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Reviews

Haven – Burned e Last Goodbyes

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Série: Haven
Episódios: Burned e Last Goodbyes
Número dos Episódios: 3x10 e 3x11
Exibição nos EUA: 30/11/2012 e 07/12/2012
99
4.9
2

Burned foi, disparado, o melhor episódio da temporada. Foi, também, um dos melhores roteiros da história de Haven. Mérito de Charles Ardai que conseguiu incorporar o caso da semana na história principal e, de quebra, revelar um pouco mais do mistério que envolve o Assassino da Pistola e a partida de Audrey. Tudo isso em apenas quarenta e dois minnutos: pouquíssimo tempo para um episódio que revelou muito e restabeleceu a parceria entre Audrey e Nathan. De 0 a 5, merecia um 10.

Neste episódio, Audrey, Nathan e Duke têm que ajudar Ginger, uma adolescente que é levada para Haven pelos Guardiões, a encontrar seu pai. Ao mesmo tempo, o Dr. Lucassi, médico legista da cidade, examina um corpo encontrado na floresta, que pode ser uma potencial vítima do Assassino da Pistola.

Ginger (interpretada pela ótima Kiara Glasco) tem o poder de induzir as pessoas a fazerem sua vontade, o que leva os Guardiões a tentar seqüestrá-la para garantir que Audrey deixe Haven quando o Caçador (uma tempestade de meteoros) cruzar o céu da cidade. Este argumento rendeu, por vários motivos, uma das seqüências mais belas e intensas da série: o interrogatório de Jordan.

Primeiro foi tocante a delicadeza com que Duke, do alto dos seus 1.88m de altura e de seu jeito bruto e estabanado, falou com Ginger, antes que ela induzisse Jordan a contar a verdade durante o interrogatório. Segundo porque, talvez pela primeira vez, Jordan tenha conseguido a simpatia do público: falar a verdade expôs a fragilidade do personagem diante dos seus sentimentos por Nathan: um amor egoísta, que via no desaparecimento de Audrey, a única possibilidade de um futuro para os dois. Terceiro, porque, em contraste com o amor egoísta de Jordan, Nathan fez da sua  obsessão em descobrir como os Guardiões usariam Ginger para influenciar Audrey, um novo sinônimo para a palavra amor; sem declarações açucaradas, ou um toque sequer, o amor estava ali: estampado em seu rosto, ecoando em sua voz, determinado a não aceitar o inevitável. Quarto, porque Jordan revelou que se Audrey entrar no Celeiro e desaparecer quando o Caçador chegar, as perturbações que atingem Haven  desapareceram com ela.

A partida de Audrey, portanto, deixa de ser uma fatalidade, para tornar-se condição para a volta da normalidade em Haven. Para Audrey, sua partida passa a ser, então, uma simples opção entre o que é certo ou errado e para Nathan e Duke uma desesperada corrida contra o tempo, pois sabem qual opção Audrey fará quando a hora chegar.

Mas as revelações não pararam por aí. As pistas encontradas pelo Dr. Lucassi, a partir do corpo descoberto na mata, levaram Audrey e Nathan a uma antiga fábrica desativada, nos arredores da cidade: o esconderijo do Assassino da Pistola. No lugar há vários tanques com as peles das pessoas que ele matou. Nada faz sentido até Nathan lembrar-se de uma antiga lenda indígena sobre o Andarilho das Peles, um ser que, como um verdadeiro camaleão, é capaz de vestir a pele de outra pessoa e se passar por ela. Um tanque vazio indica que o Andarilho já fez outra vítima. O próximo passo será descobrir sob qual disfarce ele se esconde agora.

Passo dado em Last Goodbyes, que apresentou uma boa idéia, executada de forma mediana. Depois do início um tanto forçado que deixou óbvio na pele de quem o Andarilho se encontrava, tivemos o caso da semana: uma catarse para Audrey Parker.

Em relação à trama principal, Last Goodbyes foi apenas um pretexto, um gancho para se revelar a próxima identidade do Andarilho. No início, ainda na fábrica onde ele se escondia, Audrey e Nathan reúnem Duke, Claire, Vince e Dave e comunicam a descoberta sobre a perturbação do Assassino da Pistola: parecido com um camaleão, ele se esconde na pele de outras pessoas. Depois de uma dedução um tanto forçada, sobre
a necessidade do Assassino de ficar próximo a eles, chegam à conclusão que ele deve ter se escondido na pele de um deles. A resposta é óbvia (para quem assiste à série pelo menos), pois o único personagem dispensável deste círculo de pessoas é Claire. Na cena final essa desconfiança é confirmada quando Audrey descobre a farsa.

Mas o principal objetivo do episódio, em minha opinião, era navegar pelo inconsciente de Audrey Parker. Depois dos acontecimentos do dia anterior, Audrey acorda e encontra todos os habitantes da cidade em coma, exceto Will Brady. Perdido, com apenas flashs de memória, ele é o responsável pela situação de Haven. Percorrendo a cidade em busca de pistas que a levem a entender a “perturbação” que acomete Will e assim poder salvar os amigos que têem poucas horas de vida, Audrey faz uma viagem através de si mesma.

Juntos, Audrey e Will, descobrem que ele estava em coma há dois meses, depois de um ataque do Andarilho, que assassinou a garota que ele amava, e para quem nunca havia se declarado. Depois desse tempo e sem esperança de que ele pudesse acordar, seus irmãos autorizam o desligamento dos aparelhos dando-lhe apenas mais 12 horas de vida. O medo da morte desencadeou sua perturbação. O único modo
de reverter o processo é colocando-o novamente em coma. O caminho que Will escolhe é óbvio: voltar ao coma e salvar a cidade. Talvez um caminho sem volta. Uma, aparentemente, fácil difícil escolha.

Will Brady personifica o alter ego de Audrey. O conflito que lhe é imposto, vis a vis, é o mesmo pelo qual ela passa. O Celeiro é seu estado de coma pessoal. Morte ou estado vegetativo, não importa, ambos significam adeus. Audrey Parker morre ali. No futuro, quando ou se retornar a Haven, ela não será mais quem é, nem seus amigos tão pouco. Mas a proximidade do aparentemente inevitável pode ser também uma oportunidade para, como disse Will Brady, agarrar-se à menor esperança com unhas e dentes e evitar que o amor transforme-se apenas em uma oportunidade perdida.

E Audrey realiza sua catarse: em relação à Nathan e em relação a si mesma. Como ela mesma conclui ao deixar o hospital, para onde Will Brady e reconduzido: “Não se deve desistir. Talvez ele possa voltar.” Talvez ela também possa voltar ou, quem sabe?, não precisar ir.

Há apenas dois episódios do final da temporada as emoções se intensificam. Talvez haja esperança para Audrey. Afinal, em um dos episódios finais da temporada passada lembro-me de que a verdadeira Lucy Ripley disse a Audrey que, há 27 anos atrás ela havia descoberto como acabar com as “perturbações” em Haven. Espero que naquela ocasião Lucy tenha se referido a uma resposta diferente à representada pelo Celeiro.

Séries citadas:

Historiadora e professora não praticante. Adora uma boa história, seja ela escrita ou encenada. Atualmente, em seu coração, dividem espaço Person of Interest e Once Upon a Time. A Guerra dos Tronos? Prefere o livro.

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