Log In

Reviews

Doctor Who – The Curse of the Black Spot

Pin it

Série: Doctor Who
Episódio: The Curse of the Black Spot 
Temporada:
Número do Episódio: 6×03
Exibição: 07/05/2011

Alguém comentou comigo que o Steven Moffat tem algumas amizades perigosas. O comentário foi em resposta à minha reclamação do roteiro deste terceiro episódio de Doctor Who. Stephen Thompson, o roteirista da vez, já havia trabalhado com Moffat em Sherlock, escrevendo justamente o segundo e mais sem graça dos episódios da série. Ele não foi melhor em Doctor Who, o que é uma pena.

Não gosto de fazer uma resenha recheada de críticas, principalmente quando o que estou resenhando é Doctor Who, série da qual sou fã desde que coloquei meus olhos pela primeira vez. Mas algumas vezes não há como escapar e esta é uma delas.

O episódio foi simples: Doutor e Cia foram parar em um navio pirata do século XVII, respondendo a um alerta de socorro. Fica claro logo de cara que não foi ninguém no navio que emitiu o tal alerta, mas isso não quer dizer que o povo não estava precisando de uma mãozinha. A tripulação vinha desaparecendo um a um, capturados por uma sereia (se alguém conhecer uma melhor tradução para Siren, eu agradeço se compartilhar. Sereia sempre me faz pensar em alguém metade humano, metade peixe).

O modus operandi foi facilmente identificado: a pessoa se machucava ou ficava doente e lá vinha a sereia capturá-lo. O Doutor, como de costume, decidiu ajudar os piratas. Tudo bem que ele teve um sem número de teorias furadas, mas uma hora ele acertou. Foi só depois de praticamente toda a tripulação já ter sido levada, mas antes tarde do que nunca, não é? Pelo menos é o que propagam por aí…

No final da tal sereia nada mais era do que uma médica virtual que assumiu o controle depois que a nave onde estava caiu ou encalhou e o piloto morreu (alguém mais lembrou The Doctor Dances?). A propósito, a tal nave é quem emitiu o sinal de socorro…e estava por algum motivo ocupando o mesmo espaço que o navio pirata. Não me perguntem como é possível, já que a passagem entre os universos paralelos foi definitivamente fechada no final da 4ª temporada (embora possa ser uma dobra no tempo e não exatamente dimensões que se alternavam), o caso é que estavam ali, ocupando o mesmo espaço e deu esta confusão toda.

Com esta informação na mão, o Doutor conseguiu negociar com a médica/sereia e o capitão Henry Avery responsabilizou-se pela tripulação, bem como pela nave. Enquanto isso, Amy, como esposa de Rory, responsabilizou-se pelo marido, que deveria ter morrido afogado.

A propósito, alguém pode explicar como ele conseguiu acordar e falar enquanto estava em estase se tinha os pulmões cheios de água?

Que esse episódio não teria muito a ver com o mote da temporada todo mundo já imaginava. O que ninguém esperava era um roteiro tão ruim com tantos furos e cenas mal feitas. Aquela luta de espada de Amy foi a maior vergonha que eu já vi. Não foi apenas a falta de técnica da mulher, isso era até esperado, já que ela nunca lutou com espadas antes, mas colocar medo naqueles piratas sem nem saber segurar uma espada direito acabou com a cena para mim. Bom senso é bom e eu gosto.

Outra coisa que me irritou profundamente foi a ressurreição de Rory. Já entendi que Moffat gosta de matar o rapaz e é sempre bom vê-lo voltando de uma situação improvável, mas se é para fazer uma respiração boca-a-boca, juntamente com massagem cardíaca, que seja coerente pelo menos. Nós entendemos que Amy não sabia fazer o procedimento corretamente (eu não sei, nunca tive primeiros socorros), mas eles querem que eu acredite que o Doutor não sabe também? Que ia deixar Rory morrendo sem fazer absolutamente nada? E nem falo da tripulação do navio que o Doutor não levantou um único dedo para tentar impedir de ser levado pela sereia.

Mas o pior mesmo foi Amy desistindo do marido antes do que qualquer outro o faria. Isso porque Rory disse que confiava nela porque sabia que ela jamais desistiria. Rapaz, acho melhor você pensar duas vezes antes de colocar a sua vida na mão da sua esposa novamente.

E tem o caso do marinheiro marcado pela mancha negra e que evaporou da face da Terra (ou do navio) sem deixar vestígios e alguém nem para perguntar pelo coitado. Também temos a médica-sereia que consegue entrar no navio através das superfícies refletoras. Ao invés de jogar tudo no mar, não seria muito mais fácil simplesmente cobrir tudo? Embora eu tenha lido em algum lugar que isso tenha sido uma referência a um episódio da Era Clássica (The Smugglers) no qual eles procuravam o ouro de Avery, seria muito mais inteligente ficar implícito que o navio sozinho no mar afundou e o tesouro se perdeu, do que a cena patética do Doutor jogando tudo pelas janelas.

E eu poderia passar muito bem sem uma criança presa no navio pirata… Não sei de onde esse povo tira esta fixação por episódios com crianças.

Não posso deixar de mencionar o capitão sendo capaz de pilotar a nave no final. Mesmo que ele aprendesse a usar toda a parafernália tecnológica, como esperar que ele se vire no espaço, precisando conhecer estrelas, planetas, outras naves, legislação, etc e tal? Neste momento espera-se que o espectador desligue o botão da inteligência e aceite o absurdo feliz e contente. Desculpem, mas eu não consigo.

Mas nem tudo foram críticas! Eu gostei de duas coisas (infelizmente foram só de duas mesmo):

1) achei muitíssimo legal o efeito na sereia. A atriz, Lily Cole, não é particularmente bonita ao natural, mas ficou belíssima como sereia. Aquele efeito azul-esverdeado e as transformações para o vermelho, juntamente com os movimentos que utilizava me fascinaram.

2) a mulher do tapa olho (nomeada no imdb como Lady Kovarian) reapareceu para Amy surgida do nada e para o nada se foi. And the plot thickens…

Semana que vem é o tão esperado episódio escrito por Neil Gaiman. Todos em contagem regressiva até sábado.

Séries citadas:

Michele Reis Martins, a Mica, é advogada e mantém o blog Esperando o Esperado. Fã de Arquivo X, Highlander, Buffy, Doctor Who e sci fi em geral.

3 Comments

  1. Anônimo

    Gostei bastante do episódio. Lembrou-me bastante a era Russell, com as muitas tiradas de humor e o toque exato de emoção. Destaco, também, a cena final do navio navegando pelo universo, com seus tripulantes eternos, pelo menos enquanto a médica virtual estiver funcionando. E o menino é um ator fantástico. 
    Na 5a. temporada, não tínhamos a noção de que todos os epis se interligariam no final. Talvez aconteça o mesmo com esta temporada. Mas isso não fará diferença: vou gostar deste episódio do mesmo jeito.

  2. Marcelo

     Achei bem fraco, o pior da era Moffat

    Para um episódio simples, o roteiro tem muitos furos, os personagens do Capitão e do filho são tão pouco desenvolvidos que eu não cheguei a me importar se eles iriam morrer ou não

    Pode até ser que tenha alguma ligação com o final da série, mas nem isto vai melhorar o episódio

    Como falha, além do sumiço do Pirata, sobra a pergunta de por que o Doutor, Amy e o Capitão ao serem levados para a nave não acordaram em uma maca, a sereia deixou os 3 explorarem a nave inteira, e nem se preocupou com os ferimentos deles (tá certo que eram furinhos nos dedos) 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Log In or Create an account