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Reviews

Doctor Who – In the Forest of the Night

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Série: Doctor Who
Episódio: In the Forest of the Night
Número do episódio: 8×10
Exibição no Reino Unido: 25/10/2014

O que dizer desse episódio?

Depois de dois episódios muito bons, com um roteirista estreante, mas que, pelo visto, conhece mais de Doctor Who do que todo o povo que está na casa nos últimos anos, a série nos presenteou com um episódio no mínimo bastante falho. O que é estranho, pois o roteirista de In the Forest of the Night é um renomado autor de livros infantis e conhece o seu público.

Eu esperava bem mais coerência em um episódio feito obviamente com as crianças em mente. Pelo menos o ‘jeitão’ de história infantil permeou o episodio inteiro e, talvez,  o público infantil tenha apreciado mais, já que tínhamos várias crianças em cena e o episódio todo foi em clima de aventura com baboseira científica impossível e trapalhadas correndo soltas sem muitas explicações. Em minha opinião faltou bom senso e coerência, mas eu não sou criança há muito tempo e nunca um episódio deixou mais claro do que esse de que eu não era o público alvo. Mas não posso deixar de lembrar que The Sarah Jane Adventures tinha uma porção de absurdos científicos e todo o jeito de programa infanto-juvenil e mesmo assim eu adorava a série. A minha opinião é que qualidade se vê quando uma história para crianças atinge o público adulto e consegue divertir, ainda que não da mesma forma que aos pequeninos.

Mas vamos lá. Como não consegui me colocar no lugar dos pequeninos espectadores, resta-me olhar o episódio sob a ótica da adulta exigente que sou na maior parte do tempo. Para mim os problemas foram muitos:

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– Uma floresta gigantesca tomou conta do planeta e todas as pessoas que víamos agiam como se estivessem dando um passeio no parque. Cadê o terror? O medo? Ou pelo menos a surpresa e as expressões maravilhadas? Um pouco de reação emocional de verdade não mataria, não é?

Eu tinha achado tão legal o início com Maebh correndo e as primeiras impressões das árvores por toda a cidade. Foi bem decepcionante ver o quanto as pessoas reagiram com tranqüilidade ao fenômeno.

– A ação ocorre no coração Londrino e não vemos viva alma! De quando em vez aparecia a mãe de Maebh e os funcionários da COBR tentando criar um caminho em meio às árvores (sem sucesso), mas, fora eles, é como se Londres fosse habitada apenas por aquele grupo de estudantes e árvores. E, é claro, um grupo providencial de animais fugidos do zoológico.

– A reação de Danny Pink foi a mais sem graça de toda a história da série (não conheço a série clássica inteira, mas duvido que alguém tenha reagido com um ar de desdém tão grande diante de um fato tão estranho quanto Danny nesse episodio). Não basta ele não ter o mínimo interesse em viajar uma vez sequer na TARDIS, ele ainda age como se uma floresta surgindo do nada e cobrindo o planeta inteiro fosse comum e apenas mais uma forma de passar uma tarde feliz com meus alunos problemáticos. Não houve uma única expressão de maravilha ou de terror no rosto dele. Que homem mais sem graça!! E o pior é que eu super simpatizo com o ator, mas não estou conseguindo mais aguentar a personalidade de Danny Pink. Ele destoa demais de tudo.

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– Se mais alguém disser que a Srta. Oswald e o Sr. Pink estão apaixonados eu terei um ataque de nervos. Todos os alunos ficam repetindo isso à exaustão sempre que aparecem em algum episódio. Só pode ser uma tentativa dos roteiristas nos fazerem comprar esse casal que não tem nem sequer um dedinho de química quando estão juntos.

– De quem foi a idéia de fazer a irmã de Maebh voltar para casa miraculosamente no final do episódio? Essas coisas providenciais dos roteiros ultimamente – e o medo de consequências drásticas e definitivas – têm me tirado do sério.

– E por falar em Maebh, quem é que coloca uma criança a dar um recado a todas as pessoas da Terra via celular para impedir a desfolhagem das árvores? De tantas idéias que o Doctor já teve nesta vida, esta com certeza foi uma das piores.

– Por que Clara ainda não contou a Danny que continua viajando com o Doctor? Está com vergonha por ter feito todo aquele discurso, rompido com ele e depois voltado atrás? Não consigo entender esses dois, não consigo mesmo. Tenho a sensação de que Danny tenta colocar um cabresto em Clara e ela, por algum motivo inexplicável (porque não pode ser amor) permite.

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– Desculpa esfarrapada de Clara para salvar apenas o Doctor e não aceitar que ela, Danny e as crianças fossem salvas pela TARDIS. Sim, toda criança quer sua mãe, mas melhor uma criança viva para contar a história do que uma criança torrada por explosões solares. Sem falar que, se pensarmos friamente, uma floresta nascer do nada e cobrir o globo terrestre implicaria em destruição de boa parte das ruas, casas, prédios…todo aquele concreto rachando, pessoas morrendo ou se machucando. Mas como em Doctor Who ultimamente a ordem é ser ‘leve e inconsequente’, é claro que nada ocorreu e as árvores desapareceram tão rápida e indolor quanto como apareceram.

Mas apesar dos pesares as crianças tiveram umas tiradas legais em alguns momentos e Maebh era uma gracinha. Uma pena que tenham tratado os problemas psicológicos da garota com tamanha leviandade. Era uma oportunidade de ouro para discutir o excesso (ou não) de medicação de mudanças de comportamento em crianças, mas a forma como trataram, com o desdém do Doctor e só um comentário aqui e outro ali dos colegas e de Clara acabou sendo um desserviço aos jovens que realmente sofrem com distúrbios psicológicos.

E agora faltam apenas dois episódios. O mistério da Terra Prometida ficou realmente para o final e o trailer do próximo episódio promete. Quanto a mim, estou aqui na torcida para que a temporada termine com chave de ouro.

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OBS: Eu peço desculpas por ter falhado nos reviews por duas semanas consecutivas. Devido a uma tempestade o roteador aqui de casa queimou, compramos outro e veio com defeito e o resultado foi que ficamos vários dias sem internet. Uma pena, pois Mummy on the Orient Express e Flatline (ambos do James Mathieson) foram episódios deliciosos e com mais ‘cara de Doctor Who’ do que todo o restante da temporada.

Séries citadas:

Michele Reis Martins, a Mica, é advogada e mantém o blog Esperando o Esperado. Fã de Arquivo X, Highlander, Buffy, Doctor Who e sci fi em geral.

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