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Entre erros e acertos: um balanço da temporada de ‘Once Upon a Time’

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Bem, não foi das minhas temporadas favoritas, para falar a verdade. Mas, mon dieu, o final. AI, O FINAL *-*

Comecemos pelo começo. A quarta temporada de Once Upon a Time seguiu o padrão de sempre – duas histórias encadeadas, mas independentes, por temporada. Gosto bastante desse esquema, acho que evita que a história fique empacada eternamente numa mesma situação. Pois bem, o primeiro plot envolveu as queridinhas personagens top da balada no momento: as princesas de Arendelle, Elsa e Anna. Uma jogada de marketing interessante, com certeza colocou lá em cima a audiência da série. É realmente uma pena que o gelo de Elsa tenha esfriado demais o clima de OUaT.

Primeiro, não curti o vestido da Elsa. Sei que a ideia era ficar igual ao do filme, mas… Francamente, ABC. Amiga minha já fez vestido pra cosplay da Elsa que ficou com caimento mais bonito. Aqui, na minha cidadelinha, com dinheiro curto. Indo mais a fundo, não gostei do tom suspirante que deram para ela e para a Anna (cujo figurino só posso elogiar). Elsa e Anna foram criadas princesas fortes e independentes, e não foi legal distorcê-las só para que a Emma pudesse pagar de salvadora (mais uma vez). Acho que já seria o suficiente a Swan só ajudar na busca pela Anna, por meios práticos. Além disso, se a ideia era que fosse uma história pós-Frozen, a Elsa não saber controlar os próprios poderes foi um furo dos grandes.

Pois bem. Tivemos a introdução de Elsa – inicialmente como vilã, o que eu achei interessante -, e depois a introdução do plot. Anna sumiu. Até a tia do sorvete, Ingrid, aparecer, estava bem legal. Mas aí ela apareceu. Não gosto da tia do sorvete. Toda vez que olhava para Ingrid, via Rachel Matheson, por quem eu sinto um ódio especial. Confesso que gosto do trabalho da Elizabeth Mitchell – inclusive gostava dela em Revolution, até pouco antes de a personagem ficar insuportável -, mas admitamos: esse papel em OUaT não foi o ponto alto da carreira. Partindo daí, entramos no grande mistério familiar da realeza de Arendelle. Mães, tias, irmãs, uma confusão só. A história, na verdade, é bem razoável, se tratando de lógica – aquela coisa genética, mas meio mágica. Mas é claro que, pra desandar, Emma tinha de ser parte disso (o que ficou mal explicado, uma vez que conhecemos a família da Swan). Forçação de barra, achei, e tem sido constante. Okay, Emma é a principal, mas ela tem mesmo de ser o centro de tudo? Personagem mal explorado na série é o que não falta, a salvadora já tem coisa demais nas costas. Enfim. No fim, como de costume, a loura, linda e Lannister salva a pátria. Prende a tia sorveteira no pote de novo, manda a realeza de volta para Arendelle e fim! Todo mundo fica feliz. Só que não.

Nessa altura do campeonato, eu já estava frustrada o suficiente com OUaT a ponto de dizer “chega!” e só arrumar disposição para sentar e me atualizar na série uma vez por mês, e olhe lá. Logo que as novas vilãs foram apresentadas, no último episódio antes do hiatus de Natal, já fiquei com aquela sensação de nojo. Achei a Malévola péssima, apesar de ter me acostumado e até conseguido gostar dela depois (outra vez, ABC pegando carona nos lançamentos cinematográficos; acontece que Kristin Bauer não é Jolie, por mais excelente que possa ser); achei a Úrsula péssima, e continuei achando (acho que a Regina, quando se passou por Úrsula, ficou tão fiel à do desenho original da Ariel que o baque foi muito intenso); achei a Cruella péssima, totalmente despropositada no antro de vilões mágicos, mas tive de amá-la muito, postumamente.

Once_Upon_A_Time_S04E17_108

A ideia da vez era dar finais felizes aos vilões – ideia essa que começou lá atrás com Regina, nossa vilã redimida linda diva da minha vida (Lana, casa comigo, pelo amor de Deus). Daí surgiu a genial ideia de encontrar o autor de Once Upon a Time. Pois que não é tudo um conto de fadas? Alguém tinha de ter escrito a história. Mas não foram só os bonzinhos que tiveram a ideia. The Dark One, o maldito que eu não consigo odiar jamais, leva a Operação Mangusto para o Dark Side of the Force. E aí, como sempre, a coisa desanda.

Pra começar, falemos do melhor núcleo: Regina, após ser abandonada por Robin Hood – que voltou para Marian (argh), se vê forçada a passar para o lado dos vilões, como uma espiã. No fim, acaba sendo descoberta e sofre com várias chantagens, uma vez que se descobre que Marian, na verdade, não é Marian, mas sim Zelena (é, a verdinha maluca de Oz, irmã da Regina). Zelena pretende se vingar da irmã, roubando a felicidade dela com o homem que ama. Mas, como todo vilão, se dá mal no final.

Em segundo lugar, descobre-se que os nossos mocinhos, o detestável e assassinável casal Branca de Neve e Charming, foram bem maus com a inicialmente vilã Malévola, ao amaldiçoarem sua mini dragoazinha, ainda no ovo, em nome de garantir a bondade de Emma. Não curti, não foi maneiro. Se eu já detestava os dois, passei a detestar ainda mais. E o ainda mais ficou maior com todo o mimimi da parte dos dois, pedindo pra que a Emma os perdoasse – não a Malévola, mas a Emma. Vontade de estapear os dois com força, cara, putz grila. E eu confesso que gostei da reação da Emma de não perdoar logo de cara. Você pode até odiar alguém, mas mexer com os filhos? Não, inadmissível. Pelo menos uma coisa “boa” saiu dessa história: a amizade entre Emma e Lily. Achei genial essa retomada – já tinha amado a história solta e fui pega de surpresa com a relação.

O mais importante, no fim das contas, é que essa galera toda encontra o autor. Que é um grande canalha, não gostei. Até então, só tínhamos tido as histórias de duas das três vilãs da vez contadas, e, enfim, chegou a vez de Cruella. Ai, gente, foi lindo. E amei o fato de eles não distorcerem (muito) a personagem para se chegar ao poder dela de controlar animais. E a jogada do autor de não deixar ela matar ninguém foi de mestre, também. A ambientação foi linda, eu não poderia amar mais; a explicação sobre o cabelo de duas cores foi genial; tudo, tudo maravilhoso. Realmente, I had sympathy for the De Vil (e amei esse raio desse trocadilho no nome do episódio também <3). Nessa altura do campeonato, Cruella e Úrsula estão fora de jogo, Malévola encontrou a filha/seu final feliz, Regina consegue salvar seu amado das garras da irmã. Sobram apenas dois finais a serem consertados: Zelena, que apenas vai presa, por motivos de estar grávida, e Gold, cujo coração está quase inteiramente negro. Para resolver isso, temos o autor. E então, chegamos ao último episódio.

Foi uma coisa explosivamente ‘maravilinda” esse episódio, que não poderia deixar de ser duplo. A mando de Gold, o autor modifica completamente toda a história, se colocando em uma realidade paralela, onde é apenas um escritor famoso. Henry, nosso esperto garoto, percebe logo o que está acontecendo (já que não foi enviado para a mesma realidade que sua família) e dá um jeito de achar seus amados – levando o autor (que não é mais o autor, diga-se de passagem) junto, claro. E aí, nesse novo mundo, os papéis estão todos invertidos: temos um Rumple ‘cavaleiro-em-armadura-brilhante’, uma Regina fora-da-lei, um Hook covarde bebedor de leite, uma Snow má (que ficou parecendo a Xuxa quando resolveu ficar morena) e um Henry tentando convencer todo mundo a representar seus devidos papeis. Nesse mundo, como se vê, Rumple é um herói, e Zelena vive a felicidade de Regina. Depois de toda uma jornada tentando convencer Regina e Hook de que aquele mundo não era o real, Henry e Emma conseguem, finalmente, fazer com que o amor verdadeiro de Regina e Robin salve o dia. Foi só de se verem, cara. Lindo, lindo, lindo. Só o rostinho dela assim na porta da Igreja Ç.Ç E aí ele dizendo que ela não ia morrer sozinha Ç.Ç Na boa, esses caras querem me matar do core. Como se não bastasse essa lindeza, tinha que ter algo ‘woooooow!’ no final, pra resolver de vez a situação. Lembram-se que o Autor não era mais o autor? Então. Henry é o novo autor. E logo após salvar todo mundo, abre mão de seu poder – como um bom menino, quebrando a caneta mágica. “O poder de mudar a realidade só é superado pelas consequências de fazê-lo”. É um garoto inteligente.

Once Upon a Time - S04E22

Pra encerrar o assunto, ficamos aí com o terreno preparado para a próxima temporada de OUaT. Na tentativa de salvar Gold, os bons amigos conseguem retirar as trevas de seu coração (antes que eu me esqueça: ABC, pelo amor de Deus, efeitos melhores. Aquela treva parecendo piche com raios foi demais pra mim), mas o receptáculo não aguenta prendê-la. Revela-se, então – o que não foi surpresa nenhuma pra mim, falei em coro com o texto -, que apenas uma pessoa pode destruir toda aquela escuridão: Merlin. Enquanto Merlin não vem, quem toma conta dela é…. *rufem os tambores* Emma Swan! Tá, novidade nenhuma, Emma cuidou do problema. Maaaaaaaaaas isso me faz ter várias ideias mirabolantes sobre o que vai ser essa próxima temporada, com a salvadora fora da ativa.

Alguns recados para a ABC: Ouça-me bem, amor… Preste atenção, o mundo é um moinho… 1) Não sobrecarregue a Salvadora. Ela não é o Superman, amigos. Nem o Batman. Precisa respirar. Vai ser bem legal se jogarem mais com o lado negro dela agora, então façam isso. 2) Aproveitem que já pegaram esse gancho de Merlin e, POR FAVOOOOOOOOR, falem de Morgana das Fadas e o universo Arturiano. Serei uma fã eternamente grata. Viajo praí pra beijar vocês se fizerem isso. 3) Não cavem abismos com teus próprios pés. Vamos dar um upgradezinho nesses efeitos e em alguns desses figurinos, né, gatos? Vocês são Walt Fucking Disney Company. Têm grana e tecnologia pra fazer direitinho.

No mais, nada mais. Esperemos a próxima temporada, que promete MUITO. Boa sorte para nós aguentando até lá.

Séries citadas:

Futura jornalista. Medrosa e sonhadora que só. Escritora de margem de caderno, adora os Beatles, filmes e livros em geral. Fácil de agradar. Sitcoms são o melhor acompanhamento para as refeições e o resto das séries, para qualquer horário livre. Doida de pedra e antissocial, nerd até à medula. Apaixonada pelas culturas britânica, hindu e hippie. Sintam-se à vontade pra me amar.

Website: http://tempoedimensoesrelativasempalavras.wordpress.com/

3 Comments

  1. Vitória Braz

    Cara, eu amei, tipo, MUITO esse texto! Super concordo em absolutamente tudo! (Principalmente sobre o efeito bizarro da trevas de pistache jijifghjfd). E sobre reação quanto à Mitchell em Revolution e a falta de bom senso em introduzir a Emma na história: concordo. Totalmente tosco e desnecessário. Porém como fã trouxa que sou, aguardo ansiosamente essa S5 e espero que, como você disse, o Adam e o Eddie saibam aproveitar essa nova “Dark Swan”.

  2. silvana bispo

    Essa temp foi um pouco bagunçada, acho q não exploraram direito as 3 vilãs, não gosto da Emma envolvida em tudo, fica super chato, adorei a Regina de bandit mas detestei a Snow de evil queen, pq a Lana interpreta E.Q com perfeição absurda, então é até injusto com a J.G, tbém achei q ficou parecida com a Xuxa, não conseguia parar de rir…eu não assisti a malévola(filme) então não relaciono as duas ;e adorei a Malévola, só não gostei daquelas roupas largas e acho q a amizade dela com a Regina deveria ser mais explorada, acho q enrolaram d+ na primeira parte com frozen e na 4b tiveram q correr, não gostei, pq fiquei esperando a temporada inteira pra ter mais Robin e Regina e quase não teve e no eps Lilly esperava q ela desse uma surra na Swan e não aconteceu. rs ela merece apanhar por ter estragado toda felicidade da Regina com Robin, e gostaria de ver mais Regina e Cora, acho que tinha tantas outras coisas pra serem exploradas na série do q a Salvadora e seus pais… e não estou gostando do gancho, o cara virou uma moça, espero q o Rumple volte com a Bella(outra chata Rs), gosto das cenas do Rumple Regina, adorei ela ter sido mais “esperta” do que ele e pra finalizar, meu o cara q interpreta o Henrry é péssimo….sem expressão alguma… mas espero q a 5 temp seja mais envolvente e menos centrada na Swan…

  3. Juliana

    Alguém me tira uma dúvida boba, mas… Se a Cruela era de Londres, aparentemente anos 30/40 quando ela se encontra com o autor, como ela estava na Floresta Encantada quando Bela ainda era empregada do Rumple? Perdi alguma coisa?

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