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As Primeiras Impressões de ‘The Bridge’

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Parei de respirar quando as luzes da Ponte das Américas foram desligadas, propositalmente, apesar de já saber o que ia acontecer…

Minha história com The Bridge começou em um belo domingo à tarde, que não tinha nada para fazer até surgir uma pauta para falar sobre esse novo drama policial do FX. Como nem sempre temos a oportunidade de escrever sobre séries que conhecemos, prontifiquei-me a fazer a notícia.

Falar sobre o desconhecido exige uma maior pesquisa, na verdade tudo precisar ser bem estudado, porém é muito mais fácil falar sobre aquilo que já estamos familiarizados. Cada página que visitava e matéria que lia, ficava mais intrigado e envolvido com a história.

The Bridge é uma adaptação de uma série escandinava chamada Bron/Broen que se passa na fronteira da Dinamarca e Suécia. A versão original, a fronteira também é um tema de conflito, assim como todas as fronteiras do mundo, aquela linha inexistente separa muitas culturas, economias e costumes. A história americana se passa na tensa fronteira entre o México e os Estados Unidos. A diferença é sutil, a premissa é exatamente a mesma, inclusive o primeiro caso da série da FX é idêntico ao da europeia. (Quase uma cópia da história escandinava)

Mas voltando ao episódio piloto de The Bridge, ver em ação tudo aquilo que você pesquisou e leu no último mês deixou-me um pouco eufórico.

As luzes voltam e um corpo é encontrado no meio da fronteira, que é fechada e as polícias são acionadas. Como a vítima é uma juíza americana, a policial de El Paso Sonya Cross (Diane Kruger) vê a oportunidade de comandar uma grande operação. Como não encontra resistência do policial de Juárez Marco Ruiz (Deminán Bichir), que alega ter seus muitos “corpos” para enterrar, Cross fica com a responsabilidade de investigar o caso.

Pela sinopse sabemos que Sonya sofre a Síndrome de Asperger (SA), só que os produtores resolveram que a síndrome não será citada, ao menos no início, para que a personagem não seja definida por sua condição.

Quem sofre de SA não percebe as emoções alheias, o que pode ser interpretado como falta de afeto. Isso fica evidente na cena em que Cross começa sua investigação e vai até a casa da juíza informar a família de seu falecimento. O Coronel Hank Wade (Ted Levine) tenta “ensinar-lá” como ser portar nessa situação. Sem sucesso, pois Sonya demonstra todo o seu pesar oferendo um copo de água ao marido recém viúvo.

Wade está para Sonya assim como Saul (Mandy Patinkin) está para Carrie (Claire Danes) em Homeland. Impossível, para quem assiste as duas séries, não fazer essa comparação. Ele tenta de todas as formas defendê-la e estar ao seu lado.

Cross fica extremamente nervosa quando Ruiz deixa uma ambulância passar a fronteira. Justificando que a cena do crime pode ter sido modificada. Só que Cross ainda vai precisar muito de Ruiz, uma vez que somente metade do corpo é da juíza e a outra de uma menina mexicana. Testemunhamos então a formação de uma dupla nada convencional.

Como nada acontece por acaso, o ocupante dessa ambulância acaba não resistindo e morrendo no hospital. Antes porém ele se anti declara para sua esposa Charlotte Millright (Annabeth Gish) dizendo que não a ama. Quando chega ao rancho, ela acaba descobrindo um segredo… Essa história ainda vai render!

O corpo na fronteira, a policial e a tecnologia americana, o policial e o jeitinho mexicano e o serial killer estavam todos lá. Eu realmente tinha colocado muita expectativa em cima deste primeiro episódio e confesso que achei ele meio parado, até os 45 do 2º tempo!

A chegada do personagem Daniel Frye (Mathew Lillard), um repórter sem escrúpulos, finalmente trouxe a tensão que tento esperava. Os 15 minutos finais são de tirar o fôlego. E o recado deixado pelo serial killer faz todo mundo pensar (dentro e fora das telinhas): “Há 5 assassinatos por ano em El Paso. Em Juárez, milhares. Por quê? Porque uma única mulher branca é mais importante do que todas as outras mortas do outro lado da ponte? Por quanto tempo El Paso ignorará isso? Teremos uma época interessante pela frente. Isso é só o começo”.

Apesar dos roteiristas e atores não querem se meter nos conflitos existentes entre os EUA e o México, depois dessa mensagem e como a investigação é conduzida pela polícia de Juarez, é impossível não tomar partido…

A série lança holofotes em temas muito densos, como SA, cartéis de drogas e “Garotas de Juarez” – assassinato de dezenas de meninas e mulheres, que recebeu o nome de feminicide, desde 1993 na cidade mexicana, que continua até hoje sem solução.

Kruger ainda tem um longo caminho a percorrer. Tive a impressão de conseguir ler seus pensamentos e os movimentos pareciam milimetricamente marcados. Démian rouba a cena com seu policial boa praça. O ator mais experiente nas telinhas que sua companheira, trouxe o calor mexicano.

Apesar de um começo morno, a série ainda tem muito para se desenvolver. Promete!

Ps [1]: Notaram que a série é bilingue? As cenas com personagens mexicanos são feitas em espanhol e as dos Estados Unidos em inglês, às vezes, esplanglês. Isso torna as coisas mais reais.

Ps [2]: Alma Ruiz, esposa de Marco, é interpretada pela belíssima Catalina Sandino Moreno. A menina tem talento, tomara que apareça mais!

Ps [3]: Casal quase premiado. Bichir foi indicado ao Oscar em 2011 pelo seu papel no filme Uma Vida Melhor e Catalina em 2005 por Maria Cheia de Graça.

Séries citadas:

Carioca, formado em Atuária e Estatística pela UERJ. Deixa os números de lado quando se trata de séries. Sem nenhuma experiência no mundo jornalístico, chegou ao TeleSéries com muita vontade de aprender e hoje faz parte do time de colaboradores de notícias e resenhas. Acompanha: Scandal, How to Get Away with Murder, Homeland, The Walking Dead, The Americans, Nashville, Parks and Recriation, Modern Family, Orphan Black, Devious Maids e atualmente está alucinado com The Good Wife. Já sonhou morar em Everwood, trabalhar na redação do News Night with Will Mcavoy, ser um bombeiro em Third Watch e ter como vizinhas às garotas Gilmore.

7 Comments

  1. biancavani

    Amei esta série, bem intensa, atores perfeitos. Adoraria ver na versão original Bron/Broen, que perdi e não estou conseguindo achar. Mas tudo bem, é bom termos alguma coisa ideal para perseguir…

  2. Maria Clara Lima

    Eu adorei tb, Bianca!! Acho que tem muito pano pra manga. Já virou minha favorita da summer season

  3. biancavani

    Vou deixar para elogiar seu gosto refinado em outro momento, porque, se o fizesse agora, pareceria que eu “tô me achando”, rs.

  4. biancavani

    Maria Regina, tem certeza que tem no Netflix? Então acho que tiraram, porque não está mais lá. Mas valeu!

  5. biancavani

    Já vi Bron/Broen. Muito boa, e The Bridge idem.
    Obs.: meus melhores elogios para a música da abertura e dos créditos de Bron/Broen.

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