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Opinião

Homenagem aos 300 episódios de ER: o ranking dos melhores episódios da série

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No fim do ano passado, eu postei uma Spoiler Zone comentando o episódio 300 de ER, 300 Patients (leia aqui). Fiquei entusiasmado com a idéia de trezentos pacientes passarem pelo PS em apenas um turno e com o retorno de John Wells na direção de um episódio. Mas acabei me decepcionando; foi justamente o único episódio desta temporada do qual não gostei.

Resolvi comemorar então este número histórico de maneira diferente: com um top 10 dos melhores episódios da história de ER. Tarefa extremamente difícil, mas gratificante de se fazer. E não estranhe se alguns dos episódios nunca foram vistos por você: não tenho culpa se a Warner teima em não exibir as quatro primeiras temporadas (alías, neste mês o canal estreou uma nova grade, e nada de mudanças pra ER – ainda apenas às 10 da manhã, e sem os primeiros 91 episódios). Bem, chega de enrolação. Vamos à lista:

Cenas de ER

10. Menções honrosas
Foi uma árdua tarefa selecionar apenas 10 episódios dentre os mais de 300 já exibidos por esta série, que pelo menos até a 9ª temporada conseguia manter uma absurda regularidade de bons, ótimos e excelentes episódios. Então além de eu selecionar um episódio triplo numa das posições, usarei a 10ª pra, rapidamente, lembrar de alguns que mereceriam estar aqui: February Fifth, 1995 (01×14, tão bem humorado quanto Secrets and Lies), Motherhood (01×23, nascimento de Susy e dirigido por Quentin Tarantino), Hell and High Water (02×07, mais visto da série, por 48 milhões, e nem foi depois de um Super Bowl), A Shift in the Night (02×18, Greene sozinho atendendo 200 pacientes, tudo que 300 Patients deveria ser), Union Station (03×08, primeira saída frustrante de Susan), Whose Appy Now? (03×14, com Carter operando Benton), Exodus (04×15, onde Carter colocava o PS de quarentena por causa de um vazamento de benzina), The Storm I e II (05×14 e 15, despedida em duas partes de Doug), Such Sweet Sorrow (06×21, despedida de Carol), May Day (06×22, intervenção de Carter)… Nossa. E isso são apenas lembranças dos seis primeiros anos…

ER - 21 Guns

9. 21 Guns (12×22)
Roteiro: David Zabel
Direção: Nelson McCormick
Este é episódio mais recente no top 10. Honestamente, o que eu pensei foi: vou colocar este episódio entre os melhores da série? Eu… não precisei pensar muito. Além de ser uma referência para os novos fãs, 21 Guns tem de longe o melhor gancho pra um final de temporada de ER (ganchos que só passaram a existir no 6ª ano). O começo é cadenciado, e talvez até meio chato. Mas enquanto Neela e Pratt fortaleciam a amizade no funeral de Gallant, uma fuga extraordinária é planejada no hospital. Os colegas de Steve, o problemático ex-marido de Sam, imobilizam Kovac, fazem a enfermeira de refém e tentam fugir pela triagem do PS.

Mas depois de um alerta, a polícia e os bandidos se envolvem no maior tiroteio da história do seriado. Não fosse o bastante, Sam descobre que o filho também fora sequestrado. E no final, com Jerry sangrando até a morte nas salas de trauma, Abby desmaia na sala vizinha, sob o testemunho de um apavorado e imobilizado Kovac. Tudo ao som de Open Your Eyes. Pessoalmente, a taquicardia que senti durante esse episódio foi equivalente à que senti quando Carter vê Lucy no chão, depois de serem esfaqueados. Um sopro de genialidade nessa fase atual de ER.

ER - Blizzard

8. Blizzard (01×09)
Roteiro: Lance Gentile
Direção: Mimi Leder
A primeira superlotação a gente nunca esquece. Blizzard foi o primeiro episódio de ER, fora o filme-piloto, a ter o roteiro previamente planejado antes do início da produção da série. Ação de Graças, nevasca na cidade, PS vazio. Tempo pra que Susan e Mark engessem Carter, enquanto dormia, apenas pra fazê-lo pagar um mico. A paz então é encerrada quando um engavetamento leva 150 pacientes pro único Pronto-Socorro aberto da cidade. Nunca o PS ficou tão lotado. Foi a estréia de CCH Pounder no elenco, da ação heróica (e exagerada) da recepcionista Bob e a primeira vez que víamos o verdadeiro potencial da seriado.

ER - The Healers

7. The Healers (02×16)
Roteiro: John Wells
Direção: Mimi Leder
Tocante. O episódio é inteiramente focado no atendimento de bombeiros e paramédicos feridos num incêndio – entre eles, Raul, parceiro de Shep, então namorado de Carol. Os médicos se tornam coadjuvantes e o drama é protagonizado inteiramente pelos enfermeiros, paramédicos e bombeiros. Grosso modo, este episódio é tudo o que Where There’s Smoke (10ª temporada, morte da namorada bombeira de Weaver), queria ser mas não conseguiu. O roteiro de Wells e a direção de Leder foram merecidamente indicados ao Emmy, tornando quase bicampeã uma das melhores diretoras da série, que encerra aqui sua participação em . Pelo menos ER levou o Emmy de Drama do Ano.

ER - Secrets and Lies

6. Secrets and Lies (08×16)
Roteiro: John Wells
Direção: Richard Thorpe
Este é unânime. Livremente inspirado no filme Clube dos Cinco, três homens (Carter, Kovac e Gallant) e duas mulheres (Abby e Susan) são “confinados” numa sala durante a tarde de sábado. No episódio, os cinco são obrigados à assistir uma palestra sobre assédio sexual após um desentendimento com Weaver. Susan, que na época namorava Carter e enfrentava seus ciúmes por causa do enfermo Mark, sugeria a todo momento que ele estava a fim de Abby, ex de Kovac. Além de conversarem sobre a família e a primeira vez de cada um, sobra tempo até pra uma luta de esgrima entre Luka e Carter. Em Secrets and Lies, aprendemos mais sobre estes cinco do que em temporadas inteiras. É dos mais gostosos de se assistir.

ER - When Night Meets Day

5. When Night Meets Day (09×21)
Roteiro e Direção: Jack Orman
Antes de alcançar os 300, ER passou pelos 200. Concordo que foi além do que devia, mas nesse momento, ele ainda era top. E Orman se despedia do seriado nessa obra-prima em forma de roteiro e direção. Pratt está em seu último turno no hospital e Carter prestes a viajar ao Congo depois de longas desilusões com Abby. A ação entre os dois é mostrada simultaneamente, apesar de ambos estarem separados por doze horas. Guerra de gangues, suicídio coletivo, um eclipse, a amputação definitiva de Romano, o incêndio no Magoo’s… e claro, a sincronizada cena com tela dividida entre Carter e Pratt nas salas de trauma. Um primor técnico que, tenho certeza, faria qualquer um nunca mais largar a série depois de assistir.

ER - Ambush

4. Ambush (04×01)
Roteiro: Carol Flint
Direção: Thomas Schlamme
Ao vivo é só pra quem pode! A premissa é das mais rasas: uma equipe de documentaristas mostra um turno no PS. A diferença está na execução. O diretor de The West Wing e Studio 60 dá o tom neste caos controlado, onde qualquer erro colocaria tudo à perder – e mesmo assim, tem mais cenas de trauma do que os de temporadas recentes. Apesar de todo elenco brilhar, Edwards (Mark) e Noah (Carter) têm um destaque especial com magníficas atuações. Vale lembrar que é “só” o primeiro episódio de Alex Kingston (Corday) e a entrada de Maria Bello (Anna del Amico) no elenco fixo da série, após algumas participações. Dois detalhes interessantes: a produtora do documentário é interpretada por Lisa Edelstein, a Dra. Cuddy de House. E a produção realizou duas filmagens, num intervalo de uma hora entre elas, para a exibição, também ao vivo, da Costa Oeste. É só pra quem pode.

ER - All in the Family

3. All in the Family (06×14)
Roteiro: Jack Orman
Direção: Jonathan Robert Kaplan
Este dói até hoje e causa verdadeiros rios de lágrimas em sua exibição. Lucy Night, interpretada pela linda Kelly Martin, se despedia de ER de uma das formas mais cruéis na história dos seriados: a pobre estudante de medicina foi esfaqueada quase 20 vezes por Paul Sobriki, paciente bipolar interpretado por David Krumholtz, de Numb3rs – o ataque na verdade foi no episódio anterior, Be Still My Heart, dirigido por Laura Innes (Weaver). Tudo em família, nunca os médicos trabalharam com tamanho esforço e preocupação no County. Depois de estabilizados no PS, ambos sobem pro centro cirúrgico: Benton e Anspaugh trabalham em Carter, esfaqueado no rim esquerdo. Corday e Romano ficam com Lucy, com facadas no abdomem, tórax e pescoço. Mas nem todo o esforço de Rocket foi possível pra livrá-la da morte. Mas, de certa maneira, a med-student acabou sendo imortalizada nas mentes dos fãs.

ER - Orion in the Sky, The Letter, On the Beach

2. Orion in the Sky (08×18) | The Letter (08×20) | On the Beach (08×21)
Roteiro: David Zabel | Jack Orman | John Wells
Direção: Jonathan Robert Kaplan | Jack Orman | John Wells
Pense rápido: qual protagonista com as iniciais MG, lida com a morte na melhor das trilogias em um seriado médico? Errou se disse Meredith, acertou se respondeu Mark. Para uma considerável parte do público, ER como conhecemos terminou depois da saída do Dr. Greene, um dos melhores personagens médicos da história da televisão. Depois de dois anos batalhando com um câncer, o personagem de Edwards se despede do seriado, depois de receber US$ 35 millhões apenas nas últimas três temporadas. Em Orion in the Sky, Mark enfrenta o que seria seu último turno, tutoriando o novato arrogante Greg Pratt, trabalhando durante a quimioterapia e finalmente desistindo do tratamento, pra depois dizer chega, devolver o carrinho pro mendigo Al, atender sua última paciente, olhar pela última vez para os colegas, soltar suas lições de vida, e passar a bola pra Carter. Tudo na mais linda das melodias.

Depois de um episódio intercalado, no crossover com Third Watch, o seriado médico volta a ser centrado em Mark agora em The Letter, primeiro trabalho na direção de Jack Orman. Carter lê a carta via fax escrita por Greene, no saguão da recepção… pra que todos sejam pegos de surpresa no final chocante do texto:

Mark morreu essa manhã. 06:04 da manhã. O sol estava nascendo, era sua hora preferida do dia. Enviei essa carta pra que soubessem que ele pensava em vocês, quando aconteceu.

Inicia-se então um dos mais difíceis turnos do PS. Carter toma as rédeas depois que Weaver diz, de maneira direta, que todos olharão pra ele na esperança de completar o vazio deixado por Mark. Se ela falou sobre os colegas ou os fãs da série, não importa: era tudo válido. Depois de tomar o estetoscópio de Greene como seu, e consolar Gallant com a mesma conversa que teve em seu primeiro dia de trabalho, os fãs sabiam que a série estava em boas mãos – pelo menos por um tempo.

E finalmente, John Wells, depois de dirigir/escrever as saídas de Carol e Doug, toma as rédeas de mais uma saída de um protagonista, agora no último de Mark Greene. Em On the Beach, indicado ao Emmy pelo roteiro e pela direção, Mark vive seus último dias procurando focar-se no ítem número 1 de sua lista de “coisas que quero fazer antes de morrer” (algo como o filme de Morgan Freeman e Jack Nicholson, Antes de Partir): consertar a filha Rachel. No Havaí, onde depois de piorar e fica sem condições de retornar, batalha para por juízo na aborrecente. Elizabeth, que estava separada dele antes do tumor voltar, acompanha os dois nesses duros dias. Tão duros, que Mark grita um “shit” (merda) depois de não conseguir se levantar da cama, e ninguém processou o canal (era apenas a segunda vez que se falava esse palavrão no casto primetime americano). A cena de sua morte e o enterro (que infelizmente não contava com Carol nem Doug), com Israel Kamakawiwo’ole cantando “Somewhere Over The Rainbow”, é uma das melhores de todo seriado. O episódio é um massacre emocional. Mas lindo, e construtivo. Até hoje, sou generoso com meu tempo, meu trabalho, minha vida…

Apesar de ser apenas a 4ª despedida mais assistida (28 milhões), tecnicamente empatado com Benton e atrás de Lucy (31 mil), Carol (32 mil) e Doug (36 mil), os números se provam mais fortes na semana seguinte, no ótimo season finale Lockdown, com o PS em quarentena por causa de um vírus. Apesar de bem escrito e dirigido, a audiência dispencou pra 22 milhões. E nunca mais foi a mesma. E uma curiosidade: apesar de ser a temporada mais freqüente neste ranking, a 8ª foi a primeira da série a não receber uma indicação ao Emmy de Melhor Drama, ao contrário dos sete anos anteriores. E desde então, ER nunca mais esteve presente nessa categoria…

ER - Love's Labor Lost

1. Love’s Labor Lost (01×18)
Roteiro: Lance Gentile
Direção: Mimi Leder
Premiações as vezes são muito ingratas. Apenas 12 vezes o seriado recebeu indicações no Emmy para seus trabalhos na direção. Menor ainda foram as indicações pra roteiro: apenas sete. E o seriado recordista de indicações no Emmy só levou um de cada em quase essa década e meia. Exatamente neste episódio, que fez o nome da série: Love’s Labor Lost. Apesar de ser um dos programas de maior audiência do ano (média de 29 mi, atrás apenas de Seinfeld) e uma regularidade de ótimos episódios em sua temporada de estréia, faltava “algo” pra marcar ER como o melhor programa do gênero. Depois dele, não faltava mais nada. Love’s Labor Lost é praticamente focado apenas no parto de uma mulher com eclâmpsia, depois de uma série de erros do até então perfeito e infalível Dr. Greene. Foram quase 12 horas apenas com essa paciente: liderados por Mark, Susan, os estudantes Carter e Chen, mais o corpo de enfermagem, todos trabalharam em sintonia, mas não o suficiente.

Lembro-me da primeira vez que vi este episódio: na Globo, depois da novela. Eu estava morto de cansaço (tinha apenas 11 anos) mas acabei perdendo o sono e quase que sentindo as dores de Jodi O’Brian. Clássico responsável por cinco prêmios Emmy (direção e roteiro, ambos impecáveis, edições de som, câmera e uma trilha sonora hipnotizadora). A Atriz Collen Flyn, que interpretou a grávida, infelizmente não levou, mas serviu para que Bradley Whitford participasse de ER e ainda colocou a obstreta Janet Cobburn como uma das mais ilustres médicas coadjuvantes. Clássicos dos clássicos que definiu a série. E infelizmente, não é exibido pela Warner há mais de cinco anos.

E é isso. Listas são sempre polêmicas e cada um tem a sua de preferência. Então eu pergunto: concorda pelo menos em parte com a minha lista? Tem algum episódio de sua preferência que não foi mencionado aqui? Adoraria saber os favoritos de vocês.

Séries citadas:

55 Comments

  1. Marcela

    adoro o seriado, estou na sexta temporada e me surpreendi com a morte de lucy, foi chocante e super realista….

  2. Mario CS

    Falar que adoro o seriado seria uma redundância…sou tão viciado que tenho todas as temporadas em DVD, telas não me tornaria um viciado, mas assisto todas elas da 1° a 15° temporada em sequência até hoje…e começo o ciclo novamente…e novamente…e novamente… no minimo 3 vezes por semana eu assisto alguns episódios de ER…com relação a sua lista, devo salientar que ela me parece excelente, talvez eu alteraria a ordem, mas é uma lista excelente… espero que os que nunca assistiram o façam, pois é simplesmente uma lição de vida, que os marcará para sempre… só para contar mesmo sendo fã do personagem MG, meu episódio predileto é All in the Family (06×14).

  3. Caio

    Eu já assisti a todas as Temporadas de ER e os guardo (os DVD’s) com o maior cuidado do mundo. Eu ó alternaria essa lista passando o segundo colocado (a morte de Mark) para primeiro e o primeiro para segundo.
    Excelente seriado, excelentes produção e excelentes histórias, extremamente viciante esse seriado!!!
    Vou assistir, novamente, em sequência as 15 temporadas assim que terminar de ver as 8 temporadas de 24h

  4. Caio

    Também assisto o seriado do 1° ao 15° em sequência pelo menos uma vez ao ano.

  5. maria enilce

    amo essa série, adoraria se Carter e Lucy tivessem tido um romanse bem demorado.

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