, rs.

  2. Pingback: ‘Doctor Who’: Steven Moffat, Peter Capaldi e Jenna Coleman farão turnê que terminará no Brasil

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