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Reviews

Bones – The Shot in the Dark

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4.7
7
Série: Bones
Episódio: The Shot in the Dark
Número do Episódio: 8x15
Exibição nos EUA: 11/02/2013

Às vezes, quando algo muito importante acontece, perdemos a fala. A emoção nos previne de comentários, e quando eles saem, são sempre atrapalhados.

Essa semana algo importante aconteceu em Bones, e quando é assim, fica difícil articular meus pensamentos. Não que o episódio tenha sido o melhor de todos os tempos, não foi nem o melhor da temporada, mas é que a profundidade do tema mexeu muito comigo.

Sei bem que essa review não é um divã, e não enrolarei contando sobre meus devaneios, mas é que não consigo deixar de pensar quando tudo isso acabar. Quando fecharem as portas da produção, e segundas-feiras voltarem a ser chatas e cinzentas. O porquê disso? Eu não sei. Mas não consigo fechar os olhos e não pensar que um dia tudo chega ao fim, e que não sabemos ao certo quando será.

The Shot in the Dark foi realmente um tiro no escuro. Foi escrito por um comediante, dirigido por um não-sei-quem, teve muitas falhas de continuidade, roteiro, e… não, não aumentarei a lista de falhas simplesmente porque Emily e Boreanaz fizeram o que mais sabem fazer: salvaram o dia.E talvez por isso, por medo e vontade de nunca largar a série que eu não consegui falar o que penso sobre mais esse episódios de Bones. Mas tentarei agora, desculpem-se o atraso.

Altos

O que se pode dizer é que se tem algo de muito bom em Bones é a Bones. O ponto alto desse episódio é ver como a Emily conhece sua personagem, as dificuldades que a Temperance tem, anseios e mudanças pelas quais tem passado. Só assim, e com muita sensibilidade, ela consegue vender qualquer coisa que derem para ela.

Até reconhecer que há “mistério na vida”, e que nem tudo exige uma explicação científica. Há coisas que não são possíveis de serem explicadas. É o caso do amor, do ato de fazer amor, de acreditar, sentir, reconhecer virtudes e defeitos. Quem acompanha Bones (direitinho e sem patifaria), sabe que esses são temas que a Brennan tem “aprendido”.

“Eu acho que eu mudei”

A jornada de auto-conhecimento começou lá no início da série, quando ela começa a reconhecer o companheirismo, a amizade, começa também a entender o amor. O amor puro, aquele que faz desafiar a lei da física. Tudo isso, ela aprendeu com o Booth. The Shot in the Dark deixa bem claro o papel essencial que ele tem na vida dela.

“Por alguma razão, é você quem continua a me trazer para a vida”

Quando o episódio começou, com a discussão sobre uma viagem em família às montanhas da Virgínia, a típica Brennan discorda. Assim como ela achou um absurdo comprar uma casa nova quando os dois resolveram morar juntos. Tudo isso magoa o Booth. Porque, ao ser racional, a cientista acaba desconsiderando os anseios dos outros.

Não há nada de racional em convivência. Se eu pudesse escolher, ao menos, viveria numa montanha cercada por ovelhas. Mas o ser humano, apesar da autossuficiência, não foi feito para viver só. Antropologicamente falando, sobreviver tornou a companhia uma experiência necessária.

Mas não é por necessidade que B&B estão juntos. Pode até ser aparentemente, mas como a Brennan fez questão de ressaltar ao final da sétima temporada, o amor entre os dois é mais forte do que qualquer necessidade. A sobrevivência dos dois depende do amor que um sente pelo outro, e por causa desse amor, mostrado em formas sutis como um beijo na testa, um aperto de mão, por causa dele, esse episódio valeu a pena.

Antes de passar para as críticas, deixo registrado que a Emily poderia gargalhar em todos os episódios de Bones. O que foi aquela cena final? Me derreti de tanta doçura.

Outra coisa, se a bebê Chris continuar sendo tão bem dirigida e editada, eu gostaria de solicitar para a Fox uma série só dela. Oh wait! Isso já existe!

Baixos

Ah! Se você é um fã louco e cego é melhor não ler o que vou falar, pelo bem da nossa relação. (Sim, eu considero que tenho uma com as pessoas que leem as minhas loucuras). Mas demos a César o que é de César, e The Shot in the Dark não foi nem 5% do que poderia ter sido. Um tiro. Na Brennan. Um tiro na Brennan!! Um tiro na Brennan que foi transformado em um episódio de motivação patiférica (que vem da ação de fazer patifarias) e uma resolução mais patiférica ainda.

Um tiro na Brennan deveria ser o evento do ano. Vejam só quantas possibilidades jogadas fora em um episódio que o começo, meio e o fim aconteceu quase que simultaneamente. Isso não é nem uma evolução na narrativa, foi um atropelo sem tamanho.

A EQM (Experiência de Quase-Morte) permitiu que ela confrontasse a maior pendência em sua vida: a morte da mãe. Mas as conversas entre as duas me incomodaram um pouco. Certo que foi bacana vê-la demonstrar seu amor e apresso por Booth e Chris, mas saber que toda a racionalidade da Brennan veio por causa de um garoto, isso foi um soco no estômago para mim. Sempre achei que fazia parte da personalidade dela ser assim, até por que, ao longo dos anos, várias referências a mini-Brennan sendo geniosinho teimoso que roubava ferramentas do Russ, era algo que aconteceu bem antes da adolescência.

Outra coisa, durante a série, sempre pensamos que o compartamento de extrema racionalidade da Brennan era devido também ao seu medo de se apegar as emoções e não poder lidar com a solidão por causa do abandono da mãe: friso, da mãe! E do Max, também.

Aliás, o Max foi muito mal aproveitado no episódio. Era quase como se ele não precisasse estar ali.

Além de tudo isso, pequenos erros no roteiro, como a Angie dando a notícia que a Bren acabou de acordar e a Cam já sabendo de toda a conversa que a antropóloga teve com o Booth minutos antes me deu a ideia do descuido do roteiro, que foi escrito pelo ator de comédia Dave Thomas, da série Arrested Development.

Casais

Posso dizer que o Sweets encontrou uma bela substituta para a Daisy? Posso dizer que eu quase me joguei da janela ao descobrir que os dois já consumaram a relação? O que é isso, minha gente? Hart, você precisa levar alguns séculos antes de fazer um casal ter a primeira noite. É o combinado, ok?

O caso

Da próxima vez que forem matar a Brennan, por favor, façam isso em grande estilo. Só porque um patife que encobrir um roubo. Ah, que raiva! E nisso ainda matou Mika II.

Todo mundo que ler review de Bones no TeleSéries sabe do descontentamento que tenho em relação aos casos da série. Acho que não é nem falta de criatividade, é de esforço mesmo. De qualquer modo, tenho que admitir que a ideia da bala de gelo foi bacana, apesar de eu ter pensado nisso apenas segundos depois da Cam falar que não havia ferimento de saída do projétil.

Menos assim, obrigada assassino 157, você deu a B&B uma razão para amar a vida.

The Shot in the Dark

Foi uma promessa não cumprida. Não houve o tal questionamento sobre casamento, ou algo mais profundo. Foi apenas o episódio que a Brennan quase morreu, mas ela viveu depois, e com disposição para fazer piadinhas no final do episódio. Ah,  Brennan troll.

Esse episódio também deu a Angie e a Brennan um breve momento de interação, e por isso, só por isso, cheers!

Mas hoje é Bones Day, e nos vemos em breve!

Séries citadas:

30 anos, é formada em jornalismo pela Unesp e em Letras Inglês e Literaturas pela UFRN. No "TeleSéries", já foi colaboradora e editora de Notícias, agora é Editora de Conteúdo e escreve a coluna mensal "Sintonia". Já passou pelo Vírgula e pela Rede BomDia, do DIário de S. Paulo. No tempo livre, vê Bones, Hot in Cleveland, It's Always Sunny in Philadelphia, entre muitas outras séries. Fã do Clark Kent e música country.

Website: http://naliteral.blogspot.com.br/

13 Comments

  1. thayná.

    Maria Clara, posso discordar um pouquinho de você? Eu AMEI o episódio! Achei o caso muito interessante! Gostei da ideia de colocarem a Brennan no lugar errado e na hora errado e ela ter que pagar o preço das consequências, já que geralmente ela está sempre um passo adiante (ou pensa estar) das coisas que acontecem na vida dela! É como a Cam disse no 5×11 “A Dra. Brennan não faz nada sem antes verificar a tabela Booleana” (ou algo assim), por isso gostei de como fizeram algo simples, estar na hora errada e no lugar errado, algo grandioso! Não só porque era Brennan, a personagem principal, que o tiro deveria ser algo alegórico! E eu gostei disso! The twist in the plot, precisamente! Quanto aos erros de continuidade, não dá pra ser perfeito em tudo, sempre! E concordo, deveriam ter mexido mais no personagem do Max, mas… enfim, eu adorei o episódio! E, diferente da maioria, eu estou adorando os casos da 8ª temporada! Go figure it out! hahahahahahahahahhaa!

  2. Eliane Dutra

    Concordo com tudo que vc disse, eu apesar de ter gostado do epi, esperava mais, e acho que o epi deveria ter sido dirigido pelo DB, achei muito parado, todos eles muito calmos, nem parecia que era a Brennan que tava lá no hospital morrendo!!

  3. Maria Clara Lima

    Se pode discordar de mim? Claro que sim! Até pensei nisso, Thayná. Já que as estatísticas provam que a maioria dos assassinatos são provocados por motivos banais. O problema é que neste caso, neste contexto, poderia ter sido realmente mais alegórico. Afinal, matar a personagem principal da série, mesmo que por dois minutos, é algo grandioso em essência.

    Bjs

  4. thayná.

    Ai, sei lá… eu gostei! Porque seria esperado demais fazer um tumulto com a quase morte da Brennan e tal! Imaginando ser o Pellant, porque até metade do episódio, eu jurei que tivesse sido o Pellant! Gostei da reviravolta do caso e de como deram consistência! Eu gostei!

  5. Maria Clara Lima

    O importante é que gostamos. Espero que na volta do Pellant, eles tenham com o que trabalhar, já que acho que ameaçar a Brennan agora fica fora da jogada

  6. Márcia Pires Santana

    Acho que o que faltou em The Shot in the Dark foi ele não ter sido escrito por Carla Kettner, pois teríamos visto um epsódio introspectivo e com a carga emocional que o tema pedia. Mesmo assim, gostei do episódio pelos momentos B&B, por Hodgins cientista e até por Sweets encontrando um lugar na série, acho que a dupla com a agente Sparling está dando certo e faltou muito Brennan e Angela, já está na hora de vermos mais desta relação nesta temporada.

  7. Giovanna Conforte

    Eu discordo (pela primeira vez) :D

    Eu simplesmente amei o episódio, foi emocionante e único, e ainda digo que sem
    dúvida está entre os top 5 da temporada!

    Concordo com a Thayná, a Brennan estava no momento errado, na hora errada, e
    não precisava que alguém ultra blaster com mil motivos atirasse nela para o
    episódio ser bom!

    A questão não é o que aconteceu, mas as consequências e o que irá desencadear a
    seguir.

    Vendo o episódio, eu não cheguei a conclusão de que a Brennan se transformou
    por uma garoto, mas sim como sempre soube, pelas circunstâncias da vida. Eu não
    acredito que a Brennan tenha levado ao rigor o conselho da mãe por conta de um
    simples garoto, mas essas foram às últimas palavras que sua mãe disse antes
    dela se ver completamente sozinha, e o último momento delas juntas, foi uma
    briga. Eu tenho certeza que ela sofreu muito e de tanto sofrer, mudou, ou
    simplesmente afastou todas as emoções, eu faria o mesmo, pense bem, se minhas
    últimas palavras com minha mãe fosse uma briga, por estar deixando os
    sentimentos me dominar, ainda mais depois do conselho que minha mãe havia me
    dado, eu teria mudado, não por ele, nem por minha mãe, mas por mim! Ela estava
    sozinha e o último momento que ela deixou se levar por sentimentos foi o último
    momento que viu sua mãe, se deixar levar por sentimentos a fez sofrer e por
    isso ela mudou!

    O fato dela em toda infância ser mais firme, ou roubar ferramentas do Russ,
    como você disse, não exclui o fato dela ainda ter sido uma pessoa sentimental,
    e falo isso por experiência própria! Eu também roubava as ferramentas do meu
    pai! (Hahaha)

    Essa Brennan que vemos demonstrando amor pelo parceiro e a filha, a forma que ela tenta ajudar a Angela nas suas crises, tudo isso mostra a verdadeira Temperance Brennan, uma pessoa doce, humana e que se importa com os outros, mas a vida ensinou a ela que se importar de mais só lhe causa sofrimento, por isso
    ela busca na racionalidade formas de demonstrar pra todos, o quão é independente e forte, mas isso é apenas uma armadura que ela mantém por não quer se tornar vulnerável!

    O único que aos poucos esta ajudando ela a libertar a verdadeira Brennan é o Booth, não ei se um dia veremos a verdadeira Temperance Brennan, a que está guardada no fundo, porque a vida mudou ela, e fez coisas que jamais ela irá se esquecer, mas a jornada e a descoberta aos poucos, vale cada segundo!

    E é por me fazer compreender todas essas coisas que eu digo que esse
    episódio foi P E R F E I T O ! Mas essa é minha opinião!

    (PS. mesmo discordando eu ainda amo suas Reviews! *__*)

  8. Maria Clara Lima

    Queria achar o mesmo, mas acredito que o episódio foi mal escrito, apenas. =/

    PS. Seus argumentos são válidos, então pode discordar o quanto for, sempre. =*

  9. Camila Nere

    Clara,
    eu gostei do episódio não achei que foi o melhor da temporada longe disso! Mas
    foi interessaste porque mostrou o quanto a Brennan e o Booth estão construindo
    uma relação sólida. É aquele típico episódio com potencial muito grande
    que não foi bem explorado. Não acho que a Brennan se tornou o um pessoa
    extremamente racional por causa do conselho da mãe dela. Acho que foi o ponto
    de partida, mas os fatos dela ser cientista e voltada para área de
    humanas foram mais determinantes para ser o que ela é.

  10. Rayssa Freitas

    Eu amei demais esse episódio. Também escrevo reviews de Bones mas, eu a amo tanto, que não consigo falar mal de nada! hasuahushau
    Bom, eu achei também esses erros na continuação. Eu super fique WTF?
    Eu também não acredito que Brennan tenha ficado asism tão fechada apenas pelo garoto. Ela pegou aquele conselho pq foi o ultimo de sua mãe. Ela foi abandonada pelas pessoas que ela mais amava no mundo, mesmo sem aquele conselho, tenho certeza que ela ainda seria fechada e racional.
    As minha parte favorita foi, sem dúvida, quando Bones diz que parece que é o Booth que a puxa de volta para a vida. Alguns fãs podem achar que a forma como o casal ficou junto não foi satisfatório (e isso é a maioria, e eu não estou inclusa nela), mas a forma como estão continuando, a forma que estão trazendo essa relação, muito me agrada! As coisas sutis são mais lindas que as totalmente em aberto. É claro que elas são necessárias para esquentar as coisas, mas não precisa ser sempre assim.
    Queria um pouco mais do Max também. Eu confesso que sempre gostei dele e sempre amo os episódios que ele aparece. Ah, e a Christine é um amor de criança, quero a minha assim… haushaushauhsuahsauhsau
    Eu super estava shippando Sweets com Olivia, fiquei muito triste por saber que eles não deram certo e, mais ainda, por apenas saber, não terem mostrado nada a cerca disso.
    Uau! Ficou enorme! Adorei sua review e adoraria se você também lesse as minhas no temporadaemserie.com.br.
    =]

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