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Gastronomia

Gastronomia: a torta de peixe de Jack, o Estripador

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Conheça a série inglesa Whitechapel e aprenda a receita favorita do imitador de Jack, o Estripador

Cena de Whitechapel
Edward Buchan:

Tudo o que sabemos é isso: Mary Kelly tinha longos cabelos ruivos e sua última refeição consistia de peixes e batatas.

A primeira temporada da série inglesa Whitechapel, exibida em 2009, mostrou a investigação de crimes que imitavam o modo de agir do primeiro serial killer documentado da História: Jack, The Ripper (Jack, O Estripador). Os crimes eram recriados em minúcias, com adaptações mínimas quando não era possível replicar as condições de 1888 no distrito de Whitechapel na Londres do século 21.

Uma dessas adaptações aconteceu no terceiro episódio, que fechou o arco. A última vítima do estripador original era uma garota de programa e sua última refeição pode ter sido um dos pratos típicos das ruas londrinas, o fish and chips ou peixe frito com batata fritas vendidos em pacotes feitos com jornal para absorver o óleo. O Jack moderno, porém, oferece uma alternativa mais requintada e saudável.

“Jack, The Ripper”:

Espero realmente que goste de torta de peixe.

A receita – Torta de peixe [fácil]

Cena de Whitechapel
Ingredientes
1 kg de batatas
400 g de peixe em filés
200 g de ervilhas congeladas [opcional]*
160 g de queijo cheddar
80 g de manteiga
1 e 1/4 colher [chá] de sal
1/4 colher [chá] de pimenta do reino moída
200 ml de leite
1/2 colher [sopa] de azeite

Modo de fazer
Preaqueça o forno a 180 graus. Unte o fundo de uma forma refratária com o azeite e disponha o peixe com o lado da pele para baixo. Salpique com metade do sal e da pimenta e reserve. Enquanto isso, descasque as batatas e coloque-as numa panela grande com água e sal. Leve ao fogo. Quando começar a ferver, banhe o peixe com o leite, coloque-o no forno e conte 20 minutos no seu relógio. Vá tomar uma taça de vinho ou ler um gibi.

Tire o peixe do forno e aumente a temperatura para 200 graus. Retire a pele de nata que se formou e descarte, escorra o leite numa tigela e reserve, retire a pele do peixe [deve desgrudar fácil por causa do azeite] e descarte. Com a ajuda de dois garfos desmanche o peixe em pedaços [mais ou menos do tamanho de Baconzitos] e distribua-os no fundo do refratário.

Tire as batatas do fogo, escorra a água e deixe-as descansar por dois ou três minutos até evaporar a umidade. Adicione o leite que tirou do peixe, a manteiga, o sal e a pimenta e amasse as batatas até obter um purê. Incorpore as ervilhas com cuidado para que continuem inteiras. Cubra o peixe com esse purê e depois cubra o purê com o queijo cheddar ralado grosso. Leve ao forno por 20 minutos.

Notas: Você pode usar qualquer peixe que se possa filetar [merluza, meca, tilápia, bacalhau, salmão, haddock, defumado ou não] e pode misturar também. Vi uma que usava bacalhau e salmão juntos, parecia ótima. Pode trocar o queijo se tiver um que gratine bem [provolone, mussarela, prato]. Mas o mais importante… fique longe de serial killers.

* Mas se encontrar um copycat de Jack o Estripador esse detalhe das ervilhas pode salvar tua vida!

Cena de Whitechapel
O episódio

Existem dúzias de teorias sobre a real identidade de Jack e por que ele parou de matar de repente. Esse é um tema estudado até hoje e existe uma classe de pesquisadores especializados no assunto, os Ripperologistas. Na série, é um Ripperologista quem ajuda a equipe de investigação a caçar o imitador. Ed Buchan (Steve Pemberton, de Blackpool) fica arrasado ao descobrir que é a sua teoria que o copycat usa para recriar os crimes de Jack.

A equipe é liderada pelo Inspetor-Detetive Chandler (Rupert Penry-Jones, de Spooks), um burocrata com um leve caso de TOC que subiu rápido na profissão graças aos bons contatos do pai. Ele precisava apenas resolver um caso para ser promovido novamente, por isso voluntariou-se para o caso da mulher esquartejada em Whitechapel. O Sargento-Detetive da delegacia local, Miles (Phil Davis, de Bleak House), é um profissional com 20 anos de polícia já prestes a se aposentar.

A série destaca a evolução do relacionamento entre Chandler e Miles [assim como entre Chandler e os demais coppers] e como esse relacionamento afeta a maneira de ser e de pensar de cada um. Também trata da política na corporação, economia e imigração. As cenas mostram as locações reais onde as mortes aconteceram e o roteiro menciona as teorias mais populares, mas a solução apresentada na série é própria, segundo os roteiristas Ben Court e Caroline Ip.

DI Joe Chandler:

Você estava certo a meu respeito. Sou bom apenas como relações públicas e cuido da papelada. Não posso mais esconder, eu não sou… não sou capaz.

DS Miles:

Penso que nenhum de nós acha que isso é fácil. Quando estamos na cena do crime, nós damos conta. É a rotina, fomos treinados. Mas quando ficamos sozinhos é diferente. McCormarck sonha com o pub perfeito dele, Sanders leva suas crianças pra passear. Kent acha que não sabemos, mas ele tem pequenas crises de choro no banheiro do estacionamento. Você diz que não dá conta, mas dar conta não tem a ver com a morte. Dar conta é se apresentar às 9 horas da manhã seguinte, não importa o que aconteça. Sendo assim, coma, senhor.

DI Joe Chandler:

E quanto a você? O que você faz?

DS Miles:

Quando chego em casa vou direto para o meu jardim, meu lago. Fico sentado lá um tempão, longe da casa, um pouco de privacidade, e alimento meus peixes. Eu crio carpas. Verdadeiras belezas. Elas aparecem e pegam a comida na minha mão. Esses peixes me salvaram. Meu trabalho, meu casamento. Você deveria arranjar uns peixes. Melhor do que chorar no estacionamento.

Cena de Whitechapel

Séries citadas:

10 Comments

  1. MicaRM

    Fiquei com vontade de comer o tal peixe, principalmente porque parece simples de fazer e eu sou uma negação na cozinha.
    Mas o mais importante é que você me lembrou que eu tenho que assistir a Whitechapel. Baixei tudo e esqueci nos DVDs. :(

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  3. Anônimo

    Esta série é fantástica. Abordagem diferente, atores ótimos, vai muito além do que nos acostumamos a ver em série policial-detetive.

  4. Fernando dos Santos

    Parece ser o enredo ideal para uma minissérie mas não sei se fica legal em uma série que dura mais de uma temporada.
    Na segunda temporada por exemplo os detetives investigam outro caso de copycat.Dessa vez é um assassino que imita os crimes cometidos pelos irmãos Krays.Vai ficar meio repetitivo se a cada nova temporada eles tiverem de investigar um copycat, além de soar muito inverossímil.

    De todo modo essa é uma série que eu gostaria muito de assistir.Se alguma emissora exibir aqui no Brasil, com certeza assistirei.Série policial inglesa sempre merece uma conferida.

  5. Fernando dos Santos

    Uma curiosidade que encontrei na wikipedia a respeito de Whitechapel.A segunda vitima é encontrada em Miltre Square, praça situada na jurisdição da City of London Police.No entanto o caso é investigado pela Metropolitan Police, polícia da qual fazem parte Chandler e sua equipe.
    Os roteiristas devem ter resolvido tomar algumas liberdades para uma melhor fluência da narrativa.

  6. Paulo Serpa Antunes

    Naomi, fiquei pilhado pra assistir Whitechapel, parece bacana. E não só pelo Jack the Ripper, que é realmente um dos grandes mitos modernos, mas também pela tua descrição dos três detetives. Só o fato de fugir do clichê dupla formada por um homem e uma mulher, já é um acontecimento!
    A torta realmente parece fácil, de repente eu tento fazer. Mas eu acho que prefiro o fish and ships — só acho bizarro este treco de embrulhar em jornal, vi o Jamie Oliver fazer num programa e não acreditei, não parece nada higiênico!!!

  7. Anônimo

    Fernando, não fica repetitivo. Desenvolve-se, paralelamente aos crimes, uma outra linha narrativa sobre os detetives, jogo de poder, etc., dentro do sistema policial. Há uma reviravolta entre o primeiro crime e a estreia do protagonista na delegacia, e o segundo crime. Tudo se transforma.
    E, olha, não fique preso às emissoras “lindinhas”, que tanto nos “respeitam”. Você pode assistir – com legendas superiores – pela web.

  8. Fernando dos Santos

    Bianca, é que já acompanho um numero muito grande de séries através dos canais pagos e mais umas três através de download por esse motivo na maioria das vezes eu costumo esperar pela estréia das séries na televisão daqui.
    Obrigado pela informações quanto a trama, eu fiquei até com mais vontade de assistir agora.Talvez até acabe baixando mesmo porque os canais daqui não costumam ceder muito espaço a séries que não são americanas.

  9. Bia mafra

    gente, tambem me deu uma vontade de ver… e comer, claro. so que sou muito desastrada, me imaginando tirando a pele do peixe, ja to vendo as queimaduras.

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