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Reviews

Glee – The Purple Piano Project

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Série: Glee
Episódio: The Purple Piano Project
Temporada:
Número do Episódio: 3 x 01
Datas de Exibição nos EUA: 20/09/2011

Esse primeiro episódio da terceira temporada de Glee, assim como a ‘premiere’ do ano anterior, desperta em mim aquela mesma sensação que eu costumava ter na primeira semana de escola. Aquele clima de que, apesar de tecnicamente o ano ter começado, você não está de fato engajado ainda pela situação, não tem nenhuma intenção ainda de se comprometer seriamente, e que tudo o que lhe é mostrado é apenas uma apresentação. Tudo muito leve, vagamente superficial, como se não fosse para valer ainda.

É claro que, tirando a ocasião de o primeiro episódio da temporada ser um piloto, é muito raro que ele de fato seja uma ótima mostra do que uma série tem de melhor. E, sendo justa, The Purple Piano Project não foi um episódio ruim. E passou longe de ser um dos momentos mais frustrantes da série (como o Britney/Brittany que marcou a segunda exibição da temporada passada). Mas foram quarenta e cinco minutos que chegaram bem perto de serem medíocres. E particularmente, para uma pessoa como eu, para quem a inabilidade de Glee de reter um mínimo de coesão foi de uma distração para um fator totalmente insuportável e que levou a total desistência, teria sido bom se o episódio fosse um pouquinho mais memorável.

Houveram, contudo, é claro, elementos que me agradaram, e o principal desses elementos é provavelmente a razão pela qual eu não classifiquei essa ‘premiere’ como mediana e totalmente esquecível. Na temporada passada, se tem um arco que eu constantemente elogiei foi a crescente cumplicidade entre Kurt e Rachel. E aqui, os dois tornam o episódio inteiro mais especial apenas com sua amizade, seu companheirismo, e seus divertidíssimos diálogos.

Eu não me importaria nenhum pouco em ver um ‘spin-off’ da dupla em Nova York, mas quem estava informado dos rumores durante o hiato sabe que a ideia foi considerada, anunciada e logo depois engavetada, assim que o anúncio da saída dos dois e Cory Monteith começou a causar revolta entre os fãs, e o resultado foi uma bagunça de relações públicas que eu duvido que tenha tranquilizado muita gente.

Mas eu concordo com a avalanche de “Vamos pensar nisso quando chegarmos lá” que se seguiu da boca de toda e qualquer pessoa envolvida com Glee subsequentemente. O importante é que, por agora, mesmo tendo que dividir o show com tantas outras storylines, o plot da luta de Kurt e Rachel para chegarem juntos a Nova York e ao sucesso no showbiz é certamente a parte mais cativante da série.

Lea e Chris tem ótima química, e dos momentos mais cômicos aos mais sérios, eles conseguem extrair ótimas performances um do outro. A maneira como os dois enfrentam juntos o choque de realidade na reunião de futuros candidatos à faculdade de sua escolha, NYADA, foi para mim um daqueles momentos que realçam o melhor de Glee.

Por mais que a série seja sobre aceitação e sobre como todo mundo é especial a sua maneira, eu adoro os momentos em que Glee assume que há, de fato, um mundo muito grande fora da bolha usual do show e que às vezes, ser o seu melhor nem sempre é de fato, ser o melhor. Eu achei o efeito visual dos ‘clones’ de Rachel e Kurt muito bons, mas o principal ali era que, sim, os dois personagens sempre superestimaram o quão únicos e especiais eles são. Há muita gente com o talento e a técnica, e muitos dos Glee Clubbers terão destinos como o que Quinn previu para si mesma na temporada passada: acabar em Lima, com um emprego aceitável e uma família, e uma vida mediana que, dependendo do quanto as pessoas se prenderem aos sonhos não realizados, pode acabar não sendo feliz.

Mas isso não importa, pois como os roteiristas martelam nas nossas cabeças desde o começo da série, Glee é sobre a jornada. E é sempre adorável ver duas pessoas que amam estar em um palco e não querem desistir dessa felicidade e se conformar. Talvez esses sonhos não se realizem, mas a jornada? O apoio mútuo no carro, a performance descompromissada e divertida dos dois, os pequenos momentos de amizade? Eu assistiria mil horas disso.

Além do arco de Kurt e Rachel, não houve muita coisa acontecendo com os demais personagens jovens, apesar da montagem expositiva do começo quase ter dado uma impressão diferente. Os roteiristas se certificaram de, como prometido, deixar bem claro quem deve se formar ao final do ano e quem ainda não, justificaram a saída de alguns atores e atualizaram alguns detalhes. Mercedes agora tem outro namorado, porque Chord Overstreet se recusou a renovar seu contrato e aparentemente os produtores estão realmente obcecados com a ideia de Mercedes não ficar solteira. Mike e Tina terão que se separar no fim do ano. Finn não sabe o que fazer e Brittany, mesmo se for do último ano, provavelmente não irá se formar.

Dos Glee Clubbers remanescentes, o retorno de Quinn foi provavelmente o que tinha mais para ser apresentado, apesar de estar contando os dedos para essa fase de rebeldia acabar. Dianna é uma ótima atriz, e acho que ela fez bem a sua parte; dá para ver que Quinn está perdida, e passando por uma crise de identidade, e que ainda não está pronta para retomar seus velhos papéis apesar de claramente sentir saudades do clube, mas eu estou prevendo que esse será um daqueles plots que duram cinco minutos, especialmente com o retorno de Shelby, e por consequência, Beth, semana que vem.

Santana também não teve nada de muito interessante acontecendo até o ponto em que foi suspensa do clube por Will, mas ela continua uma das minhas personagens favoritas. Santana sendo menos bitch não teria graça nenhuma, e apesar de Naya Rivera interpretar muito bem o quão dividida ela está, eu espero que antes de voltar para o glee ela pelo menos possa aprontar bastante.

E por fim tivemos a mudança de lado de Blaine, que saiu do colégio particular e foi para uma escola supostamente bem pobrinha de uma maneira que não dá para acreditar que os pais dele permitiriam, especialmente porque ele foi para Dalton por causa de bullying e não é como se McKinley fosse a escola mais segura e agradável do planeta nesse departamento, Mas o casal que ele e Kurt formam é uma fofura e agora é torcer para que essa realocação signifique que o Darren Chris não vai mais cantar cinco solos por episódio.

Porém, como nem tudo são flores, o episódio mostra claramente que a série continua a não saber o que fazer com Will, Emma e Sue, a última sendo particularmente criminoso, porque Jane Lynch é tão talentosa e carismática que por muito tempo ela conseguiu elevar o texto. Mas não mais. Eu genuinamente acho (em parte por causa de spoilers) que essa trama da eleição pode acabar chegando a lugares interessantes, e certamente eu apreciei a maneira como a decisão de usar sua implicância com as artes (e, em especial, com o Glee Club e Will) como uma plataforma foi um oportunismo brilhante, e não uma ação lunática por princípio.

Eu tenho ótima memória, contudo, e lembro muito bem que a decisão de Sue de concorrer tinha a ver com a maneira como o governo cortou os benefícios da irmã dela, algo que ela queria corrigir. É claro que agora a plataforma pró-deficientes parece totalmente esquecida, e o fato de que ela tinha decidido se tornar uma pessoa mais madura e concentrar seu desdém e raiva em coisas mais merecedoras que um bando de crianças também.

O discurso de Sue na TV foi ótimo, e me dá esperanças de que a série ainda possa fazer coisas interessantes com a personagem, mas a maneira como ela continua a ser aquela caricatura patética de vilã o resto do tempo me irrita, e francamente, prejudica muito a qualidade do show. Seria melhor não ter a Sue, do que ter esta versão dela, por mais que Lynch seja sensacional.

Para completar, temos um ‘update’ no relacionamento de Will e Emma que não podia ser mais vergonhoso. Ou sou só eu que acha esse arco dos problemas sexuais dos dois nauseante?

A essa altura, eu ficaria bem feliz se a Coach Beiste, a Shelby e o Burt Hummel fossem os únicos adultos presentes nessa série, porque os três principais foram reduzidos a essas criaturas incômodas e de quem eu não consigo mais gostar nem nos seus melhores momentos (Will suspendendo Santana sendo um deles). Se há algo que eu espero desesperadamente que mude ao longo da temporada, é o desenvolvimento desses três.

De resto, apesar do episódio ter me deixado com a impressão que descrevi no primeiro parágrafo, pelo menos ele não criou uma bagunça ou me deixou pronta para abandonar o barco de novo. E isso talvez já seja meio caminho andado.

Os Números Musicais:

  • We Got the Beat – Honestamente, uma das coisas que sempre me faz rir em Glee são essas ideias que Will tem de que essas performances “espontâneas” são legais. Se eu estivesse na escola e um grupo de alunos começasse a cantar, dançar e subir nas mesas, eu os acharia tão idiotas quanto todo mundo, e certamente não sairia correndo para me inscrever no Glee Club. Uma briga de comidas daquela provavelmente estaria fora de cogitação (eu estudava com pessoas minimamente educadas), mas uma dose tão forte de vergonha alheia provavelmente resultaria num nível razoável de ridicularização, não importando o grau de afinação das pessoas. A música é divertida, e é sempre bom ver Naya e Heather tendo solos, mas não é nada que eu vá ficar ouvindo incessantemente.

  • Ding-Dong! The Witch Is Dead – Já falei um pouco do número. Achei que ele teve a dose de descompromisso perfeita: só dois amigos se divertindo juntos, felizes com seus planos para o futuro e confiantes nos seus talentos. A interpretação dos dois foi ótima, e eu adoro o momento no final quando eles sentam no palco um do lado do outro. Fez a dupla parecer realmente como os jovens que eles devem ser.
  • It’s Not Unusual – O episódio não poderia passar sem Darren ter seu solo, né? Foi uma performance boa. Darren tem uma ótima voz e muito carisma, e ele não erra mas, comparativamente, foi o número musical mais fraco do episódio.

  • Anything Goes/Anything You Can Do – Meu número favorito! Eu adorei como o papel que eles escolheram para a vice vencedora do The Glee Project, Lindsay, e acho que apesar de ser uma aparição mínima, ela foi excelente. Harmony era tão passivo-agressiva, que até cantando e sorrindo você conseguia senti-la intimidando Rachel e Kurt. E bom, eu adoro sapateado, adoro Anything Goes, e achei que Anything You Can Do foi uma ótima música para o mash-up justamente por ser extremamente passivo-agressiva. Eu acho que esse tipo de antagonismo serviria Glee muito melhor que as ofensivas ridículas da Sue, até porque esse tipo de competição é algo que é muito mais real. E que eles consigam criar um momento tão rico para o arco dos dois protagonistas, e ainda terem vocais perfeitos e uma coreografia sensacional? Nesses momentos é que eu lembro porque eu ainda insisto com Glee!

  • You Can’t Stop the Beat – Eu li que algumas pessoas não gostaram do começo alterado da música, mas eu adorei. Essa é minha música favorita da trilha de Hairspray, mas eu achei que a mudança ficou incrível, graças a um vocal inspirado da Lea Michele. Fiquei querendo que a coreografia fosse um pouco mais empolgante, porque na peça é quase uma explosão de energia, mas foi o segundo melhor número da noite e pelo menos empolgou um pouco (Curiosidade: Matthew Morrison fez parte do elenco original da produção de Hairspray na Broadway. Ele originou Link, o papel que viria a ser do Zac Efron no filme).
Séries citadas:

É estudante de comunicação. Não vive sem The Good Wife, Parks and Recreation e 30 Rock. Ah, e Gossip Girl, que apesar do bom senso, ainda nao conseguiu largar.

5 Comments

  1. Mariela Assmann

    Ótima review! Também “gostei, desgostando” desse episódio. O melhor, disparado, foi centrarem em Kurt e Rachel. Os meus maiores motivos para continuar assistindo são Lea e Chris. E o pior é o “trio de adultos”, mesmo. As lancheiras foi um momento “vergonha alheia” total.  Agora, é torcer pra que a temporada cresça e ao menos aproxime-se do nível da 1ª.

  2. Fernanda

    Finalmente uma boa review! Que critica de forma embasada, mas que também sabe elogiar e ver as inumeras possibilidades que a série pode vir a ter no decorrer da temporada (se o RM quiser né?!). Ultimamente eu sinto um pouco de má vontade das pessoas com relação a Glee. Tudo bem que a 2ª temporada foi irregular, mas acho que isso não justifica a avalanche de críticas negativas que a série vem levando…
    Excelente review Thais!!!

  3. Bianca Mafra

    Excelente review e traduz mais ou menos as mesmas coisas. realmente, quando vi os dois (will e emma) rezei para que a situação tivesse sido resolvida e nós não precisávamos sair. gostei tambem daquela menina ter saido, a namorada do puck, era surreal ela no glee, apesar de ter rendido boas cenas. gostei de nao terem focado tanto no finn e rachel. e até que gostei dos números musicais

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