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Memória

Lembranças da ‘Popular’ época de escola

Todos os dias vou para o trabalho de ônibus. Prefiro a linha que me permite ficar mais dez minutos em casa, é claro. Em janeiro consegui fazer meu gosto. Quando fevereiro chegou, o tal ônibus ficou lotado, abarrotado de adolescentes uniformizados, munidos de suas enormes mochilas e celulares. Sim, as aulas voltaram. Chegar à porta e descer do veículo virou uma missão. Depois de uma semana naquela vida, irritada, voltei a pegar a linha que passa antes do “busão” dos estudantes.

Então me dei conta que não tem muito tempo eu era a adolescente que andava em bandos de uniforme e cadernos na mão. O sinal soava estridente e eu ainda do outro lado da rua, atrasada como sempre. Os lugares preferidos na hora do intervalo foram mudando ano a ano, a escada, depois o portão da quadra e então o jardim entre os blocos de salas. As gincanas, os trabalhos em cartolina, a professora de filosofia dançando na chuva, farinha nos ventiladores… os amigos!!!

Por mais que o tempo passe e as gerações mudem, o período de escola é sempre marcante. Algumas peculiaridades aqui, outras ali. Mas no fundo, popular em nossas vidas. O que eu sei sobre a vida de estudante para dizer isso? Nada além do que vivi. E assisti.

Sim, as séries televisivas sobre o universo escolar também me deram aula. Me ensinaram, entre outras coisas, que popularidade não é felicidade e que amizades verdadeiras podem nascer entre os mais diferentes seres. Você pode até dizer que isso é clichê, mas pode dizer que não é verdade? A série Popular apostava nessa premissa e não por acaso deixou um legado.

Era uma vez…

Brooke McQueen (Leslie Bibb) é a garota mais popular da escola: linda, loira, líder de torcida. Suas amigas, igualmente loiras e populares são a malvada Nicole (Tammy Lynn Michaels) e a engraçada e rica Mary Cherry (Leslie Grossman).

Mas nem só de loiras vive o colégio Kennedy High! Sam McPherson (Carly Pope) é a morena, editora do jornal da escola e nada popular. Ao lado dela a ativista Lily (Tamara Mello) e a ingênua Carmen (Sara Rue) que sonha em ser uma líder de torcida e sofre com a implicância dos populares por estar acima do peso.

Também há garotos nessa história, sim. O popular Josh (Bryce Johnson), namorado de Brooke, é a estrela do time da escola. Michael (Ron Lester), apelidado de Sugar Daddy por causa de seu peso, também é do time e é o melhor amigo de Josh. O nerd Harrison (Christopher Gorham) é o melhor amigo de Sam e “secretamente” apaixonado por Brooke.

É claro que eles tinham que se cruzar nos corredores do colégio. E aí, já viu, né? Competições, intrigas e apostas.

As vidas deles se misturam também fora do convívio escolar. E quando Mike McQueen, (Scott Bryce) o pai de Brooke, e Jane McPherson, (Lisa Darr) mãe de Sam, decidem se casar as garotas são obrigadas a dividirem o mesmo teto e acabam percebendo que têm mais em comum do que imaginam.

Com o tempo esse pessoal vai encontrando novos caminhos. Josh, por exemplo, decide ser ator do musical da escola. Carmen, finalmente, se torna uma líder de torcida. Eles vão crescendo. A primeira vez. O pânico da possibilidade de estar grávida. Vão achando respostas. A professora ruim talvez não seja tão má assim. Mudar a cor do cabelo não vai mudar quem você realmente é. Vão encarando graves situações. Problemas familiares. Distúrbios alimentares. Leucemia. Consolidam amizades e descobrem outras. Amadurecem.

…e então…

Apesar do nome sugestivo, Popular não teve audiência suficiente para manter-se no ar por mais de duas temporadas. O seriado estreou em setembro de 1999 e foi cancelado abruptamente em maio de 2001, deixando a história sem um final. Por aqui ficou conhecida como Popularidade e chegou a ser transmitida em TV aberta, pelo SBT.

De Ryan Murphy e Gina Matthews, a série defendeu a diversidade, usou e abusou de personagens cativantes, um humor extravagante e lições de morais a perder de vista. Sem dúvida, Murphy sabe explorar a complexidade de ser um adolescente estudante, e não a toa é hoje responsável pela bem sucedida e queridinha do público adolescente da atualidade Glee.

Na época em que Popular foi ao ar não se falava em bullyling. Mas é claro que desde que o mundo é mundo, adolescentes implicam um com o outro. As panelinhas sempre existiram e os rótulos também. Eu mesma, por exemplo, era conhecida com a garota do grupo de teatro, a líder de sala da classe “x”, a amiga de fulana e de beltrano. Mas as coisas pareciam mais leves do que vemos hoje. Talvez seja apenas a minha impressão saudosista daqueles dias.

É bem provável que chegue um dia (se é que já não chegou), no qual eu não me lembre mais das fórmulas de física e nem dos elementos da tabela periódica. Mas não esquecerei que foi na escola que construí as amizades que carrego comigo até hoje

…e além.

Séries citadas:

25 anos, Jornalista formada pela Unesp/Bauru. Responsável pela Coluna Memória. Adora um bom livro e não dispensa uma boa música. Mas, confessa que é viciada em séries desde que se conhece por gente. Friends, Angel, One Tree Hill... Game of Thrones, Hart of Dixie, Arrow, The Vampire Diaries, The Originals...

20 Comments

  1. Camila Oliveira

    Belo texto!

    Lembro de acordar cedo aos domingos só para assistir Popularidade no SBT. Foi uma das primeiras séries em que fui realmente viciada. Ainda quero baixar e ver todos os episódios e só não fiz isso ainda porque saber que não teve final desanima um pouco.

    Sobre a série em si, eu shippava demais Brooke e Harrison e Sam e Josh. Mary Cherry era a minha favorita. Dava muita risada com ela. Ai, ai, bons tempos mesmo…

  2. Igor

    Adorei o artigo. Bateu aquela saudade… eu era viciado e gravava em Fitas pra poder assistir depois… achei a primeira temporada pra download e vou baixar.

  3. marquinho

    nossa muito show a coluna, o texto ficou belissimo. cativante.. parabens

    eu nao era fã de popular na epoca, lembro q nao curtia a temp 1 e fui gostar da serie e acompanhar na temp 2 e dae cancelou. q pena… ri muito do episodio satira de eu sei o q voces fizeram no verao passado com a Mary Cherry (Leslie Grossman). esse episódio foi hilario..

    se alguem souber onde baixar, avisa ae.. hehhee abraço

  4. Pablo Biglia

    A melhor personagem era Mary Cherry, de longe. Lembro do episódio em que a Lily e a Srta. Glass foram em uma reunião LGBT e na saída foram espancadas. Foi um episódio chocante, que marcou muito.

    Saudades de séries assim. Aquela série gostosa de assistir no SBT num domingo de manhã (hoje só 2 Broke Girls me faz sentir assim).

  5. Mirele Ribeiro

    Igor, brigada! Sabe, é claro que a nova era tecnológica é bacana com download de séries e tal, mas como eu adorava gravar minhas séries favoritas em VHS e assistir depois de novo e de novo hahaha

  6. Mirele Ribeiro

    Muito obrigada, Marquinho.
    Pois é, ficou o gostinho de quero mais, ainda mais com o final tão em aberto da segunda temporada. Coisas da televisão.

  7. Mirele Ribeiro

    Como não concordar? Mary Cherry é demais!!!
    E tem isso também. Já até comentei em outros textos meus a falta que eu sinto do tempo que acompanhava seriados como Full House, Blossom e outros pelo SBT. Ainda estou em busca de alguma comédia dessas levinhas que me cative atualmente. Por enquanto vou dando umas risadas com The Big Bang Theory.

  8. Diego Cardoso

    Mirele, parabéns pelo texto. Realmente me fez voltar no tempo. Popular foi a série do começo minha adolescência, juntamente com Dawson’s Creek. Foi seu cancelamento que me fez abandonar por alguns meses o hábito de acompanhar seriados, tamanha minha revolta. Foi somente alguns meses dps, qdo descobri Smallville encerrando sua temporada da Warner, que só retornei ao velho hábito, que nunca mais deixei de lado. Há alguns anos, consegui essa série completa em dvd, gravada do canal sony, creio que minha maior relíquia televisa. Harrison era o meu espelho. Carmen era o tipo de garota que eu queria pra mim. Há, bons tempos, saudades dos meus tempos de escola…

  9. Mirele Ribeiro

    Diego, obrigada. Muito bacana seu depoimento. Amo essa capacidade que as boas séries têm de nos influenciarem, despertarem reflexões e até sentimentos, a ponto de tempos depois se entrelaçarem com nossas memórias da vida real.

  10. Igor

    Marquinho, eu to sem o link aqui, mas se vc quiser, mando o Torrent pro seu email. Tem os episodios e legendas todas da 1 temporada e da segunda só tem os episodios, sem legenda… :/

  11. luiz

    Alguém se lembra dessa série aqui:

    Essa série passava aos Domingos de manhã, antes da série
    Popularidade, por volta do ano de 2001.

    O contexto era o seguinte:

    De ínicio antes da série começar, se não me engano começava sempre assim, um
    cara dentro de um carro conversível andando por uma estrada estreita, tipo numa
    montanha, com o mar ao fundo.

    Ele, acho que engenheiro de informática, volta para sua cidade para trabalhar
    numa empresa acho que brinquedos ou coisa assim.

    Assim que chega na cidade reencontra seus pais, o irmão dele com quem acaba
    discutindo e trocando socos, por causa de alguma coisa do passado deles.

    Ele é casado e encontra uma amiga dos tempos de colégio. Uma loura muito bonita
    de cabelos cacheados. Uma paixão adolescente.

    Certo dia ela tomada por um espírito de cozinheira, faz Brownnies e leva até o
    escritório do cara.

    A cena em que ela aparece preparando os Brownnies foi muito linda. Uma
    fotografia perfeita. E dá de cara com a mulher dele.

    Então a mulher dele cerca ela na saida do escritório e diz: “Não quero que você
    cozinha mais nada para o meu marido. Nem Brownnies, tortas, podins, bolos ou
    qualquer outro tipo doce!” Ilario!

    Ao chegar em casa, o cara se depara com o seguinte cenário.

    Chocolates e doces de todos so tipos e marcas, jogados no chão formando uma
    trilha ladeada por velas até a cama deles.

    Nunca vou me esquecer daquele cena.

    Era uma séria com um clima muito gostoso de assistir.

    Bem família mesmo.

    Por favor me ajudem.

    Foram pouco capítulos mas marcou muito a minha vida…

  12. Viviane

    Mirele Parabéns! você me fez voltar no tempo, nossa o tempo passa e as vezes a gente nem se da conta, pena que o seriado nao teve um desfecho concreto… Obrigada por nos proporcionar essa viagem no tempo.

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