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Reviews Spoilers

Glee – Comeback

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Glee – Comeback
Série: Glee
Episódio: Comeback
Temporada:
Número do Episódio: 2×13
Data de Exibição nos EUA: 15/2/2011

Comeback foi um episódio que me lembrou muito Never Been Kissed. Não li reviews o suficiente para saber se as pessoas gostaram desse episódio, mais lembro perfeitamente que Never Been Kissed foi bem recebido na época que foi ao ar, e eu fui uma das poucas pessoas que não foi nenhum pouco fã do episódio. O que a sexta hora dessa temporada de Glee divide com essa décima terceira é a impressão de que o roteiro foi escrito de trás para frente.

Ocasionalmente, aparece em qualquer série de TV e em alguns filmes, aquele plot que parece que surgiu da conclusão e foi desenvolvido especialmente para chegar naquele ponto determinado. As peças não se juntam de forma natural, as ações dos personagens não parecem guiadas pelos personagens em si, mas pela estória.

Quinn e Sam tinham que terminar, Rachel tinha que tomar mais um passo importante na jornada de recuperação da sua personalidade, Sue precisava de uma nova razão de ser agora que as Cheerios estão (temporariamente, eu tenho certeza) fora de combate. Honestamente acho que as três conjeturas são igualmente importantes para o show. Rachel precisava voltar a ser uma pessoa própria dentro do show, e não alguém que existe em função de um relacionamento; Jane Lynch precisa justificar seu tempo de tela de alguma forma, e não existe a possibilidade de a jogarem para escanteio como fizeram com Jessalyn Gilsig e Jayma Mays. E até mesmo a conclusão do relacionamento de Quinn e Sam, que poderia parecer irrelevante, passa a ser essencial uma vez que dois dos protagonistas da série tem sido retratados como traidores, mentirosos e um tanto quanto sem escrúpulos por causa dessa trama, e já era hora de por um término a essa situação, se não por causa da audiência jovem que Glee inadvertidamente atrai e que provavelmente não deveria estar sendo bombardeada com esses comportamentos ambíguos, pelo menos porque ambos Finn e Will já tiveram essa estória, e por um longo tempo, e os produtores deveriam tentar alguns novos caminhos criativos.

Mas o desenvolvimento desses plots me incomodou, e surpreendentemente o uso do Bieber nem teve nada a ver com isso. Eu achei até apropriado que o Sam tentasse achar na persona de uma celebridade o ingrediente para cativar a atenção flutuante de Quinn, porque sabemos que ele tem sérios problemas de confiança. Eu ficaria surpresa (positivamente) se ele tivesse a maturidade e fé em si mesmo para tentar lembrar Quinn por quem exatamente ela se apaixonou, mas isso provavelmente não seria muito coerente com a caracterização dele.

Mas eu achei que a Quinn foi retratada totalmente fora da sua própria caracterização. A ex-Cheerio já teve seus momentos de insegurança, mas ela nunca foi burra, e vê-la decidindo o futuro de seus dois envolvimentos românticos por causa das apresentações foi constrangedor.

A intervenção boba da Santana também decepcionou, menos por causa do comportamento dela (que foi bem típico da Santana também) e mais porque o final do episódio passado havia sugerido que eles poderiam ter uma conexão sincera. Por que Puck pode ter diferentes faces com diferentes relacionamentos, mas a Santana sempre é retratada como a menina que usa sexo para manipular os garotos ao redor dela? Ela estava certa em alertar Sam do quanto ele estava sendo feito de idiota, ela ia conseguir fazer Sam cair na real de qualquer maneira, era preciso mesmo que além de tudo isso, ela oferecesse seu corpo a ele?
E prefiro nem comentar muito a respeito de Finn porque nesse episódio eu só consegui sentir muita vergonha por ele.

Não tanta vergonha porém, quanto eu senti por Sue. Já havia reclamado da maneira como a personagem tem sido retratada na última review, e volto a me sentir aborrecida. Acho irônico que o episódio tenha trazido um pouco de Justin Bieber para discussão, porque de certa maneira ele se relaciona perfeitamente com o que tem acontecido com Sue. Acho que o astro teen tem lá sua fofura, e seu público, mas o hype em cima dele é exorbitantemente fora de proporção com seu talento e sua real contribuição para a música pop. Da mesma maneira, Sue começou como uma personagem que era excelente, vivida por uma intérprete de extrema competência, mas parece que o hype é maior do que caracterização, do que coerência e às vezes parece que é maior do que a própria série.

É desconcertante ver um episódio inteiro manipulado para exaltar um personagem único, e um que anda fora de controle ainda por cima. E não tivemos um momento realmente honesto como em Journey ou até mesmo Furt (o casamento foi uma ideia idiota, mas a trama com mãe teve sua parcela de emoção genuína), mas apenas algumas supostas catarses mais que forçadas. A tentativa se suicídio falsa foi tediosa, ao invés de engraçada, mas ao mesmo tempo foi impossível sentir qualquer coisa pela depressão supostamente verdadeira de Sue quando o roteiro ficava tentando criar constantes gags em cima dela. A presença do Will com os discursos superficiais também não ajudou, especialmente quando o roteiro escolhe recorrer à muleta narrativa que mais me irrita na série (Will fazendo coisas controversas só porque Emma pediu). A cena no hospital me pareceu uma tentativa barata de emocionar, talvez porque eu ache que não se deva explorar o sofrimento de criancinhas com câncer para nada. Eu achei a cena toda desconfortável, especialmente porque Sue não precisa que ninguém mostre a ela que há situações de vida piores que ela. Ela tem uma irmã deficiente, afinal de contas, tenho certeza que ela sabe disso.

Ao mesmo tempo que eles tentavam humanizá-la, porém, eles continuaram investindo na caricatura de Sue como uma vilã enlouquecida. Há cinco episódios atrás ela se demite para poder se certificar que Kurt não continue sendo agredido nos corredores, mas novamente está ela jogando alunos com metade do tamanho dela contra armários, exatamente o que ela tentou expulsar Dave por fazer (e que Will tenha se preocupado tanto com Kurt, mas veja Tina sofrer uma agressão similar e sequer se importe em perguntar se a sua aluna está bem é simplesmente parcial e absurdo). E nem sei o que pensar do fato de que agora ela vai ser treinadora do time oponente.

Glee – Comeback
Por fim, tivemos uma trama que foi até divertida com Rachel, pelo menos por causa da interação entre Lea e Heather. Mas chegou ao ponto da idiotice também ver Quinn, Santana e Tina usando os infames casacos de lã com estampa de animal da Rachel, e agindo como se fosse um estilo totalmente diferente. É verdade a explicação de Brittany que o real problema não é o que Rachel usa, mas o fato de que as pessoas não conseguem enxergar além da esquisitice dela, mas enquanto o uso de polainas nos braços foi totalmente aceitável (e quando Brittany usou ficou realmente bonitinho), acho que extrapolou um pouco o limite do cabível.

E a briga com Mercedes ficou um tanto quanto jogada ali no meio, mais uma desculpa para um fim, no caso o dueto com a música de Rent, mas pelo menos eu gosto o suficiente da ideia das duas como amigas que estava mais contente que aborrecida ao fim brevíssimo plot.

A única coisa que me animou mesmo foi a perspectiva de ver uma canção original em Glee, e uma que será produzida por Rachel, afinal uma das minhas maiores reclamações dessa temporada é que ela ainda continue a ser tratada como um membro inferior dentro do clube até que chega na hora do aperto total e todo mundo decide encher seu ego. Mas eu não tenho muita certeza se essa trama terminará de forma satisfatória também, então fico apreensiva. Pelo menos é uma inovação em um episódio que reciclou tanto dos maus hábitos da série.

Glee – Comeback
Números musicais:

Baby – Quem já ouviu essa música tanto quanto eu (meu afilhado de quatro anos é viciado no DVD além do que eu achei que minha saúde mental seria capaz de suportar, mas ainda estou viva, então…) sabe que ela gruda. O vocal é medíocre e a letra mais ainda, mas a melodia é bem chiclete. A versão de Chord foi bonitinha, não me incomodou, e acho que serviu bem ao propósito de ser adorável, mas nada extremamente marcante, exatamente como qualquer outra coisa no relacionamento sempre morno de Quinn e Sam.

Somebody to Love – Foi um número divertido, com a reação das meninas um pouco exagerada, mas também nada que me incomodasse muito, não no número em si pelo menos. A coreografia foi decente.

I Know What Boys Like – Lauren e Puck continuam não me convencendo, e esse número musical também não me ganhou. Sinto sente que eles miram no politicamente correto e erram, mas quando miram no não tão PC eles erram também. Apesar de toda a confiança e personalidade forte da Lauren, achei que a letra da música não casou com a mensagem.

Take Me or Leave Me – Fiz um esforço inacreditável para não comparar com a versão do filme Rent (cantada por Idina Menzel e Tracie Thoms), mas depois de ouvi-la tantas vezes foi difícil ver essa versão e não sentir falta das notas muito mais altas e da emoção verdadeira da outra apresentação. Acho que foi um número bom para o que podia ser feito dentro da série. Nenhuma outra atriz chegaria perto do que Lea e Amber conseguiram, mas a música exige muito, muito mesmo e faltou um pouco de força e de dinâmica. Mas o final bonitinho com Mercedes e Rachel se curtindo e se divertindo valeu a pena.

Sing – Esse número me deixou confusa. Em primeiro lugar, como ela pode ser um hino? Em segundo lugar, por que eles estavam cantando uma canção do My Chemical Romance usando figurinos mais apropriados para um número country? Terceiro, sério que era para nós acharmos isso um número competitivo? Foi um bom número, mas acho que Glee continua devendo há algum tempo algo marcante e empolgante, e fingir que dá para vencer Vocal Adrenaline com uma música tão bobinha foi dose. Aliás, cadê o VA na lista da competição? Alguém me explica como e por que eles não vão competir?

Séries citadas:

É estudante de comunicação. Não vive sem The Good Wife, Parks and Recreation e 30 Rock. Ah, e Gossip Girl, que apesar do bom senso, ainda nao conseguiu largar.

3 Comments

  1. Paulo Serpa Antunes

    Tua crítica é precisa Thais mas… ainda assim, não consigo não elogiar as pérolas do episódio – toda a graça em torno de Justin Bieber (o pessoal debochando mas ao mesmo tempo curtindo) e a tentativa da Rachel de lançar tendência em cima da Brittany. Este tipo de humor não se vê em nenhuma outra série e é o que vale ouro em Glee.

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