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Balanço de Temporada – The Killing

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O que eu sabia sobre The Killing?

Lembro que há certo tempo atrás ouvi falar sobre uma série de suspense que tinha como plot a investigação do assassinato de uma garota, diversos suspeitos e muitos segredos.  Li que não era algo do tipo “assassino/caso/monstro da semana”, o que despertou minha atenção, mas não me conquistou. Fiquei com receio de assistir e não gostar. Me perguntei: por quanto tempo eles conseguirão manter a qualidade dos episódios? Ignorando isso, depois de um tempo me arrisquei. Não quis pesquisar sobre The Killing, pois preferi manter um grande ponto de interrogação na minha mente. Queria descobrir por mim mesmo se a série era digna de minha atenção. (RS) Foi um salto de fé. Acabei gostando.

E depois:

Antes de começar a assistir a 4ª e última temporada de The Killing, precisei fazer uma maratona da temporada anterior. Confesso que, depois das duas primeiras temporadas, fiquei meio preocupado com o que estava por vir. Acreditei que um círculo estava fechado e que talvez fizesse sentido não haver mais temporadas. O assassinato de Rosie Larsen havia sido solucionado, mesmo após muitos equívocos e teorias duvidosas que direcionaram os detetives. Pelo menos a série mostrava que o trabalho da Homicídios não é tão simples assim e mesmo que uma pista seja muito boa, boa demais para ser verdade, não necessariamente significa que ela te levará a solução do caso.

A terceira temporada de The Killing foi sensacional. Rever Linden e Holder trabalhando juntos novamente foi interessante e a trama deu um fôlego novo para o show. Peter Sarsgaard, como Ray Seward, estava surpreendente. Conseguia sentir medo, raiva e pena dele ao mesmo tempo, a cada roubada de cena. Para mim, um dos pontos altos da temporada passada.

Ao final do último episódio, após descobrir a verdade, Linden acompanha Skinner para o local onde ele diz que escondeu Adrian, na casa do lago. A detetive ainda não acreditava que seu chefe, amigo e amante era o Flautista. Linden e Skinner chegam à casa do lago e ele diz que na verdade Adrian estava com eles o tempo todo, no porta-malas do carro. Entretanto, sabíamos que isso não era verdade, pois Reddick, enquanto auxiliava Holder na busca pelo garoto, resolveu seguir um palpite que teve e foi procurá-lo no cemitério, perto do túmulo de sua falecida mãe. Reddick encontra Adrian e comunica Holder, que já estava próximo ao local onde sua parceira estava com Skinner. Eis que ele ouve um tiro e corre em direção ao barulho. Lá encontra sua parceira com a arma apontada para o assassino. Skinner implora que Linden acabe com aquilo. (Mas a que preço?) No momento a detetive se deixou levar pelo sentimento de traição, de culpa pela morte de um homem inocente (no caso Seward) e não pensou racionalmente. Manter Skinner vivo solucionaria o caso por completo, eles encontrariam os outros corpos, assim como o da Kallie, sim ela, a amiga da Bullet. A atitude da Linden deixou um gancho para parte da tensão que poderíamos encontrar na quarta e última temporada. Imaginei, logo que terminei de assistir, que o crime cometido por ela iria assombrá-la no próximo ano da série.

Quarta temporada

Rio vermelho, o episódio 4×01, introduz o brutal assassinato da família Stansbury. Mãe, pai e as duas filhas são encontrados mortos. O filho, Kyle, mesmo tendo levado um tiro na cabeça, sobreviveu. Como sequela do ferimento o jovem não se recorda de nada.  Kyle se lembrar ou não do que aconteceu naquela noite é de suma importância para o fechamento do caso. Já de inicio fiquei inclinado a supor, ou ter certeza, de que ele era o culpado. Cheguei a pensar que usariam o perfil de sociopata no personagem, mas isso já foi usado tantas vezes em outras séries e filmes, que se assim fosse me decepcionaria. Alguns elementos adicionados à história conseguiram me prender, foi curioso ver como eles conseguiram colocar pequenas histórias paralelas, cada uma com seu devido espaço e cada uma com sua importância para o desfecho da série.

Deixe-me ver se eu esqueci alguma coisa

  • Família brutalmente assassinada, cujo único sobrevivente é o principal suspeito. O problema é que ele não se lembra de nada.
  • Família com segredos. Escola Militar tradicional com mais segredos.
  • Investigação de desaparecimento de um prestigiado oficial da polícia que no fim das contas é um serial killer.
  • Dupla de detetives da homicídios de Seattle como principais suspeito da morte de um policial.
  • Política acima de tudo: Encobrimento da verdade para manter a integridade de uma instituição pública.
  • Chuvas. Muitas chuvas.
  • Pessoas fumando cigarro dentro e fora do carro, na chuva, na rua, na fazenda (ou numa casinha de sapê…) e em tantos outros lugares durante os episódios.
  • Ser levado a pensar como os próprios detetives, acreditando que o caminho que estão seguindo é o certo, assim como ter as mesmas dúvidas que eles, as mesmas incertezas.
  • O mistério é revelado em sincronia com andar da investigação. Ficamos perto da verdade quase que ao mesmo tempo em que Linden e Holder solucionam os casos (pelo menos foi assim que me senti enquanto assistia.).
  • Problemas familiares e emocionais dos nossos protagonistas.

Acho que por hora é só isso que gostaria de pontuar de uma forma geral como elementos que deram consistência para a temporada. Encaixar uma boa trama, criar novas perguntas e responder as novas e antigas, acho que conseguiram isso. Ao longo dos seis episódios que constituíram essa temporada, Linden e Holder investigaram o assassinato dos Stansbury, enquanto Reddick seguia uma pista do desaparecimento de Skinner. Fiquei impressionado com a demora que a Linden teve para descartar a arma e os cartuchos que a incriminavam. Mesmo com os esforços para alinharem suas histórias, havia pequenos furos e isso contribuiu muito para que Reddick seguisse a pista até os dois. Linden cometeu um erro ao retornar a cena do crime para descartar o celular do Skinner. Não sabia ela que a esposa de Skinner a observava pela janela da casa do lago. A filha do tenente sentiu falta das mensagens de texto que o pai a enviava todos os dias e por mais que todos acreditassem que ele estava gozando de suas férias em outra cidade, após ser expulso de casa pela esposa, era estranho ele ficar incomunicável por tanto tempo. Tanto Linden quanto Reddick ligaram Skinner aos assassinatos por causa do anel que sua filha usava, que era aquele que a Bullet havia presenteado a Kallie na temporada passada. Os investigadores sabiam que o Flaustista tirava os anéis de suas vítimas para guardar de lembrança.

Paralelamente, havia o caso dos Stansbury e sua misteriosa ligação com a escola militar. Sempre acho que esse tipo de instituição tem muitos segredos e o bullyng, por assim dizer, é muito mais cruel. Os trotes feitos são mais humilhantes e isso nos foi mostrado ao longo da temporada. Havia algo de muito estranho na relação de proteção que a Coronel Margaret Rayne tinha com Kyle. Não era só por ele fazer parte da escola, tinha algo mais por trás, pois como ficamos sabendo no final ele era filho dela.

A ideia de mostrar vários suspeitos, com motivos e principalmente segredos, foi algo recorrente em The Killing ao longo de suas quatro temporadas. Na primeira e segunda suspeitamos do professor, do amigo da família, do pai, do vereador etc. (Lembrem-me caso tenha esquecido alguém.) Na terceira, cheguei a pensar que Seward tivesse realmente assassinado sua esposa, mas como vimos ele estava no local errado e na hora errada. Infelizmente pagou o preço por isso. Goldie Willis, Pastor Mike e Joe Mills foram os primeiros suspeitos e depois se criou a teoria de incriminação feita por algum policial. Nesse momento voltamos à atenção para o Reddick, que havia omitido a informação de que conhecia uma das vítimas do Flautista e por fim chegamos a Skinner, o verdadeiro culpado. Na quarta e última, logo de inicio temos Kyle Stansbury como principal suspeito. Fica claro que a relação do jovem com a família não era das melhores. Apenas a irmã mais nova gostava dele, segundo o próprio garoto. Holder acredita que o garoto está fingindo sua amnésia para sair livre do crime. Linden, com o tempo cria uma proximidade com Kyle e acredita em sua inocência. A instabilidade emocional de Linden e Holder afeta não só a confiança entre eles, mas também o relacionamento com as pessoas próximas. Holder prestes a ser pai, luta contra sua consciência e culpa e acaba tendo uma recaída com as drogas. Linden, ao mesmo tempo em que se afasta dos poucos amigos, devido ao seu estado emocional, vê uma chance de reaver contato com sua mãe, que a abandou quando ela era jovem.

Outras (breves) impressões

Não escreverei dezenas de linhas para cada episódio, apenas colocarei mais algumas impressões sobre os personagens que nos foram apresentados. Tyler Ross (como o desmemoriado e culpado Kyle Stansbury), Sterling Beaumon (Lincoln Knopf) e Levi Meaden (AJ Fielding) atuaram brilhantemente. Os momentos de desespero e de sofrimento por não se lembrar de nada, a perseguição dos outros estudantes, tudo isso foi sentido. O jeito de garoto rico com problemas que se acha melhor do que os outros, demonstrado por Sterling Beaumon como Lincoln, pareceu-me próximo ao real.  Além de AJ, que ficou entre possível amigo do Kyle e pior inimigo dentro da escola. A cena do trote, na qual um calouro deve bater na cara do outro foi de uma intensidade para mim. Kyle se negando a revidar, meio que se castigando, não sei, levando um tapa atrás do outro. E ele apenas não fazia nada. E o que falar de Joan Allen (Coronel Margaret Rayne)? Acho que suas três indicações ao Oscar falam por si só. No decorrer da investigação e quando certos segredos foram revelados, passei a acreditar que o plano todo havia sido arquitetado pela Coronel Rayne, como um treinamento militar ou algo do tipo, mas depois ficou claro que seu desejo era apenas proteger seu filho. Estava disposta a receber toda culpa para livrar Kyle.

O adeus ou volta para casa

The Killing mais uma vez nos mostrou o pior e melhor do ser humano, penso. Não existe nenhum personagem com índole 100% boa. Todos são passíveis de erros, magoam e decepcionam pessoas próximas. Linden e Holder não ficam atrás, não mesmo. Foi legal ver a evolução da amizade e parceria dos dois. A proximidade não surgiu do dia para noite. Foi conturbada no inicio, mas depois chegou a ser divertido, em certos momentos, ver como eles faziam as pazes após uma discussão. Outro fator que me chamou a atenção foi ver como o trabalho afetou a vida pessoal deles. Por mais que tentassem, acho que o envolvimento e dedicação deles, a imersão na investigação, dificultaram para que conseguissem ser bem sucedidos na vida. Depois de tantas coisas que passaram não me decepcionei por terem planejado um final feliz para os dois. Acho que depois de todos esses anos vagando entre inferno e o purgatório, um pouco de sossego no Éden é mais do que merecido para Holder e Linden.

*Esse texto é de autoria de Carlos Eduardo Oliveira, o Du, nosso novo colaborador.

Séries citadas:

Os textos assinados pela Redaçao TeleSéries são textos de autoria coletiva ou notícias escritas por um redator anônimo, mas sempre revisadas com a máxima precisão jornalística.

7 Comments

  1. Célia Regina

    Excelente review! Amei a temporada! Pena que foram apenas 6 episódios.

  2. Marcos

    A trama foi fantastica, no começo acreditei que Kyle era inocente, ele não iria matar a pequena Nadine… na reta final, os suspeitos pareciam se Lincoln Knopf, A.J e Rayne e depois somente Lincoln Knopf e A.J e no final Kyle se revela o verdadeiro culpado! Que louco isso…

  3. Roberto Francez

    The Killing …e o maior mistério desde o inicio da primeira temporada foi revelado, e não estou falando dos casos realistas. Muito triste que A MELHOR SÉRIE POLICIAL que eu já ouvi falar se encerrou. Mas extremamente FELIZ por ter tido um FINAL PERFEITO, ÉPICO! ESSA SÉRIE NÃO MERECEU O “ESQUECIMENTO” QUE TEVE pelos Emmys e Globos de Ouro da vida! 10x melhor que Homeland (que é outra preferida minha). I’ll miss you Detective Linden.

  4. Aline Domingos

    Confesso que emocionei e fiquei com aquela cara de boba durante uns minutos! Foi pra lista de favoritas !

  5. Bibi BE

    ALGUÉM POR FAVOR ME EXPLICA!!!!!!!!!ACABEI DE ASSISTIR O ÚLTIMO CAP. DA 4 TEMPORADA….COMO O KYLE TOCAVA O PIANO QUANDO MATOU SUA IRMAZINHA???????AS CORDAS NAO HAVIAM SIDO CORTADAS PELA OUTRA IRMA MUITO TEMPO ANTES?NAO ESTAVA TAO EMPOEIRADO QUE NAO FOI POSSIVEL NEM COLHER AS DIGITAIS????? COMO ENTAO ELE TOCAVA NA NOITE DO CRIME????????????????????

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