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Reviews

Doctor Who – Dark Water/Death in Heaven

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Série: Doctor Who
Episódios: Dark Water/Death in Heaven
Número dos episódios: 8×11 e 8×12
Exibição no Reino Unido: 1°/11 e 08/11/2014

Passados alguns dias desde a exibição do final desta temporada de Doctor Who eu esperava ter uma opinião um pouco mais consistente sobre os episódios, mas a verdade é que ainda não sei muito bem se gostei ou não do que vi. Para ser sincera, o mesmo pode ser dito para a temporada como um todo. Doze episódios se passaram e, embora eu tenha vibrado a cada sábado e tenha amado o novo Doctor, faltou alguma coisa que me fizesse me importar com o que estava sendo desenvolvido. Doze semanas é um tempo longo demais para não se criar vínculos e esse foi o meu maior problema com a temporada: tirando o Doctor, que simplesmente não sei não amar, todo o restante para mim não importou. Gostei muitíssimo de alguns episódios, nem tanto de outros, mas faltou vínculo entre a temporada e eu.

E Dark Water e Death in Heaven nada fizeram para mudar a minha impressão desta jornada. Tiveram alguns momentos emocionantes e meus olhos até se encheram de lágrimas em algumas ocasiões, mas ainda assim não terminei os episódios com aquela sensação de dever cumprido e de tristeza porque só teríamos mais no Natal (a propósito, viram o especial que saiu no Children in Need? Ansiosíssima pelo Natal).

Dark Water começou com uma declaração de amor e uma morte que me deixou chocada. Não porque eu tenha grandes paixões pelo personagem, mas porque foi tão repentina que meu inconsciente se sentiu obrigado a sentir. A morte é sempre um choque e não há como evitar a dor que as pessoas que ficam vivas irão sentir. Por isso dá para entender um pouco a forma como Clara manipula o Doctor para conseguir voltar no tempo e reviver Danny. Quero dizer, eu consigo compreender a dor que ela estava sentindo (principalmente porque todo o tempo em que esteve com Danny Clara mentiu e o excluiu tanto de uma parte tão importante de sua vida, que ela com certeza estava sendo corroída pelo remorso e sentimento de culpa) e o fato de ter uma nave que viaja no tempo é uma tentação grande demais (é só lembrarmos de Rose e do seu esforço para manter o pai vivo). Mas ainda assim não consigo simpatizar com a traição de Clara, principalmente porque a série não conseguiu vender para mim o amor da garota pelo ex-soldado. Os episódios tentavam me dizer que eles eram um casal, mas as cenas não passavam nem uma gota de sentimento entre os dois, o que tornou o desespero de Clara e a sua capacidade de destruir a vida do Doctor muito mais difícil de aceitar e perdoar. Sorte dela que o amor e respeito do Doctor pela companion é muito maior do que o dela por ele…

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E já que toquei no assunto, ao mesmo tempo em que fiquei feliz do Doctor ser um amigo leal e tentar o impossível para trazer a felicidade à Clara, mesmo após o que ela fez, eu também fiquei muito irritada por ele ter cogitado a ideia de trazer Danny de volta à vida fazendo uma visita ao ‘inferno’. Tudo bem que a Nethersphere (como ficou a tradução em português? Esfera Inferior?) acabou se mostrando uma criação Gallifreyana e aquela não era a alma verdadeira das pessoas, apenas uma cópia de suas personalidades guardadas em um grande banco de dados, mas isso não muda o fato de que o Doctor cogitou ir até o inferno para trazer Danny de volta.

Tirando este detalhe (que não é pequeno e estragou boa parte da diversão para mim), eu gostei da maior parte de Dark Water, principalmente a revelação de que Missy era o Mestre. Não chegou a ser um choque, muita gente já vinha cantando a pedra, mas ainda assim foi muito legal perceber que o Mestre não apenas está vivo, mas regenerou em uma Time Lady e, mais importante do que qualquer outra coisa: continua a mesma pessoa – bom, tanto quanto uma regeneração permita.

Michelle Gomez fez um trabalho fabuloso como Mestre, captando toda a essência dos seus predecessores e adaptando ao Décimo Segundo Doctor, tornando ainda mais crível o laço que une os dois Time Lords (bom, Time Lord e Time Lady agora).

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Ao término de Dark Water eu não havia aceitado muito bem a utilização de mortos na construção de Cybermen, já que há uma quantidade gigantesca de humanos vivos para serem convertidos e, para mim, é muito mais complicado trazer de volta mortos e reanimá-los, principalmente os que já viraram pó há muito tempo, do que converter os bilhões que andam sobre esta Terra. Mas após a chuva que fecundou a terra e a explicação de que Missy voltou no tempo – por toda a história da humanidade – para capturar a personalidade de todos os que já morreram até hoje, eu acabei aquiescendo. Ainda acho absurda a ideia, mas um pouco menos ridícula.

Death in Heaven teve um clima um pouco diferente. Alguns momentos mais interessantes e empolgantes e outros quase tolos.

Uma das melhores cenas do episódio foi a forma como Clara enfrentou os Cyberman assumindo a identidade do Doctor. E não há como dizer que ela não o conhece bem. Clara e o Doctor podem ter seus problemas, mas que ela foi a companion que mais esteve integrada no todo da vida do Doctor não dá para negar. Então, quem melhor do que ela para se passar por ele? Uma pena que a frase de efeito mostrada no trailer (“Clara Oswald não existe”) era apenas isso, uma frase de efeito. Tanto potencial… Mas foi uma boa sacada terem colocado o nome de Jenna Coleman por primeiro nos créditos e serem os olhos dela e não os de Peter Capaldi a aparecerem na abertura.

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Se achei chocante a morte de Danny, a conversão do professor em um Cyberman foi ainda mais impactante. É bem verdade que a produção deve achar os fãs meio incapacitados, já que precisaram mostrar o prontuário onde estava escrito Danny Pink a todo o momento, como se precisássemos da folhinha para entender que aquele Cyberman agindo diferente de todos os outros e salvando Clara era Danny, mas tentarei relevar a situação num ato de boa vontade com a série.

Eu não gosto do Danny. Quando conheci o personagem eu o achei bem simpático e estava cheia de expectativas, esperando grandes coisas para ele. Mas com o tempo ele se tornou alguém bem cansativo, com sua falta de curiosidade pelo universo, sua acomodação com o lugar-comum e a forma autoritária com a qual tratava Clara, embora disfarçado em preocupação e carinho. Mas nada me desiludiu mais com o personagem do que as suas atitudes em relação ao Doctor e como se recusou a conhecer de verdade o Time Lord, preferindo manter a sua visão preconceituosa com o alienígena.

Certo, o Doctor também não foi muito melhor no seu relacionamento com Danny, mas ele tinha a vantagem de eu conhecê-lo já de longa data, o que não era o caso de Danny. O professor sofreu gravemente de falta de desenvolvimento. Outra história de potencial mal desenvolvido… E, para piorar, tinha química zero com a personagem que, supostamente, era o grande amor da sua vida.

Mas Danny teve a sua quase-redenção neste final de temporada ao se manter fiel às suas emoções (ainda que tenha acontecido sem querer, em uma falha na hora da conversão), salvar Clara e, principalmente, pelo modo como abre o seu coração e expõe o seu desespero pedindo para que ela desligue as suas emoções. Nesse momento eu sofri com Danny.  Fico imaginando a dor que ele sentia, preso em um corpo morto e convertido em uma máquina, enquanto sofria as dores físicas e os traumas emocionais deste procedimento.

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É claro que eu também entendo Clara e a sua dificuldade em desligar as emoções de Danny. Eu também teria a sensação de estar matando-o pela segunda vez. Era uma situação de escolhas impossíveis e toda a cena entre os dois (e depois com o Doctor) foi muito bonita e emocional. O que estragou foi a forma como Danny tratou o Doctor com preconceito mais uma vez. E não importa que ele estivesse conduzindo o Time Lord à desligar as suas emoções, o desprezo pelo alienígena estava tão vivo em sua voz quanto sempre esteve e isso matou  um pouco o carinho que eu vinha sentindo pelo personagem em decorrência das cenas anteriores.

E por falar em carinho e emoções, confesso que a aparição do Brigadeiro em sua cyber forma me deixou com lágrimas nos olhos. Fiquei muito tocada com a cena. Vê-lo salvando a filha (bom, ouvindo sobre a possibilidade e conjecturando que fora isso o que acontecera), recebendo o reconhecimento do Doctor e mostrando que mesmo morto ele continua amando esta Terra e protegendo-a foi o bastante para despertar vários sentimentos. Por outro lado, é um pouco triste (para não dizer desrespeitoso) que o Brigadeiro, um personagem tão amado por tantos anos, termine os seus dias como um Cyberman, sofrendo as dores da conversão e sendo transformado em um dos maiores inimigos da humanidade. Sem falar que não deram qualquer explicação para ele não ter uma conversão completa. Danny teve o procedimento de supressão de emoções interrompido ao ver o reflexo do garoto que matou e que marcou a sua vida de forma tão profunda, mas e o Brigadeiro? Ele já estava morto há tempos, seu corpo nem mais existia, então o que manteve as suas emoções a despeito do corpo cibernético?

Mas fico feliz que pelo menos Kate tenha sido salva, embora a cena em que o Doctor está caindo e chama a TARDIS para si eu dispensaria.

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E mais uma vez quem brilhou no episódio foi Missy, fugindo da aeronave, aparecendo no cemitério como uma Mary Poppins do mal e entregando o exército de cybermen para o Doctor como um presente. Resta saber como ela sobrevive ao raio do Cyber-Brigadeiro, porque, afinal, o Mestre sempre sobrevive.

Só não consigo perdoá-la por ter matado Osgood. Eu sonhava em termos Osgood em vários episódios e eles matam a garota assim, sem mais nem menos, quando eu menos esperava… É para compensar por todos os outros que Moffat não permitiu que ficassem mortos no decorrer da temporada?

O final do episódio foi agridoce, com o Doctor e Clara mentindo um para o outro mais uma vez. Não entendo que melhores amigos são esses (mesmo entendendo os motivos de cada um). Fico feliz por saber que Clara voltará para o especial de Natal, pois eu ficaria inconsolável se os dois se separassem sem abrirem completamente o coração um para o outro.

É triste saber que Danny não voltará. Saber que o garoto que ele matou reviveu é um conforto – como Clara explicará para os pais do garoto que o filho que estava morto há anos está na verdade vivo, só ela sabe! – mas ainda assim ele desperdiçou a sua única chance de voltar para Clara. Outra decisão impossível. Trazer um garoto inocente de volta à vida (de onde saiu o corpo que ele está usando é uma coisa que nem tento explicar) motivado por um remorso pessoal, ou voltar para a mulher que o ama e que sofreu tanto com sua morte que chegou a trair o seu melhor amigo para que o tivesse de volta? Em favor de Danny está o fato dele não saber o que Clara aprontou para que ele revivesse (ele só lembra dela dizendo que confia no Doctor mais do que em qualquer outra pessoa) e tampouco que ela provavelmente está grávida (bom, o descendente tem que vir de algum lugar, não é? Mas eu não coloco minha mão no fogo por teoria alguma).

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E onde estará Gallifrey? O Mestre mentiu? Algo aconteceu? Teremos Gallifrey de volta em breve? Por ora, tudo o que eu sei, é que o Papai Noel apareceu para ajudar o Doctor a ter o que ele quer para o Natal.

…e que ninguém gosta de Tangerinas.

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Observações:

1) Nem comentei sobre o Doctor ser eleito o Presidente do Mundo, não é? É que eu achei a ideia tão ridícula que tinha até apagado da memória.
2) Outra coisa não tão interessante foi a conclusão do caso Missy e os Cybermen. Ainda não consegui aceitar muito bem o Mestre entregar todo um exército para o Doctor, e menos ainda todo o drama da temporada ser resolvido com o Doctor tendo uma epifania e descobrindo que não é um homem bom ou mau, é apenas um idiota em uma caixa, viajando pelo universo e ajudando como pode (o que todo mundo, ele inclusive, sempre soube).
3) Só quando fui selecionar as imagens para o texto é que eu percebi o quanto esses dois episódios foram azulados. Tudo é frio e cinzento, bastante deprimente até.
4) Esta é a minha última review de Doctor Who para o TeleSéries. Bom, pelo menos review regular…sempre há espaço para algum especial de quando em quando. Mas cheguei em um ponto onde não sei mais o que dizer sobre a série. Ainda amo Doctor Who, a série tem um lugar cativo e especial no meu coração, fico empolgada e emocionada para assistir, discutir, ler, ouvir audio dramas e todo o restante, mas não me anima mais a escrever resenhas e todo autor de resenhas precisa saber o seu momento de parar.
Foi um prazer dividir minhas emoções e pensamentos com todos até aqui. Sentirei falta dos textos semanais, mas ao mesmo tempo tenho certeza que olharei para a série com novos olhos, o que, talvez, seja uma ótima ideia afinal de contas.

Séries citadas:

Michele Reis Martins, a Mica, é advogada e mantém o blog Esperando o Esperado. Fã de Arquivo X, Highlander, Buffy, Doctor Who e sci fi em geral.

4 Comments

  1. Maria Inez Nêssarte

    Olha Mica, sou muito fã do Doutor…mas achei essa temporada fraquissima, Gostei do novo velho Dr. mas também não gostei da falta de carinho dos namorados…e alguns episódios me sentia bem cretina assistindo, dai eu pensava, : isso é feito para crianças também, fica fria que vai melhorar….mas semana após semana, não sentia aquela necessidade de ir correndo assistir quando saia o episodio….estava apática!! e triste…e agora esperemos o Natal ..sempre é um refresco….bjus

  2. Denise

    Sinceramente não gostei nada da temporada. No início achei que estava estranhando o novo Doctor, assim como aconteceu com o anterior, e que com os episódios iria amá-lo; bem isso não aconteceu. Por melhor ator que Peter Capaldi é, deixou um Doctor Who apático, parecendo cansado e as vezes não sabendo o que fazer. Diferente de vária pessoas, adoro a Clara e sinto que ela carregou a temporada sozinha nas costas. Não estou nem anciosa para o especial de Natal com medo de me decepcionar!

  3. Pingback: Destaques na TV – sábado, 29/11 e domingo, 30/11 » TeleSéries

  4. Ivan Da Silva Campos

    Vi esse episodio na Ulbra e tenho uma ideia sobre o comportamento do Doutor e do Danny,

    Ambos sofreram em uma guerra e isso deixou certos traumas
    O Doutor sabia que Danny era um soldado e isso incomoda os dois o Doutor pelo trauma e pelo Danny por ter descoberto um parte do passado.

    Quando Danny descobriu que o Doutor era conhecido como Senhor do Tempo, ele ficou irritado pelo termo Senhor, o que lembra do periodo de guerra eles nunca conversaram nunca se abriram, e dois bicudos não se beijam

    Quanto ao fato de Danny não ter sido controlado, não é surpresa desde da era Tennant existem pessoas que resistiram a programação dos Ciborgues sem a menor ajudar

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