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Especiais Opinião

Eu quero uma indicação ao Emmy para Dulé Hill

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Dulé Hill em Psych

No Brasil, usa-se o termo escada para descrever o personagem coadjuvante de uma quadro humorístico. O escada prepara a situação para o comediante brilhar – é o meia que dá o passe perfeito para o gol do centroavante. O escada está de tal forma impregnado na tradição da comédia brasileira que entre as mais famosas atrações do gênero estão programas onde o apresentador é aquele que faz o papel de escada. É o caso da Escolhinha do Professor Raimundo e da Praça da Alegria, onde Chico Anysio e Manoel de Nóbrega faziam este papel de coadjuvante do comediante, costurando os diálogos que permitiam o desfecho de uma cena cômica.

Já na tradição americana, da stand-up comedy, do comediante solitário no palco, este elemento cômico é pouco comum.

O que existe no humor americano é figura do comic sidekick, o companheiro inseparável cômico, que remonta da tradição literária e do cinema. George Constanza é o comic sidekick de Jerry em Seinfeld, Rhoda é a de Mary em The Mary Tyler Moore Show e Sharona era a companheira inseparável de Adrian (até a separação) em Monk. O comic sidekick é mais que um escada, ele também é parte ativa da sitcom, com seu próprio repertório de situações cômicas. E, não raras vezes criando até mais e melhores cenas que os protagonistas. Não é verdade que muita gente assistia Will & Grace apenas pelas presenças de Jack e Karen?

É sobre isto que eu penso quando assisto Psych.

Em Psych temos um protagonista bem definido: Shawn Spencer, interpretado por James Roday. Na série, cabe a Roday construir as cenas cômicas, com seu humor debochado, seu jeitão mulherengo e, claro, todo o mise en scène que faz para simular que é um vidente. Mas este papel não seria tão confortável se não existisse ao seu lado Gus, o personagem de Dulé Hill.

Gus é essencial para a série em todos os sentidos, com sua eterna relutância em participar da ação, seu certo grau de covardia e alguns lampejos de inteligência (justamente quando o parceiro está distraído demais com outros elementos). Ou seja, Gus é quem cria a situação para piada, é também motivo da piada e também é quem auxilia ou mesmo quem salva o herói – porque Psych não é só comédia, mas também série policial e, neste sentido, Gus serve como Robin de um Batman.

Em Psych, Gus faz o papel de escada, exatamente como na tradição do humor brasileiro, sempre que é sacaneado por Shawn. Mas Gus é mais do que isto, é um o melhor e mais bem acabado exemplo de comic sidekick da TV americana na atualidade.

Quem assistiu a todos os 15 episódios da primeira temporada de Psych deve ter percebido que James Roday ainda está desenvolvendo seu personagem, acertando o tom. Outros atores, como Corbin Bernsen, Timothy Omundson e Maggie Lawson também foram crescendo semana a semana. Dulé Hill não. Dulé Hill, depois de sete anos trabalhando no melhor drama de todos os tempos da TV americana, caiu no papel de Gus como uma luva. Ele está perfeito. Talvez porque The West Wing também fosse uma série de forte elemento cômico, com seus diálogos ágeis e espertos e seu humor refinado.

Dulé Hill só foi indicado uma vez ao Emmy, em 2002, justamente por The West Wing. Agora, cinco anos depois, em um novo trabalho, faz por merecer ser lembrado pela Academia mais uma vez.

Séries citadas:

É jornalista, pós-graduado em Jornalismo Digital pela Pucrs e trabalha com produção de conteúdo para Internet desde 1995. É editor de internet do Jornal do Comércio, de Porto Alegre. Fundou o TeleSéries em agosto de 2002. Na época, era fã de The West Wing, The Shield, Família Soprano e Ed. Atualmente é viciado em The Good Wife, NCIS, Game of Thrones e Parks and Recreation.

16 Comments

  1. João da Silva

    Concordo. O Dulé Hill merece uma indicação ao Emmy. Pena que é mais fácil Cuba enviar um foguete para Plutão que isso ocorrer.

  2. Julaino Cavalcante

    Hill foi indicado ao Emmy por West Wing em um papel muito menor do que ele tem em Psych. Chance de entrar ele tem.

  3. Thomás

    Só que Psych não tem humor refinado, as piadinhas são bem levezinhas, assim como os episódios. E aquele episódio do cara com dupla personalidade demonstra essa inocência. A série é light demais, mas é divertida. Eu só vejo porque os casos são muito bem elaborados.

    O James e o Dulé estão muito bem na série, mas aí surgem também várias outras séries boas com artistas sensacionais, como Alec Baldwin em 30 Rock. Talvez ele consiga uma indicação e um Emmy num futuro próximo, mas não creio que consiga isso em Psych.

  4. Thiago FLS

    Psych teve um piloto excelente, mas a qualidade caiu muito ao longo da temporada. A atuação de Dulé Hill foi uma das poucas coisas que se mantiveram consistentes, e para mim ele deu um banho em James Roday, cujo personagem foi ficando cada vez mais chato e cheio de si.

  5. Henrique Martins

    Verdade… estou com o Tomás, eu não vejo Psych como uma série “Emmy material”, começou MUITO bem – e ainda é legal – mas atualmente só Mr. Hill salva-se, por lá.

  6. Rô Floripa

    Po estar acostumado ao Dulé Hill em The West Wing, não conseguia imaginá-lo num papel como o Gus em Psich. Ele está muito bem mesmo. O personagem é o mais completo desde o piloto e por causa do ator. Merece mesmo.

  7. Simone Miletic

    Eu amei aquele episódio em que eles vão a uma convenção de viciados em quadrinhos (eu sei que tem um nome para isso) e ele vira The Magic Head.

    Agora, eu sou mais o Cryer, de Two And a Half Men, para o prêmio. Mas Dulé merecia a indicação, até pela falta de personagens neste estilo nesta temporada, já que os seriados de comédia atuais acabam destacando mais o principal, como no caso do Baldwin, ele não depende de outra pessoa em cena.

    Si

  8. João Nilson

    Eu acho Dulé um comediante muito bom, mas não creio que “escadas” devam ganhar o premio máximo no lugar do comediante principal. E, mesmo com a qualidade caindo, ainda prefiro Monk a Psych

    PS: Eu sou um dos que viam Will & Grace só pela presença de Karen =P

  9. Li

    Assisti a uma parte de Psych, mas, desisti achei que era somente mais uma tentativa de emplacar uma comédia, que por sinal até agora não vi uma só comédia melhor que Will & Grace, a melhor entre as que aí estão é Tw0 And a Half Man…
    Agora quanto ao Dulé Hill ele é um ator muito bom, mas não acho que mereça uma indicação, acho Cryer do Two and a Half Man, muito melhor, talvez porque seja uma comédia melhor, a personagem é melhor, mas, gosto muito do Dulé Hill…

  10. Paula

    Eu adoro o Dulé e ficaria muito feliz com um aindicação dele. Mas se o Donald Faison, que faz uma dupla semelhante com o JD em Scrubs, nunca foi indicado, acho difícil o Dulé conseguir. Séries como Monk, Scrubs etc, mal tem os protagonistas reconhecidos, o que eu considero um grande erro.

  11. juninhosup

    Discordo que Monk não tem seu protagonista reconhecido… vide os tres emmy (back to back) para Tony Shaulhoub…
    E concordo com a Li… Alan Harper é o melhor coadjuvante da atualidade… sua veia cômico-neurótica, é simplesmente hilária!!!
    E Agora, please me respondam… o que está acontecendo com Psych na Universal??? acho que ainda nao foram ao ar todos os episódios da primeira temp. né??
    e Agora outro assunto, que julgo mais importante (lol).. acabei de ler no Uol, que Cameron, Foreman e Chase irão sair do seriado House nos primeiros episódios da quarta temporada..e darão lugar a dois protagonistas masculinos e dois femininos…e talvez voltariam no futuro da série… parece muito brusco pra mim… “em time que está ganhando não se mexe…”!!!
    Temo que essa mudança comprometa o futuro e a qualidade da série…
    Abraços..

  12. Lucas Barreto Gomes Leal

    concordo que mereça indicação sim, mas só pra dar uma apimentada não acho que mereça ganhar, mas uma indicação de fato merece, ele é de longe o melhor personagem, em quesito atuação, de Psych!

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