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Entreatos: Cultura pop levada a sério – Live from New York: 40 anos de Saturday Night Live

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Irreverente, sagaz, politicamente incorreto, estranho, incorrigível e quarentão. Saturday Night Live, a meca da comédia da TV americana, completou 40 anos. A celebração oficial aconteceu no último domingo em um show de 3 horas e meia que relembrou casts passados, sketches famosos, punchlines que entraram pra cultura pop, e mostrou porque, ainda hoje, é uma das maiores instituições da TV e do humor.

Nessas 4 décadas, o palco do studio 8H lançou para o grande público jovens atores (e roteiristas) dos principais clubes de comédia, stand-up e improvisação do Estados Unidos. Até então desconhecidos como John Belushi, Chevy Chase, Dan Aykroyd, Gilda Radner, Bill Murray,  Jane Curtis, Eddie Murphy, Billy Crystal, Mike Myers, Chris Rock, Chris Farley, Cheri Oteri, Will Farrow, Chris Kattan, Ana Gasteyer, Conan O’Brien, Jimmy Fallon, Maya Rudolph, Tina Fey, Amy Poehler, Seth Meyers, Rachel Dratch, Kirsten Wig, Jason Sudekis e Andy Samberg (só para citar meus favoritos). Até mesmo aqueles que fracassaram no show ao vivo, acabaram fazendo história em sua carreira com outros programas, como Sarah Silverman, Julia Louis-Dreyfus e Larry David, fazendo de SNL, e de seu produtor e criador, Lorne Michaels, uma verdadeira fábrica de talentos.

Mas não foi por acaso que SNL se tornou uma instituição da TV e da comédia, sempre reunindo novos e jovens talentos. Acontece que Lorne Michaels era, pelo menos no início, um dos únicos executivos na TV que realmente estava buscando (e brigando) por eles. Sim, pois se hoje grande parte das produções são destinadas ao público jovem, em 1975 havia poucas coisas mais contraditórias do que juventude e televisão.

O começos da década de 70 foi marcada pela generation gap, e se um lado tínhamos os jovens da contra-cultura,  do outro tínhamos as velhas instituições, e não é preciso muito para entender de que lado a TV estava. Logicamente, conquistar essa faixa etária seria um trunfo para qualquer emissora, e sim, eles queriam a audiência, mas o fato é que eles não estavam dispostos a fazer o que seria necessário para conquistá-los. Os executivos não compreendiam esses cabeludos, sua música, seu humor, e assim os programas vigentes, evitando polêmicas, tabus e falta de conduta, permaneciam no ar, fugindo das questões e gostos da época e representando tudo que os jovens queriam se distanciar.

Outras emissoras, e a própria NBC, tentaram na época atrair jovens com programas destinados a eles, mas todas as produções acabavam sendo muito água com açúcar para realmente causar efeito. SNL poderia ter sido mais uma dessas produções, mas Lorne, que na época tinha apenas 27 anos, tinha um objetivo: fazer um programa de TV que realmente ele gostasse de assistir.

Seria um programa de sketches, sagaz, que falasse dos assuntos atuais, colocando nada para fora do escopo — drogas, sexo e da sátira política — desde que a piada fosse bem feita, e com uma lista bem clara de convidados musicais: bandas de rock. Uma receita que os altos executivos da NBC nunca ouviriam, pois se Lorne tinha uma imagem muito clara do que queria, ele também tinha experiência o suficiente para não contar para ninguém, convencendo seus superiores de que ele faria um bom trabalho sem entrar nos detalhes do que seu trabalho constituiria exatamente.

Para isso ele reuniu um time de escritores e comediantes talentosos, degenerados e, sobre tudo jovens — apenas um tinha mais de 35 anos — batizados carinhosamente de “The not ready for primetime players”. Eles, longe da sede da NBC, logo encheram andar do Studio 8H de gritos, pranks e maconha (entre outras drogas).

40 anos passados, algumas coisas mudaram. Hoje, provavelmente não se acham muitas drogas nem nas after parties (talvez nas after after parties), e o Studio 8H é um lugar visitado até pelos filhos dos escritores e atores, mas a essência ficou e Saturday Night Live continua fazendo piadas, sejam inteligentes ou nonsense, do mundo aqui fora — e ninguém continua ileso.

Parabéns, SNL.

Séries citadas:

6 Comments

  1. pedroluiz02

    mutio bom; pena que a Sony esprema em 40 minutos a exibição.

  2. Carol Figueira

    Espero que a Sony faça o programa em pelo menos 80 minutos.

  3. Felipe Stefani

    eu não conheço a história do SNL, mas lendo o texto fiquei curioso, porque Sarah Silverman, Julia Louis-Dreyfus e Larry David fracassaram ao vivo? o que aconteceu?

  4. Paulo Serpa Antunes

    Felipe, o SNL é um programa que teve muitas fases e audiência enormes para o horário e também baixíssimas. Então tem comediantes que o público e a crítica gostaram mais e outros que eles gostaram menos.
    E aí ficou este fato curioso de, por exemplo, eles terem tido no elenco um Robert Downey Jr. e não ter dado muito certo. E por outro lado uma Tina Fey, que era só uma roteirista, virou uma estrela do programa, a ponto de fazer a audiência disparar imitando a Sarah Palin.

  5. Felipe Stefani

    obrigado pela resposta, eu ñ conhecia quase nada sobre o SNL, mas vou começar a ver desde a season 30, fiquei chocado com a quantidade de gente talentosa que participou desse programa Oo hauhauaha

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