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Reviews

Bones – The Conspiracy in the Corpse

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Série: Bones
Episódio: The Conspiracy in the Corpse
Número do Episódio: 10×01
Exibição nos EUA: 25/09/2014

Uma década. Isso é tempo bastante para se formar uma geração, para a Terra dar dez voltas completas ao redor do sol, e cerca de 3650 voltas em torno de si mesma. É tempo bastante para uma vida começar a acabar, para o amor acontecer, para nascerem revoluções, modas, infinitas listas de melhores e piores do ano. 2005, 2006, 2014… É muito tempo mesmo. São dez anos de muita coisa, e o que se sente quando olhamos para trás é um tipo de nostalgia hipócrita, de achar que tudo o que é passado é melhor do que agora.

O passado começou para mim na verdade bem mais cedo do que para a maioria de vocês. Começou em 2010, quando resolvi retomar meu amor pelo ator David Boreanaz (aquele mesmo, o vampiro de Angel que fez muita gente suspirar nos anos de 1990). Eu estava numa de não me apaixonar por mais nenhuma história que tivesse a fórmula secreta para fazer os fãs sofrerem que quase desisti da duplinha do Hart Hanson: mocinho ama mocinha, ou vice-versa e só ficarão juntos depois de muitos anos de sofrimento? Não, queria mesmo distancia. Mas de nada adiantou, e apesar das promessas de que “só veria mais um episódio”, acabei vendo cinco temporadas inteiras em um único mês e estava ali pronta para entrar no sexto ano, e já escrevendo resenhas para o TeleSéries.

Talvez tenha sido isso, a saudade da paixão… Paixão, esse é o melhor sentimento para descrever o meu estado quando o tecno pesadinho do Crystal Method ensaiava os primeiros acordes há algum tempo. Coração acelerado, suor nas mãos, vontade urgente de estar perto, acompanhar minuto a minuto cada um dos cinquenta e tantos que têm os episódios.

Isso já não acontece mais. Ando numa de achar que nunca mais vai acontecer mesmo, e que só vejo Bones, porque… oras! porque é Bones. Daí, a saudade hipócrita. De achar que antes é melhor do que agora. E foi justamente com esse sentimento incoerente que o final de setembro começou para mim. Senti saudade do passado no momento em que Bones retornou. Dez anos depois, e é tudo o que consigo dizer.

The Conspirancy In the Corpse

É a primeira vez que escrevo uma resenha sem rever o episódio mais do que umas cinco vezes, como de costume. Na verdade, vi apenas uma vez. Foi o bastante para entender que a ansiedade não faria mais parte da minha rotina com a série. Um episódio de estreia de temporada, um episódio que marca o décimo ano de Bones, não deveria ter sido assim tão…

Assim como? Ora, assim tão mal escrito, cheio de buracos, e ideias fracas. Esperava que tivessem vontade de se redimirem pelos buracos deixados no nono ano. Mas da primeira cena, até a última, foram poucos os momentos que senti Bones na história.

A série mais parecia um crossover de CSI com algum filme de sessão da tarde, daquele bem baratos e sem pé nem cabeça. Pareceria também que eles queriam acabar logo com aquilo tudo. Uma pressa que me deixou angustiada. Como aceitar que depois daquela season finale, as coisas aconteçam daquele jeito? Booth saiu tão rápido da prisão e a morte do Sweets, então…  tudo tão raso! Se você chegou até aqui e não assistiu ao episódio, deixe-me fazer um pequeno resumo:

Brennan suborna alguém importante, tira Booth da cadeia. Booth está com raiva do sistema, e o sistema está querendo se vingar do Booth. A turma toda aparece para ajudar. Daisy está grávida (porque a atriz está gravida, e é assim que a gravidez acontece em Bones) e Sweets morre.

Fim.

Nada realmente parece fazer sentido algum. Não é que não apenas não faz sentido, porque há sentido na coisa toda, o que não faz sentido é fazer um episódio tão apressado, deixando escapar temas que poderia ser bem explorados, como a separação momentânea de B&B, do reencontro entre Daisy e Sweets, a própria vida do Booth na cadeia, e da luta da Brennan para tirá-lo de lá. Aproveitar também para aprofundar a história do vilão – que em Bones parece mais boba a cada temporada. Ainda não engoli todo aquele auê sobre o Broadski, Pelant e esse último, qual era mesmo? Cada vez mais desinteressantes, vejo cada vez menos sentido em perder tempo com um vilão da vez.

Era bem melhor quando a série era sobre a Brennan. Tive saudades do passado. (Desabafo).

Bones - Episode 10.01 - The Conspiracy in the Corpse - Promotional Photo

Complexo Shonda

Mas se houve algo para deixar todos sem palavras foi a morte do Sweets. Não que eu gostasse do personagem, na verdade desejei eu mesma matá-lo várias vezes, mas estou simplesmente cansada das coisas acontecerem por acontecer em Bones. Será igual ao Vincent? Quando mataram o “squint” preferido de todos por nada! E não venham de dizer que Christine nasceu naquele dia porque eu mesma não acredito nisso.

Só sei que não compro essa história de que “se eu quiser apimentar as coisas basta matar alguém”. Isso é apelar demais, e não sou fã de desespero. A história costumava ser boa por si só, sem precisar de artifícios tão mequetrefes.

Para falar bem a verdade, não gostei da cena da morte do Sweets. Talvez o Stephen e o Hart se achem gênios ao inventarem essa técnica (ou ao menos amarem ela) de “fica por conta da imaginação de vocês”, e não mostrar a cena quando coisas grandes acontecem… começo a sonhar com uma temporada inteira de flashbacks, porque digo, renderia ao menos duas inteiras.

Tive saudades de como grandes momentos eram escritos em Bones. Foram tantos.

O Bom no Ruim

Quando o episódio acabou, demorou alguns segundos para eu entender como eu estava sendo hipócrita. E como eu não precisava ter saudades do que já passou. Porque quando anunciaram as cenas do próximo episódio, eu entendi que dez anos era realmente tempo o bastante para Bones começar novamente. E a saudade se foi.

Desde o final da leitura de O Lado Bom da Vida, do Mathew Quick, procuro ver as coisas de modo menos fantasioso. E pensar de que há sempre algo bom para acontecer. É o que chamam de esperança, acho. Então, no momento em que The Conspirancy in the Corpse acabou, me restou apenas a esperança de que (e plots) melhores estão para acontecer! Quem sabe?

Vi também algo que até então não tinha me tocado: nem sempre quando algo acaba é o fim. Pode ser um recomeço. Então vi coisas boas.

O que eu vi de bom nisso tudo foi a possibilidade de explorarem o lado mais cínico do Booth. De tirar dele toda aquela aura de santo e cavaleiro da armadura cintilante. Também seria bom mudar a dinâmica das coisas: Jeffersonian + FBI = amor. Fórmula batida.

Seria ainda melhor que a história voltasse um pouco para a Brennan novamente. Mas não a tratasse de forma imbecil. Gostei de vê-la sacando o Booth de maneira mais rápida, mais confiante. Do tipo, “conheço bem como ele funciona, e só o conheço bem porque estou ao lado dele há uns quinze anos, quase”. Mas há sempre coisas novas para aprender: não que aprender a ajudá-lo seja novidade, mas estar ao lado do parceiro enquanto ele se descobre novamente será bacana de acompanhar. “Não vou te machucar”, disse a Brennan. SIM, NÓS SABEMOS! <3

Há também uma boa possibilidade de que com a partida do Sweets a série comece  focar um pouco mais. Eu sei, bem egoísta o pensamento, mas não suportava aqueles episódios focado em alguém menos importante do que B&B. (Sim, mea culpa novamente, mas relevem, estou com um leve mau humor).

Mas a melhor de tudo é que ao final das coisas a saudade não cabia mais. Porque não se pode ter saudade do novo, podem até chamar de esperança, mas o mais legal sobre a volta de Bones é que nada mais será como antes. Até que os roteiros ruins sejam abandonados, estamos de olho.

Sobre o Sweets

Me sinto mal por não gostar dele. Ele foi importante para a história, importante para B&B, e espero que, sinceramente, tenha um propósito nisso tudo.

Séries citadas:

30 anos, é formada em jornalismo pela Unesp e em Letras Inglês e Literaturas pela UFRN. No "TeleSéries", já foi colaboradora e editora de Notícias, agora é Editora de Conteúdo e escreve a coluna mensal "Sintonia". Já passou pelo Vírgula e pela Rede BomDia, do DIário de S. Paulo. No tempo livre, vê Bones, Hot in Cleveland, It's Always Sunny in Philadelphia, entre muitas outras séries. Fã do Clark Kent e música country.

Website: http://naliteral.blogspot.com.br/

4 Comments

  1. vanessa

    ator pediu para sair da serie . saudades da bones de antigamente.

  2. LunaB

    Ótima review. Concordo com quase tudo e, sinceramente, não creio que o Sweets fará falta.
    Obrigada.

  3. mebones

    Ah Maria Clara que saudade de reviews de Bones.
    Concordo com você em quase tudo. Eu disse “quase tudo”, não “tudo”. Tal como você, por
    vezes, muitas vezes, sou invadida por uma saudade louca de como eram escritos
    os episódios das primeiras temporadas. Não considero que seja saudade do
    passado, mas sim saudade de bons roteiristas. (porque não contratam Lab Girl
    para escrever os roteiros meu Deus? Porquê??)
    Também achei o episódio mal estruturado e que tudo se passou de uma forma demasiado
    apressada. Este vilão ou vilões renderiam uns bons episódios se fossem escritos
    com pés e cabeça. E é disso que tenho saudade. Detesto quando fazem a Brennan
    de imbecil, mas ainda me incomoda mais quando fazem os espectadores de imbecis,
    e nisso o senhor Hanson é mestre. Em 10 anos ainda não me habituei a isso!
    A morte do Sweets apareceu como um facto consumado, assim como o “fabrico” de
    Christine. Tal como você estou um bocadinho cansada da velha máxima de HH/SN “fica
    por conta da imaginação de vocês”, porque se eles entendem isso, então na hora
    de apresentar o episódio bastaria deixarem o título e o povo que imaginasse
    como quisesse. Acredito que com o afastamento do HH por conta do seu novo
    brinquedo, Bones se torne um pouco mais consistente. A esperança é a última
    coisa a morrer não é mesmo.
    Quando assisti o episódio em directo senti que nada estava certo durante aqueles 00:43:41, porém quando assisti de novo dois dias depois, consegui ver um pouco mais, e sinceramente, acho que foi um episódio cheio de subtilezas e segundas leituras. Um dos poucosepisódios em que vi isso. E amei demais essas subtilezas.
    Descrever tudo que gostei seria fazer uma review, o que obviamente não farei, porque além de tudo, era das suas reviews que eu também sentia saudade.

    Um abraço.

  4. Gladis Duarte

    Eu concordo com tudo q VC falou, o foco tem q ser BB. Girar em torno, foi por eles que nos apaixonamos

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