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Reviews

Dallas – The Last Hurrah

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Série: Dallas
Episódio: The Last Hurrah
Número do episódio: 01×04
Exibição nos EUA: 27/06/2012

O último churrasco de Southfork foi menos animado que uma festa corporativa de final de ano. Talvez seja a sede de poder que toma conta de mim quando vejo a série. Sempre espero espetáculos, e o que se viu em The Last Hurrah foi apenas um ensaio do que estar por vir. Claro, se acontecer.

O impacto da volta de Dallas começa a se enfraquecer. Agora a série precisa provar que é deliciosamente capaz de se sustentar sozinha, bebendo a glória do passado em pequenas doses para não se embriagar. Aí é que está o desafio.

A venda da fazenda, por exemplo, não me causa tanto impacto. Se Southfork deixar de pertencer ao Bobby, J.R. perderia o interesse na propriedade? Claro que não. Bobby apenas deixaria de ser o alvo das malvadezas do senhor Sobrancelhas. Esse jogo de intrigar ficaria mais divertido se fosse tocado pela nova geração. Até porque sabemos que os dois irmãos não saíram mais na porrada pelas terras da Mama  Ewing. E para falar a verdade, Bobby não tem interesse algum nisso. Talvez porque ele ainda não se deu conta de que o perigo agora tem mais de 70 anos de experiência.

O que prendeu um pouco a minha atenção nesse episódio não foi a manjada trama familiar, e sim, o drama amoroso de Rebecca e as chantagens de John Ross.

O certo é que ninguém é bom ou mal em Dallas (ou em qualquer outro lugar do planeta). O que move o ser humano são suas metas e seu nível de moral. Ah, o maquiavelismo dessa série chega ao ponto de você começar a torcer pelo “vilão”, pois entende o porquê de sua crueldade.

Com John Ross, sinto-me compelida aos seus encantos. É bem verdade que a megalomania petrolífica do garotão é desmedida, mas fazer o quê? Se ele quer ser um barão do petróleo, ele tem todo o direito do mundo, não acham? Se ele quer todas as terras do Texas, a terra da Mama Ewing e as mulheres do mundo todo… que mal tem nisso? John Ross pode. Nem que para isso ele precise chantagear Rebecca e mandar dar “cabo” de um pessoa ou outra.

Aliás, acredito que em algum ponto dessa história o ‘bad boy’ mostrar que também tem coração.

Mas para isso, ele precisa sentir o terreno primeiro. Por que não contar para Elena que Rebecca mandou o e-mail para Chris? Porque isso faria os dois de vítima, mesmo John não tendo participação nisso, ele não se daria bem. Mas aos poucos ele vai envolvendo Elena, nem que seja apenas como sua parceira de negócios. Afinal, é melhor ter a moça no radar do que não tê-la de nenhum modo.

Chris Ewing já pensa diferente. Confuso entre o amor de sua esposa e de sua namoradinha de infância. O homem toma uma decisão extrema. Magoar Elena no seu ponto mais fraco. A cena final foi um soco no estômago da personagem e de todos nós que assistimos toda a cena. Não duvidei em nenhum momento que aquilo era uma manobra para afastar Elena da vida do Chris. A crueldade dos Ewing ainda não o contaminou daquela maneira. Não chamo isso de um ato corajoso, e sim, a saída mais fácil. Provocar a raiva em quem você para evitar uma tragédia maior é mais comum do que pensamos. Bom, às vezes a tragédia poderia ser um solução melhor. Se é que alguém me entende.

Mas a história do quarteto não para por aí. O show todo volta-se para Rebecca. Que no meu ver, não é de todo mal. Entrou numa história e se apaixonou por sua “vítima”. Será que ela vai contar tudo para o marido? Saberemos apenas no próximo capítulo.

Mas enquanto o churrasco tomava conta de Southfork, convidados bebiam e dançavam o melhor do country, a cobra sobrancelhuda se movia em caminhos misteriosos. Não só quer que o mundo se exploda, como também quer manipular toda a história. John Ross, seu filho, a ex-mulher Sue Ellen, Elena, Marta, quem estiver por perto. Assim que é o J.R., age sozinho e de maneira mais egoísta possível.

Fico pensando se isso seria o último desejo do velhinho. Porque, sabe como é, nessa idade, o veneno consome o corpo todo, e o fim já está próximo…

The Last Hurrah foi isso. Um episódio morno, apenas isso. O último grito para o passado. Agora vamos esperar que o presente reine.

Séries citadas:

30 anos, é formada em jornalismo pela Unesp e em Letras Inglês e Literaturas pela UFRN. No "TeleSéries", já foi colaboradora e editora de Notícias, agora é Editora de Conteúdo e escreve a coluna mensal "Sintonia". Já passou pelo Vírgula e pela Rede BomDia, do DIário de S. Paulo. No tempo livre, vê Bones, Hot in Cleveland, It's Always Sunny in Philadelphia, entre muitas outras séries. Fã do Clark Kent e música country.

Website: http://naliteral.blogspot.com.br/

4 Comments

  1. Anderson Narciso

    Eu gostei muito deste episódio apesar de ter sido bem mais morno! Mas as chantagens dessa série são as melhores! Não tem uma cena, que tem alguem fazendo chantagem … morro de rir! hahahaha

  2. biancavani

    Ah, como me diverti com esta review!  (“bebendo a glória do passado em pequenas doses para não se embriagar”: isto foi lindo, rs!)

    Sem nem piscar digo que a personagem de John Ross é muito mais interessante que a de Chris. Este está igualzinho a barata tonta da Metamorfose. 

    Aliás, eu mesma estou ficando tonta com tanta chantagem, tramoia, puxada de tapete: cool!

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  4. Paullo Kidmann

    Tenho que concorda que esse episódio foi bem morno, porém foi bom, não gostei do “soco no estomago” que o Chris deu na Elena, sou sempre a favor da verdade, acharia melhor ele ter sido franco com ela, evita-la e pronto por que como diz a história 2 não brigam se 1 não quer! OMG aquela “Do sol, Del sol” sei lá é louca gente! Odeio aquela cobra sobrancelhuda #FATO!

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