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É hora de despedida: o elenco de Fringe deixará saudade

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O que faz uma série de televisão ser memorável? Muitos são os fatores que conduzem um seriado ao sucesso. Uma boa equipe de produtores é um deles, afinal, é preciso vestir a camiseta da série e brigar pela sua permanência no ar. Uma boa equipe de diretores e roteiristas, que saibam conectar todos os pontos da história e mostrar isso para o telespectador de forma única, para manter o interesse dos mesmos, é outro ponto importante. Uma emissora disposta a investir no seriado, e a segurar as pontas. Mas de nada adiantaria todos esses elementos se não houvesse, do outro lado da câmera, atores talentosos.

Digo com a maior convicção do mundo: não há fã de Fringe que não tenha se apaixonado, perdidamente, pelos atores que fizeram com que acompanhássemos tão dedicadamente as tramas do seriado, torcendo pelo sucesso – ou insucesso, em certos casos – dos personagens que quase passaram a fazer parte das nossas famílias.

E se é pra falar dos atores que deram vida à Fringe, nada melhor do que começar por ele, a alma do seriado. John Noble, o ator mais injustiçado da história recente da televisão, que vai acabar sua magnífica jornada na série sem NENHUMA indicação aos principais prêmios. O ator australiano, nascido em 20 de agosto de 1948, já era conhecido pelos cinéfilos e fãs de seriado, já que fez parte de algumas produções de sucesso, como o filme O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei e o seriado All Saints. Mas foi quando Noble passou a interpretar o cientista atormentado Walter Bishop que ele passou a ser mais conhecido e, consequentemente, admirado.

Desde a estreia de Fringe, nunca houve consenso sobre o trio de protagonistas. Muitos criticam a atuação de Anna Torv na primeira temporada, taxando-a de blasé, sem sal, ou de dona de uma expressão única. Foi apenas a partir da 3ª temporada que a maioria dos fãs reconheceu em Torv atuações fascinantes. Já Joshua Jackson nunca comprometeu, mas também passou um longo tempo sem ser tão exigido, em termos técnicos. Foi na quinta temporada que o ator tomou as rédeas da situação e teve atuações magníficas, especialmente na fase Peter Observador.

Mas o que falar de Noble? Desde o 1° episódio o ator é unanimidade. Perdi as contas de quantas vezes chorei nas cenas de Walter, e de contas vezes gargalhei assistindo as peripécias do cientista. E John transita entre drama e comédia com uma sutileza que poucos possuem, e com uma naturalidade ainda menos comum.

Certamente, sentiremos muita, MUITA saudade de assistir o simpático velhote de olhos acalentadores todas as semanas na telinha.

Planos para o futuro? Ainda é cedo para dizer quando veremos novamente John em outro seriado. Nas telonas, o ator poderá ser visto em Guardians of Luna, ainda em fase de produção e, portanto, sem data de estréia definida. Por enquanto, a única certeza é que o ator aproveitará bastante o sol australiano, já que John publicou em seu perfil no Twitter (@johnnob58004412) que fez as malas e voltou para a Austália.

Outra australiana que aprendemos a amar é Anna Torv. A musa de Fringe, nascida em 15 de junho de 1974, já deu as caras na Borracharia TeleSéries, e faz muito marmanjo – e menininha – por aí suspirar. Mas nem só de um rostinho bonito é feito Anna Torv. E são muitas outras as razões para se apaixonar pela interprete de Olivia Dunhan, em suas duas versões.

Como dito anteriormente, a atuação de Anna foi bastante criticada quando Fringe estreiou. Mas aqueles que achavam que Torv não tinha condições de ser a protagonista que o seriado precisava e merecia viram suas fichas irem embora, definitivamente, quando a 3ª temporada estreiou e Anna se dividiu entre Olívia e Fauxlivia – ou Bolivia, como eu costumo chamar. Uma atriz + duas personagens totalmente diferentes = a capacidade de nos fazer sorrir e, especialmente, chorar. Creio que não há sequer um fã de Fringe que nunca tenha se solidarizado com a dor de Olivia, tão evidenciada pelo olhar profundo e entristecido de Torv. E, no final das contas, acabamos percebendo que sim, Torv melhorou MUITO da primeira temporada até agora. Mas que sua expressão “de dor” não era falha técnica. Era o reflexo do pesar carregado por Olivia. Um pranto constante, que nem mesmo a felicidade era capaz de afastar. E foi quando nos deparamos com a expressão mais serena, zombeteira e alegre de Bolivia, que tivemos certeza que Anna e suas personagens têm algo em comum: são badass ao extremo.

Eu sei, dói o coração de saber que seus cabelos loiros e seu sorriso meio torto não marcarão mais ponto, semanalmente, nas nossas vidas. E me entristece anunciar que não tenho boas notícias. Anna já anunciou que pretende ficar um tempo afastada das telas, para descansar o físico e a imagem. Então, só nos resta esperar, torcendo para que logo ela volte a protagonizar outras histórias por aí.

Quando Fringe estreiou, com certeza o mais conhecido entre os atores do trio de protagonistas, era o canadense Joshua Jackson. O ator, nascido em 11 de junho de 1978, desde 1991 pode ser visto em vários filmes e seriados, e ganhou projeção mundial em 1998, quando passou a interpretar Pacey Witter em Dawson’s Creek. Naquela época, o ator agradou tanto ao público que conseguiu a façanha de acabar o seriado com a mocinha, deixando o “protagonista” que nominava o show chupando o dedo. E depois de praticamente 5 anos longe das telinhas, Joshua embarcou na aventura Fringe, e nos fez novamente cair de amores, dessa vez por Peter.

A atuação de Jackson nunca ficou tanto em evidência. A culpa disso, certamente, é de Noble – um verdadeiro ladrão de luzes de holofotes – e de Torv, que se revezavam em interpretações brilhantes. Talvez Joshua não tenha tido TANTO destaque em razão de ser o único ator do elenco principal de Fringe que interpretou apenas um personagem. Então, a qualidade na interpretação era menos escancarada. Por isso tantos aplausos na 5ª temporada. O dispositivo autoimplantado por Peter nos deu a chance de comprovar o que havíamos vislumbrado em vários episódios do seriado. Jackson é um grande ator, pois somente um interprete de muita qualidade conseguiria dar vida a Peter na fase da mudança de comportamento, atitude, olhar e expressões faciais. Li por aí uma frase que dizia que Fringe é de John Noble, mas que a 3ª temporada é de Anna Torv e a 5ª de Joshua Jackson. E concordo com ela. Mas isso não significa que Josh tenha sido um mal ator, pelo restante do tempo. Muito pelo contrário. Ele fez de Peter um personagem para se amar.

Joshua, assim como Anna, não tem planos para voltar à televisão em breve. Também não há nenhum filme do qual ele tenha participado em produção. Tudo indica que, por enquanto, Josh ficará apenas aproveitando as férias na companhia da esposa, a bela – e igualmente talentosa – Diane Kruger.

Mas nem só do trio principal foi feita Fringe. Os atores escalados para o elenco recorrente do seriado também caíram nas graças do público. A cada partida – e foram tantas, nesses cinco anos – nossos corações se apertavam mais e mais, e menos caras conhecidas povoavam a telinha do computador.

Kirk Acevedo é um exemplo de quem partiu deixando saudades. O intérprete dos Charlies saiu de Fringe em 2011, sendo que seus personagens foram apenas referidos posteriormente. Mas tenho certeza absoluta que a maioria da audiência desejava ver mais do amigo-irmão da agente Dunhan, seja na versão azul, ou na divertida versão vermelha. Acevedo participou de Collision Earth, Prime Suspect e The Mentalist depois de Fringe, então os fãs mais dedicados puderam continuar acompanhando-o. E em breve devemos ver mais dele por aí.

Mas saudade mesmo sentimos – acho que boa parte dos fãs está comigo nessa – de Seth Gabel. Porque é impossível não admirar o interprete dos Lees. O Hot Lee, vermelhinho, e o menos hot, azulado. Depois que Hot Lee passou dessa para uma melhor, acabando com um shipper bem promissor com Bolivia, foi um alívio vermos Lee aparecendo no lado azul. Porque era muito cedo para nos separarmos de Gabel e de sua beleza e fofura. Foi geral a tristeza quando a porta entre os universos se fechou e Seth parou de bater cartão em nossas residências. Sorte do dia: em breve veremos o moço em Arrow. E torço para que não pare por aí, e o currículo já recheado de participações em seriados de Seth aumente ainda mais. Quem sabe o garoto não ganha uma série para chamar de sua? Bom, uma garota pode sonhar.

Outra dor, essa mais recente: nos separamos de Bonnie Blair Brown, a intérprete de Nina Sharp. O trabalho de Brown foi notável, especialmente porque sua qualidade interpretativa ressaltou o caráter dúbio de Nina, presente em todas as suas versões. Nunca sabíamos se podíamos confiar em Sharp, e amamos e odiamos a ruiva grisalha na mesma medida. Quando deu tchau, definitivamente, à Fringe, foi em uma cena emocionante, que deixou todos os fãs com aquele gostinho de “queria ver mais dela” na boca. Mas aos amantes de Bonnie, um conselho. Não se desesperem, porque a americana é dona de um currículo enorme, já que desde a década de 70 marca presença nas telonas e nas telinhas. Isso sem falar da broadway – a senhorinha até ganhou um Tony Award. Então, em breve Brown deve reaparecer em algum universo, por aí. Podem ficar tranquilos.

De Lance Reddick ainda não nos separamos, mais isso não significa que não sintamos saudade de ver o imponente ator – que ainda é um ótimo musicista, como pudemos conferir em Brown Betty – com mais frequência nos episódios de Fringe. Assim como Bonnie, Lance interpretou os Broyles com maestria, nos fazendo duvidar de seu caráter e suas motivações várias vezes. Mais: nos passou com exatidão a luta que Broyles – especialmente o do lado vermelho – empreendia entre fazer o que deveria fazer contra fazer o que precisava fazer. Amanhã, nos despediremos de Broyles – eu espero ver o Capitão uma última vez -, mas a despedida de Reddick será breve. Ainda esse ano, poderemos vê-lo em St. Sebastian e White House Down. E com certeza, novos filmes e seriados virão, e nosso eterno Capitão poderá ser acompanhado, de pertinho.

Eu falei, no início do texto, que amamos os atores que nos fizeram amar os personagens de Fringe. Mas alguns atores nós amamos por nos fazerem odiar seus personagens. E Jared Francis Harris é um deles. Quem não sentia um ódio absurdo e do tamanho do mundo pelo maquiavélico e asqueroso David Robert Jones? A interpretação de Harris foi de tirar o chapéu, e ele tem lugar cativo na galeria dos interpretes dos grandes vilões, daqui até a eternidade. E Jared é tão bom ator que se sentiremos “saudade” de Jones, dele não devemos sentir. Os mais saudosos podem correr para o cinema mais próximo e assistir Lincoln. E logo deveremos ter a oportunidade de ver mais de Harris em The Mortal Instruments: City of Bones (que estreia em agosto deste ano), Paganini: The Devil’s Violinist e The Quiet Ones. Ou seja, veremos muito ele, e em tamanho grande.

Na mesma categoria de Jared, uma presença especialíssima. Leonard Simon Nimoy, o eterno Spok (Star Trek), costuma emprestar sua voz para várias produções. Mas mostrar a cara e bater cartão, Nimoy não costuma. Então, foi uma grata surpresa ver tanto dele em Fringe – foram 11 deliciosos episódios. O simpático e adorável ator de 81 anos de idade nos fez ter ódio mortal de William Bell, muito embora também nos tenha feito amar o cientista que acabou se revelando um dos maiores vilões do seriado. E, com certeza, sentiremos imensa saudade de seu tom de voz inconfundível. Mas, em se tratando de Nimoy, não há o que lamentar. Devemos é agradecer por ele ter aberto tamanha exceção à Fringe, e tenha contribuído para o engrandecimento de nossa amada série.

E o que falar de um ator que conseguiu transformar um personagem que deveria ser odiado em um dos mais amados do seriado? Michael Cerveris, o polivalente interprete de September – ele canta e toca guitarra, também -, era conhecido no universo da Broadway, já que participou de várias produções com destaque, o que acabou lhe levando à vitória no Tony Award. Mas na televisão, September foi o primeiro trabalho de relevância de Cerveris. E que trabalho! Vamos combinar que interpretar um Observador não deve ser tarefa fácil. E interpretar O Observador, aquele diferenciado, menos ainda. Boa parte do amor que sentimos por September se deve ao trabalho de Michael, que passava com o olhar as emoções que, teoricamente, September nem estava sentindo. E em UM episódio como Donald – The Boy Must Live -, Cerveris deu show e deixou todo mundo na mão ao tornar muito concreta a dor esperançosa do personagem. Por tudo isso, e muito mais, torço para que o “carequinha” apareça novamente muito em breve.

E se comecei falando da alma da série, encerrarei falando do xodó, Jasika Nicole. A americana de 32 anos não era muito conhecida antes de Fringe. Mas depois de dar vida à Astrid e suas 373460324632 versões (para quem já cansou de ler, e não entendeu a piada, explico: esse número deve ser até pequeno para o número de nomes que Walter inventou) em 92 episódios de Fringe, impossível que algum fã não tenha se apaixonado pela morena de olhar gentil e sorriso fácil. O amor e o carinho por Jasika são proporcionais aos mesmos sentimentos que nutrimos por Astrid. Ou seja, são enormes. E deve se frisar que nem só de fofura vive Nicole. A atriz fez um ótimo trabalho interpretando Astrid, especialmente se levarmos em consideração a diferença de personalidade entre a Agente Farnsworth original e a alternativa. E sentiremos muita saudade, sem dúvida, da química gigantesca entre Noble e Nicole. Porém, nada de planos para ela, em breve. A certeza é que, se depender dos fãs de Fringe, a moça ainda fará muito sucesso. Torço por isso.

Menção honrosa para Michael Kopsa (Windmark) e Georgina Haig (Etta), que também deixarão saudade. E para as lindas vaquinhas – SIM, foram 3. Duvida? Confira aqui – que tiveram a difícil tarefa de pastar no momento certo, “interpretando” Gene. Sentiremos MUITA saudade de você, Genezinha.

Fringe, um seriado com um GRANDE elenco. Caras lindas, de gente talentosa, que farão muita falta. Aiai.

Séries citadas:

Editora Chefe do TeleSéries, gasta boa parte da sua semana com séries. Sua estréia foi com ER, e atualmente assiste - entre várias outras - Grey's Anatomy, Game of Thrones, Suits, Castle e Rookie Blue. Ainda assim, arrumou um tempinho para maratonar Friends, The X Files e Chuck - pela qual se apaixonou, recente e irremediavelmente. Está saindo da crise de abstinência de Fringe graças à Orphan Black.

7 Comments

  1. MicaRM

    Belo texto, Mariela. Nossa, deu até vontade de chorar sabendo que nunca mais os verei juntos semanalmente.
    A propósito, vocês esqueceu de comentar da transformação da Anna em William Bell. Se BOlivia foi fantástica, a BEllívia foi suprema.

  2. Maurício Köslipp

    Texto digníssimo para essa série fantástica. Só de ler tudo isso, já fiquei com mais saudades ainda. Daqui algumas horas estarei vendo os 2 últimos episódios. Vou sentir falta de todos os personagens e com certeza irei chorar durante e após assistir. Separando lenços para ver o final, de preferência sozinho e trancado no quarto hahaha.

  3. FlaviaRibeiro

    Final fofo falando da Gene!
    Adorei, Mariela, também sentirei muita saudade desse povo. E da voz apaixonante do Joshua Jackson!

  4. Everton

    Apesar de ter sido uma participação especial, acho que vale lembrar também a do

    Christopher Lloyd na 3° temporada, como o idolo musical do Walter.

  5. Felipe

    Depois de Fringe , oque assistir , ta dificil , o sentimento é porque eu assisti Fringe tão rapido rsrsrs , alguem ajuda ae rsrrs.

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