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Reviews

Doctor Who – The Name of the Doctor

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Série: Doctor Who
Episodio: The Name of the Doctor
Número do episódio: 7x14
Data de Exibição no Reino Unido: 18/05/2013

“Eu não sei quem eu sou. É como se eu estivesse sendo despedaçada em um milhão de partes e há só uma coisa que eu lembro: Eu tenho que salvar o Doutor.

Ele sempre está diferente, mas eu sempre sei que é ele. Algumas vezes eu penso que estou em todos os lugares ao mesmo tempo, correndo a cada segundo apenas para encontrá-lo, apenas para salvá-lo, mas ele nunca me ouve. Quase nunca. Eu voei para este mundo em uma folha. E ainda estou voando. Não acho que eu vá pousar algum dia.

Eu sou Clara Oswald. Eu sou a Garota Impossível. Eu nasci para salvar o Doutor.”

(minha tradução mequetrefe)

****

E assim começou The Name of the Doctor. O primeiro minuto do episódio já explodiu o meu raciocínio e eu virei geleinha pelos quarenta e tantos minutos restantes. Chorei, gritei (de nervoso, de emoção, de alegria, de raiva) e ri como uma louca o episódio inteiro. Esse final de temporada mexeu de tal forma comigo que não sei o que falar. O impacto foi absurdamente grande e faz três dias que tenho tentado traduzir em palavras a balbúrdia que está o meu pensamento. Sem muito sucesso, devo acrescentar.

Enfim, terminou o mistério de Clara Oswin Oswald. Não poderia ser mais simples, e por isso mesmo tão forte. Clara é realmente nada mais do que uma garota humana normal, e ainda assim, é aquela que aceitou morrer inúmeras vezes, em inúmeros corpos, sempre um eco dela mesma, para que o Doutor não fosse apagado da existência.

O Doutor influenciou muita gente, salvou e destruiu mais povos do que é possível contar, mas acho interessante que seus companions nunca estão ali à toa, sempre tem um papel determinante em sua vida.

Foi de um carinho sem tamanho de toda a produção de Doctor Who ao dar aos fãs a oportunidade de terem um vislumbre das demais regenerações do Doutor. Essa conexão que estão fazendo com as antigas temporadas torna a série mais homogênea e inevitavelmente desperta a curiosidade pelos episódios clássicos.

O difícil, pelo menos para mim, é conseguir entender exatamente como esta dispersão de Clara pela timeline do Doutor funciona. Ela viveu vidas completas, creio eu, algumas nascidas na Terra, outras em planetas diversos e até mesmo uma vez em Gallyfrey (uma Time Lady ou apenas uma gallifreyana que por acaso era técnica de TARDISes). Talvez tenha influenciado o Doutor em silêncio algumas vezes (várias vezes, provavelmente, caso contrário A Grande Inteligência teria vencido), houve ocasiões que sua influência foi mais palpável, como a que sugeriu que ele furtasse a TARDIS correta (a TARDIS que o queria com ela e o aceitaria em seu interior) e por duas vezes conseguiu que o próprio Doutor tomasse conhecimento de sua existência. O que inevitavelmente acabou levando ao seu encontro real com o Doutor e a acompanhá-lo em suas aventuras.

O que me tira o sono são duas coisas distintas:

1) Nas duas vezes que o Doutor a incluiu em sua vida, ela não lembrava quem era ele e qual era a sua missão. Por que nas demais vezes ela sabia exatamente para o que nascera independente de ter contato ou não com o Doutor?

2) Clara diz que tudo aquilo já aconteceu e ele lembrar-se dela por duas vezes é a prova disso. No passado do Doutor ela já corrigiu a devastação provocada pela Grande Inteligência, portanto Clara deve ser a pessoa a entrar na timeline do Doutor e corrigi-la. Sendo assim, por que o Doutor recorda das duas últimas vezes, mas não do dedinho de Clara em sua primeira aventura, furtando a TARDIS? A menos que a escolha da TARDIS tenha sido a última alteração feita tanto pela Grande Inteligência quanto por Clara, e por isso por todo esse tempo o Doutor não havia conhecido ainda a garota, mas agora já se lembre do seu primeiro encontro.

Outro ponto alto do episódio foi a despedida de River Song. Como eu gosto desta personagem e de sua interação com o Doutor! Não é todo mundo que entra na história do Doutor dando a própria vida para salvá-lo. E os dois já passaram por tanta coisa juntos. Centenas de anos se encontrando e reencontrando, brigando e se amando criando um vínculo que é muito difícil romper. A hora que ele reconhece a existência de River e confessa o quanto o faria sofrer falar com ela, quebrou o meu pobre coração. O Doutor precisa viver todos os dias sabendo que ele foi o responsável pela morte de River há mais de 300 anos, e por todo esse tempo ela esteve presa a um mundo virtual, simplesmente porque quando ele a ‘salvou’ não tinha a menor ideia da importância que ela teria para ele no futuro ou mesmo imaginou que River permaneceria naquele mundo virtual por tantos séculos.

Eu gostei da forma como trouxeram a River pós-biblioteca para a vida do Doutor. Não é como se a Biblioteca tivesse sido invalidada, muito pelo contrário. Ela esteve mais presente do que nunca e por isso foi tão mais dolorido. Juro que não entendo as pessoas que não gostam da Professor Song.

O beijo foi um toque especial. Apaixonado, sofrido, real. Mas a frase do Doutor logo após o beijo foi ainda melhor: “Since nobody else in this room can see you, God knows how that looked”. (minha tradução mequetrefe: “como ninguém mais nesta sala consegue ver você, sabe Deus o que isso pareceu”). Impossível não rir…especialmente porque era exatamente o que eu estava pensando naquele momento.

O que eu não consegui engolir muito bem foi o motivo da ida para Trenzalore. Tudo bem, eu entendi que Madame Vastra achou que seria necessário fazer a mesa redonda com as pessoas mais próximas ao Doutor para falar do suposto mistério que o prisioneiro avisou (por que ela chamou a River pós-biblioteca e não uma versão qualquer da River ainda viva!?), mas não podia fazer um chamado para o próprio Doutor e esperar ele dar as caras e avisá-lo? Teria impedido alguns problemas….Jenny não teria morrido (fico feliz dela ter sido revivida ao final, pois adoro a Jenny, mas seria ainda mais emocionante se ela tivesse morrido definitivamente) e ninguém seria levádo a Trenzalore como chamariz para o Doutor. E sem o Doutor aparecer no planeta, não teria Grande Inteligência interferindo com a timeline dele e por aí vai.

Mas como esse foi o plot que arrumaram para levar o Doutor e Cia para o planeta cemitério, não vou criar muito caso, mesmo porque os motivos para ele ir à Trenzalore no final das contas foram irrelevantes, o que importava mesmo era o que aconteceria lá.

Duas coisas na TARDIS morrendo em Trenzalore me deixaram levemente preocupada: o vidro rachado (que é justamente o que acontece quando o Doutor pousa no planeta…era de se imaginar que se a morte fosse muito tempo depois a TARDIS já tivesse se consertado, não?), e o interior (que é o atualmente usado pelo Doutor, não tem jeito). E agora, José!? Isso quer dizer que o Doutor vai morrer de vez nesta regeneração!? Ou eles simplesmente vão ignorar Trenzalore no futuro do Doutor? Ou ainda, puro erro de continuidade?

E por que ao morrer a tumba do Doutor guardava as cicatrizes das passagens do Doutor ao longo dos universos? Certo, ele disse que corpos eram ‘chatos’, mas a verdade é que em outras ocasiões ele teve um corpo ao morrer (como em Turn Left, por exemplo). A menos que, após morto há algum tempo, o corpo de um Senhor do Tempo se transforma em energia, marcando a timeline de cada um. É difícil seguir o que é oficial e o que é mutável na história de Doctor Who

E o grande final, aquele que tirou o sono de todo fã  ao redor do mundo: John Hurt. O Doutor diz que essa é a parte dele que fez coisas que ele não faria usando o nome de Doutor. As teorias já começam a pipocar.

1) Esta é uma versão entre o 8° e o 9°, que fez coisas horríveis na Guerra do Tempo e por isso o Doutor o apagou de sua existência. Eu acho que é a mais provável (“O que eu fiz, eu não tive escolha. Eu fiz em nome da paz e da sanidade”), mas também seria a opção que mais me desagradaria. Primeiro porque isso diminuiria o papel do Oitavo na Guerra do Tempo (e já tivemos tão pouco dele…deixem-no ao menos ser o responsável por acabar com a guerra), e depois porque isso invalidaria todas as vezes que o Doutor falou sobre o que fez, a destruição, a culpa… Tudo o que ele fez foi uma escolha consciente, ele o fez como Doutor.

2) John Hurt é uma versão anterior à primeira regeneração. Ele é o motivo pelo qual o Doutor abandonou o próprio nome e se tornou O Doutor. É a minha teoria preferida (embora o próprio Doutor diz que ‘esse é aquele que quebrou a promessa’, o que dá a entender que já fosse chamado de Doutor antes de cometer as atrocidades que cometeu).

3) É o Valeyard (a amálgama das regenerações anteriores, que aparece entre a Décima Segunda e a última regeneração….ainda não vi o episódio que o Valeyard aparece, por isso não posso falar muito sobre o assunto). Não gosto muito desta teoria também, mas ainda acho mais interessante que a teoria 01.

4) Bom, ele também pode ser The Storm ou The Beast (conforme mencionado pela Grande Inteligência), duas formas pela qual o Doutor é conhecido, mas como eu não sei lhufas sobre elas, não me atreverei a falar besteira por aqui. Se alguém tiver alguma contribuição a respeito, sinta-se à vontade para compartilhar.

E é isso…resta-nos esperar até dia 23 de novembro para o aniversário de 50 anos de Doctor Who, onde o mistério será revelado. Até lá, há tempo de sobra para fundir a cuca tentando descobrir quem é John Hurt no passado do Doutor (e ainda continuar surtando com a maravilha que foi The Name of the Doctor).

“I don’t know where I am. I just know I’m running.

Sometimes it’s like I lived a thousand lives in a thousand places.

I’m Born, I live, I die. And always there’s the Doctor.

Always I’m running to save the Doctor. Again, and again, and again.

And he hardly ever hears me. But I’ve always been there.

Right from the very beginning. Right from the day he started running.

I don’t know where I am. I don’t know where I’m going or where I’ve been.

I was born to save the Doctor, but the Doctor is safe now.

I’m the Impossible Girl and my story is done.”

Séries citadas:

Michele Reis Martins, a Mica, é advogada e mantém o blog Esperando o Esperado. Fã de Arquivo X, Highlander, Buffy, Doctor Who e sci fi em geral.

5 Comments

  1. Bruno

    Eu odeio o Moffat.

    Odeio quando cria expectativas que ele não consegue preencher.

    Odeio quando deixa pontas soltas (plot holes), que me lembram como eu detestei o final de LOST ao ponto de achar que perdi SEIS ANOS da minha vida vendo AQUILO.

    Odeio quando ele coloca esses finais apressados, nas coxas, sem permitir o desenvolvimento dos personagens ou das tramas.

    Odeio essa série partida, como odiei 2009 com aqueles 4 especiais e mais nada.

    Odeio o formato blockbuster da semana, sem arco.

    Odeio pensar que não vou ver mais a River. Odeio não termos um aprofundamento maior da Clara antes de saber seu segredo, como tivemos da própria River.

    Odiei o fato de não terem arrumado mais cenas em que ela pudesse interagir de verdade com os 9 Doutores, como fez com o primeiro, podia ser uma coisa boba, tipo pinçarem uma cena que tivesse ficado mal explicada antes, e que a presença dela pudesse consertar. Ao invés de ficar zanzando como barata tonta, até dentro da TARDIS, e o Doutor NÃO LEMBRAR DELA LÁ.

    Odeio depois de TRÊS anos ainda não saber quem explodiu a TARDIS ou por que o Silencio não estava em Trenzalore. Ou por que a gangue não fez nada quando o Doutor pediu que impedissem a GI de entrar na timeline dele, já que os Sussurantes estavam do outro lado, feito estátuas.

    E finalmente, odeio ter que esperar mais seis meses para saber quem é o DOUTOR ZERO e por que Clara não lembrava dele.

  2. MicaRM

    Assim…a gangue não fez nada para impedir a GI porque estavam tão curiosos quanto eu para saber o que ia rolar lá dentro ^^.

    Quanto ao Silêncio e Trenzalore…eu acho que o silêncio da profecia na verdade não era uma entidade, mas sim o resultado de mexer na timeline do Doutor, ou ainda mais, o silêncio é a própria manifestação da personalidade que o Doutor tentou execrar.

    Sobre a explosão da TARDIS, confesso que isso eu não tenho a menor ideia…e duvido que algum dia irão explicar.

    Não tenho reclamações sobre a forma como mostraram a Clara na timeline do Doutor. Eu não creio que ela apenas ficou como uma barata tonta…eu acho que ela influenciou várias vezes, provavelmente sem que ele tivesse conhecimento. As cenas picadas foram apenas para mostrar que ela se espalhou no tempo, viveu várias vidas diferentes, uma delas pelo menos (embora eu creio que mais do que uma) nascida na própria Gallifrey.

    Não sei porque ela não lembra do Doutor em duas ocasiões, mas acredito que o Doutor não lembre dela porque a mudança não foi em segundos…ela foi acontecendo e ele vai lembrando aos poucos a medida que ela vai influenciando. Mas como em várias ocasiões ela não o encontrou pessoalmente, apenas agiu desfazendo o trabalho da GI, não havia porque ele lembrar dela.

    Quanto ao aprofundamento da Clara, ela continuará na série, então a conheceremos mais. O mistério, que era o que ficava no meio do caminho, que nos fazia acreditar que ela não era apenas uma garota normal, foi resolvido. Agora Clara é apenas uma humana como qualquer outra, que tem uma vida normal e talvez um ou dois segredos que serão mostrados aos poucos.

    Minha maior reclamação com o episódio em si é a forma corrida como o Doutor foi atraído a Trenzalore (isso sim eu acho que merecia mais algumas menções anteriores) e os Whisper Men saídos do nada.

    Agora, sou obrigada a confessar que também não gosto desse negócio desse formato blockbuster da semana, assim como não sou muito fã dessa visão mais infantil e fantasiosa que o Moffat tem de Doctor Who.
    Mas ainda assim eu continuo adorando a série e acho que o Matt Smith está em sua melhor forma como Doutor até então.

    —–Não há porque essa ter sido a última aparição da River. A versão viva dela ainda pode se encontrar com o Doutor em algum ponto, mas a versão virtual parece que finalmente deu adeus.

  3. Miriam

    Também não entendo porque tão dizendo que essa foi a despedida da River. A Alex Kingston abandonou a série?

    Porque amigues, a River morreu em sua primeira aparição. Parar de explorá-la agora por um capricho qualquer é bobeira! Nos encontros com o Doctor ela sempre comenta de uma ou outra aventura que passou com ele, da qual ele não se lembra. Queria que mostrassem pelo menos isso…

    I mean, temos o fim e o começo do arco dela (seu nascimento e morte). A coisa toda desse episódio pode ter sido só pra ter maior carga emocional e/ou a despedida da River pós-biblioteca desta encarnação específica do Doctor.

  4. Bruno

    E como eu havia antecipado, Matt Smith deixa a série em dezembro. Quero ver como vão fazer o flerte de JLC com o novo Doutor :-(

  5. Bruno

    Ela nao vai mais aparecer por causa do “namoro” entre o Doutor e Clara! Não viu quando ela perguntou “Por que não me disse que tinha uma esposa?”

    E ele próprio falou pra River que o tempo dela passou.

    Agora teve uma cena da Clara na biblioteca. O que ela estava fazendo lá?

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