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Reviews

Breaking Bad – Blood Money

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Série: Breaking Bad
Episódio: Blood Money
Número do Episódio: 5x09
Exibição nos EUA: 11/08/2013
96
4.8
4

HEISENBERG era o que estava escrito em amarelo na parede da sala do que um dia foi a casa de Walter White, que hoje (futuro) é apenas ruínas, assim como seu antigo morador que tem uma visão de si mesmo desfocada, destruída e parcialmente consumida pelas sombras. A narrativa não linear complementou um pouco o flashforward do primeiro episódio da quinta temporada mostrando parte do futuro trágico de um homem destruído.

Em seguida, a história retorna exatamente do ponto onde parou, com Hank descobrindo inusitadamente quem era na verdade Heisenberg, e a maneira como reagiu não foi nada menos que perfeita. Nada de impulsos, nenhuma declaração dramática, e sim momentos de absoluto desespero que quase geraram um ataque cardíaco devido ao peso da realidade. Mesmo assim, ele conseguiu angariar forças e certa frieza para analisar novamente todas as pistas do caso Heisenberg, dando ao público um pequeno flashback de toda a história da série através das evidências.

O confronto entre Walter e Hank, um dos momentos mais esperados (e que não deixou a desejar) finalmente aconteceu, e o que se deve destacar aqui é o cinismo tremendo de Walter. Vejam bem, a princípio a cena final do episódio 5×08 gerou nervosismo e euforia, devido à necessidade de se conhecer qual seria seu desfecho. Mas também ficou a sensação de estar fora do caráter do personagem, que sempre tão meticuloso não deixaria uma prova incontestável a mercê. Porém, principalmente nos últimos episódios pode se observar um personagem que acredita ser superior a todos, inatingível em um trono imaginário que o próprio criou, e é sempre nesse momento que por ironia e excesso de segurança, guardas são baixadas e erros são cometidos.

Walter está preso em suas próprias teias de manipulação a ponto de garantir que Mike está vivo para Jesse, e se tentar fazer de vítima usando da artimanha do câncer com Hank que, apesar das tentativas de Walter, alegou já não ter mais ideia de quem ele realmente é. Logo, Heisenberg “aconselha”, melhor, ameaça diretamente: “se você não sabe quem eu sou, haja com cautela”, remetendo a memorável one liner da quarta temporada “Eu não estou em perigo, Skyler, eu sou o perigo”. Todo o reconhecimento do mundo para Dean Norris e Bryan Cranston na atuação dessa cena-  que foi uma obra de arte. E para Cranston ainda, um segundo parabéns pela direção impecável do episódio.

Ainda, em contrapartida a Walter está Jesse. A oposição dos personagens foi muito bem tratada na cena com Walter e Jesse postos lado a lado em cores e sentimentos opostos. Enquanto Walter tem uma leveza na expressão, Jesse parece carregar o peso do mundo nas costas. É muito interessante, aliás, comparar o trajeto dos protagonistas ao longo dos anos até o momento atual, Jesse sendo viciado em drogas e marginalizado acabou por ter uma inteligência moral muito maior que a de Walter, que de um simples e pacato professor e pai de família se descobriu um sociopata. Numa sacada genial de Vince Gilligan que, brincando muito bem com os conceitos de moral, obriga o público a esquecer dos velhos conceitos de bem e mal.

É impossível deixar de fora as cores quando se fala em Breaking Bad, e apesar de outras cores e seus simbolismos, o bege foi a cor da vez, remetendo ao episódio cinco da primeira temporada, na festa de aniversário onde a Skyler diz, em uma tradução grosseira, “Eu acho que nós não recebemos o venha de bege” (I guess we didn’t get the beige memo). A cor bege, neutra, representa calma e passividade. Ao contrario do episódio da primeira temporada, no qual Walter e Skyler usavam cores contrastantes e eram os únicos que não usavam bege na festa, mostrando a falta de sintonia do casal, na época, no episódio 5×09 o casal se mostra feliz, sucedido na vida e nos negócios, mesmo que seja somente nas aparências.

Cunhado traído e humilhado, o “parceiro” manipulável, ou a mulher subjugada, o  desfecho do arco final que irá guiar ao futuro (cenas flashforward) está nas mãos deles. Até agora, depois do gancho banheiro do episódio oito e do primeiro dos episódios finais, Hank parece ser o escolhido. Seu apelo como um antagonista para Walt ficou claro nos momentos finais de Blood Money. Jesse, mesmo tendo psicológico fraco e sempre correndo freneticamente na roda de hamster de sua consciência, é o personagem que mais foi prejudicado pelas ações de Walter. E ainda Skyler White (yo!) já apontou que alguém tem que proteger a família do homem que a protege. Independente desses personagens e de suas motivações, as cenas flashforward da abertura formaram inúmeras questões, como exemplo: para que ricina quando se está munido de metralhadoras?

Em Live Free or Die um homem solitário que sofre com a perda de sua família e em Blood Money um homem imponente apesar de sua aparência. Se separar Walter White e Heisenberg fosse possível essa seria a melhor representação das personalidades individualmente, ainda, apesar do primeiro flashforward, a sensação que se tem é que Walter White já se foi há muito tempo, ficando apenas Heisenberg e seu orgulho quase que terrorista. Deixando uma única certeza ao público: não haverá redenção para o personagem, já que nem o mesmo a busca.

Séries citadas:

Estudante universitária, equilibra seu tempo entre livros acadêmicos, seriados e a regência do mundo livre. Depois de muito procurar, encontrou uma dobra no tempo que a permitiu continuar sendo seriadora, e assim mantêm em dia Castle, Suits, Doctor Who e Game of Thrones, entre outros milhares de seriado. É a responsável pelas reviews de Homeland.

1 Comment

  1. Luis

    Otimo review, Breaking Bad é Breaking Bad, atualmente é a melhor serie da TV e sem dúvidas uma das melhores de todos os tempos.

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