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Opinião

CSI:Miami é um pé no saco

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Elizabeth Berkley, David Caruso e Evan Ellingson

Quem acompanha os meus textos no TeleSéries (que andam escassos, eu sei), sabe que tem várias séries que me tiram do sério. Alias me deixava indignado, Smallville durante muito tempo também (depois simplesmente desisti), 24 Horas me irrita até hoje. Nip/Tuck também. Mas a campeã atualmente em me tirar do sério é CSI:Miami.

E eu realmente queria muito gostar de CSI:Miami, porque ela realmente tem vários bons elementos. Eu adoro a fotografia do seriado, com aqueles filtros amarelados, o calor que transmite e como ele se tornou o contraponto perfeito para o tom sombrio de CSI. Tenho ainda um tesão inexplicável pela Emily Procter. E eu realmente acreditava (repito, acreditava) que o David Caruso era o lead actor com maior potencial dramático da franquia CSI, mais que o William Petersen e o Gary Sinise. Juro.

Mas isto foi antes de David Caruso transformar o seu Horatio Caine numa espécie de Superman ruivo, um justiceiro mítico, que só entra em cena para falar frases feitas e fazer justiça. É curioso ver que a série foi justamente na contramão de CSI – enquanto a matriz passou a humanizar Gil Grissom, a filial foi foi tornando Caine mais fake, mais caricato.

Antigamente as pessoas se perguntavam porque nos dramas médicos se mostrava tanto da vida privada dos personagens e nas séries policiais se via tão pouco? Demorou uns cinco anos para CSI se transformar e mostrar um pouquinho da vida privada de seus investigadores. Em CSI:Miami isto também demorou para acontecer, mas quando aconteceu foi um caos. A série se transformou em uma verdadeira novela – onde não há limites entre público e privado, onde todos estão em constante observação pela Corregedoria (pobre Calleigh) e onde quase toda semana um detetive acaba baixando a guarda e virando refém, ou tomando o tiro, ou colocando o emprego em risco.

Outra coisa que entristece em CSI:Miami é que a série perdeu o setimento de equipe faz alguns anos. É cada vez mais raro ver mais do que dois investigadores na mesma cena. Lobo solitário, Horatio Caine interage cada vez menos com sua equipe, liderar ela então nem se fala.

Mas o meu principal critério pessoal, que pode me fazer adorar ou detestar uma série sempre foi a verossimilhança. A boa série é aquela que nos convence que aquilo tudo que está acontecendo na tela é real, ou quase real. Mesmo séries de sci fi podem ser verossímeis – o problema é quando elas extrapolam.

CSI:Miami se tornou nos últimos anos a série do improvável, do impossível. Na semana passada então, ela bateu todos os recordes. Primeiro, o seriado retomou os acontecimentos do tenebroso episódio Rio, por si só uma peça de ficção científica. Dá pra acreditar na possibilidade de um policial americano ser extraditado para o Brasil pelo assassinato de um traficante? Sem julgamento? (No mundo real, o traficante Juan Carlos Ramírez Abadia demorou cinco meses para ser extraditado do Brasil para os Estados Unidos). E que ao chegar ao Brasil, este policial seria entregue aos traficantes de bandeja? (É engraçado observar que os detratores das gracinhas de Os Simpsons e da matança de Turistas, parecem não se importar que CSI:Miami, a série mais assistida do mundo, dizem, perpetue a imagem de que as autoridades do país são corruptas). E o que dizer da segunda trama, da Calleigh? Dá pra acreditar que alguém seria capaz de fazer um site difamando um policial americano e que este site não seria tirado imediatamente do ar e a pessoa seria processada? Sem falar na Elizabeth Berkley, pelamordedeus, areia demais pro caminhão do Horatio.

Em março, o site Defamer.com publicou reportagem alegando que David Caruso age como uma primadonna no set de gravações da série, reescrevendo suas falas, fazendo exigências ao diretor de fotografia, regravando cenas simples dezenas de vezes e irritando a todos. No início do mês foi a vez de Khandi Alexander, a legista Alexx Woods, anunciar sua saída da série, de forma silenciosa mas nada amigável.

Lendo esta informações vejo que não é apenas implicância minha. Apesar de manter alta popularidade e de ser uma inegável boa série policial, CSI:Miami ultrapassou os limites do bom senso. Tem gente que não quer mais trabalhar nela. E eu não quero mais assistí-la.

P.S.: Tá, esta observação aqui é pura implicância. Mas eu não suporto aquele guri que faz o papel de filho do Horatio, desde antes, quando ele era filho do Jack Bauer.

Séries citadas:

É jornalista, pós-graduado em Jornalismo Digital pela Pucrs e trabalha com produção de conteúdo para Internet desde 1995. É editor de internet do Jornal do Comércio, de Porto Alegre. Fundou o TeleSéries em agosto de 2002. Na época, era fã de The West Wing, The Shield, Família Soprano e Ed. Atualmente é viciado em The Good Wife, NCIS, Game of Thrones e Parks and Recreation.

102 Comments

  1. Só fAlo A vEerDade

    A série é muito chata, as cores são bregas e horríveis!

  2. Daniel Dantas Ferreira

    Olá pessoa,
    Eu respeito a opinião de todos, vejo muitos falando mal da série CSI Miami , garanto que a maioria de vcs assistem as novelas da BOSTÉTICA Rede Globo, novelas CHATAS, CHEIAS DE IMORALIDADES, sem nenhum conteúdo positivo, principalmente para as crianças, e vcs acham ” UMA BELEZA ”
    CSI MIAMI é uma série de filmes policiais, que distrae e não causa mal pra nossas crianças.
    EU GOSTO MUITO DESTA SÉRIE E JÁ DEIXO PROGRAMADO, PRA NÃO PERDER

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