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‘Grimm’ – um balanço da temporada

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Quando Grimm estreou, na fall season passada, a série definitivamente não havia mostrado a que veio, sendo daquele tipo de séries “mais do mesmo”. Ouvi muitos comentários do tipo “isso é muito Buffy” ou “que cópia barata de Supernatural”. De fato, os efeitos mal produzidos e o jeito de conduzir a história acabavam inferiorizando a série, principalmente frente a fãs que já estavam acostumados a assistir as aventuras dos irmãos Winchester. Mas eu continuei dando uma chance à Grimm e não me arrependi.

A série começou com o Detetive Nick Bukhardt vendo sua tia morrer e logo depois começando a ter uma série de visões que o levaram a descobrir que seus ancestrais faziam parte da linhagem dos Grimm – uma espécie de caçadores que tentavam manter a ordem entre os humanos e as criaturas mitológicas que andam disfarçadas entre nós. Em meio a episódios desconexos e criaturas para lá de esquisitas, produzidas por péssimos efeitos especiais, a série começou a crescer e apresentar um roteiro mais construído, embora eu ainda achasse as historinhas meio bobas.

Quando Grimm de fato começou a centrar em seus personagens, a história começou a ficar mais envolvente. Nick tinha um dilema a enfrentar – além de caçar os monstros que sempre caiam em seus casos policiais, ele tinha de decidir se contava ou não para Juliet (sua namorada) sobre seu passado e suas visões. A moça ficou em perigo devido a suas batalhas, foi salva e tudo mais. O rapaz resolveu pedi-la em casamento e levou um não na cara. A verdade é que Nick tinha um segredo obscuro que Juliet desconfiava. Ninguém é boba o suficientepara ser enganada assim. Mas a gente passou a torcer para que Nick encontrasse o seu caminho e pudesse conciliar o seu legado com o seu namoro (que vamos combinar, não apresenta quase química nenhuma, mas mesmo assim, chama uma torcida). Mas o que ainda falta em Grimm é um pouco mais de expressão do protagonista David Giuntoli. Ele tenta, mas realmente não convence.

Haviam episódios soltos, desconexos e – confesso – às vezes entediantes. Às vezes Grimm me dava até sono. Mas sabe quando você assiste uma série em que nada dá certo, mas mesmo assim você pensa “Poxa, ela tem potencial! Quem sabe melhora?”. E não é que melhorou? Eu não sei o que houve, mas de algum jeito as histórias passaram a ser mais cativantes. As criaturas que Nick enfrentava não eram à toa, sempre tinham uma ligação. E na verdade, era o que os espectadores da série queriam. Afinal, estávamos vendo uma série de um criador de criaturas que não fazia nada além de ser um policial. E é exatamente esta evolução que foi uma das coisas que valeu a pena na segunda metade desta temporada. Grimm estava realmente apresentando agora o que era ser um ‘Grimm’. Nick não estava mais nos casos por engano, e suas pesquisas no velho trailer não eram mais aleatórias. O seu passado começou a ser explorado de um nível bem mais interessante. E o Detetive Bukhardt começava a ser agora um verdadeiro caçador de criaturas – com direito a usar armas históricas e tudo. Claro que ele não conseguiria fazer nada disso sem a ajuda de seu parceiro Monroe.

Monroe foi outro personagem cativante na história de Grimm, e eu não dava nada por ele. Foi um personagem que de inicio achei sem graça, e nada cativante. Mas a sua amizade com Nick evoluiu de tamanha forma que o nosso Grimm praticamente já não caça mais monstros sem ele. O que me irritava era que Nick só lembrava-se dele na hora do aperto, colocando-o como um quebra galho. Mas o próprio detetive viu que estava além disso. Foi preciso o pontapé de Juliet para levá-lo até a sua casa. O episódio em que Monroe vai jantar com Juliet e Nick é bem engraçado. A conversa de como se conheceram não coincidindo as informações foi hilário. Hoje, para mim, o personagem já é indispensável, e todas as suas cenas são bem legais. Ponto para a série, afinal tudo que ela precisa é ter um personagem cativante. E ao contrário de Monroe, o parceiro de Nick consegue ser o mais sem graça de todos. Hank não é carismático, tem cenas chatas e sinceramente não faz falta nenhuma na série. Até neste arco- final. em que ele teve um destaque maior, para mim ele foi totalmente dispensável. Mas nem tudo funciona em uma série, não é verdade?

A reta final de Grimm apresentou uma história bem consistente. Os últimos episódios foram recheados de ação e histórias conectadas. Nick estava assumindo de fato o posto de um Grimm. Como disse, começou a usar armadilhas, armas mitológicas e o principal – parou de pensar como um policial e começou a pensar como Grimm. E ainda fomos introduzidos a um pouco de seu passado, que agora parava de funcionar em torno de Tia Mary. Nick se preocupava ainda pelo caso da morte de seus pais ser mal resolvido. E quando ele percebe que toda história de seus ancestrais está envolvida, a coisa começa a ficar boa. E o final da temporada de fato, foi um dos melhores episódios. Tivemos o retorno de Adalind – que havia perdido seus poderes graças a Nick. E ela estava ali por vingança e nada melhor que realizar isso prejudicando Juliet. A bruxa, que ainda pode fazer umas coisinhas sem seus poderes, preparou uma porção e que através de seu gato a arranhou e passou o feitiço. Quando Nick descobre que a loira esteve no consultório da amada, ele entrou em pânico e o resultado não foi outro – ele acabou contando para ela toda a verdade. Mas as coisas saíram de controle, e ela pareceu não acreditar em uma palavra dele. Afinal, quem iria acreditar? Mas o Grimm ainda tinha uma carta na manga – seu amigo Monroe. Levá-la para ver o Wolf se transformar era a única maneira de fazê-la acreditar. A moça desmaia antes de ver o feito, e é levada para o hospital. E depois de ser deixada pelo namorado por lá, acorda com os olhos todos pretos. O feitiço de Adalind a transformou em uma Wensen também? Este é um dos ganchos que, confesso, estou curioso para saber!

Além disso, Akira Kimura o homem por trás da morte dos pais de Grimm está em Portland. Atrás das famosas moedas que moveu um arco da temporada de Grimm, o personagem foi atrás de praticamente todos os principais. E depois de andar, andar e andar, acabou se deparando com Nick. Tiveram uma luta bem bacana, que confesso, curti! O Grimm não teve medo da briga e meteu uns bons socos no inimigo, além disso, se vingando pela morte de seus pais. Mas o que todos não esperavam era o gancho maior – a misteriosa mulher de preto que vinha rondando a história (e que surgiu do nada), apareceu lá, apunhalou Akira e se revelou – sim, a mulher era a mãe de Nick. E agora? Grimm descobriu que sua mãe está viva, como fica? E Juliet, em que se transformou? E como fica Hank, que agora desconfia destes seres mitológicos?

Apesar de alguns episódios fracos, Grimm se firmou como uma boa série, teve uma temporada legal, e, creio eu, que já criou uma base de fãs que aguardam ansiosos a segunda temporada. E se me perguntarem, recomendo como um bom passatempo, ainda mais para aqueles que gostam dos contos literários que sempre estavam referenciados em algum caso da semana. E que venha a próxima temporada!

Séries citadas:

Mineiro, professor e aficionado por séries. No TeleSéries resenha as séries Hawaii Five-0 e Saving Hope. Mas também é apaixonado por Grey's Anatomy,'CSI, Rookie Blue, The Vampire Diaries, The Good Wife, Homeland, The Walking Dead e muuuitas outras...

8 Comments

  1. ReMonteiro

    Monroe foi meu personagem predileto desde o início e não vejo química entre a Juliete e o Nick. Vamos ver como a moça volta na segunda temporada. Quanto ao restante concordo com você.  Aliás perderam a chance de deixar a Adalind dar um jeito no Hank. Acho que uma coisa legal foi a entrada da Rosalee, faltavam umas poções na história. 

  2. Topázio

    A forma como o roteiro tem mostrado o desenrolar da ideia inicial, com calma, equilíbrio e responsabilidade fez que eu gostasse muito de Grimm. Eu não apostava um centavo na série após os primeiros episódios e acompanhava pq sou teimosa mesmo que não goste da série, só desisto depois de vários episódios! E para minha surpresa ela foi ficando densa, consistente e coerente dentro daquilo que se propunha! Eu realmente não gosto muito do Hank, mas gosto da Juliette, acho que qdo. o Nick contar a verdade pra ela, ela será um ingrediente que só acrescentará na história!
    Estou muito ansiosa pela segunda temporada e feliz por ter sido renovada! =D

  3. Fernando dos Santos

    Gostei de Grimm.Série leve e divertida, pra curtir e relaxar sem maiores pretensões.
    Eu só achei clichê demais essa revelação de que a mãe do Nick ainda está viva.
    Esse negocio de descobrir que um pessoa importante para o protagonista e que todos julgavam morta na verdade estava viva é um recurso batido demais.Isso foi muito clichê até mesmo pra uma série despretensiosa como Grimm.
    Mesmo assim é algo perdoavel.Pretendo continuar acompanhando quando a série voltar do hiato na fall.

  4. Anderson Narciso

    Obrigado pelo ocmentário. Estamos no aguardo da segunda temporada. E excelente lembrete o seu: Rosalee foi uma ótima adição a história!

  5. Anderson Narciso

    Mais ou menos igual eu Topázio! O Hank não tem carisma nenhuma, a Juliettet tem um pouquinho! Vamos ver qual será a reação de Nick ao saber que ela se transformou! 

  6. Leonardo Rodrigues

    A série cativa, principalmente pelo Monroe e a relação dele e Nick, se fosse apenas casos policiais e o envolvimento dos “monstros” eu já tinha desistido. A volta da mãe pode ser clichê, e desde o momento em que ela apareceu já era possível perceber que era ela, só fiquei esperando a revelação. Acredito que o ruim não é a mãe voltar, desde que a explicação seja coerente e bem planejada.

  7. Luciano Ferreira

    O que eu começei a gostar em GRIMM, é que a série deixou de ser apenas sobre “o monstro da semana” e criou uma mitologia própria que, aparentemente, pode ser enorme: 07 Casas Reais que regem todos os wessen – e até humanos; uma organização criminosa tão poderosa que vem alterando o destino da história humana, sem que os humanos o saibam; isso pra mim é ouro!

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