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Reviews

Bones – The Spark in the Park

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Série: Bones
Episódio: The Spark in the Park
Número do Episódio: 9x11
Exibição no EUA: 06/12/2013
97.136363636364
4.8
22

Quando se tenta equacionar o amor, tem logo alguém que diz: o amor é um sentimento, não é matemática.

Errado. Tudo pode ser equacionado, até o desconhecido. Essa é a grande lição dos gênios incompreendidos, que somam e subtraem coisas que não se podem ver, na maioria das vezes. E=mc², por exemplo, uma das mais famosas equações do mundo mede o que? A energia, que não enxergamos. Mesmo assim, sabemos que ela existe e conhecemos suas consequências.  Ela é o que nos move, e faz menos abstrato o grande mistério da vida. Ou o mistério que separa a vida e a morte.

E é aí que está o ponto principal desse episódio. Se eu pudesse dar outro nome a The Spark in the Park, ele seria algo como A Razão na Emoção. Apenas para mostrar que razão e emoção não precisam ser antônimos na mesma frase. Essas palavras podem ser complementos em uma só existência.

Temperance Brennan é o resultado dessa equação, que coloca a razão e a emoção do mesmo lado, em uma soma cujo o resultado é uma experiência gratificante de quem assiste, de uma vez por toda, um processo que está prestes a se concluir. Por causa disso, da atuação belissimamente executada pelo elenco principal e de apoio, pelo excelente roteiro e boa direção, que esse episódio levou nota máxima. Mas se alguém se importa com números, pode ir fazendo as contas. Não precisa ser um gênio para ver que  essa temporada mostra justamente o que há de mais improvável nessa louca relação entre a lucidez e comoção. Essa dualidade de sentimentos representa os fãs de Bones verdadeiros, que devem estar pensando nesse exato momento: depois de um episódio como este, como é que podem conceber o fim da série na nona temporada?

É, não faz sentido algum.

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Princípio da incerteza de Heisenberg

Se podemos ter certeza de alguma coisa nesta vida, é de que nada é certo, na verdade. No início do século passado, um físico alemão conseguiu colocar no papel uma premissa bem interessante. Não vou dar nenhuma aula de Física ou Química, pois essa teoria é algo como Filosofia. Ela diz que devido às propriedades dos átomos e suas partículas, é possível dizer que o que você está vendo pode não ser o que existe realmente. É como se você pudesse estar aqui e lá ao mesmo tempo. E está tudo lá, calculado e comprovado em fórmulas.

Uma investigação policial já começa incerta. E é esse princípio que conduz todo o caso. The Spark in the Park teve um dos melhores casos da série, não só pelas relações demonstradas em torno da jovem vítima, mas pela simplicidade e delicadeza como tudo foi mostrado – ou quase tudo.

Pode ser ou não ser. E é assim que começa cada episódio. Esse é o maior mistério de todos, o mistério da incerteza. Por que aquela jovem estava morta? Por que alguém tinha matado alguém com uma vida tão normal? Quem teria feito aquilo?

Já são mais de 170 casos, alguns bem mais difíceis e tocantes do que outros. Muitos sobre pais que perdem os filhos. Mas esse teve algo que fez com que ele se tornasse mais do que a história sobre a jornada de um pai sem a filha. Talvez seja por causa da Christine, talvez seja por isso essa ligação pai-filho esteja mais evidente.

Como a maioria dos assassinatos, esse não fugiu a regra. Um ato impensado tirou a vida da Amanda Watters. O que poderia ter sido resultado de uma cobrança excessiva do treinador da ginasta, da competição entre as colegas de modalidade esportiva, ou punição extrema dos pais da menina, foi na verdade, resultado da quebra de uma promessa entre amigas. Nesse tipo de crime não há vilões ou mocinhos, apenas uma sequência de atos tristes.

O que me chamou atenção na investigação foi o jeito afoito e acusador do Booth, e a improvável temperança da Brennan. Por anos ela tentou conduzir seu trabalho com o mínimo de empatia. Lembro dela na primeira temporada, sendo orientada a falar com a família da vítima de forma menos direta, e ao longo dos anos, de se importar com elas. Apesar do bipolaridade que tratam a personagem, que horas é um boneco de gelo e outra hora é um vulcão em erupção, não podemos esquecer que ela é como o Booth disse no episódio do sonho: A Islândia. A tênue linha que define a personalidade da antropóloga pode ter um belo resultado como neste episódio.

“Você quer terminar isso, Dr. Watters?” – ela pergunta.

Não é frieza se jogar no trabalho, nem menos humano não chorar a morte de alguém tão querido. Cada um lida com a dor de uma forma muito pessoal. Booth não entendia a aparente frieza do físico, do tal “freakazóide”, e coube a Brennan traduzir a linguagem daqueles sentimentos. Aí tudo faz sentido. A incerteza, os números, os atos impensados e seus resultados.

O caso mostrou que coisas assim acontecem. É o ciclo da vida. E que esse ciclo é interrompido toda hora. Mas o mais importante é perceber que apesar de um ciclo acabar, a vida continua, e a última cena provou isso, e mostrou a Bones tentando dar forças ao Dr. Watter a continuar seu próprio ciclo. Aí está um dos melhores casos da temporada, talvez da série.

Vou terminar com uma pequena crítica em relação ao Hodgins. Sabemos que ele é entusiasmado com o trabalho, mas às vezes esse entusiasmo beira a falta de respeito com o corpo despojado.   A vítima não é apenas um saco de ossos, apesar da vida não existir mais, para a família e entes queridos, o ser vive para sempre. Nesse episódio, até o comportamento da Brennan foi meio fora de mão. De certo ela se empolga com os ossos, mas nunca com falta de respeito. Lembro dela repreendendo o Zac por falar certas coisas na frente da vítima, e gosto de pensar que ela também pensa assim.

Acho que isso me incomodou um pouco mais pela ligação que foi criada com a história da vítima. No final das contas, aquela morte parecia algo errado demais.

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Relatividade geral

Outra teoria que se pode aplicar ao episódio é a de que tudo é relativo. Acho que na verdade, essa teoria pode ser aplicada em qualquer situação na vida. É mais simples do que os números aparentam que ela seja, e diz, tudo depende do ponto de vista. A relação entre espaço/tempo, coloca o referencial como uma das coisas mais importantes na vida. Em The Spark in the Park, tivemos basicamente três histórias se desenvolvendo. A do caso, a da Cam e a da Brennan.

O enredo que mostra uma ex-amiga da Camile sendo a autora do furto do dinheiro e da identidade (e do bom nome) da doutora ainda me intriga. Não sei onde isso tudo vai levar, mas como estamos falando em relativização. O que é um claro crime – antes de tudo, um crime sério – foi visto por Arastoo como um simples engano. Apesar de convencida de que a ex-amiga merecia morrer na cadeia, Cam resolveu experimentar a situação pela perspectiva do estagiário, mesmo que o resultado disso não tenha sido diferente do que ela pensou no começo. Mesmo assim, achei válido essa contraposição.

É o que tem acontecido com B&B. Ambos têm se mostrado dispostos a se por um no lugar do outro. Mesmo o Booth tendo sido um pouco exagerado neste episódio, com seu julgamento e predisposição de condenar o Dr. Watters por causa de suas próprias crenças, no final, ele reconheceu que tudo na vida é relativo. O que é um comportamento anormal para ele, pode ser (e é) apenas outro padrão de comportamento. O que é interessante é que ele mesmo já havia se convencido de que comportamentos assim, mais distantes, existem e fazem parte da personalidade da companheira, quando ele gravou aquele vídeo para a Chris e alertou a filha a cuidar sempre da felicidade da mãe. “Por que se ela não for amada, ela não se lembrará de sorrir”. Espero que isso se aprofunde nele, e nas falas dele, porque ao longo dos anos, vemos a Brennan evoluir, e o Booth continua o mesmo cavaleiro da armadura branca que ele sempre foi. Não que isso seja ruim, mas cavaleiros de armadura branca só existem em contos de fadas, e Bones é uma série que preza a realidade dos fatos.

No final das contas, se há alguém que anda precisando se ajustar, esse alguém é ele.

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Lei da gravitação universal

Para terminar, deixo a todos com uma das mais bonitas leis da Física. A Gravitação Universal, de acordo com os livros, é uma força fundamental de atração que age entre todos os objetos. Isso acontece por causa de suas massas, isto é, a quantidade de matéria de que são constituídos. É essa força que mantém o universo unido. E ao mesmo tempo, os corpos separados.

Termino com a Lei da Gravitação Universal porque acredito que ela resume bem o sentimento dos fãs da série ao final desse episódio, resume bem o sentimento do fãs com a série, e dos personagens que tanto gostamos.

Quando a última cena entre Booth e Brennan acabou ainda restavam generosos minutos para o fim do episódio. A incerteza era se eu gostaria de “perder” esses minutos com uma cena entre a Brennan e qualquer outra pessoa. Mas isso foi logo superado, porque nos instantes seguintes, tivemos uma daquelas que chamamos de “cenas épicas”. Uma declaração de amor das mais bonitas que já vi.

Esse foi o primeiro trabalho da roteirista Emily Silver em Bones. Dizem que ela era fã da série antes de ser contratada para a equipe de roteiristas, e posso dizer que ela estreou com o pé direito. Se ela é mesmo fã, talvez tenha sido intencional essa ligação que até agora eu creditei ao acaso. Mas a cena final de The Spark in the Park me lembrou da cena de encerramento de Death in the Saddle.

O paralelo entre os dois episódios é encantador, se você puder revê-los, poderá entender melhor o que quis dizer sobre a Gravitação Universal, e o que nos aproxima, até hoje, dessa série.

Ah, antes que eu me esqueça. Destaque especial para a ginasta americana medalha de ouro nas Olímpiadas de Londres, Mckayla Maroney. Esse episódio também foi uma medalha de ouro para todos os fãs da série.

 

Mas entre certezas e incertezas, e entre probabilidades loucas e relativas, o que podemos dizer é que nada é infinito, e é isso que nos torna humanos. Mesmo assim, sempre tentamos driblar esse detalhe, deixando eterno o amor, enquanto ele dura.

Bom, é isso aí pessoas. Até 2014!

Séries citadas:

30 anos, é formada em jornalismo pela Unesp e em Letras Inglês e Literaturas pela UFRN. No "TeleSéries", já foi colaboradora e editora de Notícias, agora é Editora de Conteúdo e escreve a coluna mensal "Sintonia". Já passou pelo Vírgula e pela Rede BomDia, do DIário de S. Paulo. No tempo livre, vê Bones, Hot in Cleveland, It's Always Sunny in Philadelphia, entre muitas outras séries. Fã do Clark Kent e música country.

Website: http://naliteral.blogspot.com.br/

13 Comments

  1. Manuella

    Maior cagada: querer clicar em 5 e clicar em 0

    Putz que review maravilhosa! Custa tempo e tico & teco, mas vale a pena! Tão boa a tua opinião, ela da norte para o verdadeiro significado do episódio.
    Essa série é um show, é um romance gostoso de mais e que só me enche de orgulho.
    Ai ai… cadê janeiro?

  2. Thayná Pompeu.

    Acho que um dos melhores episódios! Não só da nona, mas de todas as temporadas! Hands down! E cara… a performance da Emily e o Schiff na última cena é digna de Emmy! Um dos momentos mais emocionantes na TV! Sem dúvida! Masterpiece!

  3. Camila Nere

    Maria, seu texto é simplesmente perfeito! Este episódio é com certeza um dos melhores da série. Ver o amor sendo demonstrado em equações matemática foi um dos momentos mais bonitos que eu já vi.
    Foi muito bom ler seus textos nesse ano desejo um Feliz Natal e um excelente Ano Novo para você e sua família e as meninas que sempre comentam
    aqui.

  4. Mariana Felix

    Sinceramente,que review perfeita! De primeira,eu preferia ter um episódio com ”pegação” entre B&B pra final de ano né,mas depois de ter visto aquela belíssima cena no final e esse seu texto….Mudei de ideia,não poderia ser mais perfeito o episódio (:

    Se essa Emily Silver for realmente fã de Bones,será que ela vai escrever um roteiro com ”oba oba”? Hmmmmmm…

    Ps: Estou viciada nas suas review’s(fiquei desde domingo dando F5 no site) Bsj

  5. Maria Clara Lima

    Oi, Mariana. Que gentis palavras! =) Obrigada pela leitura, prometo não demorar tanto! E sim, vamos às cenas de sexo em Bones.

  6. Thaís Menezes

    Simplesmente perfeito o seu texto sobre o episódio!! Parabéns!!

  7. Thaís Menezes

    De nada. Seus textos são muito bons mesmo. Existe alguma forma para acompanhar todos os texto que publica aqui?

  8. Thaís Menezes

    humm, vou acompanhar. Mais admito que as reviews de Bones para mim vão ser a parte mais importante. #viciada #Bones

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