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Especiais Opinião

As primeiras impressões do ‘Saturday Night Live’ Brasil

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Saturday Night Live - Rafinha Bastos/Marina Lima

Muitos achando bacana e muitos odiando. Da hora. Assim q é bom.

A frase, postada por Rafinha Bastos no Twitter na noite deste domingo, resume bem o que se falou e o que pode se concluir do primeiro episódio da versão brasileira do Saturday Night Live, que acaba de estrear na Rede TV!

Cercada de expectativas e incertezas, o programa não poderia vir mesmo sem causar polêmica – do lado do tuiteiros, na expectativa de ver a volta de Rafinha Bastos à TV, depois de ser afastado da Band por conta de uma piada ruim; do meu lado, pelo temor com o que fariam com o nome de uma das marcas mais relevantes da TV mundial, o programa que revelou John Belushi, Eddie Murphy, Chris Rock, Mike Myers, Will Ferrell e só mais uns 20 ou 30 outros comediantes de peso.

A estreia, de fato, foi desigual, e um pouco nervosa. Antes do programa, em coletiva de imprensa, Rafinha Bastos já adiantou que 60% dos quadros seriam gravados e apenas 40% seriam ao vivo – na contramão do original americano, feito quase todo diante da plateia. A decisão, verdade seja dita, foi acertada: o material gravado funcionou melhor e os quadros ao vivo, ainda que tenham o charme de exibir os erros dos comediantes (e eles erraram bastante!), acabaram saindo um pouco arrastados demais. Exceção, claro, para dois momentos clássicos do SNL: o monólogo e o Weekend Update, o falso telejornal exibido dentro do programa. O SNL da Rede TV! acabou saindo muito parecido com o americano – acho que não seria problema se tivessem feito as coias pouquinho diferentes no cenário (por que não imitar a estação Julio Prestes? Ou um noticiário com mais cara de Jornal Nacional?). Ficaram na zona de conforto. E ficou bom.

Saturday Night Live - Rafinha Bastos/Marina Lima
A abertura, com uma sátira ao depoimento confessional de Xuxa no domingo anterior ao Fantástico, sugere a linha que o programa irá adotar – mais focado em celebridades do que em política. (Na minha cabeça, imaginei um quadro de abertura que imitava o depoimento de Carlinhos Cachoeira na CPMI, com a Carol Zoccoli de Katia Abreu e o Fernando Muylaert de Fernando Collor. Bom, quem sabeu um dia?).

Dali em diante, o programa alternou bons e maus momentos. Mas alguns muitos bons, como os três quadros das fotos que ilustram este texto – o videoclipe dos motoboys (sátira clássica que remete a Rafinha pré-fama, dos tempos em que mantinha a Página do Rafinha); o depoimento do Dengue; e o quadro das sacolinhas de supermercado. Veja bem, o Saturday Night Live americano também tem piadas fracas, quadros fracos e, aliás, tem até mesmo temporadas muito fracas (quase foi cancelado nos anos 80, quando tinha “só” a Julia Louis-Dreyfus, o Anthony Michael Hall e o Robert Downey Jr. no elenco!).

Mas se tudo der errado tem o número musical pra salvar a noite, né? Já vi muita gente que não gostava do Saturday Night Live americano correr na segunda-feira atrás dos vídeos dos convidados musicais. Só que, Marina Lima, instituição da Música Popular Brasileira, acabou soando como um ET dentro do programa, entrando em cena com a desconhecida Lex (uma canção sem refrão, que de familiar só tinha a citação de Canto de Ossanha no final) e depois, já no final, com a música de abertura de telenovela Pra Começar. Ficou a sensação de que, pro Saturday Night Live pegar no Brasil, mais do que afinar o humor, é preciso que a produção consiga trazer ao palco celebridades e cantores e bandas que estejam nas paradas.

Saturday Night Live - Rafinha Bastos/Marina Lima

A presença de Rafinha Bastos como apresentador acabou me deixando dividido. Seu monólogo foi o melhor momento do programa e serviu para colocar os pingos nos “is” – entre eles explicar este erro monumental de exibir um programa com sábado no nome num domingo. Mas sua onipresença nos quadros acabou confundindo e gerando uma dose extra de pressão ao programa (dá pra imaginar os repórteres assistindo nas redações, esperando o momento que ele derrapasse), o que atrapalha a análise do que ali era do programa e o que ali era o tempero do apresentador. Com isto, o primeiro SNL não dá uma dimensão de equipe e do potencial dos demais atores (surpresa pra mim, muitos rostos conhecidos). Pode ser que melhore. Mas também pode ser que na próxima semana seja pior! A se descobrir no próximo domingo, se tivermos um apresentador que não seja membro do elenco.

De qualquer maneira, esqueça os tuiteiros mal-humorados de plantão. Sem graça foram as décadas da ditadura de A Praça é Nossa, Zorra Toral e Casseta & Planeta. A TV brasileira finalmente está com um bom espaço para desenvolver novos talento e novos formatos em comédia – seja aqui, seja na Band, na MTV ou no Multishow. O SNL brasileiro é mais um destes espaços. Falta muito para ser o mais importante mas, com certeza, passa muito longe do descartável.

Séries citadas:

É jornalista, pós-graduado em Jornalismo Digital pela Pucrs e trabalha com produção de conteúdo para Internet desde 1995. É editor de internet do Jornal do Comércio, de Porto Alegre. Fundou o TeleSéries em agosto de 2002. Na época, era fã de The West Wing, The Shield, Família Soprano e Ed. Atualmente é viciado em The Good Wife, NCIS, Game of Thrones e Parks and Recreation.

14 Comments

  1. Lu Mazza

    Eu adoro o Rafinha, assisti o programa de ontem e geeeeeeeente! Foi um fiasco. fiquei até constrangida. Ruim paca. E eu acho o Rafinha Bastos tão talentoso… Que pena! Será que melhora? Covardia botar o programa para concorrer com o Pânico.

  2. Fernando dos Santos

    Acho que ainda precisa melhorar(e muito) o timming dos comediantes e a direção me pareceu um tanto frouxa.Apesar disso, o programa teve seus momentos divertidos.Gostei do Weekend Update.
    Levando em conta que foi o programa de estreia e usando um formato nunca testado na tevê brasileira, o resultado até que não foi tão ruim quanto eu pensava que seria.
    Acho que um dos grandes problemas que o programa vai enfrentar é que numa emissora trash como a RedeTV vai ser dificil arrumar convidados especiais de peso toda semana como acontece no original americano que costuma ter entre seus “guest stars” a nata do show business dos EUA mesmo com a NBC em decadencia.

  3. Mariela Assmann

    Não vi, e nem pretendo. Então, nem devia vir comentar aqui, hehehhehe. Mas queria registrar que ouvi muita gente comentando sobre aqui em SP, na rua mesmo. E 99% das opiniões foram no sentido de que o programa beirou o ridículo. Segundo às “más” línguas, foi lixo.

  4. Carlos Marques

    …e na TV Brasileira, Saturday means Sunday !  Só assistirei quando mudar o dia ou o nome do programa. Pago muito caro pelas minhas aulas de inlês….

  5. Paulo Serpa Antunes

    Eu reforço a minha opinião em defesa do programa.
    As pessoas que estão criticando ou não entendem o formato ou entendem, mas nunca pararam pra prestar atenção que o SNL americano também tem sua fragilidade.

  6. Victor Regis

    Paulo, concordo contigo. Obviamente que não dá pra pegar um programa que tem 40 anos de história e relevância e fazer uma adaptação boa logo no primeiro episódio, ainda mais em um país como o Brasil que nunca tinha tentado nada similar.

    Odeio o Rafinha e não ri de absolutamente nenhuma piada aqui, mas achei a adaptação de todo o formato surpreendentemente bem feita e acho que se continuarem tocando o barco assim, corrigindo alguns erros (principalmente os quadros ao vivo, que eram arrastadíssimos) o programa pode crescer e virar um palco decente para bons atores de comédia. Até porque se esse der certo quem sabe não seja um incentivo para outros canais elevarem um pouco mais o jogo, né?

  7. eudes

    Também não gosto muito do Rafinha, e achei alguns quadros bons e outros ruins. Mas como o Paulo falou: o SNL americano tem episódios péssimos ou temporadas inteiras. Eu mesmo sou desses que as vezes quero ver só o convidado musical. Eu acho que falta  um timing melhor, mas eu acho que o formato pode revelar vários talentos. E sinceramente, eu achei melhor que o humor do Pânico, que perdeu para SBT (com Silvio Santos no ar) e para REcord e FAntástico com seu sensacionalismo. Mais eu acho que a audiencia não deve passar dos 3 pontos, dado ao tipo de humor. Agora péssimo mesmo foi aquele “SExo a 3” com Dr. Rey. BEm mais lixo que o SNL.

  8. baby

    eu gostei muito do programa, e que nos não estamos acostumado com esse tipo de humor mas eu adorei….

  9. Paulo Serpa Antunes

    E o bizarro é que a imprensa comparau a audiência dos dois programas. Com quem sugerisse que um é melhor que o outro por ter mais audiência – poxa, só tem mulher pelada, como não ia dar audiência! Quero ver é viabilizar isto comercialmente.

  10. Lisi

    está muito dificil escolher qual é o pior programa.Mas como o rafinha é pior humorista que já existiu o programa dele leva o prêmio. 

  11. Pingback: FX faz ação ao vivo com Rafinha Bastos para lançar a nova série no canal

  12. Carlos Estevam

    As piadas são novas mas, recorrem muito à própria TV. Tomara que não dependam de um paralelo com outros canais como é o TOP Five do CQC. O humor tá amolado, principalmente as auto-críticas, como no texto de Marília Gabriela do dia 1 de Julho. O humorista que imita Datena, William Bonner e outros é muito bom. Tomara que não abusem de estereótipos já que a “identidade semiótica” entre os roteiristas e o público é muito baixa porque depende da própria TV como intermediário. A produção é rica em idéias mas, exige um trabalho muito grande de representação pra passar por um funil tão fino que é a quantidade de personagens que podem prender a atenção de um público tão acostumado às mesmas referências que a TV/Mídia imprime.

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