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Entreatos: Cultura Pop levada à sério – Yes, Please!

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A autobiografia da Amy Poehler mal saiu e eu já devorei! Chamada Yes, Please, o título do livro é inspirado nos preceitos da improvisação que guiou não apenas sua carreira, mas também sua vida pessoal: para trazer uma cena a vida é preciso dizer “sim” à contribuição dada por seu parceiro e a partir daí construir algo em cima disso.

Cheios de histórias hilárias e contadas com o tom de voz tão autêntico da atriz, o livro mistura com pouca censura casos da vida pessoal e profissional de Amy. Dentre tantos capítulos, incluindo os “obrigatórios” (como diz a própria) capítulos sobre drogas e sexo, uma de minhas passagens favoritas é a narrativa do parto do seu primeiro filho — uma história engraçadíssima que envolve um obstetra italiano octogenário, John Hamm, um episódio de Law&Order e Amy completamente grávida vestida em um figurino dos anos 60. De fato, a realidade é a mais surreal das ficções.

Inesquecível também são todos os capítulos que contam como ela se apaixonou pela comédia de improvisação, participando de grandes trupes como ImprovOlympic, The Upright Citizens Brigade e The Second City — onde ela conheceu sua “comedy wife” Tina Fey —, seus dias (noites e madrugadas) fazendo Saturday Night Live, e a família que ela criou em Parks & Recreation.

Yes, Please foi lançado em três formato: o bom e velho livro, um e-book e um audiobook — todos que eu planejo ler, reler e ouvir tanto quanto assistirei a última temporada de Parks.  Mas se você não é que nem eu e tem mais o que fazer da vida ou respeita uma boa noite de sono, minha dica é: compre o audiobook. Não por preguiça, ou economia de tempo e praticidade, mas simplesmente porque ele é melhor. O e-book tem pequenos vídeos que ilustram os capítulos de Parks, por exemplo, citados no livro, mas o audiobook traz o melhor de Amy e de sua narrativa.

Amy é uma ótima contadora de histórias, mas ela não é uma escritora, ela é uma atriz (uma das melhores) — e ela sabe bem disso—, por isso transformou seu audiobook em uma performance onde ela teria a oportunidade de fato mostrar seus talentos. Quase todo livro é gravado em estúdio, mas não apenas por Amy, que cria uma leitura colaborativa convidando seus pais e amigos a lerem trechos e capítulos do livro. Um destaque indispensável é o doce e hilário Seth Meyers, que não apenas leu um trecho, como escreveu um capítulo sobre sua amizade com a atriz. Uma dose de non-sense também é indispensável no livro, que incríveis cameos de incríveis atores como Patrick Stewart e Kathleen Turner (por que não, né gente?).

Mas a cereja em cima desse waffle é o último capítulo. Contato ao vivo para uma plateia no Upright Citzens Brigade, nele podemos ver o talento de Amy se aflorar. Ela é definitivamente uma performer, ela se alimenta da relação com a plateia, e isso faz com que suas piadas ganhem não apenas seu devido tom, mas uma energia a mais. Vejam —ou melhor, ouçam — confiram, e criem comigo uma campanha para uma live tour, um especial de 1 hora e meia produzido pelo Lorne Michaels, e um audiobook sequel gravado completamente ao vivo.

Séries citadas:

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