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Reviews

Atlantis – A Girl By Any Other Name

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Série: Atlantis
Episódio: A Girl By Any Other Name
Número do Episódio: 1x02
Exibição no Reino Unido: 05/10/2013
90.5
4.5
2

Que Atlantis é a versão Grécia Antiga de Merlin isso todos nós já sabíamos. Que seguiria a mesma estrutura de episódios, de dinâmica de personagens, isso também. Mas que também seguiria o mesmo plot principal, isso era impossível de prever, até porque ninguém seria estúpido o bastante para usar o mesmo plot em duas séries diferentes. Mas esse não parece ser o caso de Johnny Caps e Julian Murphy, que estão reaproveitando o que fizeram em Merlin descaradamente.

Nesse episódio, um senhor idoso e doente procura pela ajuda de Jason – tendo ouvido falar de sua coragem ao matar o Minotauro -,e pede sua ajuda para encontrar sua filha Demetria, que está desaparecida. Seguindo as pistas ele descobre ela foi levada pelas Ménades, adoradoras do deus Dionísio, para torná-la parte do culto. Quando ele, Pitágoras e Hércules vão até a floresta de Nysa para procurá-la, encontram uma garota que tudo indica ser Demetria, só que ao ficarem presos no templo das Ménades, eles descobrem que ela não é Demetria. Até aí nada demais, o grande porém é nome dessa garota: Medusa.

Sim, aquela Medusa que todo mundo conhece, o ser mitológico sinistro com o cabelo de cobras e que transforma todos que olham nos seus olhos em pedra. Mas como a simples garota Medusa irá se transformar no monstro mitológico Medusa? No final do episódio vimos a grã sacerdotisa da Ménades lançar uma maldição nela pouco antes de morrer, o que já indica o que reserva o futuro da garota.

“Mas Lucas, até aí eu não vi nada de semelhante com Merlin, porque você diz que as duas séries tem o mesmo plot principal?”

Simples. Se você assistiu Merlin sabe que a vilã principal, Morgana, começou a série como uma garota normal, uma das mocinhas, e que aos poucos foi ficando poderosa e má na mesma proporção, até se tornar a mais terrível das bruxas, e a famosa grande inimiga de Merlin. E como vimos no final desse episódio, o Oráculo disse a Jason que o destino dele e de Medusa estavam ligados, e que ele já sabia qual seria o dela, ou seja, se tornar o famoso monstro. Se ela irá se transformar no monstro inevitavelmente e o destino dela e de Jason estão ligados, então quer dizer que um dia os dois se tornarão inimigos mortais, mesmo que agora isso seja impensável. É exatamente a mesma história de Merlin e Morgana. Os dois começaram a série como bons amigos, chegando até a se tornarem cúmplices, e no final ela se tornou seu Nêmesis, sua pior inimiga.

Como esses roteiristas podem ser tão preguiçosos? Usar o mesmo plot em duas séries que deveriam ser completamente diferentes? Uma coisa é se usar a mesma estrutura, o mesmo modo de retratar a história e tudo mais, isso até é aceitável, apesar de não ser nem um pouco recomendável, mas reaproveitar a história de uma série e apenas fazer algumas mudanças? O que eles estão pensando, que o público é estúpido e não vai perceber simplesmente porque as séries são diferentes? Bom, claro que não dá pra afirmar com certeza que será exatamente a mesma coisa, pois muita coisa ainda vai acontecer na série, e tudo pode mudar. A não ser que isso não seja preguiça dos roteiristas, e sim falta de talento para criar histórias, se for isso, então Atlantis está fadada ao fracasso. E logo no início.

Outro problema que a série tem é a falta de carisma dos personagens. Todos eles parecem batidos e previsíveis. Jason é o típico herói incompreendido, que está tentando encontrar respostas e só encontra mais perguntas; Pitágoras é o sidekick inteligente, que está sempre disposto a acompanhar Jason; Hércules é o alívio cômico; o Oráculo é o personagem misterioso que sabe de tudo mas só fala através de metáforas e frases feita; além de que está mais do que na cara que a princesa Ariadne será o par romântico de Jason, toda vez que os dois se encontram eles ficam encantados um com o outro, só faltam os olhos ficarem com formato de coração como nos desenhos animados. Em Merlin os personagens também eram assim, mas os atores eram tão carismáticos e tinham uma presença de tela tão boa que isso quase que passava despercebido. Fora que a dinâmica era bem diferente. Só pelo fato de Merlin ser o herói mas com jeito de sidekick já deixava mais interessante. E o par romântico de Arthur e Gwen foi se desenvolvendo com o tempo, ao contrário do “amor à primeira vista” de Jason e Ariadne.

Enfim, a sensação que dá é que os roteiristas não pegaram nenhuma experiência com o trabalho anterior e estão conseguindo cometer ainda mais erros do que antes, e é uma pena, porque Atlantis é uma série com potencial enorme, um assunto extremamente vasto que poderia ser tratado de diversas maneiras, mas que está sendo tratada de forma tão desleixada. Eu ainda estou muito otimista com a série e estou torcendo para que melhore, tomara que com o aparente sucesso que está fazendo os roteiristas caiam na real e comecem a desenvolver a criatividade.

Mas o episódio teve pontos positivos, e eles são da direção e da edição, que foram extremamente satisfatórias. A caracterização das Ménades ficou excelente, e os sátiros realmente ficaram assustadores (apesar de aquilo não ser um sátiro, mas a interpretação é aceitável), conseguindo até me arrancar um susto no início do episódio (coisa muito difícil de acontecer). Se o roteiro está falhando pelo menos os episódios são bem filmados (só tirarem aqueles movimentos ridículos em câmera lenta do Jason quando está lutando que fica tudo perfeito).

Repetindo: ainda é cedo para tirar conclusões. Tudo pode mudar. Aliás, é melhor mesmo que mude, para que não tenhamos o desgosto de ver uma série que poderia ser excelente ir para o esgoto, ainda mais sendo uma série britânica, e séries britânicas raramente (muito raramente mesmo) dão errado, e quando dão geralmente são fatores externos e não necessariamente por falta de qualidade. A própria Merlin foi cancelada por falta de orçamento da BBC. Vamos torcer para que dessa vez o investimento da emissora em Atlantis seja bem aproveitado.

Séries citadas:

Estudante de Produção Multimídia, cinéfilo de coração e futuro roteirista. Obcecado pelo Reino Unido e tudo que sai daquela ilha mágica, principalmente as séries, em especial Doctor Who, Sherlock e Downton Abbey. Também é apaixonado por animação, e sonha em ser roteirista de uma série animada.

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