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Opinião Spoilers

Dual Spires, o tributo de Psych a Twin Peaks

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Simone Miletic conta como foi o episódio de Psych repleto de referências à clássica Twin Peaks.

Psych - Dual Spires

She’s dead… Wrapped in plastic…

Eu tinha 14 anos quando Twin Peaks passava na telinha da TV Globo, logo depois do Fantástico. Apesar de terem se passado vinte anos vários aspectos do seriado continuaram comigo, afinal, ele se tornou referência para muitos outros que vieram depois, além disso, suas imagens e personagens eram tão bizarros que dificilmente você poderia esquecê-los.

David Lynch deixava um terço da população americana de queixo caído todas as semanas e saber quem matou Laura Palmer se tornou o mais importante mistério daquele ano – dizem que mais importante que saber quem matou J.R. em Dallas, outra obra que marcou uma geração.

Isso mais um bom mistério tornaram Dual Spires da Psych, que foi ao ar no dia 1º de dezembro nos Estados Unidos, um episódio delicioso de ser assistido – mas sobre o qual não foi tão fácil escrever e que acabou rápido demais.

As referências mais fáceis aconteceram pela participação de atores que foram importantes na trama de Twin Peaks. Estavam lá Sherilyn Fenn, Dana Ashbrook, Robyn Lively, Sheryl Lee e Ray Wise e a maioria apareceu ainda no teaser.

Veio então a conhecida música tema de Psych, “I Know You Know”, desta vez na voz de Julee Cruise, ritmada como a música que tocava no início de cada episódio de Twin Peaks.

Envolvida por tudo isso só me restava duas coisas: ficar buscando a cada cena uma nova referência e tirar o pó do box da série original para matar a saudade.

Psych - Dual Spires
As demais referências? O nome da vítima (Paula Merral, um anagrama para Laura Palmer), o fato dela também ter um diário que serve como base da investigação, o apelido de Gus (Lodge Blackman, lembrando Black Lodge), a forma como o corpo é descoberto (enrolado em plástico), a mulher carregando um tronco, mas falando com uma criança (uma referência a louca que tratava um tronco como seu filho em Twin Peaks), a obsessão de Shawn e Gus por torta de canela (uma referência a obsessão do agente Cooper), a bibliotecária de Sherilyn Fenn e seu refrigerante de cereja (as tortas, no original, eram de cereja), Shawn e Gus em sua bicicleta dupla atravessando a cidade.

Talvez a grande dificuldade em escrever sobre o episódio seja não conseguir separar o que era Pscyh e o que era Twin Peaks, por outro lado, essa integração foi o que fez com que ele funcionasse tão bem. E boa parte disso é porque Psych sempre foi muito bom nisso, em pegar todo o tipo de referência e colocar no roteiro como se pertencessem ao seriado.

E essa sensação de que a referência na verdade é algo novo é o que garante a diversão para fãs ou não fãs das obras originais.

Eu diria que quem era fã de Twin Peaks pode aproveitar ainda mais o episódio, mas ele foi excelente para qualquer fã de Psych – mérito de James Roday, que passou a me impressionar ainda mais desde que assumiu co-escrever os roteiros.

E na cena final, a música tocando no café, o estranho gigante, o homem com o tapa-olho e o terno colorido, a garçonete, a torta, tudo me fazia pensar que era um programa que eu adoro homenageando aquele que foi responsável por que eu me tornasse uma grande fã de seriados.

Perfeito.
Psych - Dual Spires

Séries citadas:

13 Comments

  1. Reinaldo Crantschaninov

    Psych não é uma série que eu acompanho, mas assisti este episódio pela homenagem a Twin Peaks, esta sim uma série que me intrigou na adolescência. Adorei o episódio e achei justa a homenagem nos 20 anos de Twin Peaks. As referencias a Twin Peaks foram muitas, gostaria de citar duas delas : as imagens do ventilador de teto e do corvo. Valeu Psych.

  2. Pingback: Tweets that mention Dual Spires, o tributo de Psych a Twin Peaks -- Topsy.com

  3. Rafael Ruiz

    Acompanho sempre Psych e sempre é risada garantia!
    Uma das coisas que adoro em Psych é que eles encaixam no roteiro várias referências do “mundo POP” de forma que se encaixe nos episódios.
    Gostei bastante deste episódio!

  4. smiletic

    Oi Reinaldo,

    Foram tantas as referências que vale assistir ao episódio mais de uma vez. Valeu muito a homenagem!

  5. smiletic

    Por conta do comercial de fim de ano do canal, acho que vão voltar com Psych nessa pausa de The Event. tô na torcida para estar certo.

  6. Fernando dos Santos

    Excelente review da Simone.Concordo com ela.Um dos maiores méritos de Psych e saber trabalhar as inumeras referencias a obras icônicas da cultura pop de uma maneira que sempre soa natural dentro do contexto da série evitando descaracterizar o episódio.
    Depois de tantos anos acompanhando a série, começo a achar que Psych merece um olhar mais atento da critica especializada.A série pretende ser apenas entretenimento puro, mas em muitos momentos consegue ir além disso.

    Quanto a Twin Peaks acho que nunca vai haver elogio suficiente para esta genial criação do genial cineasta David Lynch concebida em parceria com o obscuro Mark Frost(que depois de TP foi para o limbo).
    Lynch e Frost pegaram um típico enredo novelesco e o subverteram injetando altas de suspense,mistério,surrealismo e até mesmo horror sobrenatural.O resultado foi um clássico da televisão moderna cuja influência se vê até hoje e que ajudou a impulsionar a chamada Segunda Era de Ouro da televisão americana, ao lado de outras estréias da época como Simpsons,Seinfeld e Law&Order.
    Se tivesse de apontar um grande erro em Twin Peaks apontaria o fato de usarem o assassinato de Laura Palmer como pontapé inicial da trama e principal chamariz para o público.Twin Peaks era muito, mas muito mais que uma investigação de homicídio e um mistério em torno da identidade de um assassino.
    A série era um profundo mergulho na lado mais sombrio da mente humana em meio a uma intrincada e surpreendente teia de ligações entre personagens incríveis que estão na memória dos fãs até hoje.

    A lamentar, apenas dois fatos.1)O cancelamento no final do segundo ano deixando um incrível cliffhanger sem conclusão.2)O fato de nunca terem dado outra chance para Lynch na televisão americana.Ele até tentou voltar a essa mídia em 2001 com Mulholand Drive, piloto de duas horas que acabou rejeitado pela ABC.Lynch não se deu por vencido e rodou uma conclusão para a trama lançando o pilot no cinema em forma de longametragem.O resultado foi um enorme sucesso de crítica que recebeu vários prêmios e indicações.
    Depois de tudo isso fico aqui pensando.Se em meio aos estreitos limites das grandes redes Lynch concebeu uma produção genial, imagina o que ele faria em um canal a cabo tipo HBO,Showtime ou AMC?

  7. Fernando dos Santos

    Esqueci de acrescentar que em 1992 Lynch dirigiu o filme Fire Walk with Me que no Brasil ganhou o nome de Os Ultimos Dias de Laura Palmer.Como já revela o título brasileiro, o longa é um prequel.
    Não sei se foi opção de Lynch ou imposição dos produtores rodar um filme que serve de prelúdio ao invés de fazer um longa concluindo a trama.

  8. lv426

    S/ TP tive o prazer de assistir alguns episódios na Globo e me marcou muito, Laura Palmer é inesquecível. Tenho esse filme de 92 e é de chorar vendo a angústia dela.

    Acho que TP foi tão grande que inspirou um pouco até Arquivo X.

  9. lv426

    aproveitando o assunto, quem já viu aquele clipe da Desirelles voyage voyage percebe que tem algo de David Linch ali, ou é muita coincidência.

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