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Glee – I Am Unicorn

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Série: Glee
Episódio: I Am Unicorn
Temporada:
Número do Episódio: 3 x 02
Data de Exibição nos EUA: 27/09/2011

Eu provavelmente devo dizer em primeiro lugar que considerando que o retorno da Idina Menzel ao show foi a única razão pela qual eu decidi voltar a assistir Glee, eu sou bastante tendenciosa a respeito do retorno de Shelby Corcoran a Lima. Eu tentarei ser razoável no meu julgamento, mas de antemão quero deixar claro que eu estava tão ocupada me deliciando com o retorno de Idina que o plot imbecil e forçado para trazê-la de volta passou direto por mim. Quem liga para a falta de uma mão sã nas storylines de Glee nesses momentos e olha, ela ainda vai cantar, então eu vou ter outras coisas dela para ouvir em loop além das inúmeras versões de Defying Gravity e a trilha sonora de Chess (que é ótima e todo mundo deveria ouvir).

Eu entendo, porém, como pode parecer um pouco despropositado que uma pessoa que sempre parece tão serena e sensata quanto Shelby (apesar de eu estar convencida que ela é assim por causa da composição de personagem de Idina, não do roteiro) fosse aceitar um emprego em uma escola onde ela teria de lidar em extrema proximidade com a filha biológica de quem ela continuava afastada e os pais biológicos do seu bebê. Eu sempre quis uma resolução mais consistente para o relacionamento de Rachel e Shelby, e eu realmente não me importo de ela querer dar a Quinn e Puck a chance que ela nunca teve de saber quem é a filha deles e como ela está sendo criada e tratada, e para ela saber quem eles são também. Como uma personagem que foi estabelecida como sendo uma mulher consumida com arrependimento e tristeza por ter seguido com seu contrato de barriga de aluguel e entregado a filha, apesar de ainda achar que fez o justo e o melhor para Rachel, eu não tenho problemas acreditando nas motivações dela para fazer algo com potencial tão desastroso quanto tentar criar uma espécie de família com os pais biológicos da Beth, que não são os dois adolescentes mais moderados e responsáveis do planeta para começar. Mas como alguém que parece de fato ter algum bom senso, eu não acredito que ela fosse aceitar um emprego que a colocasse em posição de confronto tão gigante e que pode muito bem acabar em mais dor para todo mundo. A sensação é de uma armadilha; ela não pode escapar das crianças e eles não podem escapar dela (e malditos sejam os escritores por tentarem fazer do Will a voz condescendente da razão de novo). Eu acho que as coisas seguirão, em grande parte, para uma boa conclusão, porque esse é um show de TV, mas esse é o tipo de maquinação que faz todo mundo torcer o nariz um pouco, porque realmente, na vida real, é o tipo de coisa que provavelmente terminaria muito mal.

Eu apreciei como eles ainda não determinaram uma direção sólida para o relacionamento Rachel/Shelby. Elas ainda estão se adaptando a ideia de Shelby estar de volta, e, considerando que Idina tem um contrato para meia temporada e deve talvez aparecer em episódios intercalados como a Beiste no ano anterior, ficando possivelmente até o finalzinho da temporada, eles devem desenvolver a relação das duas devagar e eu espero, com algum tato, o que era tudo o que eu queria da primeira vez. Eu estou, contudo, um pouco cansada da atitude da Rachel, primeiro em Journey e agora nesse episódio. Conhecer sua mãe biológica é provavelmente emocionalmente confuso e exaustivo, mas não tem razão para ela ser tão temperamental a respeito da decisão da Shelby de manter uma certa distância. Shelby tem razão quando ela tenta explicar que ela foi apenas uma incubadora humana, e que por mais que ela ame a Rachel, ela não a criou e ela não é sua mãe de verdade, e em uma série em que metade dos personagens principais é órfã de um pai (ou foi, de fato, abandonado e rejeitado por ele), e onde Rachel é sem dúvida a adolescente mais mimada, apoiada e amada, essa atitude de vítima não me desce.

Uma atitude que eu amei? Puck. Aliás, amei cada segundo de Mark Salling, de que em realmente tenho sentido falta, nesse episódio. Mesmo durante o arco com Lauren no ano passado ele ficou terrivelmente apagado. Aqui, o personagem dele tem novamente algumas questões complexas para explorar e ele nos agracia com sua melhor atuação em muito tempo. A cena dele com Beth e Shelby é adorável, mas triste ao mesmo tempo. Puck sempre quis manter a filha, nós sabemos, e não é surpreendente que ele já estivesse de conluio com Shelby antes de Quinn sequer descobrir que ela estava na cidade, e eu adoro o retorno do Puck doce e que tenta ser melhor e se comportar, mas ainda é o Puck (e não resiste a uma cerveja). E eu acho que é sem dúvidas a melhor cena de Idina no episódio também, desde como Shelby parece tentar conter sua divertimento com o fato de Puck não conseguir ficar totalmente careta, a maneira como ela tenta ser gentil e acolhedora, ao mesmo tempo que parece um pouco assustada por ele já estar basicamente a perseguindo e a maneira como ela segura aquele bebê faz parecer que Shelby de fato espera que ela seja arrancada dela a qualquer momento. E uau para aquele por aquele momento muito preciso em que a bebê se recusa a ir com Puck e se agarra a Shelby. Essa é uma atriz nata, igual à Harmony.

O pequeno momento é talvez um dos poucos indicativos na narrativa de que Shelby é a única mãe (ou pai) que esse bebê conhece, e não vai ser bater na porta dela e passar alguns minutos com a criança que vai permitir que Quinn e Puck magicamente sejam pais por direito de Beth, o que me leva decisão de Quinn no fim de episódio. Eu espero que ao longo da temporada ela perceba que depois de 18 meses, ela não pode querer ainda ser a mãe do bebê que entregou para adoção. Se o show sequer insinuar que essa menina poderia ameaçar a custódia de Beth, eu não vou ficar feliz. Eu entendo que o novo desenvolvimento de personagem no qual eles vão apostar para Quinn é dizer que todo este tempo a personagem foi incoerente e não sabia quem ela era porque ela estava em crise desde o nascimento da filha, e eu até acho o arco interessante e com potencial, mas eu espero que os roteiristas consigam explorar essa trama sem questionar se Beth precisa mesmo dos pais biológicos, o que eu acho simplesmente um absurdo. Uma coisa são eles precisarem ter essa conexão, e outra é insinuar (e eles fazem o mesmo com Rachel) que é a criança que precisa dessa presença, como se ter um pai adotivo não fosse o suficiente.

Quanto a estória com a Sugar Motta, eu não sei para que direção isto está se encaminhando, mas até agora a participação da garota na série parece sem razão de ser alguma. Todavia, é sempre bom ver um professor de música de fato tentando ensinar música, ao contrário da versão do Will de didática, que é simplesmente entregar partituras a seus estudantes, que é claro cantam tudo imediatamente e com perfeição corrigida pelo auto-tune, e eu realmente amei que Shelby insista que ela vai conseguir fazer a garota irritante cantar, não importa o quanto de trabalho ela tenha em mãos. Eu sempre tenho problemas acreditando que New Directions consiga montar números para competição bem no último minuto, e depois ainda devemos ficar desapontados porque eles não venceram, então uma das coisas que eu mais gosto a respeito de Shelby é quando vemos seu lado profissional, porque ela é exatamente isso, uma ótima profissional, que faz seus alunos darem duro até que eles fiquem excepcionais. Então quando ela diz que aparentemente ela é a melhor treinadora de Show Choir que o dinheiro pode comprar, eu acredito sem pestanejar, apesar da ideia de um segundo Glee Club ser totalmente absurda (e eu ri com a cara que Idina faz na cena do escritório de Figgins, como se a própria Shelby mal conseguisse suportar o nível de loucura e ridículo, mas se o cara está disposto a pagar uma fortuna para ela trabalhar poucas horas por dia, e então ficar em casa e cuidar da filha, por que não?).

Eu não ficaria surpresa se ela de fato transformar Sugar em uma cantora e dançarina decente, e ela venha a fazer parte do New Directions, que ainda está sem membros suficientes, a tempo do Nationals. Também é provável que Sugar esteja apenas começando o ensino médio, e que, portanto, seja a primeira adição da nova geração de Gleeks, a tomar parte do elenco regular quando todo mundo se formar. Além disso, já que Will expulsou Santana, não seria ótimo se ela entrasse para o Glee Club da Shelby? Sério, vamos parar e imaginar o prazer que seria acompanhar Shelby, Sugar e Santana interagindo. Santana tendo um de seus momentos ‘Lima Adjacent’ com Sugar! Façam um spin-off e eu assisto!!!!

Por outro lado, eu tiro meu chapéu para o Will também. Pela primeira vez em muito tempo (um ano inteiro, aliás, porque eu passei a segunda temporada inteira com nojinho do Will e tentando apagar a dancinha sexy dele com as alunas em Toxic do meu cérebro), que eu consigo gostar dele. E foi em grande parte pela maneira como ele lidou com Quinn, mas além disso, foi pelo fato de que ele também está se comportando como um professor para variar. Ele está tentando melhorar as habilidades dos seus alunos, ele está fazendo mais que escrever temas vagos no quadro e sentar e assistir Rachel e mais dois apresentarem números que, apesar de sólidos, nunca entram no repertório do clube. Semana passada eu reclamei como o personagem é um dos principais elementos que não funciona no show, mas essa semana, eu mordi a minha língua. Se a série NUNCA mais abordar a vida sexual dele, e ele continuar esse professor racional e dedicado (apesar de ainda ser condescendente para caramba), então eu estou disposta a suportá-lo.

Se eles apenas conseguissem melhorar a storyline da Sue um pouquinho, tudo ficaria mais suportável e divertido. Nem tudo o que Sue tenta argumentar é loucura. Em uma crise econômica como a americana, onde a discussão sobre de onde cortar o dinheiro tem sido um tópico de discussão por meses, a plataforma dela poderia atrair sim os votantes mais conservadores. E realmente não é como se artistas e a maioria das pessoas comuns, dos subúrbios, mais tradicionais e simples conseguissem se entender. Mas daí a fazer um vídeo ridículo sobre uma garota que engravidou (antes de entrar para o clube) do melhor amigo do namorado, foi abandonada por ambos os pais e a própria Sue, e que assim que conseguiu tudo de volta se viu sem a potencial bolsa de estudos atlética novamente justamente porque Sue queria matar uma de suas melhores amigas a atirando de um canhão, dizendo que a desgraça da vida dela é por causa das artes, foi preguiçoso, bobo e forçado. O que me irrita, é que Sue já está atacando o Glee Club indiretamente através de sua campanha, ela não precisa continuar indo atrás deles no particular.

A outra parte do episódio focou nas audições para a versão de West Side Story que eles querem montar, e em grande parte em um conflito que eu já até antecipava, entre Blaine e Kurt. Desde o primeiro momento em que Rachel anunciou a peça, eu já sabia que um dos dois não iria conseguir um dos papéis principais e que provavelmente seria Kurt, justamente por Tony ser o tipo de personagem no qual eu acho que Kurt nunca se encaixaria. Aliás, Tony é praticamente um Puck, e eu iria amar ver o Mark Salling fazendo o papel, mas eu já sabia que ia ficar com o Darren.

Ano passado houve uma polêmica na imprensa americana a respeito de atores gays convencerem em papéis de homens héteros e apesar de eu achar que isso nem deveria ser uma questão (e nunca me impediu de suspirar por Jon Groff), eu não acreditei nem por um momento que Kurt seria capaz de moderar sua personalidade para o papel. Como Brittany bem tenta explicar, e Burt o faz de maneira muito melhor, Kurt tem uma personalidade extravagante e agora cabe a ele decidir se tenta se misturar melhor, como Blaine, para conseguir ser o ator que ele quer ser, ou se segue o conselho de seu pai, abraça o que lhe torna único e especial, e tenta abrir caminho para si mesmo. Por um momento pareceu que Kurt ficaria satisfeito em ser um unicórnio, mas com aquele gancho, pode apostar que vem mais drama por aí.

Também preciso dizer que apesar de ter sentido falta de um pouquinho mais de Kurt e Rachel, Kurt e Brittany formam um ótimo duo e eu me diverti horrores com as artes dos dois para os pôsteres (apesar de, na minha opinião, os de Kurt serem muito mais gay que os de Brittany). E eu achei a ideia de Brittany concorrer a presidente de classe ótima. Já estava mais do que na hora de os escritores traçarem uma linha entre a burrice e inocência da Brit e retardamento total (apesar da cena inicial com ela dizendo que a capital de Ohio é ‘O’ não ajudar muito nesse sentido), e eu acho que essa campanha para Presidente pode render bons momentos para a loura. Eu espero também que Santana a continue ajudando (e que, entre tantas coisas que gostaria de ver Santana fazendo, ela interprete Anita em WSS e Brit tenha pelo menos uma coreografia no musical também).

No geral, eu achei que foi um ótimo episódio. Novamente, eu não posso dizer que sou imparcial, mas eu achei que as estórias continuam se desenvolvendo de maneira linear e coerente, apesar de termos apenas dois episódios, e isso é meio novo para Glee, que gosta de pular plots e depois trazê-los de volta mais na frente. Essa nova Glee ainda não é perfeita, ainda não é a série brilhante que às vezes ela consegue ser. Eu ainda tenho a sensação de que ela está começando a temporada aos poucos, criando situações que podem ser desenvolvidas ao longo do ano. E espero que seja o caso, e que todas essas tramas, que tem tanto potencial, sejam desenvolvidas bem. Mas I Am Unicorn foi uma hora de televisão excelente e que me fez considerar que talvez não abandonar Glee tenha sido uma boa ideia.

Os números musicais:

Somewhere – Antes de eu sequer saber o que era West Side Story, eu já era viciada em um gravação da música feita pela Charlotte Church. Essa versão sempre será minha gravação ideal dessa música, e mesmo com todo o meu amor por Idina, achei que esse cover de Glee não conseguiu chegar lá. O auto-tune não ajudou. Idina e Lea são cantoras poderosas, com alcances vocais sensacionais, e eu até ouvi uma nota ou outra que adorei, mas achei a música no total chapada, produzida demais. Havia momentos em que não conseguia distinguir as duas vozes. Para piorar, as expressões da Lea voltaram a me incomodar; ela está exagerando no drama e fazendo caras e bocas de novo.

I’m the Greatest Star – Apesar de ser pungente, por ser justamente a música em que Fanny Brice tentar convencer um diretor de casting a lhe dar um papel de estrela embora ela não tivesse o tipo físico, fica claro que é uma música totalmente inapropriada para uma audição para um papel tão masculino quanto Tony, que pode até ser um poeta, como Emma diz, mas ainda é o líder de uma gangue. Eu gostei dos vocais, mas não achei que a versão fosse tão memorável que vá ser um daqueles covers que tocam no meu MP4 toda hora. Mas pelo menos a coreografia nos andaimes e com as adagas foi fantástica.

Something’s Coming – Será que eu fui a única pessoa entediada por esse número? Não consegui achar nenhuma coisinha sequer de impressionante com o vocal, e achei que a coisa toda longa demais. Mas sem dúvidas que pelo menos foi uma audição apropriada, e eu entendo o Blaine ser escolhido para interpretar Tony baseado nela.

Séries citadas:

É estudante de comunicação. Não vive sem The Good Wife, Parks and Recreation e 30 Rock. Ah, e Gossip Girl, que apesar do bom senso, ainda nao conseguiu largar.

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