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Reviews

Girls – The Return

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Série: Girls
Episódio: The Return
Temporada:
Número do Episódio: 01×06
Data de Exibição nos EUA:20/05/2012

Pra quem não conhece, Girls é uma dramédia da HBO que acompanha a vida de 4 garotas em Nova York. Se você logo pensou em Sex and the City está enganado. Aqui as protagonistas mal têm dinheiro pra pagar o aluguel e lutam pra conseguir emprego, se virando com o que aparece. A série foi criada por Lena Dunham, que apesar de eu nunca ter ouvido falar antes, parece ser alguém que já fez alguma coisa importante (em uma pesquisa rápida, descobri que ela fez um filme independente que foi bem aceito em festivais). Ela também interpreta Hannah, a mais estranha das garotas, que mantém uma “espécie” de relacionamento com Adam, um cara que não faz literalmente nada da vida (ele é carpinteiro e ator, mas você só descobre isso na Wikipédia). Na verdade, apesar de estarem sempre experimentando todas as posições do Kama Sutra, ele não sabe que existe uma relacionamento entre eles. A colega de quarto de Hannah é Marnie, que sempre reclama que o namorado é muito presente e que se sente um pouco sufocada. Em outro apartamento moram Shoshanna, que luta para perder a virgindade, e sua prima Jessa, inglesa que trabalha de babá e provavelmente terá um caso no estilo Presença de Anita com o pai das crianças. Até o momento vimos Hannah perdendo a mesada que ganhava dos seus pais, conseguindo um emprego em que era apalpada por seu chefe, descobrindo que tem HPV e perdendo o emprego. Marnie é dispensada pelo namorado quando este descobre, através do diário de Hannah, que ela não gosta tanto dele assim. Desesperada, ela implora pra voltar, e quando ele acaba cedendo, ela termina de novo. Shoshanna, por enquanto, apenas “quase” perdeu a virgindade, mas o garoto desistiu de ir adiante quando descobriu a sua situação. Jessa descobriu que estava grávida, ou já chegou grávida em Nova York (não ficou muito claro), agendou um aborto, faltou ao seu próprio aborto, mas acabou perdendo o bebê. A série é recheada de cenas de sexo, seios da Lena Dunham, diálogos rápidos e inteligentes e um pouco de humor. Vale pra quem gosta de séries sem muita história que mostram como é a vida na Big Apple.

Feita a introdução, necessária, vamos ao episódio. Ah, e à boa notícia: vocês acompanharão review do seriado por aqui, a partir de hoje.

Esse episódio não pareceu um episódio de Girls. Não fosse pelas cenas de sexo, um desavisado poderia tranquilamente achar que se tratava de outra série. Na verdade, esse episódio mal pareceu uma série. Mais pareceu um daqueles filmes em que a protagonista super descolada da cidade grande, volta pra sua cidade natal no interior, acha todo mundo muito bocó, parado no tempo, e no final descobre que tem muito daquele lugar. A diferença é que aqui, em momento algum, ela se sentiu à vontade. A cena em que ela tenta repetir com o farmacêutico as esquisitices que ela pratica na cama com o Adam deixou claro o quão diferente ela é de todas aquelas pessoas.  Acho que o objetivo dessa história toda foi tentar justificar um pouco a personalidade da Hannah através da sua origem. Os pais não sabem muito bem o que fazer em relação a ela e, provavelmente, nunca souberam. Até mesmo na decisão que eles tomaram em conjunto – de não sustentá-la mais – cada um teve um motivo diferente. Enquanto o pai esperava que ela percebesse que ela não conseguiria ser uma escritora nunca, a mãe queria que ela tivesse inspiração com a dificuldade, uma história pra contar.

A história da menina que quer ir pra Los Angeles virar dançarina serviu como metáfora da vida da própria Hannah. Sabe aquela colega de trabalho que tem mal hálito e fica falando de quem tem mau hálito? Tipo isso. Provavelmente se alguém tivesse lido os seus textos, teria feito as mesmas observações que ela fez a respeito da dança. O próprio pai questionou o seu talento como escritora. Na verdade, ela descrevia a si mesma quando falava como seria a vida da garota em L.A., morando em um apartamento sujo, se sentindo com medo, sozinha e estranha o tempo todo. Mas mesmo sabendo que é isso que a cidade grande reserva pra todo mundo, ela não caberia mais numa cidade pequena com aquelas pessoas e toda aquela tranquilidade.

A conversa com o Adam no final foi bastante interessante. Ao mesmo tempo em que ele demonstra total desapego, quando diz que não teria problema nenhum se ela falasse da noite de sexo que teve com outro cara, ele diz que sente falta dela. Apesar de reclamar que vai ter que levantar da cama quando ela pede que ele diga o que vê pela janela, ele obedece. O tão pouco que ele oferece pra ela parece bem maior do que toda a atenção que ela recebeu durante a noite toda do farmacêutico.

De forma geral, eu gostei do episódio. Esperava um pouco mais de humor, por ter sido escrito com a colaboração do Judd Apatow. Estranhamente, este foi o episódio menos engraçado até agora. Espero que eles foquem também nas outras personagens. Seria legal saber a origem dessas meninas, e como elas se tornaram quem são hoje.

Agora, é esperar pelo próximo episódio. Até lá!

Séries citadas:

Analista de Sistemas, mas só porque assistir séries não dá dinheiro. Fã de Six Feet Under, Breaking Bad, comédias da NBC, Happy Endings e qualquer coisa que Aaron Sorkin escrever. Não tem vergonha de falar que gosta de Grey's Anatomy e Revenge.

23 Comments

  1. Fernanda Vero

    Sacada genial a da dançarina que não tem futuro na cidade grande versus Hannah com situação igual. Não tinha reparado isso. Engraçado que eu simpatizei com o final também… da Hannah com o Adam. Achei fofo! Eu que odiava o casal. Não gostei do episódio ser só da Hannah, sinto muita falta de foco na Jessa. (Apesar do episódio ter sido até bom, tirando as cenas apelativíssimas, desnecessárias e constrangedoras)

  2. Scott

    Adorei esse episódio e estou com preguiça de comentar, mas a Hanna conseguiu ganhar minha simpatia nesse ep. ótima a sua review.

  3. Dierli M Santos

    Eu achei esse o episódio menos engraçado (apesar da primeira imagem do post fazer eu rir). Mesmo assim, Girls não é boa só quando é engraçada. Um dos episódios que eu mais gostei (do HPV) nem foi tão engraçado, mas sei lá. É louco pq essas gurias às vezes são cool, às vezes são completas retardadas e às vezes são tipo as pessoas que eu conheço (que são legais mas meio babacas e fazem merda).

    Adorei a metáfora que você fez.

    Sei lá, eu acredito na Lena e nessa série.

  4. Tiago Oliva

    Não tem jeito. Toda série tem que fugir um pouco da estrutura principal. Só achei muito cedo pra isso. Talvez se ele tivesse sido um dois últimos episódios da temporada teria estranhado menos.

  5. Tiago Oliva

    A cena dos pais realmente foi desnecessária (apesar de engraçada). A da Hannah com o farmacêutico eu achei a mais importante até agora desde o começo da série. O problema é que eles tomaram como verdade que a vida sexual diz muito da personalidade da pessoa, o que todo mundo sabe que não é verdade. Tem muita gente que tem cara de sonsa e na cama né?

  6. Tiago Oliva

    Como não gostar daquele sotaque? Só amor por sotaque britânico. Mas ela é muito sabidona mesmo. Menos gosto da Marnie. Cara de quem comeu (foi comida) e não gostou. 

  7. Tiago Oliva

    Como não gostar daquele sotaque? Só amor por sotaque britânico. Mas ela é muito sabidona mesmo. Menos gosto da Marnie. Cara de quem comeu (foi comida) e não gostou.

  8. Tiago Oliva

    Eu também acho que ela sabe o que tá fazendo. Dá pra reconhecer muita coisa que existe de verdade ali. Eu, que sou homem, já passei por pelo menos duas situações, que é claro, eu não vou falar.

  9. Nerd Loser

    na verdade foi meu episódio preferido até agora. e eu me senti meio idiota porque parece que eu to começando a entender essa série agora. o casinho da hanna com o japonês (ele é japonês?) é tão ridiculamente real que eu não tava vendo que fazia todo sentido do mundo. ela é estúpida tipo a gente é estúpido qnd tá a fim de alguém. mas ele é desnecessariamente idiota. dum ponto que parece absurdo. parece que ele é idiota de propósito pra testar o quanto ela é estúpida. se ele fosse um ser humano um pouco mais decente, talvez ficasse mais fácil se relacionar com o namoro dos dois. mas esse casal é absurdamente real.

    o ponto é que a ceninha dos dois no telefone, no final, foi tão honesta e original e convincente, que juro, eu quero que ela cresça pra ser uma pessoa decente. e ele cresça pra ser uma pessoal decente. e depois eles fiquem juntos. mas a hanna é meio irritante – talvez porque ela seja real demais – então eu não sei se aguento esperar os dois crescerem

  10. Pingback: Girls 1×06 – The Return | TVShowRoom

  11. Tiago Oliva

    Valeu NL! Uma honra vc comentando uma review minha. O pior é que enquanto eu escrevia, fiquei pensando se a metáfora não servia inclusive pra mim.

  12. Rafael

    ATÉ QUE ENFIM FIZERAM A REVIEW DA MELHOR ESTREIA DA TEMPORADA! :-)

    sobre o episodio, ele me lembrou um pouco do Young Adult, apesar de em alguns momentos percebe-se que ela não se arrepende de ter saído de lá, mas acho que o foco total na Hannah fez o episodio ficar um pouco cansativo (apesar de ainda conter algumas sacadas engraçadas)

  13. LL

    Não acho Girls engraçada, mas adorei a série mesmo assim. Eu acho que ela é um retrato mt fiel da situação de quem tem 20 e poucos está passando, pelo menos lá nos EUA. Por causa da crise econômica as pessoas se formam na universidade e não encontram emprego e precisam do suporte financeiro dos pais (isso se não voltarem a morar com eles – afinal, lá nos istaites eles têm essa cultura de uma vez que vc acaba a faculdade está no mundo por si só). Fora que mostra toda a insegurança, seja na cena que a Hanna fala para o espelho q por morar na cidade grande ela é mais interessante que os “caipiras” da cidade natal, seja na história da virgindade, em como nessa idade as pessoas não sabem reconhecer um bom relacionamento (Marnie e o cara legal que ela terminou e Hanna e Adam). Aliás, este último casal eu acho MT real tb, não acho que o Adam é idiota demais, existe mt gente assim como ele. E como as meninas tb… uma hora elas são cool, outra são super idiotas e só fazem merda… Vou continuar vendo sim, achei uma ótima série!! Parabéns pela review, adorei!! Vc escreve super bem… 

  14. Tiago Oliva

    Muito bacana essa análise que vc fez desse novo cenário que essa geração tá encarando. E eu nem acho que isso seja só nos EUA. E sim, poucas coisas na série são realmente inverossímeis. Brigadão!

  15. Pingback: Destaques na TV – Segunda, 27/8

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