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Opinião

House, um balanço da sétima temporada

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Nossa colunista analisa o sétimo ano do drama médico.

Nota do Editor: o texto contém spoilers para quem assiste a série pelo Universal Channel.

Depois de uma sexta temporada que mudou o rumo de House, o médico ranzinza viciado em narcóticos já não era tão ranzinza assim e havia largado o Vicodin. Logo, a terapia mudou House. Mudou? Pois é, foi o que os roteiristas tentaram fazer. O dilema em que a série se encontrava era: como transformar House sem prejudicar o que de fato torna esse show peculiar? Eis a pergunta que David Shore não conseguiu responder.

Terminamos a sexta temporada com House e Cuddy juntos. Essa é uma daquelas decisões que costumam acabar com um seriado; Huddy é um casal que só funciona para as fantasias eróticas de House, para as piadas dele e para a dinâmica da amizade dos dois que tanto faz diferença em momentos onde ninguém mais consegue convencê-lo a trabalhar e a engolir toda infelicidade que ele alega carregar por conta da perna. Cuddy é a voz necessária da consciência de House e só.

Submeter o público a premiere da sétima temporada, portanto foi quase um crime. Eu tentava pensar que aquilo era um mal necessário e que nunca mais passaríamos por algo igual, mas aí vieram os cansativos episódios em que os dois ficaram analisando a relação. Os únicos momentos em que os dois ficavam bem juntos, por incrível que pareça, eram os que envolviam Rachel. Essa menina sabia mexer com ele como ninguém mais soube e despertava nele uma certa responsabilidade, o que na verdade deveria vir de seu relacionamento com Cuddy – e isso nunca aconteceu.

Cena de House

Cuddy conhece House há quanto tempo? Uma vida? Pois então, porque a surpresa quando ele não esteve ao lado dela quando achou que fosse morrer? Ou quando a sogra deus as caras e ele fez de tudo pra não ter que encontrar com ela? Cuddy não podia dizer que entrou nesse relacionamento pela propaganda enganosa, sabia dos piores defeitos dele e ainda assim aceitou. Então, paciência se o sapo é realmente sapo.

Esse plot, que basicamente preencheu a maioria dos episódios deste ano, e a remissão do protagonista nos custou a excelência da série. Repare bem que a partir daí nada funcionou.

A dra. Masters foi uma personagem que, em outros tempos, renderia muito mais. A sua ética, moral e recusa em se transformar em mais um brinquedo pra House é admirável e salvou muitos episódios este ano. Todas momentos em que House tinha uma idéia pra se livrar dela eram ótimos e ela na verdade ocupou o lugar vago de Cameron, trabalho que seria da limitada Olivia Wilde. A Cameron nunca foi substituída, mas Masters conseguiu atingir o chefe, colocar um pouco de relatividade em suas teorias e contribuir mais do que os outros pupilos nos diagnósticos.

Diagnósticos que, aliás, deixaram a desejar. Faltaram casos intrigantes. É compreensível que depois de sete anos os casos não tenham o mesmo impacto uma vez que a novidade passou. Mas se o House não é o mesmo e se o diagnóstico não é mais interessante, o que resta?

Ninguém mais suporta ver os três patetas se debatendo o episódio inteiro, enquanto House e Wilson estão numa disputa besta, e ao final, o gênio tem um insight e salva o paciente. No início da série, a novidade era bacana, mas o barato era ver que House não conseguia interagir com nenhum outro ser da sua espécie e montava os quebra-cabeças só pra provar que estava certo e pra ganhar um jogo (o que nem sempre significava salvar o paciente da semana). Hoje o barato se foi. Está cada vez mais chato e cansativo ver Foreman, Chase e Taub (e a Thirteen, que foi e voltou) se debatendo. E até mesmo House, porque a trama deixou de ser crível nesse sentido.

Mas porque eu ainda acredito em House?

Especialmente porque Hugh Laurie é genial em todos os sentidos. Ainda quero ver alguma coisa que este homem não saiba fazer (bem). Mesmo nos piores momentos da série, quando nada bate, ainda assim vale a pena pela extraordinária interpretação do ator.

Também acredito por causa de Robert Sean Leonard, que Deus o abençoe! Wilson some o episódio inteiro, ninguém se dá conta e aí aparece pra dizer apenas uma frase e pra mostrar que, pode até existir House sem ele (o que eu discordo veementemente), mas com ele é muito melhor.

O texto é excelente, é provocador, é cru e não tem o viés de lição de moral comum a tantas outras séries. A grande qualidade de House é apresentar tramas que se parecem cada vez mais com a realidade de tanta gente que senta pra assistí-lo. Podem criticar, por exemplo, Taub, dizendo que ele é um mala incompetente que devia de uma vez por todas se separar da mulher, mas pode olhar em volta, não serão poucos na mesma situação que ele. Sabe aquele cara que nunca foi “o cara” em nada, fez uma faculdade qualquer, conseguiu algum sucesso e chega aos 40 anos e está frustrado com tudo? Trai a mulher, e sente que a qualquer momento vai ser demitido? Este é Taub e tantos outros por aí.

Sabe aquele cara que tenta ser bom, mas quando vê que o caminho é difícil, resolve apelar pra beleza e charme pra pelo menos continuar vivendo, sem muitas expectativas? Pois esse é Chase e muitos outros por aí. Conheçe também Foreman? Inteligente, mas com um complexo de inferioridade que o impede de crescer. E temos Gregory House, incapaz de se importar com a dor do outro e a única coisa que o impede de morrer é se sentir útil, sabendo que só ele pode diagnosticar esses casos.

Mas essa realidade não é apresentada de uma maneira contrapondo o certo e o errado, as coisas simplesmente acontecem porque a vida muitas vezes it’s sucks. E o texto sempre propõe situações pra nos fazer refletir, pra concordar e discordar simultaneamente. People always lie e Dying changes everything ficarão na nossa memória, mas ainda tem muitas outras assim de onde essas vieram.

Bom, os seis últimos episódios dessa temporada comprovam que a série ainda tem fôlego. Quando House levou um pé na bunda de Cuddy e voltou ao Vicodin tivemos episódios interessantíssimos, interpretações estupendas e a comprovação de que não dá pra ter House bonzinho.

O episódio After Hours, por exemplo, é um dos melhores da série. House estava tomando uma droga que fazia os músculos crescerem, mas que só havia sido testada em ratos. Quando descobre que essa droga tinha provocado tumores, ele mesmo faz uma CT e resolve retirá-los de sua perna. Não consegui assisti a cena de uma vez, tive que pausar algumas vezes, era ao mesmo tempo perfeito e incômodo vê-lo na banheira.

E não tenho palavras pra descrever o que foi vê-lo deitado numa maca, com a perna sangrando, precisando de cirurgia e tentando diagnosticar por telefone uma amiga da Thirteen. Esse é o House que amo e é por isso que oitava temporada pode ser ótima e não necessariamente precisa ser a última.

A season finale deixou questões abertas. O ódio de Cuddy hoje tem uma dimensão totalmente diferente de quando foi filmado a sequência uma vez que a atriz não renovou contrato para o próximo ano. Sinceramente, depois da dose que tivemos dela com House até que seria bom não vê-la um bom tempo, contudo, vai ficar um buraco no elenco e faltará uma figura feminina de peso – e isso pode causar alguns problemas futuramente – mas nada que não possa ser resolvido.

E é assim que ficamos para a próxima temporada. David Shore concedeu algumas entrevistas dizendo que não sabe se será o último ano, mas pelo sim e pelo não, torcemos para que seja uma oitava temporada maravilhosa.

Séries citadas:

Bacharel em Direito e servidora pública. Já chegou a ver mais de 30 séries, mas hoje prefere ter vida social. Atualmente acompanha Arrow, The Good Wife, The Voice e Scandal.

9 Comments

  1. Paulo Serpa Antunes

    Lara, tô vendo pelo Universal, tô no 7×19.

    House não me empolga mais mas, sei lá, acho que no geral o sétimo ano foi melhor que o sexto até aqui. A fase Huddy foi ok, não acho que comprometeu a temporada. A Masters começou insuportável, mas aos poucos foi se encaixando (se você reparar ninguém que entrou na série, em nenhuma temporada, conquistou de primeira). Gostei da família da Cuddy e achei legal que a separação dos dois teve ao menos um contexto – pior seria se fosse um motivo banal.

    O que gostei muito na temporada é todo o desenrolar da vida privada do Taub. Sei que 95% dos fãs de House não gostam do Taub. Mas acho esta storyline da infidelidade do Taub muito rica e tem sido abordada com muita sensibilidade nestes últimos quatro anos.

    Você não citou, mas adorei aquela cena do House se jogando na piscina do hotel. Muito catártica.

    O que incomoda no House é que a série deixou de ser realista e passou a ser meio surreal, exagerada. Claro, é cada vez mais difícil nos surpreender. É este o problema. Espero que a próxima temporada seja a última. Está mais do que bom. Já dá pra parar, não?

  2. Lara Lima

    Então, o texto estava ficando enorme, deixei muita coisa de fora. Essa cena dele se jogando na piscina foi ótima. Teve o episódio musical também que esqueci de falar….enfim.

    Pra mim o que comprometeu tudo foi Huddy, porque pra eles ficarem juntos House teve que mudar, e ele mudando acabou estragando a temporada.

    Eu gosto de Taub, mas depois da season finale minha sensação era de “pqp ninguém aguenta mais isso”. Faltou sensibilidade no finalzinho.

    E eu sou fã incondicional de House. Por mim teria ainda uns dois anos srsrs

  3. Thiago FLS

    Quando eu vejo séries outrora ótimas como House, Desperate Housewives, Grey’s Anatomy, How I Met Your Mother e The Office passando do prazo de validade e se arrastando numa decadência irreversível, eu começo a achar que todo seriado deveria durar no máximo 6 anos. Showrunners, acabem suas séries antes que a audiência acabe com elas por vocês.

  4. Isabela Zamboni

    Gostei bastante do texto, só tenho que discordar da Masters – que não gostei nem um pouco. E a sétima temporada se arrastou, só ficando interessante no final. Tomara que a oitava seja mais surpreendente!

  5. fernanda bandeira

    adorooooo house, me emociono, me divirto tudo numa serie só . House é terrivelmente dissimulado mais apaixonante por seu sarcasmo.

  6. Say

    House é o melhor e o pior ser humano!! Não acho que ela não se importe com os outros… no fundo ele é muito generoso, acontece que ele é muito racional, não finge e aí magoa muitas pessoas!

    Por mim teria muito mais e na verdade queria ver o House com alguém e feliz, torcia pela Cuddy.

  7. Liily

    Estou atrasada assistindo a 5 temporada ,onde todos estão superando a morte de Amber e a ausência de Wilson

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